2.3 Kriser og krisehåndtering
2.3.3 Krisehåndtering
Diversos autores sustentam a teoria de que o desenvolvimento financeiro estimula o crescimento econômico. Um dos impactos deste desenvolvimento foi o aumento dos níveis de poupança e redução das taxas de juros praticadas no país, o que pode ser um dos principais fatores responsáveis pelo crescimento do segmento de administração de recursos financeiros. Para Darrat (1999), por exemplo, o desenvolvimento do sistema financeiro estimula o crescimento econômico uma vez que o funcionamento satisfatório das instituições que o compõem promove eficiência econômica geral em termos de geração e expansão de liquidez, mobilização de poupança, intensificação do processo de acumulação de capital, transferência de recursos de setores tradicionais sem crescimento para setores mais modernos indutores de crescimento e de impulso às respostas de empresários competentes nos setores modernos da economia. Em sua síntese, Darrat (1999) afirma que o sistema financeiro facilita a alocação de recursos temporal e espacialmente, contribuindo, assim, para estimular a atividade econômica.
Para melhor análise desta teoria, e tendo em vista as variáveis macroeconômicas cuja evolução se deseja caracterizar, pode-se destacar cinco acontecimentos internos que marcaram o período 1980-2008 no cenário brasileiro:
1) esforço de estabilização econômica iniciado em 1986, com o Plano Cruzado; 2) liberalização comercial iniciada em 1988 e continuada e aprofundada em 1990; 3) forte restrição de liquidez em 1990, com o Plano Collor;
4) controle do processo inflacionário com o Plano Real, a partir de 1994; e 5) a mudança de regime cambial em janeiro de 1999.
De acordo com Matos (2003), essa série de acontecimentos mudou a trajetória da economia brasileira após 1980. Diante de um processo inflacionário crônico e de restrições externas e fiscais, o esforço governamental nesse período centrou-se, principalmente, na implementação de programas de estabilização monetária. Ressalta-se que, apesar do período pós Plano Real ser marcado pela redução e manutenção da inflação baixa, a economia brasileira passou por períodos de instabilidade com as diversas crises econômicas, que se abateram sobre países ou regiões após 1994 (crise mexicana, em 1994, asiática, em 1997 e Russa, em 1998). Segundo Maffili (2007), a busca da estabilidade aliada ao contágio dessas crises externas após a abertura do país, a partir dos anos 90, gerou consequências positivas e adversas sobre variáveis macroeconômicas.
Além do sistema bancário, há 3 variáveis macroeconômicas que sofreram fortes mudanças no período aqui analisado e que devem ser contempladas: a taxa de juros Selic, a inflação e o regime cambial.
2.2.1 Taxa de Juros Selic e Inflação
O custo da taxa básica de juros (Selic), definida pelo Banco Central do Brasil (Bacen) no seu planejamento e execução da política monetária, é tomado pelo mercado financeiro como parâmetro de avaliação da taxa de juros praticada. Atualmente, a taxa Selic está em 10,25% ao ano.2 Esta taxa é usada para remunerar a emissão dos Títulos Públicos Federais emitidos pelo Tesouro Nacional.
A taxa de juros praticada no mercado brasileiro tem papel fundamental no mecanismo do funcionamento de sua economia. Por um lado, é ela que estabelece a remuneração a ser paga aos indivíduos que optam por poupar, isto é, aqueles que abrem mão de consumir agora e formam uma poupança porque julgam que é válido postergarem o consumo em função da remuneração de seus recursos; por outro, é ela quem define a correção monetária da maioria dos títulos públicos que são emitidos pelo tesouro. Em suma, o “cuidado” com esta taxa é fundamental, pois, ao mesmo tempo em que seu aumento é relevante para o crescimento e incentivo da poupança, ela também interfere diretamente na dívida pública do país.
Conforme Biasotto e Bessada (2004), em economias de mercado, o principal instrumento de política monetária é a taxa de juros. Os bancos centrais controlam esta taxa de juros através de suas habilidades como os fornecedores finais da liquidez para o sistema bancário, equilibrando a oferta e a demanda por fundos nos mercados de dinheiro. Em alguns países, as mudanças no nível de reservas obrigatórias que os bancos comerciais possuem com o Banco Central são usadas para influenciar o equilíbrio entre oferta e demanda e consequentemente gerar o movimento necessário às taxas de juros de curto prazo e, por esta razão, no espectro total das taxas de juros na economia. Em outros países, por exemplo, no Reino Unido, as operações de mercado aberto do Banco Central são designadas para assegurar que, a cada dia, o mercado de dinheiro como um todo possa fazer frente às deficiências potenciais, que o Banco Central então ameniza com a taxa de juros que ele deseja ver estabelecida ou mantida no mercado.
Em se tratando de inflação, o IPCA3 (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), medido mensalmente pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), foi criado com o objetivo de retratar a variação dos preços no comércio para o público final e é considerado pelo Banco Central o medidor oficial da inflação do país, sendo este índice utilizado pelo governo como referencial para verificação do cumprimento das metas estabelecidas para a inflação.
O IPCA do ano de 1994 foi 916,43% e este mesmo índice do ano de 2008 foi de 5,90%4, isto é, houve uma redução de 99,35% no índice oficial de inflação do país.
No gráfico abaixo, é possível acompanhar a trajetória do IPCA anual de 1995 a 2008. Para que a visualização gráfica do comportamento do índice pudesse ser adequadamente feita, o índice referente a 1994, por sua magnitude em relação aos demais anos, foi desconsiderado.
Gráfico 4: Comportamento do IPCA Anual (1995 a 2008)
0.0% 5.0% 10.0% 15.0% 20.0% 25.0% 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 IPCA
Fonte: A autora, com base em informações do IBGE – Banco Central do Brasil (www.ibge.gov.br).
2.2.2 Regime Cambial
A partir de janeiro de 1999, o governo brasileiro utilizou-se também da política cambial como instrumento para obtenção da estabilidade financeira e econômica do país. As mudanças ocorridas no regime cambial brasileiro, através da adoção do câmbio flutuante, acarretaram em mudanças nos preços relativos, que, conforme analisado anteriormente, interferiram na eficiência da indústria bancária.
3
Este indicador reflete o custo de vida de famílias com renda mensal de 1 a 40 salários mínimos, residentes nas regiões metropolitanas de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Curitiba, Salvador, Recife, Fortaleza e Belém, além do Distrito Federal e do município de Goiânia.
De acordo com Braga e Prates (1999), o uso da âncora cambial no combate à inflação foi o mecanismo que possibilitou a estabilidade da moeda nos países latino-americanos – México, Argentina e Brasil – na década de 90. No caso brasileiro, especificamente, a criação da URV indexada à variação cambial “dolarizou” indiretamente a economia, permitindo uma acomodação dos preços relativos. O compromisso com a âncora cambial variou de acordo com o regime cambial adotado – câmbio fixo ou bandas de flutuação – e teve um papel de “balizador” das expectativas. A inserção desses países no movimento de globalização financeira foi também essencial no processo de estabilização monetária.
Neste cenário, o ingresso de fluxos de capitais voláteis viabilizou um excepcional nível de reservas internacionais, dando à autoridade monetária credibilidade para defender a taxa de câmbio nominal.
Conforme Paula et al. (2001), devido ao aumento da dívida pública, a partir de 1997, os bancos retornam à sua estratégia de flexibilidade patrimonial típica do período de alta inflação, contraindo crédito e aumentando suas aplicações em títulos públicos, predominantemente indexados à taxa de overnight e à taxa de câmbio. Dessa forma, o governo brasileiro tem sido induzido a ofertar um hedge cambial5 e de taxa de juros para cobrir os prêmios de risco para rolagem da dívida pública. Este contexto influencia o comportamento dos bancos, que por sua vez influenciam o spread bancário.6 Tal fato ocorre porque os bancos passam a ter em seus portfólios de ativos, uma parcela maior de títulos públicos que possuem menor risco, e com isso passam a exigir um prêmio mais elevado das operações de crédito que possuem um risco maior.
O Banco Central utiliza-se da taxa de juros para reverter o fluxo de saída de capitais e impedir, dessa forma, o aumento da inflação devido à desvalorização do câmbio. Nesse cenário, a política monetária ficou atrelada ao objetivo da estabilidade de preços, tendo ao mesmo tempo efeitos macroeconômicos desestabilizadores sobre a economia brasileira, refletindo-se, entre outras coisas, no valor do spread bancário. A diferença de custo entre o custo de captação de recursos e o custo de empréstimo de recursos é um dos grandes entraves da construção de um mercado de capitais no Brasil.
5 Hedge é um termo de origem inglesa que designa operação que serve para proteger as empresas contra
variações bruscas em ativos que estejam lastreando suas obrigações futuras. Em câmbio, consiste em operações de proteção contra variações na taxa de câmbio futura (cf. www.number.com.br/glossario/terpor.php). Em complemento, Bueno (2002, p. 83) define hedge como uma operação de proteção em que o agente toma determinada posição para evitar ou diminuir variações de preço e, assim, de sua riqueza.
6 O spread bancário é definido como sendo a diferença entre a taxa de empréstimo e a taxa de captação de CDB
2.3 SETOR BANCÁRIO E GESTORES INDEPENDENTES NOS EUA E EUROPA: