6. O M Å UTVIDE BARNAS SMAKSREPERTOAR
6.2. Krydder
O processo de internacionalização de uma empresa é dotado de grande complexidade; de facto, no âmbito da teoria da multinacionalização das empresas são colocadas diversas questões.
Hirsch (1976) salienta duas: 1) quando? e 2) como? Em relação à primeira, o objetivo é determinar o momento ótimo no qual uma empresa (maximizadora do lucro) opta por entrar no mercado estrangeiro; em relação à segunda, pretende-se saber em que condições a empresa pretende servir aquele mercado, se por via da exportação ou através do IDE, isto é, por via de produção no local da entrega (país estrangeiro).
Campa (1993) debruça-se sobre o momento ótimo de entrada num mercado estrangeiro, mais precisamente sobre o efeito da evolução esperada da taxa de câmbio na decisão. Para tal, o autor testa os efeitos das flutuações da taxa de câmbio real no IDE nos EUA, durante os anos 1980 e verifica, para a amostra utilizada, que a volatilidade da taxa de câmbio parece estar negativamente correlacionada com o número de investimentos estrangeiros.
No que respeita à escolha entre os diferentes tipos de serviço ao mercado externo disponíveis, a literatura sobre a tomada de decisão das empresas tem procurado esclarecer este assunto, nomeadamente, evidenciando os fatores subjacentes a esta decisão estratégica.
Johanson e Vahlne (1977) desenvolvem um modelo do processo de internacionalização da empresa, centrado no envolvimento progressivo com o país estrangeiro. Os pressupostos desse modelo baseiam-se na falta de conhecimento como um obstáculo importante para o desenvolvimento de operações internacionais e no reconhecimento das operações no exterior como a principal forma de aumentar
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esse conhecimento. Para os autores, a internacionalização é o produto de um conjunto de decisões incrementais, pelo que o seu modelo pode dizer-se sequencial (envolvendo um processo escalonado através da exportações, licenciamento no exterior ou subsidiária comercial, antes de passar para o IDE puro).
À semelhança de Johanson e Vahlne (1977), outros autores reconhecem que, para a empresa, a escolha do modo como se serve o mercado estrangeiro constitui um problema dinâmico (e. g. Buckley e Casson (1981)).
Buckley e Casson (1981) procuram especificar o momento ótimo para comutar o modo de serviço ao mercado internacional, por referência a três variáveis: custos do serviço aos mercados estrangeiros, condições da procura nesse mercado e crescimento do mercado do país de destino. No seu modelo, a comutação envolve custos de ajustamento e a estratégia com menores custos de produção muda ao longo do tempo, devido ao crescimento do mercado estrangeiro favorável a tipos de serviço que envolvem maiores custos fixos e menores custos variáveis no mercado. Neste cenário, o momento ótimo de uma comutação futura, se existir, não é difícil de calcular, porque as variáveis atuais e futuros são conhecidas com certeza.
Buckley e Tse (1996) visam a transformação do modelo de internacionalização sequencial, segundo os próprios, bastante ingénuo para algo mais substancial pela incorporação de uma razão lógica quer para o jumping over (e, portanto, missing out) de determinadas etapas quer para o abandono do projeto. Os autores defendem que, para empresas com pouca experiência internacional, a abordagem sequencial parece mais razoável em resultado da aversão ao risco, da reversibilidade e, ainda, porque do ponto de vista da aprendizagem, é uma ideia interessante. Mas, para uma empresa multinacional a abordagem sequencial é menos atraente e, ao mesmo tempo menos aplicada.
Em contraste com o padrão tradicional de internacionalização sequencial de Johanson e Vahlne (1977), Knight e Cavusgil (2004) apresentam um outro conceito de internacionalização. Investigam, então, empresas ditas nascidas globais (ou born-
globals), ou seja, que operam internacionalmente desde o início do seu
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um desempenho superior nos mercados internacionais. Destacam, para tal, o papel da inovação, bem como o conhecimento e as capacidades nestas empresas.
Segundo estes autores, esta precoce internacionalização é, provavelmente, impulsionada por duas tendências que se manifestam numa redução substancial dos custos de transação da expansão ao mercado externo: a globalização dos mercados e os avanços tecnológicos no domínio das tecnologias de informação e comunicação, métodos de produção, transporte e logística internacional.
Também Cuervo-Cazurra (2011) apresenta uma estratégia alternativa: a internacionalização não sequencial, segundo a qual uma empresa seleciona, estrategicamente, um país muito diferente do seu país de origem para a sua primeira expansão ao exterior. O autor defende que uma empresa pode desenvolver, internamente, conhecimento que pode ser útil na superação das dificuldades inerentes à internacionalização.
Segundo estes, o conhecimento é a base da internacionalização duma empresa e três tipos de conhecimento – internacionalização, empresarial e institucional – afetam o processo de internacionalização. Assim, algumas empresas desenvolvem aspetos desses três tipos de conhecimento no seu país que lhes permite superar as dificuldades de internacionalização – conhecimento sobre as formas como lidar com a complexidade, conhecimento para gerir as diferenças nas condições competitivas e o conhecimento para gerir as diferenças ao nível dos ambientes institucionais – e, portanto optar por uma internacionalização não sequencial.
Ainda em relação à questão como?, Pan e Tse (2000) propõem um modelo hierárquico no que refere à escolha do modo de entrada no mercado externo. Na escolha do modo de entrada, a empresa pode começar por decidir se a estratégia de internacionalização é promovida recorrendo a estratégias equity ou non-equity, resultando desde logo desta opção um trade-off entre o nível de investimento e o grau de controlo das operações. Nas primeiras, a empresa escolhe entre a criação de uma subsidiária detida inteiramente pela empresa ou por uma equity joint venture. Nas segundas, deve escolher entre acordos comerciais ou exportação.
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Outro aspeto abordado na literatura prende-se com a importância do estabelecimento de relacionamentos entre os responsáveis das diferentes organizações e o seu papel na criação de rotinas entre ambas as empresas (Johanson e Vahlne, 2009). Segundo estes autores estas rotinas são fortalecidas através de trocas sociais originando, como resultado, a acumulação de conhecimento, confiança e o aumento do grau de envolvimento.
Finalmente, importa também referir o papel do self-commitment no contexto da cooperação na internacionalização das PME (Fink et al., 2008). Neste trabalho é defendido que o self-commitment como mecanismo de coordenação é manifestamente relevante em contexto de internacionalização cooperativa. Por outro lado, estes autores operacionalizam este conceito levando-o a ser tido em linha de conta em contextos de cooperação internacional.