3.2 Prinsipal-agent teori
3.2.1 Kritikk mot prinsipal-agentteorien
Para melhor compreender organização sintática na escrita dos aprendizes surdos que estão em processo de apropriação da escrita da Língua Portuguesa como segunda língua, teceremos algumas considerações a respeito dos estudos sobre a sintaxe e a estrutura sintática da frase portuguesa.
Apropriar-se de uma língua significa dominar a gramática daquela língua, entendida como a representação do conhecimento do usuário, incluindo o conhecimento de seus planos fonológico (querológico), morfológico, sintático e semântico-pragmático.
Denominamos sintaxe à nossa capacidade de exprimir a pensamento, juntando as palavras para formar frases, com significado. Este conhecimento lingüístico que diz respeito à estrutura das frases é revelado, em parte, pelos morfemas específicos que o compõe, dando-lhes significado, embora uma frase seja mais do que a soma dos significados dos morfemas. A Sintaxe toma a sentença como seu foco de análise e objeto de estudo. Um dos primeiros trabalhos a mostrar interesse pelos fenômenos sintáticos Was ist Syntax?, de Jonhn Ries, data de 1894. Mas é a partir dos estudos de Ferdinand de Saussure e de seus seguidores, no início do século XX, que a Sintaxe foi adquirindo o estatuto de disciplina autônoma.
Cada usuário competente de uma língua conhece as regras sintáticas da própria gramática que determinam como se devem combinar os morfemas e as palavras para exprimir determinado significado. Essas regras sintáticas, bem como as fonológicas, morfológicas e semântico-pragmáticas, fazem parte do conhecimento lingüístico do falante e determinam quais combinações são permitidas e quais não o são, resultando as primeiras em frases gramaticais e as últimas em frases agramaticais. Portanto, a gramaticalidade não é baseada no que aprendemos numa aula de gramática, mas nas regras que nós usamos como falantes desde que adquirimos nossa língua materna. Mesmo nunca tendo ouvido ou lido uma determinada frase antes, o nosso conhecimento sintático nos permite emitir um parecer correto sobre sua gramaticalidade, entendida como reconhecer a estrutura como pertencente a nossa língua. Essa capacidade reflete o conhecimento inconsciente que os falantes têm das regras sintáticas de suas gramáticas. As dificuldades surgem quando se trata da aquisição de uma segunda língua, cuja
gramática difere da sua primeira língua, ambas de diferentes modalidades. É o caso destes aprendizes surdos que dominam uma língua de sinais, que é falada numa modalidade espaço-visual e estão apropriando-se da escrita da Língua Portuguesa, que é uma língua de modalidade oral-auditiva.
Do grego syntaxis (ordem, disposição), o termo sintaxe tradicionalmente remete à parte da Gramática dedicada à descrição do modo como as palavras são combinadas para compor sentenças, sendo essa descrição organizada sob a forma de regras. As regras da sintaxe determinam a ordem dos constituintes possíveis numa frase.
Apesar de ser um tema já muito investigado na literataura, a ordem de palavras na sentença mantém-se ainda não suficientemente explicada. A maneira como a frase se estrutura em Língua Portuguesa e ordena seus constituintes pode ter enfoques diversos, conforme a abordagem deste fenômeno como um aspecto particular no âmbito da teoria adotada. Assim, há diferentes maneiras de tratar este fenômeno sintático na visão da gramática tradicional, na visão formalista e na visão funcionalista da Sintaxe.
A Gramática Tradicional diz que sujeito – verbo – complementos (SVO) é a ordem direta, natural e predominante dos elementos da frase em Português e nas outras línguas românicas. Ex:
Diadorim entregou o facão para Riobaldo.
Há casos de ordem inversa, que constituem recurso de estilo visando especialmente enfatizar um ou outro constituinte. Ex:
O Miguilim eu vi ontem.
Na festa vieram o Manuelzão e o Augusto Matraga.
Em História e estrutura da Língua Portuguesa, Mattoso Câmara (1985) estabelece dentro dos padrões frasais do Português a frase nominal e a frase verbal, que conservou o padrão frasal básico latino, como as demais línguas românicas. Este padrão consiste num nexo entre sujeito e predicado. O sujeito é um substantivo (nome ou pronome), serve de tema e é ponto de partida da comunicação frasal. O
predicado é um verbo ou um nome (substantivo ou adjetivo) que é a essência da comunicação. Desse modo, conforme o tipo de predicado seja verbo ou nome, será a frase verbal ou nominal.
A frase nominal portuguesa generalizou o padrão latino paralelo que consistia em estabelecer o nexo, além da entoação, o emprego do verbo ser intercalado entre o sujeito e o predicado: O homem é bom.
A frase verbal conservou o modelo latino do verbo prescindir do pronome sujeito da 1ªou 2ªpessoa, concentrando a significação no verbo.
A frase verbal divide-se em padrões especiais, de acordo com o tipo do predicado:1) predicado com verbo intransitivo; 2) predicado com verbo transitivo direto; 3) predicado com verbo transitivo indireto; 4) predicado com verbo em conjugação perifrástica verbo-pronominal
Conforme a variação no propósito de comunicação, a frase verbal e a frase nominal pode ser negativas, quando o propósito é assinalar a rejeição do que se anuncia. Caracteriza-se pela presença da partícula negativa não, antepondo-se ao verbo. Há construções em que podem aparecer os pronomes indefinidos negativos nada e ninguém, reforçando a intenção negativa, como uma segunda partícula depois do verbo: Não quero nada. Não vi ninguém. Devido a liberdade de colocação em Português, estas partículas podem anteceder o verbo como sujeitos, suprimindo a partícula não: Nada sei. Ninguém chegou.
A frase verbal e a frase nominal podem ser, ainda, interrogativas, quando a intenção apresentada ao interlocutor é de fazer uma pergunta, isto é, um pedido de informação em vez de uma asserção. Caracteriza-se pela marca fonológica da entoação ascendente, ou, outra possibilidade é a interrogação concentrar-se num determinado elemento constituinte da frase, que, nessa circunstância é expresso por um pronome interrogativo.
A ordenação dos constituintes na frase não existia em latim porque a colocação era livre, do ponto de vista gramatical, embora houvesse colocações mais usuais. Em Português, a colocação não se fixou rigidamente, mas se figura como um mecanismo sintático.
Na relação do sujeito com o verbo, como tema da informação contida no predicado, o sujeito abre naturalmente a frase, quando não há motivações particulares condicionando outra colocação. O padrão básico SVO, com anteposição do sujeito, resulta a distribuição de sujeito e objeto direto em volta de um verbo
transitivo: O menino viu o lobo. Há divergência no Latim e no Português quanto à posição do verbo. Enquanto em latim a preferência era do verbo como constituinte final, fechando a oração, em Português o verbo se situa naturalmente entre o seu sujeito e os nomes que são complementos verbais, sendo esta a colocação preferencial que as gramáticas chamam ordem direta (SVO). Embora esta seja a ordem preferencial, que chamamos ordem canônica, o Português pode desrespeitá- la, antepondo-se o verbo, segundo Mattoso Câmara (1985:252) valendo-se da ordem inversa por razões estilísticas.
O Formalismo, na visão gerativista chomskyana da análise lingüística, parte do princípio de que a língua é um sistema de conhecimentos interiorizados na mente humana, preocupa-se em estudar as características internas à língua, tais como a natureza de seus constituintes e da relação entre eles, ou seja, do aspecto formal da língua. Essa corrente do pensamento lingüístico se dedica a questões relacionadas à estrutura lingüística, sem se voltar especialmente para as relações entre a língua e o contexto em que se insere. Para esta abordagem, a Sintaxe deve ser examinada como um objeto autônomo. Decorrente disto, toda a análise sob o ponto de vista formal será feito considerando-se e enfatizando-se a sentença. Sob a perspectiva gerativista, a ordem linear de itens lexicais em uma sentença obedece a uma competência do falante em organizar estruturalmente os constituintes básicos que se distribuem pela sentença. A competência é a gramática interiorizada do falante, enquanto o desempenho designa o uso concreto que o falante faz desse seu conhecimento internalizado. Essa teoria, a partir do Modelo de Princípios e Parâmetros (Chomsky, 1981), concebe as línguas humanas como sistemas constituídos por princípios universais – invariantes, que toda e qualquer língua apresentará – e parâmetros de variação, responsáveis por especificar propriedades variáveis de línguas particulares. Para descrever a estrutura dos constituintes básicos da sentença, organiza-os em categorias sintagmáticas (sintagmas), representados hierarquicamente numa representação arbórea ou entre colchetes.
Berlinck, Augusto e Scher (2001), ao analisar a ordem dos constituintes da frase, numa perspectiva formalista, levantam algumas questões pertinentes às características do Português do Brasil (PB). Segundo as autoras, observando-se o uso de estruturas frasais, nota-se que nem sempre a ordem SVO parece ser a preferida. Observam que estudos gerativistas e variacionistas, baseados em dados espontâneos do Português brasileiro, têm apontado que tanto o uso de sujeitos
nulos foneticamente, como a inversão da ordem sujeito-verbo, vem perdendo espaço, enquanto outras construções começam a se tornar freqüente em PB, como o uso do sujeito duplo, observados nos exemplos:
Diadorim, ela entregou o facão para Riobaldo.
O Miguilim eu vi ontem.
O Funcionalismo analisa a ordem segundo o modelo da Gramática Funcional, mostrando como esta se concretiza no estudo do componente sintático. O universo dessa análise é a língua em uso. Assume que são as condições e exigências do uso que moldam a estrutura. Esta existe para cumprir funções essencialmente comunicativas. Isso não nos impede de perceber como essa estrutura se compõe e como seus elementos estão organizados, hierarquicamente. Mas o objetivo do pesquisador não será tanto descrever essa organização interna, mas identificar de que modo realiza suas funções. A análise do fenômeno da ordem dos constituintes na frase, segundo essa perspectiva, mostra que muitas das variações que ocorrem no interior da sentença são motivadas por fatores de natureza discursiva/contextual.
Berlinck, Augusto e Scher (2001) assim concluem ao explicar os fatos sintáticos da língua que se refere ao fenômeno da ordem dos constituintes na sentença, numa abordagem funcionalista:
A posição dos constituintes na frase, depende, em grande parte, do tipo de informação que o elemento veicula – velha ou nova – ou do grau de proeminência que esse elemento tem em relação ao discurso – se ele é tópico ou foco, se ele é um elemento polar/central ou não-polar/periférico do ponto de vista da organização textual. (BERLINCK, AUGUSTO E SCHER, 2001:240)
Pezzati e Camacho (1997) apresentam uma interpretação funcional para a ordem de palavras no Português falado, demonstrando que as motivações pragmáticas para os padrões funcionais SVO e VSO, realmente em uso, os relacionam a uma possível mudança na classificação tipológica do Português do Brasil. Argumentam, com base em evidência empírica, que existem dois padrões em uso, ambos funcionalmente relevantes para o PB, com uma distribuição diferente para os diferentes tipos sentenciais. Exemplos de ordem VS(O):
Cabia um ovo de galinha.
Morreu um colosso de gente aqui em São Paulo. Expirou o prazo.
Aqui dormem as crianças.
Os autores mencionados acima relatam outras estruturas especiais, comumente denominadas Construções de Tópico, observadas especialmente em Pontes (1987). Essa autora chama a atenção para um tipo de estrutura muito recorrente em PB, em que o SN anteposto ao verbo se comporta como um sujeito, provocando inclusive em alguns casos a concordância verbal. Observa que estas estruturas manifestam um constituinte com função de tópico ocupando a posição P1; o constituinte sujeito permanece em sua posição pós-verbal. Exemplos:
O meu carro furou o pneu.
P1 V S
O Carlos André cresceu o nariz. O jasmim amarelou as pontas. Essa torneira aí não sai água?
Pezzati e Camacho (op. cit.) afirmam que o Português tem sido considerado uma língua SVO. Essa ordem, predominante em orações com verbos transitivos, intransitivos e cópulas, é decorrente de um padrão primitivo P1VS(O), em que o constituinte Sujeito em função de Tópico passou a ser colocado na posição P1, própria para constituintes com função pragmática, como podemos observar nos exemplos, retirado do trabalho dos autores acima :
Mackenzie criou cursos técnicos de ...de grau superior. (D2-SP-62:84) a::produção cresceu muito... (EF-SP-153:94)
a igreja é clara. (EF-SP-405:54) O menino leu o livro.
Assim, os autores citados argumentam e defendem a idéia de que o PB conta com dois padrões funcionais para a ordenação dos constituintes que configuram os
esquemas simplificados P1VSO e P1SVO. Propõe que o Português se inclua na classe das línguas compatíveis com dois padrões funcionais, VSO e SVO. Reforçam a hipótese de que o Português se enquadrava, no passado, no padrão VSO, conforme comprova a existência de estruturas VS remanescentes.
O trabalho pioneiro de Greenberg (1963), citado por Pezzati e Camacho (1997), sugere uma tipologia sintática com base na ordem dos constituintes da sentença. Segundo o autor, ao examinar trinta línguas diferentes, formula uma tipologia com base relativa do sujeito (S), do verbo (V) e do objeto (O). Seleciona as possibilidades dominantes (VSO, SVO e SOV), a que se associam características sintáticas. Classifica o Português como língua SVO, tomando por referência a ordem do verbo (V) em relação ao sujeito (S) e ao objeto (O), implicando uma metodologia que leva em conta orações com verbos de dois argumentos. Ao verificar a tipologia das línguas, deixa na obscuridade as ordem em construções com um único argumento e não esclarece se as sequências SV e VS estariam implícitas nas três estruturas básicas depreendidas (VSO, SVO e SOV) .
Outros pesquisadores, como Pullum, Park e Ross (apud PEZZATI e CAMACHO, 1997), também não fazem referência aos verbos intransitivos e essa posição parece pressupor que verbos de um argumento têm o mesmo comportamento dos verbos de dois. Portanto, os estudos sobre a ordenação de constituintes do Português do Brasil (PB) têm-se concentrado, de modo geral, também nas estruturas de sentenças declarativas com verbos de dois argumentos. Segundo Pezzati e Camacho (1997), considera-se a sequência SVO a ordem não- marcada com base na freqüência de uso, conforme é possível constatar em Pádua (1960), que aborda a ordem do Português arcaico; em Lopes (1981), que trata da inversão sujeito-predicado na percepção de sentenças; em Braga (1986) e em Bentivoglio & Braga (1988), que tomam por escopo a ordem OSV ou OV ao tratarem das construções de tópico. Pezzati e Camacho (op. cit.) considerando que a maioria das línguas tem diversas ordens alternativas com uma predominante, argumentam que, de uma perspectiva diacrônica, o PB se enquadra primitivamente num tipo VSO, como atesta a perenidade da construção VS, categórica em construções ergativas, apresentando, no entanto, uma forte tendência evolutiva para SVO.
Dessa forma, observamos que os estudos da sintaxe, com referência à ordem dos constituintes da frase, são controvertidos e variam o enfoque na abordagem tradicional, funcionalista ou formalista. Apesar de ser um tema já muito investigado
na literatura, a ordem das palavras na sentença mantém-se ainda não suficientemente explicada. Parece-nos que a razão disso reside no fato de que cada autor aborda este fenômeno como um aspecto particular no âmbito da teoria adotada. Em geral, os trabalhos sobre o assunto consideram que o PB tem uma orientação básica SVO, havendo outros casos de ordem que exigem maior atenção, justamente por se afastarem da ordem canônica. Neste estudo, consideramos que a ordem da frase no PB tem uma orientação básica SVO, dita ordem canônica, constituindo-se as demais como ordens não-canônicas. Consideramos ainda, de acordo com o enfoque da visão funcionalista, que co-existem diferentes ordens na sentença, apesar da ordem básica SVO, usadas em diferentes condições e para diferentes propósitos, com destaque especial para as construções de tópico- comentário (TC). Consideramos ainda, para efeito de análise que a oração complexa pode ser definida como uma oração que tem dentro de seus limites pelo menos uma outra oração (PERINI,1996:124). Uma oração complexa pode ser identificada porque repete duas ou mais vezes a estrutura típica de uma oração.
CAPÍTULO IV
CONSIDERAÇÕES METODOLÓGICAS
Neste capítulo apresentamos uma exposição detalhada de todos os procedimentos metodológicos aplicados à presente investigação. As seções estão organizadas de forma a retratar o desenvolvimento do estudo desde os primeiros contatos no início da pesquisa de campo, até a etapa de tratamento dos dados.