A microbacia do Ribeirão Extrema possui características fisiográficas e geológicas análogas à da microbacia do Rio Jardim (MBRJ), uma vez que são contíguas. Nesse sentido, foram realizadas, mediante atividades de campo, verificações das relações pedomorfogeológicas existentes na MBRJ, ou seja: o padrão de distribuição dos solos em função da sua relação com as unidades geomorfológicas (feições do relevo como: declividade, concavidade e altimetria) e material de origem (litologias do Grupo Paranoá e Bambuí). Nesta microbacia, as relações pedomorfogeológicas já foram devidamente estabelecidas em trabalhos de mapeamento digital de solos do Distrito Federal realizados pela equipe de pesquisadores do Laboratório de Geoprocessamento da Faculdade de Agronomia e Medicina Veterinária (FAV da Universidade de Brasília – UnB), incluindo a MBRJ.
Os dados gerados na MBRJ disponíveis no laboratório de geoprocessamento da FAV-UnB foram derivados de 6 litotopossequências. Foram coletadas 34 amostras de solos dos horizontes A e de horizontes subsuperficiais diagnósticos, todas com análises físicas de textura do solo e análises químicas do complexo sortivo, realizadas segundo metodologias descritas em Embrapa (1997). Além dessas, foram feitas análises espectroscópicas, que originaram a Bibilioteca Espectral dos Solos da MBRJ.
Posteriormente, foram avaliadas as relações pedomorfogeológicas na microbacia do Ribeirão Extrema por intermédio de litopossequências representativas, observando semelhanças e variabilidades destas em relação às já definidas na MBRJ. As observações de campo permitiram verificar grande similiaridade nas relações pedomorfogeológicas com as classes de solos de ocorrência nestas microbacias. Isto ocorreu em função da compartimentação geomorfológica e dos materiais de origem semelhantes, com predomínio de litologias desenvolvidas a partir de composição pelítica, sendo, portanto, o padrão pedo-evolutivo condicionado, principalmente, pela evolução geomorfológica da região.
Durante as verificações de campo na MBRE, foram verificadas classes de solos que não ocorrem de maneira significativa na MBRJ. Esses solos localizam-se na porção noroeste da microbacia estudada, constituindo solos de textura arenosa a média, associados ao substrato quartzítico e metarritimítico das unidades MNPpr3 e
105 4 e MNPpq3 do Grupo Paranoá, que apresentam maior área de ocorrência nesta porção da MBRE. Assim, foram realizadas litotopossequências representativas a fim de complementar a variabilidade e a distribuição de classes de solo em relação às classes de solo da MBRE.
Do mesmo modo, nestas litotopossequências, foram estabelecidas as relações pedomorfogeológicas, bem como foram selecionados pontos de coleta de amostras de solos para descrição morfológica em perfis pedológicos, expostos por meio de aberturas de trincheiras ou em cortes de barrancos, ou mediante tradagens, de acordo com Santos et al. (2015). As amostras foram, também, encaminhadas para análises físicas (textura do solo) e químicas (complexo sortivo), segundo Embrapa (1997).
II.3.1Litotopossequências representativas da MBRJ
Para este trabalho, foram consideradas 34 amostras de solos oriundas dos perfis pedológicos das cinco litotopossêquencias representativas da MBRJ devidamente ordenadas e nomeadas. A primeira foi denominada de Litotopossequência Estanislau, pois está localizada na microbacia do Ribeirão Estanislau, entre as rodovias DF-130 e DF-455, abrangendo o Núcleo Rural de Tabatinga. A segunda, nomeada de Alto Rio Jardim, localiza-se na microbacia do Alto Rio Jardim, entre as rodovias DF-455, DF-120 e DF-355. A terceira, chamada de São Gonçalo, acha-se localizada na microbacia do Ribeirão São Gonçalo, entre as rodovias DF-355 e DF-322, compreendendo o Núcleo Rural de Tabatinga. A quarta, denominada de Barra Alta, encontra-se localizada no Núcleo Rural Tabatinga, entre as rodovias DF-260 e DF-232, sobre a margem esquerda do Rio Jardim. A quinta, nomeada de Litotopossequência Cariru, localiza-se na microbacia do Ribeirão Cariru, entre as rodovias DF-270, DF-120 e DF-260 no Núcleo Rural PAD-DF, além de uma sexta litotopossenquência na parte central da MBRJ denominda fazenda Ibi-Atã (Figura 13).
106 Figura 13 – Localização das lito-topossequências da Bacia do Rio Jardim, DF
Fonte: Adaptado de CODEPLAN (1991).
II.3.2 Litotopossequências representativas à noroeste (NOE) da MBRE
Nesta etapa, foram analisadas duas litotopossequências representativas (NOE- 1) e (NOE-2) (Figura 14), que somam um total de oito pontos de coleta de solos supostamente arenosos, obtidas por abertura de trincheira, cortes em estradas ou por tradagem (no caso de solos arenosos, que impossibilitam a exposição do perfil pedológico). Essas amostras foram submetidas a análises laboratoriais físicas, em seus respectivos horizontes A e o restante, dos horizontes subsuperficiais diagnósticos (B ou C); e espectrais nos horizontes A. Os pontos de coleta foram distribuídos segundo os parâmetros pedogeomorfológicos definidos por Lacerda e Barbosa (2012), que fazem menção à ocorrência de solos arenosos segundo o substrato geológico associado à geomorfologia do local. Nesse sentido, as duas litotopossequências NOE-1 e NOE-2 foram alocadas seguindo pontos com maior probabilidade de ocorrência de solos arenosos.
107 Na organização do banco de dados espectrais de solos do Laboratório de Geoprocessamento da FAV/UnB, as amostras foram nomeadas de acordo sua litotopossequência de origem: DFE – Estanislau, DFAJ – Alto Rio Jardim/Extrema, DFSG – São Gonçalo, DFBA – Barra Alta, DFCA – Cariru, ANT020 – Antena BR 020, ASCXDA – Associação Caixa D’água e FZOLAG – Fazenda Olhos D’água.
Figura 14 – Localização das Litotopossequências representativas à noroeste (NO) da MBRE
Fonte: CODEPLAN (1991).
As amostras do horizonte A foram fracionadas para a realização da descrição morfológica, das análises físicas e espectroscópicas. As coordenadas dos perfis pedológicos e dos pontos de amostragem foram registradas por meio de GPS de navegação Garmin® MAP 60CSX. Os números foram inseridos em planilhas Microsoft® Excel e importadas para o programa ArcGIS®. Com o auxílio de um clinômetro, foram medidas as declividades dos terrenos onde os perfis de solos avaliados se localizam.
108 Todas as amostras coletadas foram integradas ao banco de dados do Laboratório de “Geoprocessamento” da Faculdade de Agronomia e Medicina Veterinária – FAV da Universidade de Brasília – UnB/DF. As amostras de solo coletadas dos horizontes A e B ou C da MBRJ foram submetidas ao processo de secagem ao ar por um período de aproximadamente 72 horas, desterroadas e peneiradas para a obtenção da fração menor que 2 mm, fração terra fina seca ao ar (TFSA). Em seguida, foram submetidas a análises físicas e químicas, segundo a orientação da Embrapa (1997), para caracterização e classificação no segundo ao quarto nível categórico (subgrupos) do SiBCS (Embrapa, 2014). Dessa forma, foram analisados os atributos de natureza física e espectral para todas as amostras com a análise da composição granulométrica (método do densímetro) (Disp.com (NaPO3) n); e química para os solos da MBRJ: complexo sortivo: cálcio, magnésio (método do complexometria com EDTA), potássio, sódio (método do Fotometria de chama); soma de bases – SB (cálcio, magnésio, potássio, sódio); capacidade de troca de cátions: hidrogênio, alumínio, CTC a pH 7,0 (CTC = SB+[H++Al3+]); alumínio trocável (Al3+); saturação por bases (V% = [SB/CTC] * 1000); saturação por Alumínio m% = Al3+/[Al3++SB] *1000); saturação por sódio; carbono – CO (método do oxidação via úmida com dicromato de potássio); nitrogênio (método do Kjeldahl destilação a vapor); relação C/N; matéria orgânica (MO); fosforo assimilável (Mehlich) de acordo com Embrapa (1997).
A textura foi escolhida como parâmetro principal para diferenciação das classes dos solos nos perfis das litotopossequências estudadas. Oscilaram de muito argilosa a arenosa, de acordo com a classificação textural do solo proposta por Santos et al. (2015). Esta variação mostra relação textural com os materiais de origem, uma vez que foram originados a partir de rochas metasedimentares pré-intemperizadas dos Grupos Bambuí e Paranoá (FREITAS-SILVA; CAMPOS, 1998a). Esta informação concorda com Vieira et al. (2007), que relataram que a textura é dependente do material de origem e dos agentes naturais de formação do solo, não sendo modificada pelo cultivo e outras práticas agrícolas. No entanto, a erosão diferencial pode promover, na camada superficial do solo, pequenas variações na proporção das frações granulométricas.
Para as análises espectrais de reflectância bidirecional (400 a 2500 nm), foram pesadas 300g de cada uma das 42 amostras dos horizontes A as quais foram secas
109 ao ar por um período de 48 horas, destorroadas e, por fim, peneiradas em frações < 2 mm obtendo-se a fração de TFSA.
II.4. Obtenção de dados espectroscópicos das amostras de solos da microbacia