4. PRESENTASJON AV FUNN
5.3 Kan kulturkompetanse og kultursensitivitet skape en bedre relasjon og øke tilliten?
5.3.1 Kulturalisering
Com a aceitação do convite do presidente eleito da República Wenceslau Braz Pereira Gomes, que governou o país de 15 de novembro de 1914 a 15 de novembro de 1918, para assumir um ministério, Tavares de Lyra articulou a eleição de seu irmão João de Lyra Tavares, deputado estadual na Paraíba, para o Senado como representante potiguar. Esse fato acarretará consequências desastrosas na politica estadual, resultando na desarticulação oligárquica da família Maranhão.
De qualquer forma, o presidente facultou-lhe a opção por qualquer pasta. Tavares de Lyra estava no auge de sua carreira política e os jornais falavam que ele seria mesmo uma espécie de Primeiro Ministro. Ele escolheu, para surpresa de todos, a pasta da Viação e Obras Públicas. Isso porque comumente esse ministério ficava com algum engenheiro. No quadriênio do Presidente Wenceslau Braz foi, também, por duas vezes, interinamente, ministro da Fazenda.
O senador potiguar José Ferreira de Souza discursou anos mais tarde na tribuna do Senado destacando a administração de Augusto Tavares de Lyra a frente do dito ministério:
Com Tavares de Lyra quebrou-se a tradição de confiar a um engenheiro a Pasta da Viação e Obras Públicas. Ele provou, como administrador, jurista e político, uma verdade em que deveríamos meditar e remediar constantemente. Tavares de Lyra mostrou, sem palavras, sem discussões, sem notas, que a função ministerial não é uma função de ordem técnica, no sentido em que a palavra é geralmente tomada, e que a administração pública é política e exige espírito político, com a sua compreensão dos problemas gerais, dos problemas políticos e com a especialidade – que, em regra, só o político tem – de lidar com os homens e de resolver humanamente problemas humanos. Tornou patente dever ser ela a função ministerial entregue, não aos chamados técnicos, quase sempre unilaterais, sem visão do conjunto, muitas vezes parciais, com ideias prévias, senão aos que veem as coisas do alto e sob outros prismas, como o econômico, o político, o jurídico e da conveniência ocasional. Ele foi um verdadeiro ministro. (SOUZA, 1953, p. 28).
Na pasta da Viação e Obras Públicas, teve oportunidade de promover a revisão dos contratos da União com Companhias de Estradas de Ferro e Companhias de Navegação e de Portos Nacionais. Tavares de Lyra reviu contratos, interpretando cláusulas, fazendo cumprir obrigações assumidas, realizou obra fecunda e duradoura, que trouxe imensas
economias, libertando o Tesouro Nacional de compromissos superiores a 600 mil contos de réis
Imagem 15 – Tavares de Lyra – Ministro da Viação e Obras Públicas.
Fonte: Acervo do autor.
Sua passagem na pasta da Viação e Obras Públicas marcou a reforma administrativa de inúmeras Repartições. Foram reorganizados e reformados os seguintes serviços: Inspetoria de Obras Contra as Secas (como nordestino, conhecedor dos problemas do povo flagelado pelas secas, dilatou e ampliou as funções da Inspetoria); Inspetoria de Estradas de Ferro; Inspetoria de Iluminação; Inspetoria Federal de Viação Marítima e Fluvial; Repartição Geral dos Telégrafos; Inspetoria de Portos, Rios e Canais; Inspetoria de Esgotos da Capital Federal.
Em agosto de 1918, quando terminou seu quadriênio ministerial, recebeu uma homenagem dos seus pares, no Derby Club, do Rio de Janeiro, onde foi realizado um banquete promovido pelo Senado Federal e Câmara dos Deputados. Estava sendo encerrada uma fase da sua vida pública e, por isto mesmo, maior foi o mérito da homenagem. O Senador Francisco Bueno Paiva, orador oficial do banquete disse, então:
Bem mereceis de vossos patrícios, estima, respeito e gratidão; e, por isso o vosso nome que vem vindo sempre ligado à bela terra extrema do Nordeste brasileiro (terra que tanto se deve ufanar de ter sido o vosso berço; terra que
tanto amais e a que tanto tendes servido, terra cujas tradições e cujas glórias viestes perpetuando em vossos livros de historiador erudito, o vosso nome, repito, rompeu as raias do vosso Estado natal, ampliou-se, cresceu e transformou-se em verdadeiro patrimônio nacional. Era justo, pois, que os vossos antigos colegas do Senado e da Câmara, neste fim de uma memorável fase de vossa vida de administrador e político, e relembrando com saudade uma época de afetuosa convivência, viessem trazer-vos as palmas dos seus aplausos e transmitir-vos as esperanças que nutrem, ou, antes, a certeza que todos têm, de que vossa tarefa patriótica não está terminada e novos louros haveis de colher ainda na continuação de vossas lides em prol da grandeza de nossa Pátria. Sais um crente fiel do credo republicano; sois um correligionário a quem se pode, com segurança, apertar a mão, sem temer uma deslealdade. Esse aperto de mão eu vos dou nesta saudação, em nome dos vossos amigos e admiradores do Senado e da Câmara. (PAIVA, 1918, p. 14-15).
Ao deixar o ministério da Viação e Obras Públicas, Tavares de Lyra ansiava, segundo (SOUZA, 1989) retornar ao governo do Rio Grande do Norte. Para tanto, insinuou-se diversas vezes ao governador Ferreira Chaves nesse sentido. O governador que fora eleito depois de acirrada campanha realizada contra a Oligarquia Maranhão, pelo capitão José da Penha, em 1913, parecia não concordar com o retorno de Tavares de Lyra ao governo.
Parecendo ter sido eleito pela oposição, Ferreira Chaves iniciou, em 1918, uma série de mudanças politicas com o objetivo de se fixar no poder com o seu próprio grupo politico. Com efeito, conseguiu o desmantelamento total da oligarquia, em episódio iniciado com uma serie de demissões e de preterições de candidatos a cargos no Legislativo Estadual, o que culminou com a Carta Aberta de Tavares de Lyra e a consequente resposta de Ferreira Chaves.
Por fim, Tavares de Lyra sentindo-se desprestigiado politicamente, afastou-se da atividade política militante, aceitando o cargo de ministro do Tribunal de Contas da União, função que exerceu durante mais de 20 anos, isto é, de 1918 a 1940. Contudo, continuou acompanhando atentamente a política estadual, tendo fundado juntamente com Alberto Maranhão o jornal “A Opinião”, que tinha como redator Sandoval Wanderley (1954, p.14) que também fundou o “Centro cívico Tavares de Lyra” na tentativa de combater o governo Ferreira Chaves. No entanto, esta é outra história.
Imagem 16 – Ministério Wenceslau Brás
Na primeira fila o Presidente entre Alexandrino de Alencar e Caetano de Faria. E na segunda da esquerda para a direita: Carlos Maximiliano, Tavares de Lyra, Lauro Muller, Sabino Barroso e Pandiá
Calógeras.
Fonte: Acervo do autor.