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“Todo conhecimento é resultado de um longo processo” Ubiratan D’Ambrósio

Os acadêmicos, ou professores em formação, buscam, nos cursos de licenciatura, diferentes oportunidades de aprendizagem, incluindo aprender os conceitos e como fazer para ensiná-los aos seus futuros alunos. Porém, o que se percebe é que, ainda, existe maior preocupação com a primeira parte, em detrimento da segunda. Nas palavras de Moreira e David (2007):

A hipervalorização da Matemática Acadêmica no processo de formação estimula o desenvolvimento de concepções e valores distanciados da prática e da cultura escolar, podendo dificultar a comunicação do professor com os alunos e a própria gestão da matéria em sala de aula. (p. 102-103).

Os próprios acadêmicos envolvidos na pesquisa reconheceram este fato. Por isso, ao se depararem com a proposta do trabalho, apresentaram suas boas expectativas: “espero que eu possa adquirir novos conhecimentos que possam me ser útil na minha futura vida profissional” (MINIE) e espero “conseguir conquistar o aprendizado de diversas maneiras e passar isso para meus alunos depois” (MORANGUINHO).

A preocupação dos estudantes é um fato positivo, pois se mostram esperançosos para a vida que lhes aguarda: novas escolas, novas turmas, novos desafios. “Ser professor é um ato de contínuo desnudar-se, dada a impossibilidade de educar sem mostrar quem somos, e por isso termos que ser bons antes de sermos professores.”. (ROCHA FILHO; BASSO; BORGES, 2007, p. 41).

A fala anterior deixa a questão em aberto: o professor precisa mostrar quem é, antes de educar. O acadêmico nas licenciaturas, para se mostrar como professor futuramente, precisa, hoje, descobrir-se; descobrir suas capacidades e habilidades e, também, suas limitações. “A gente se educa a cada dia, durante a vida inteira, aprendendo das experiências que vive.”. (CECCON; OLIVEIRA; OLIVEIRA, 1992, p. 92).

De tal modo, nas palavras dos acadêmicos, o processo experimentado “tem feito eu perder a timidez e perceber a importância de ser um professor dinâmico, pois fará os alunos terem vontade de assistir aula e aprender mais” (SMURFETE) além de perceberem que “o teatro eu acho que ajuda bastante no papel da formação do professor” (GARFIELD).

Outra aluna coloca que para o seu crescimento

Pessoal, assim, eu acho que ajuda muito nessa parte mesmo de entrosamento, de não ficar com vergonha na frente dos colegas porque a gente ta acostumado a convive junto, mas aí quando tem que fazer alguma coisa diferente como imita um bicho, alguma coisa... aí a gente não ta acostumado (...), e como profissional, eu acho que assim, tudo é uma colaboração de artifícios que tu pode usar quando for dar aula. (PATOLINO).

D’Ambrósio afirma que “educação é a estratégia definida pelas sociedades para levar cada indivíduo a desenvolver seu potencial criativo, e para desenvolver a capacidade dos indivíduos de se engajarem em ações comuns.”. (1997, p. 70). Assim, deve ser também nos cursos de formação de professores.

E, sabe, eu acho que tu ensina a pessoa não é só num quadro, tu tem que ter uma rede de possibilidades, de chances de fazer as pessoas entenderem, porque nem toda a pessoa entende olhando no quadro, as pessoas são diferentes, então tu tem que ter a opção do quadro, tu tem que ter a opção do jogo, tem que ter a opção do teatro, que são coisas assim, fantásticas! (SHREK).

Sempre gostei mais da maneira tradicional do ensino, porque consigo aprender de uma maneira mais eficiente com esta, porém com diversas experiências que vivenciei dentro e fora da sala de aula nos últimos tempos, pude perceber que em sua maioria, os estudantes necessitam de algo mais, que transceda o básico e tradicional, para desta forma aperfeiçoar compreensão do conteúdo lecionado. E as aulas de IEM I me ajudaram a perceber o que de fato seria este “algo mais”, além de me fornecer amplas ferramentas para quando me formar professor conseguir oferece-lo aos meus alunos. (ZAZU).

Sabe-se que a formação profissional do professor vai além de saber os conceitos. A parte pedagógica, de fazer um elo entre teoria e prática, é que se torna, hoje, uma chave para o sucesso docente.

A ênfase na transmissão do conhecimento matemático pode ter servido à formação dos professores e serviu também para desenvolver a pesquisa matemática. entretanto, a formação pedagógica do professor não cumpriu satisfatoriamente os seus objetivos de preparação de futuros professores. O descrédito nos estudos pedagógicos colaborou para que as licenciaturas fossem centrando-se cada vez mais em seu próprio conteúdo. Talvez, um aspecto especialmente crítico tenha sido o tratamento didático-pedagógico dado às disciplinas em que se aprende matemática ao longo do curso de licenciatura. É quase “natural” sua reprodução na prática do futuro professor, não importando o discurso aprendido nos cursos voltados especialmente à qualificação docente. Dessa forma, o saber se fragmentava e impossibilitava uma relação mais consistente entre teoria e prática. (GOULART, 2007, p. 52).

Os acadêmicos mostraram que, para serem bons profissionais, precisam dedicação, estudo e amor por aquilo que fazem, “não só o professor, acho que qualquer profissional que faz aquilo com amor e com paixão consegue passar com maior facilidade o que ele quer” (SHREK).

Os cursos de formação ainda apresentam problemas, porém a superação dos mesmos depende, em parte, dos docentes de hoje, com vontade de mudar, e também dos discentes, com disposição para questionar e lutar por seus direitos e novas oportunidades. “Experimentar é valorizar o processo de construção do saber em vez do resultado dele, pois na formação do aluno, mais importante que conhecer a solução é saber como encontrá-la. Enfim, experimentar é investigar.”. (LORENZATO, 2006, p. 72).

É importante o reconhecimento do que já foi alcançado:

O fato de eu não ter tanto medo mais de errar na frente de colegas, pelo fato da gente conversar e sempre tá em círculos e trocando, permutando as pessoas a gente acaba conversando com as pessoas do lado, até alguns colegas que eu não tinha contato converso mais (...). E assim, [no crescimento] profissional, acredito que hoje eu saberia chegar numa sala de aula e quebrar aquele gelo, quando a gente chega e olha um monte de criança, um monte de aluno assustado olhando pra ti, chegar e fazer uma brincadeira, tirar eles da mesa, simplesmente se levanta, fazer um círculo, conversar. (SHREK).

Percebeu-se, de fato, que os graduandos querem lutar por seus ideais. Finalizando, as palavras de Freire:

Há uma relação entre a alegria necessária a prática educativa e a esperança. A esperança de que professor e alunos juntos podemos aprender, ensinar, inquietar- nos, produzir e juntos igualmente resistir aos obstáculos à nossa alegria. Na verdade, do ponto de vista da natureza humana, a esperança não é algo que a ela se justaponha. A esperança faz parte da natureza humana. (1996, p. 80).