5.2 Etterretningsmål
5.2.3 Kritisk infrastruktur og kritiske samfunnsfunksjoner
Morris (1973), apud Adler e Adler (1994), define a observação como “o ato de anotar um fenômeno, frequentemente com o auxílio de instrumentos, e registrá-lo para propósitos científicos ou outros”. Lembrando que os observadores não manipulam ou estimulam seus sujeitos (sic), esses autores definem a observação qualitativa como sendo,
[...] fundamentalmente naturalística em sua essência; que acontece no contexto natural da ocorrência, entre os atores que naturalmente participariam da interação e seguindo o curso natural da vida cotidiana. Como tal, tem a vantagem de trazer o observador para dentro da complexidade fenomenológica do mundo, onde conexões, correlações e causas podem ser testemunhadas no seu desenrolar”. (p. 378)
A partir dessas reflexões, a observação das aulas dos participantes da pesquisa constitui-se em um instrumento de coleta central à realização deste estudo. Foi nas salas de aula, o “palco de operações” dos participantes, que se registraram suas técnicas, posturas e crenças efetivas enquanto professores.
Embora o foco central da análise de dados coletados nessas observações tivesse incidido nas áreas testadas pelo TKT (que descrevo em detalhe no Capítulo 3), meu propósito durante as observações foi registrar, na medida do possível, todo e qualquer evento que envolvesse os professores e alunos durante as aulas observadas, mediante anotações e gravações em áudio. De maneira geral, esses eventos incluíram principalmente: falas dos professores e alunos,
comportamentos dos professores e alunos, descrição das atividades realizadas, técnicas e recursos didáticos (livro-texto, caderno de exercícios, gravações em áudio e vídeo, flashcards etc) utilizadas pelos professores, atitudes dos alunos em suas interações com os professores e vice-versa, duração das atividades, e desempenho linguístico dos alunos diante das tarefas de sala de aula propostas pelos professores.
Com o propósito de maximizar a experiência da observação, as aulas foram também gravadas em áudio, já que, segundo Erickson (1991), embora o registro audiovisual seja um documento incompleto do que realmente aconteceu, uma filmagem e/ou gravação corridas são mais completos que as notas de campo do observador. À medida que os dados foram sendo analisados, tais gravações se mostraram de grande utilidade como instrumento de verificação e complementação das notas de campo, contribuindo assim para enriquecer o relato feito das técnicas e comportamentos adotados em sala de aula por cada participante. Tanto as observações como os registros em áudio foram realizados pessoalmente por mim.
Entre as tipologias de observação descritas por Gold (apud ADLER E ADLER, 1994.), a saber, participante-completo, participante-como-observador, observador-como-particpante e observador-completo, a que mais se aproximou da postura adotada neste estudo foi a de observador-completo, uma vez que o observador, em comum acordo com o professor- participante, não conduziu nenhuma das atividades em sala de aula e evitou interagir com os alunos, limitando-se a cumprimentá-los quando apresentado pelo professor e no início de cada aula em que esteve presente.
Foram observadas entre duas e três aulas de cada participante, sendo que o espaço entre uma aula e outra variou entre dois e 25 dias. Tamanha discrepância não foi, obviamente premeditada, pois eu idealizara observar uma sequência de aulas o mais próximo possível umas das outras. Entretanto, impuseram-se circunstâncias como provas de alunos, recessos escolares por conta de feriados, e eventos institucionais, impossibilitando que as observações transcorressem ininterruptamente.
Cada instância de observação transcorreu no período integral de uma aula típica de cada participante. A opção pela observação da aula inteira se justifica ao possibilitar que eu acompanhasse todo o processo de administração de espaço-tempo percebido em cada encontro do professor com seus alunos. Já o número de aulas a serem observadas havia sido
inicialmente estipulado por mim em um mínimo de três aulas, para que eu pudesse obter uma visão representativa das competências práticas dos professores nas três áreas de saber avaliadas na prova.
Entretanto, ao tomar contato com as práticas de sala de aula dos participantes percebi que os professores José e Ana – os mais experientes do grupo -- ora apresentaram uma consistência em seu comando de posturas e técnicas para a aprendizagem – no caso de José – ora tamanha inconsistência em suas rotinas de sala de aula – no caso de Ana --, que julguei desnecessário observar mais de duas aulas, posto que em nada acrescentaria à coleta de dados. Já as participantes com menor experiência de sala de aula – Maria e Adriana – pareceram-me atuar de forma mais marcadamente regida pelo material didático, de forma que senti necessidade de uma aula adicional para compilar um quadro seguro do seu repertório pedagógico.
Outra consideração importante ao adentrar a sala de aula dos participantes como observador foi o cuidado em minimizar reações no comportamento dos observados, neste caso o professor e seus alunos. Tais reações estão amplamente documentadas na literatura, sendo de forma geral identificadas como o “paradoxo do observador” (LABOV, 1972, e BAILEY, 1982, apud ALLWRIGHT e BAILEY, 1991; SCHACHTER e GASS, 1996), ou o “efeito do observador” (ADLER & ADLER,1994). Este fenômeno se caracteriza por “alterações no comportamento normal de um sujeito sob observação, em função da própria observação” (ALLWRIGHT e BAILEY, op. cit.).
Minimizar tais alterações constitui-se, portanto, em um desafio importante para o pesquisador da sala de aula, e foi com esse propósito que adotei os seguintes procedimentos:
1) Optei por usar apenas um gravador digital (de tamanho e formato semelhantes a um telefone celular) que era colocado discretamente sobre a mesa do professor- participante, ligado antes do início da aula e desligado somente após o término da mesma. Foi descartado o recurso à captação de imagens em vídeo pois, embora capaz de fornecer um registro mais completo da aula, implicaria uma presença bastante intrusiva de minha parte, o que poderia comprometer mais seriamente a espontaneidade dos comportamentos e eventos em sala de aula.
2) Enquanto observador, não pude me furtar a fazer anotações. Porém, cuidei para que minha atitude e principalmente minha linguagem corporal não revelassem sinais que
pudessem ser interpretados de forma negativa, como gestos de reprovação, escárnio ou tédio, procurando sempre manter um semblante que variasse entre neutro e cordial.
3) No ordenamento da coleta de dados, optei por realizar as observações antes de entrevistar os professores-participantes ou permitir que estes fizessem a prova do TKT, visto que estes dois instrumentos contêm informações que os poderiam induzir a alterar seu comportamento de forma a se moldar às expectativas que possivelmente seriam criadas.
Mesmo com essas precauções, estou ciente de que não foi possível fazer um registro totalmente autêntico. Em meu relato das observações das aulas da participante Adriana, narro como uma de suas turmas de pré-adolescentes alterou substancialmente seu comportamento quando me ausentei da aula em seus minutos finais (vide Capítulo 3).