A motivação para o envolvimento das PVVS nas políticas de saúde esteve moderadamente correlacionada (r(n=65)=0,50; p<0,01) com os incentivos colectivos, os quais foram elevados (˲=20,3) (Quadro 3).
Quadro 3 – Estatística descritiva dos incentivos colectivos, sociais e materiais
Indicador n média dp mín máx
Incentivos colectivos14 65 20,3 4,13 10,0 25,0
Incentivos sociais15 52 3,9 6,18 -15,2 15,0
Incentivos não sociais16 55 5,5 5,12 -3,0 19,0
A motivação esteve também moderadamente correlacionada (r(n=52)=0,45; p<0,01) com os incentivos sociais. O ambiente social mostrou-se ligeiramente positivo (˲=3,9), embora com uma grande amplitude entre o mínimo e o máximo (Quadro 3). Entre os
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As diferentes categorias da situação profissional foram ordenadas por ordem decrescente de ocupação: trabalhador, desempregado, reformado, estudante.
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Os incentivos colectivos podiam variar entre 0 e 25 pontos.
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Os incentivos sociais podiam variar entre -25 e 25 pontos.
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incentivos sociais positivos o mais elevado foi o apoio por parte de pessoas ligadas a organizações do movimento VIH/Sida (˲=19,1) e o mais baixo o apoio por parte de colegas (˲=9,7) (Quadro 4). Em relação aos incentivos sociais negativos (desincentivos sociais), a discriminação foi mais elevada por parte da sociedade em geral (˲=15,0) e mais baixa por parte dos familiares (˲=10,3).
Quadro 4 – Estatística descritiva dos incentivos sociais (positivos e negativos)
Indicador17 n média dp mín máx
Apoio por parte de (positivo)
Pessoas ligadas a organizações do
movimento VIH/Sida 57 19,1 5,46 4,0 25,0
PVVS 57 16,5 6,31 2,0 25,0
Amigos 59 15,9 6,55 4,0 25,0
Familiares 58 15,3 6,30 3,0 25,0
Colegas 58 9,7 5,75 2,0 25,0
Discriminação por parte de (negativo)
Outras pessoas/sociedade em geral 56 15,0 6,76 4,00 25,0
Colegas 58 11,4 6,36 1,00 25,0
Amigos 58 10,7 5,98 1,00 25,0
Familiares 58 10,3 6,59 1,00 25,0
Observou-se também uma correlação moderada (r(n=55)=0,40; p<0,01) entre a motivação para o envolvimento e os incentivos não sociais, que apresentaram igualmente um valor ligeiramente positivo (˲=5,5) (Quadro 3). Os benefícios mais importantes foram “ter acesso a mais informação” (˲=20,0) e “ter melhores cuidados de saúde” (˲=18,7) (Quadro 5). Os custos mais elevados foram “ser necessário muito esforço pessoal” (˲=11,8), “ter que faltar ao emprego ou às aulas” (˲=11,6) e “despender muito tempo” (˲=11,5).
Quadro 5 – Estatística descritiva dos incentivos não sociais (benefícios e custos)
Indicador18 n média dp mín máx
Benefícios
Ter acesso a mais informação 58 20,0 4,85 9,0 25,0 Ter melhores cuidados de saúde 58 18,7 6,19 4,0 25,0 Ter um papel mais activo/sentir-se útil 58 14,8 7,47 4,0 25,0 Ter acesso a informação confidencial 58 13,2 6,95 1,0 25,0 Conhecer os decisores políticos 56 13,0 6,66 3,0 25,0 Custos
Ser necessário muito esforço pessoal 61 11,8 6,17 1,0 25,0 Ter que faltar ao emprego/às aulas 60 11,6 6,50 1,0 25,0
Despender muito tempo 60 11,5 5,38 1,0 25,0
Poder perder o emprego 60 10,3 7,50 1,0 25,0
Ter que gastar dinheiro próprio 60 9,7 5,61 1,0 25,0 Poder sofrer ameaças/agressões físicas 61 8,2 6,58 1,0 25,0
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Indicadores a variarem entre 0 e 25 pontos.
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Outros benefícios mais referidos pelas PVVS foram: “melhorar a qualidade de vida das PVVS”, “ajudar outras PVVS”, “acabar com/ reduzir a discriminação das PVVS”, “melhorar os cuidados de saúde prestados e os serviços de apoio a pessoas infectadas e afectadas pelo VIH/SIDA” e “defender os direitos das pessoas infectadas e afectadas pelo VIH/SIDA” (Quadro 6). Em relação a outros custos, os mais referidos foram: “ser provável a revelação mediática/pública com a consequente quebra do anonimato”, “não ter tempo/disponibilidade”, “não saber como participar”, “não ter conhecimento/informação suficiente” e “ser cansativo física e/ou psicologicamente” (Quadro 7).
Quadro 6 – Outras motivações para o envolvimento das pessoas que vivem com VIH/Sida
Outras motivações referidas pelas PVVS n %
Melhorar a qualidade de vida das PVVS 10 15,2%
Ajudar outras PVVS 7 10,6%
Acabar com/reduzir a discriminação das PVVS 6 9,1%
Melhorar os cuidados de saúde prestados e os serviços de apoio a pessoas infectadas e afectadas pelo VIH/SIDA
5 7,6%
Defender os direitos das pessoas infectadas e afectadas pelo VIH/SIDA 4 6,1%
Contribuir para informar a sociedade em geral 3 4,5%
Ver as políticas de saúde terem bons resultados 3 4,5%
Conhecer outras PVVS 2 3,0%
Garantir o GIPA na prática 2 3,0%
Acabar com o isolamento em que as PVVS vivem 1 1,5%
Adequar a informação dirigida a PVVS 1 1,5%
Criar um processo de justificação da gestão dos fundos angariados 1 1,5% Denunciar algumas organizações que não utilizam bem os fundos destinados ao
apoio da PVVS
1 1,5%
Impedir que o VIH/SIDA seja esquecido e/ou tratado de forma displicente 1 1,5%
Lutar pela causa do VIH/SIDA 1 1,5%
Mostrar aos decisores políticos que há quem se preocupe com o VIH/SIDA 1 1,5% Poder verificar se as políticas de saúde são aplicáveis na prática, antes de serem
implementadas
1 1,5%
Ser congruente com o próprio sentido de responsabilidade cívica 1 1,5%
Ser convidado a participar 1 1,5%
Ser tratado(a) com mais respeito e dignidade 1 1,5%
Ter ajuda a nível financeiro 1 1,5%
Ter vergonha de viver com o VIH 1 1,5%
Transmitir as minhas da própria PVVS 1 1,5%
Quadro 7 – Outras barreiras para o envolvimento das pessoas que vivem com VIH/Sida
Outras barreiras referidas pelas PVVS n %
Ser provável a revelação mediática/pública /ser provável a quebra do anonimato 6 9,1%
Não ter tempo/disponibilidade 5 7,6%
A PVVS não saber como pode participar 2 3,0%
Não ter conhecimento/informação suficiente 2 3,0%
Ser cansativo física e/ou psicologicamente 2 3,0%
Existir falta de transparência nas decisões políticas 1 1,5%
Não ter dinheiro suficiente 1 1,5%
Sentir-me um "fantoche"/um mero utensílio 1 1,5%
Ser introvertido(a) 1 1,5%
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A motivação correlacionou-se moderadamente (r(n=65)=0,57; p<0,01) com o potencial de mobilização e foi significativamente diferente (G(n=64)=12,8; p<0,05) nas pessoas que referiram já ter sido solicitadas a envolverem-se, comparativamente com as que não foram alvo de mobilização.
A maior proximidade com o tema do VIH/Sida (r(n=65)=0,53; p<0,01), o maior conhecimento sobre o GIPA (G(n=64)=12,0; p<0,05) e sobre as políticas e os processos de decisão na área do VIH/Sida (r(n=65)=0,30; p<0,05), as organizações do movimento VIH/Sida como fonte de informação sobre o GIPA (G(n=64)=12,0; p<0,05) e a partilha de um quadro de acção colectiva para o envolvimento das PVVS nas políticas de saúde (r(n=65)=0,35; p<0,01) e a solicitação para o envolvimento por parte de organizações do movimento VIH/Sida
(G(n=65)=12,8; p<0,05) estiveram associados a um maior grau de motivação para o
envolvimento nas políticas de saúde.
Por outro lado, o grau de motivação para o envolvimento nas políticas de saúde foi mais elevado entre as PVVS do sexo masculino (G(n=64)=19,4; p<0,01) e as PVVS com menor actividade profissional (r(n=56)=0,32; p<0,05).
Além disso, a motivação para o envolvimento nas políticas de saúde esteve correlacionada, embora de forma fraca, com o tempo decorrido com conhecimento da infecção VIH por parte da própria PVVS (r(n=64)=0,33; p<0,01), com o grau de aceitação da condição de seropositividade para o VIH (r(n=60)=0,39; p<0,01) e com o grau de exposição pública dessa condição (r(n=65)=0,31; p<0,05).