7. Resultat av AEMA analysene
7.2 Kryssing med tog uten rute
A Escola da EJA foi investigada por nós no período de abril a novembro de 2011. Decidimos por quatro salas de aula do Ciclo III da EJA, em duas escolas no município de João Pessoa, identificadas como Escola Paulo Freire e Escola Anísio Teixeira10, nossas principais fontes de dados, a fim de compreender e interpretar o fenômeno caracterizado pelos jovens que vivenciam situações de fracasso escolar e ainda investem na superação desse problema.
A escolha por esse lugar para a pesquisa se justifica, principalmente, pelo retorno ao campo de investigação realizado em 2006-2008 e referendado em Furtado (2009) e por nossa proximidade no convívio com as pessoas que ali
10 Os nomes atribuídos às escolas são fictícios, e a escolha deve-se à importância desses dois
residem. Isso contribuiu para entendermos bem mais a estrutura socioeconômica em que vivem. A figura 2 apresenta a localização das escolas:
Figura 2 – Localização das escolas
Fonte: Google Earth
Como é possível perceber nessa imagem, as duas escolas públicas dividem espaço com uma grande escola particular, bem conceituada não só nesse bairro, como também em bairros vizinhos. Situam-se no interior do bairro, cercadas pelo principal mercado, além de supermercado, lojas de roupas, gêneros alimentícios, livraria, sapataria, materiais de construção, muitas mercearias, que atendem às diversas necessidades da população, uma igreja evangélica e outra católica, bem
como casas residenciais. A seguir, temos a imagem das escolas para uma melhor visualização:
Figura 3 – Escolas
Fonte: A autora (2013)
Figura 4 – Escolas Paulo Freire e Anísio Teixeira
Fonte: A autora (2013)
Os alunos das três escolas se diferenciam nas fardas e nas condições socioeconômicas. A maioria dos que estudam na escola particular vão à escola em transportes escolares, em carros próprios, conduzidos por familiares:
Escola Paulo Freire Escola Anísio Teixeira
Escola Particular
Figura 5 – Escola Particular I
Fonte: A autora (2013)
Figura 6 – Escola Particular II
Fonte: A autora (2013)
As fardas se destacam pela cor, pelo tecido e pelos calçados que estivessem na moda. As bolsas em que os alunos carregam seus materiais se diferenciam no luxo dos carrinhos e na beleza das estampas. Em contrapartida, as duas escolas municipais se diferenciam de todo esse “aparato” que a condição
econômico-social possibilita aos alunos da escola particular. Quase todos vão à escola a pé ou de bicicleta e, raramente, alguns em carro próprio ou escolar. Muitos chegam ainda suados, por virem de lugares distantes, inclusive de comunidades pobres situadas nas proximidades do bairro.
Figura 7 – Alunos em frente às escolas Anísio Teixeira e Particular I
Fonte: A autora (2013)
As fardas, às vezes, manchadas pela tinta que se solta dos detalhes da manga, diferenciavam-se das dos alunos da escola particular, e os calçados são diversos, desde o tênis disponibilizado pela prefeitura, no início do ano letivo, até as sandálias, de diversos tipos. Muitos deles carregam o material escolar na mão, em bolsas também disponibilizadas pela prefeitura ou, até mesmo, compradas por seus familiares:
Figura 8 – Alunos em frente às escolas Anísio Teixeira e Particular II
Fonte: A autora (2013)
Durante o desenvolvimento da pesquisa, observamos que, à noite, turno em que funcionam as turmas de Educação de Jovens e Adultos, não havia movimento na escola particular, já que ali não eram oferecidas aulas noturnas. Por isso, o movimento ao redor das escolas se diferenciava, principalmente porque o mercado ficava fechado, e as escolas situam-se atrás dele, o que contribui para que o acesso às escolas não seja muito tranquilo, pois a iluminação é precária, e algumas partes ficam obscuras.
Figura 9 – Frente das Escolas Paulo Freire, Anísio Teixeira e Particular no horário noturno
Fonte: A autora (2013)
Figura 10 – Frente das Escolas Anísio Teixeira e Particular no horário noturno
Fonte: A autora (2013)
Figura 11 – Frente das Escolas Paulo Freire e Anísio Teixeira no horário noturno
Fonte: Quezia Vila Flor Furtado Fonte: A autora (2013)
Figura 12 – Mercado em frente à Escola Paulo Freire
Fonte: A autora (2013)
Escola Paulo Freire
Figura 13 – Mercado no caminho das Escolas Anísio Teixeira e Particular
Fonte: A autora (2013)
Como é possível observar, há uma grande diferença entre o movimento das escolas durante o dia e durante a noite. Isso faz com que esse lugar da EJA tenha suas características próprias diante do que é instituído para essa modalidade. Em relação a sua organização, cada escola apresentada se diferencia no atendimento às séries para o turno da noite. A Escola Paulo Freire oferece uma turma do Ciclo I, outra do Ciclo II, duas turmas do Ciclo III e duas do Ciclo IV. Já a escola Anísio Teixeira oferece uma única turma dos Ciclos I e II, duas do Ciclo III e duas do Ciclo IV.
Nossas visitas às escolas eram frequentes. Todas as terças-feiras seguíamos para a Escola Anísio Teixeira e assistíamos às duas primeiras aulas, uma no Ciclo III A e outra no III B, ambas do mesmo professor de Geografia, o qual estava substituindo outra professora que havia iniciado o ano letivo, mas, por incompatibilidades com a proposta da escola, foi desvinculada. Tanto um quanto o outro estavam em situação de contrato junto à prefeitura. Em seguida, íamos para a Escola Paulo Freire, assistíamos à terceira aula, no Ciclo III A, de Ciências, e na quarta aula, seguíamos para o Ciclo III B, em que estavam sendo ministradas aulas de História. Ambos os professores são efetivos da rede municipal.
Para conhecer esse ambiente escolar, utilizamos a técnica de observação que, como refere Haguete,
[...] ao invés de ser vista como uma simples técnica de coleta de dados [...] passa a ter uma vinculação estreita com a teoria que direciona a própria prática [...] fundamentando-a e justificando-a como a melhor forma de captar o sentido encoberto da ação humana [...]. (HAGUETE, 1992, p. 74).
No campo de pesquisa, muitas ações não são percebidas pelos próprios sujeitos, que demonstram, em seus discursos, incoerência em relação ao que dizem e ao que fazem. Muitas vezes, presenciamos jovens desinteressados na sala de aula e que, nas entrevistas, diziam ter bastante interesse pelas aulas.
É nesse sentido que a observação vem possibilitar “[...] um mergulho profundo na vida de um grupo com o intuito de desvendar as redes de significados, produzidos e comunicados nas relações interpessoais” (TURA, 2003, p. 189). Por isso, com o objetivo de “desvendar as redes de significados” foi que acompanhamos aulas ministradas aos alunos de Educação de Jovens e Adultos. Nesse processo, exercitamos o olhar, o ouvir e o escrever, identificados por Oliveira (2000, p. 18) como atos cognitivos, que “[...] assumem um sentido todo particular, de natureza epistêmica, uma vez que é com tais atos que logramos construir nosso saber.”
No decorrer do trabalho de observação, elaboramos o diário de campo, definido por Bogdan e Biklen como Notas de Campo. Trata-se “[...] do relato escrito daquilo que o investigador ouve, vê, experiencia e pensa no decurso da recolha e refletindo sobre os dados de um estudo qualitativo” (1994, p. 150).
Essa técnica é considerada importante porque, por meio dela, o pesquisador pode sentir, comparar e analisar as falas dos entrevistados com as atitudes e os comportamentos que apresentam na escola, com ênfase “[...] no processo, naquilo que está ocorrendo, e não, no produto ou nos resultados finais” (ANDRÉ, 2007, p. 29). Portanto, no campo de investigação, nossa atitude era de perceber os processos que se davam nas relações entre os sujeitos, tanto quanto os alunos entre si, como a relação deles com seus professores e a relação que se dava na prática educativa.
Depois de conhecer o campo de investigação, apresentaremos a seguir os sujeitos envolvidos na pesquisa.