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Segundo Drucker (2001, p. 26), durante centenas de anos não houve aumento na capacidade dos trabalhadores transformarem ou mudarem bens. As máquinas criaram maior capacidade, porém esses não estavam produzindo mais do que nas oficinas da Grécia Antiga, na construção das vias do Império Romano, ou na produção de tecidos de lã, que trouxeram riquezas para Florença, na época do Renascimento. A produtividade das novas classes, ou seja, as da sociedade pós-capitalista, só poderia ser aumentada aplicando-se o conhecimento ao trabalho.

De acordo com Caravantes (1998, p. 41), existe um razoável grau de consenso em se afirmar que o ponto de partida da reflexão sistematizada sobre as organizações industriais pode ser atribuído ao americano Frederick Winston Taylor no final do século XIX. A ênfase de Taylor e seus seguidores era absolutamente concentrada na tarefa, na racionalização e redução dos tempos de execução na produção. Caravantes complementa que quase simultaneamente na Europa, um outro grupo também passou a se preocupar com a performance organizacional, porém seu enfoque era outro, a estruturação, ou departamentalização da organização. Seu defensor mais conhecido chamava-se Henry Fayol.

Gil (2001, p. 18) também afirma que o movimento da Administração Científica tem origem com as experiências de Taylor nos Estados Unidos e Henry Fayol na França. O objetivo principal era proporcionar fundamentação científica às atividades administrativas, substituindo a improvisação e o empirismo.

A aplicação da ciência à produção consiste em uma das características que diferenciam a era moderna do seu passado. A origem da Administração Científica está relacionada, em parte, com o crescimento acelerado e desorganizado das empresas, e pela necessidade de aumentar a produtividade e, conseqüentemente, a eficiência dos trabalhadores. Assim, Taylor e alguns seguidores delimitaram um conjunto de princípios que formaram a primeira forma sistematizada de aplicação do conhecimento ao contexto das indústrias.

Taylor (1976, p. 118) afirma que a administração científica consiste em uma filosofia que resulta de uma combinação de quatro grandes princípios: desenvolvimento de uma verdadeira ciência; seleção científica do trabalhador; instrução e treinamento científico; cooperação íntima e cordial entre a direção e os trabalhadores.

Morgan (1996, p. 32) coloca que a visão taylorista apresentava cinco princípios básicos: transferência de toda responsabilidade do trabalho para os níveis gerenciais; utilização de métodos científicos para determinar a forma mais eficiente de fazer o trabalho;

selecionar a melhor pessoa para desempenhar o cargo; treinar o trabalhador para desempenho de suas atividades e fiscalizá-lo para averiguar que os procedimentos apropriados estão sendo seguidos.

Para Silva (1987, p. 21), o sistema taylorista de administração desdobra-se em duas técnicas complementares. Em primeiro lugar, a descoberta experimental do melhor meio para executar cada operação ou parte de operação, levando-se em conta o material mais indicado, os melhores instrumentos de trabalho, ferramentas e máquinas, a melhor manipulação, o melhor fluxo de trabalho, a mais lógica seqüência de movimentos. Os dados sobre esses elementos deveriam ser classificados e arquivados para utilização oportuna. Em segundo lugar, uma nova divisão de trabalho surge entre a administração e os trabalhadores, cabendo à primeira a responsabilidade de pesquisar, descobrir, planejar todo processo que deve ser executado pelos trabalhadores.

[...] em quase todas as artes mecânicas, a ciência que estuda a ação dos trabalhadores é tão vasta e complicada, que o operário ainda mais competente, é incapaz de compreender esta ciência, sem a orientação e auxílio de colaboradores e chefes... A fim de que o trabalho possa ser feito de acordo com leis científicas, é necessário melhor divisão de responsabilidades entre a direção e o trabalhador... (TAYLOR, 1976, p. 41).

Conforme Chiavenato (1993, p. 92), a tentativa de substituir métodos empíricos pelos métodos científicos em todos os ofícios recebeu nome de Organização Racional do Trabalho (ORT), cujo principais aspectos são:

- análise do trabalho e estudo dos tempos e movimentos: essa permitiu a divisão e subdivisão de todos os movimentos necessários à execução de uma tarefa e, assim, trouxe vantagens como: eliminar os movimentos inúteis, tornar mais racional a seleção e treinamento do pessoal, aumentar a eficiência do operário, etc.

[...] entre os vários métodos e instrumentos utilizados em cada operação, há sempre método mais rápido e instrumento melhor que os demais. Estes métodos e instrumentos melhores podem ser encontrados bem como aperfeiçoados na análise científica de todos aqueles em uso, juntamente com acurado e minucioso estudo do tempo. Isto acarreta gradual substituição dos métodos empíricos pelos científicos, em todas as artes mecânicas (TAYLOR, 1976, p. 40).

- Estudo da fadiga humana e condições de trabalho: Frank Gilbreth, engenheiro, realizou estudos para analisar a relação entre os movimentos e a fadiga, considerados um redutor da eficiência. O conforto para os trabalhadores e

melhoria do ambiente físico passaram a ser valorizados por serem constatados como essenciais ao aumento da produtividade.

- Desenhos de cargos e tarefas: o pressuposto principal no desenho de cargos é que cada um deve conter um número limitado de tarefas relacionadas, cada qual requerendo habilidades semelhantes e em período de tempo que permitam controlar e comparar os resultados com determinados padrões de produção. Assim, cada operário é treinado para desempenhar as atividades rotinizadas do cargo.

- Incentivos salariais e o conceito de “homo economicus”: com o objetivo de obter a colaboração dos trabalhadores em relação aos padrões de tempo determinados pela administração, Taylor e seus seguidores criaram os incentivos salariais e prêmios de produção, onde a remuneração deveria estar baseada na produção de cada operário.

- Padronização: a organização racional do trabalho preocupou-se com a padronização dos métodos, processos e instrumentos de trabalho, com o objetivo de diminuir a diversidade no processo produtivo e, conseqüentemente, eliminar o desperdício.

- Supervisão funcional: todo trabalhador fica subordinado a vários supervisores, cada qual especializado em determinada área e com autoridade funcional.

Sob a administração funcional, o único antigo contramestre é substituído por oito diferentes homens, cada um com atribuições especiais, atuando como agentes de seção de planejamento [...] são chefes exercitados que, em todos os momentos, ajudam e orientam os trabalhadores. Sendo cada um escolhido por seus conhecimentos e habilidade pessoal na especialidade... (TAYLOR, 1976, p. 113).

De acordo com Stoner (1999, p. 27), a administração científica se preocupava com o aumento da produtividade da fábrica e do trabalho individualmente. O outro ramo é a administração clássica que surgiu da necessidade de encontrar as linhas mestras para administrar organizações complexas como as fábricas. Dentro desse ramo, Henri Fayol trouxe grandes contribuições à administração científica.

Conforme Lodi (1981, p. 46), Fayol definiu as funções da administração da seguinte forma: planejar, organizar, comandar, coordenar e controlar.

Planejar era definido como: examinar o futuro e desenhar um plano de ação. Organizar significava: construir a estrutura, material e humana, do empreendimento. Comandar significava: manter a atividade no pessoal. Coordenar: reunir, unificar e harmonizar as atividades e esforços. Controlar: assegurar-se de que tudo ocorre em conformidade com a regra estabelecida e a ordem expressa. (LODI, 1981, p. 46).

Para Fayol, estes elementos constituem o processo administrativo e estão presentes em qualquer trabalho do administrador, em todos os níveis e áreas de atividade da empresa. Ele também apresenta 14 princípios de administração, das quais Lodi (1981, p. 47) seleciona os três considerados mais importantes:

- igualdade entre Autoridade e Responsabilidade: um trabalhador deve ter autoridade suficiente para decidir em relação às atividades pelo qual é responsável;

- unidade de Comando: diferentemente de Taylor, Fayol propõe que cada trabalhador deva receber ordens de apenas um superior;

- unidade de Direção: deve haver uma cabeça e um plano para cada grupo de atividades que tenham o mesmo objetivo.

Assim, a Teoria Clássica de Fayol entende a organização sob o ponto de vista da sua estrutura. Analisa e estuda a sua forma e disposição entre as partes, bem como a relação entre essas. Caravantes (1998, p. 43) coloca que a doutrina do autor está muito próxima dos conceitos utilizados atualmente em nossas organizações, sejam industriais ou voltadas ao comércio. Os princípios administrativos estabelecidos por ele ainda são empregados, com algumas adaptações no atual contexto das organizações.

Morgan (1996, p. 36) afirma que os pressupostos da administração científica foram vendidos para os administradores como a melhor maneira de organizar e gerenciar uma organização. Entretanto, o cenário das organizações contemporâneas demonstram que esses estavam equivocados nas suas conclusões, pois a base de muitos dos modernos problemas encontram-se em tais princípios administrativos. Ao considerá-la como um processo racional e técnico, a imagem mecanicista não só acabou desvalorizando os aspectos humanos, como também a natureza imprevisível e complexa das tarefas organizacionais, diferente das que podem ser desempenhadas por máquinas. Assim, o enfoque mecanicista funciona bem sob condições em que as máquinas operam bem, ou seja: quando existe uma tarefa contínua a ser executada, quando o ambiente é estável para garantir que os produtos oferecidos sejam apropriados, ou ainda, quando se deseja produzir sempre exatamente o mesmo produto.

Levando em consideração, o ambiente instável no qual vive-se, talvez poucas organizações possam ser classificadas nos critérios descritos acima. Certamente, o atual fluxo de mudanças apresenta um sério problema para as organizações que são administradas sob o enfoque mecanicista, sobretudo, nas questões relacionadas à administração dos recursos humanos.

2.2.2 A organização enquanto organismo: escola das relações humanas, teoria geral dos