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3.3 Bunndyr og krepsdyr Vikedal

3.3.1 Feltarbeidet 2016

3.3.2.2 Krepsdyr

As práticas mais comuns de escarificação são o cutting e o branding. Optou-se por considerá-las e analisá-las como tatuagens baseando-se na definição da palavra tatuagem e por considerá-las importantes no aspecto de identificação grupal. A escarificação tem para algumas culturas o mesmo papel social que as tatuagens.

2.3.5.1. Cutting

Conforme o nome indica, baseia-se em fazer cortes na pele, normalmente utilizando um bisturi cirúrgico de lâmina descartável, em cortes repetidos até se alcançar a profundidade cutânea desejada. A intenção é induzir o corpo a formar cicatrizes e quelóides (Ver fig. 23)

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Quelóide é o nome dado ao processo dermatológico no qual ocorre a formação e aglomeração exagerada de fibras de colágeno. Isso acontece em áreas onde o organismo tem necessidade de criar revestimento para queimaduras ou cortes, por dano ou existência de um espaço sem preenchimento. Essa cicatriz caracteriza-se por ter textura e coloração diferentes da pele comum. Pode variar em tonalidade e na dilatação, de pessoa para pessoa, resultando mais expressiva em pessoas com tonalidades cutâneas mais escuras (com mais melanina). Como atrativo, há também o aspecto tri-dimensional dessas protuberâncias.

O processo pode ir de um corte simples (criando uma linha única), ao skinning que implica a remoção de uma área de pele previamente contornada, dando forma ao desenho pretendido.

Há uma variante auto-induzida que acontece normalmente em adolescências problemáticas ou depressivas, mas essa forma exige encaminhamento psiquiátrico, já que trata-se de uma auto-flagelação por motivos psicológicos.

O cutting é considerado uma técnica de modificação corporal.

A grande diferença entre esse método e a tatuagem consiste nos cuidados após a conclusão do desenho que são essencialmente diferentes nos dois métodos. Para que os cortes feitos na pele virem cicatrizes bonitas, é necessário tomar alguns cuidados como: escovar as feridas três vezes ao dia, arrancar as cascas, tomar sol diretamente na cicatriz, passar vaselina para dificultar a união da pele. Para que a tatuagem fique bonita esses procedimentos são evitados. 61

Segundo Miller (2004, p. 117), o cutting tem uma cicatrização mais delicada que o branding e desta forma consegue-se obter melhores desenhos com padrões mais complexos. As peles mais escuras tendem a cicatrizar melhor porque produzem mais quelóides e mais melanina no ferimento.

61 Revista Underworld. Entulho Informativo n° 21. página 8. Disponível em

<http://www.underworldmag.org/website2005/DirEscrita/edicoes/art_WUq6awg2rXJp.pdf?PHPSESSI D=21bf6116831edd887c2f96c890385c> acesso em 28/03/2007.

Figura 23 - Tatuagem feita pelo método de cutting62

2.3.5.2. Branding

Palavra de língua inglesa, em português significa marcar. É um tipo de tatuagem executada a ferro e fogo. Hoje em dia já se utilizam canetas de ferro com a ponta aquecida para se conseguir um efeito mais bonito.

De acordo com matéria publicada no site da Loja Infinite Body Piercing, em Filadélfia, Estados Unidos, por centenas de anos as pessoas têm se utilizado do fogo para fazer desenhos em suas peles. Às vezes praticado como ritual de passagem de idade, de nascimento ou morte, ou simplesmente com valores estéticos, os brandings sempre foram componentes importantes no que diz respeito à modificação corporal.

Atualmente há uma familiarização maior com esse tipo de marca na prática do sadomasoquismo, na qual o branding serve para marcar propriedade do mestre.

Devido à mistura de fogo e dor intensa, o branding tem lugar importante na psiquê moderna. O cheiro da carne humana queimando libera uma sensação de realização instintiva e de que alguma coisa importante está acontecendo. Essa dor

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intensa também faz com que esse processo seja portador de uma declaração poderosa e permanente.63

É uma variante da escarificação, porém baseia-se em queimar a pele, normalmente através de uma peça metálica aquecida. Várias investidas vão formando o desenho final. Segundo os tatuadores que executam esse tipo de trabalho, o branding por aquecimento de metal não oferece consistência no uso, e o metal precisa ser constantemente reaquecido já que é difícil manter a temperatura da peça metálica estável por muito tempo (Ver fig. 24).

Há, ainda, uma variante com bisturi elétrico (cautery) com diversas pontas opcionais. Deve-se ter o cuidado de não confundir tal instrumento com o ferro de solda normalmente utilizado na área de eletrônica. Esse bisturi elétrico é aquele normalmente utilizado em pequenas cirurgias de cauterização de verrugas e para cicatrizar algumas situações hemorrágicas.

O método mais sofisticado e consistente (mas doloroso) é o laser. É considerado um bom dispositivo de eletro-cauterização, pois oferece um controle mais acurado da profundidade e tipo de dano a causar no tecido, permitindo ao artista experiente criar uma cicatriz de textura diversificada.

Fazer com que a cicatriz fique exatamente como se pretendia ao executar o

branding é a segunda parte do processo, tão determinante quanto o trabalho do

profissional. Nessa prática, mais ainda que em outras como a tatuagem ou o

piercing, o resultado final depende quase que completamente da cicatrização, pois

as pessoas cicatrizam de forma diferente e a cicatriz não é feita pelo artista, mas sim pela maneira como o corpo reage ao ferimento. O que fica belíssimo em alguns, pode ficar horroroso em outros.

A cicatrização de uma escarificação leva aproximadamente 45 dias e é muito suscetível a infecção. Aos poucos, a cicatriz começa a ficar rosada, e mais tarde, adquire a cor natural da pele. Pode levar entre 6 meses a 1 ano para se ver o trabalho final e se não ficar conforme o cliente imaginou, pode-se retocar o trabalho com uma nova escarificação.

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A forma de lidar com a cicatrização, também, pode envolver uma técnica específica para influenciar resultados. Alguns artistas recomendam irritar a ferida, ou seja, tirar a casca conforme ela vai se formando. Tal procedimento faz com que a cicatrização demore mais tempo para ocorrer e obtém-se, assim, uma cicatriz mais bonita.

Figura 24 - Tatuagem feita pelo método branding64

Segundo Miller (2004, p. 117), o branding é bem mais dolorido que o procedimento de uma tatuagem comum. Esse método provoca queimaduras de segundo e terceiro graus.

2.3.5.3. Skin removal

Dentro dessa técnica de escarificação, existe também o Skin removal, ou seja, a remoção de pele. O corte é feito sobre a pele com bisturi e com a ajuda de uma pinça a pele vai sendo puxada e removida. Normalmente o resultado é um preenchimento de cicatriz (Ver fig. 25).

64 Disponível em < http://tattoo.about.com/gi/dynamic/offsite.htm?zi=1/XJ/Ya&sdn=tattoo&cdn=style&tm=387&gps=161_4 _788_422&f=11&su=p284.8.150.ip_&tt=14&bt=1&bts=1&zu=http%3A//www.bodym.com/branding.htm >. Acesso em 09/12/2007.

Figura 25 - Skin removal 65

2.3.6. Femininas

Segundo DeMello (2000, p. 174), a grande maioria das mulheres que fazem uma tatuagem consideram-na como símbolo de independência pessoal. A maioria das mulheres opta por desenhos pequenos e discretos, como fadas, estrelas e golfinhos (Ver fig. 26).

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Figura 26 - Tatuagem feminina de fada66

2.3.7. Gangues

Segundo Miller (2004, p. 58), a idéia das tatuagens de gângsteres vem do hábito que os membros de gangues têm de tatuar o nome ou símbolo de seu grupo em seus corpos, representando assim fidelidade permanente, o que remete às tradições antigas de identificação tribal. Normalmente esse tipo de desenho tem a forma do nome ou lema do grupo, tatuado no estômago ou nas costas. Incluem-se nesse grupo os nazistas contemporâneos chamados de skinheads (Ver fig. 27).

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Figura 27 - Tatuagem de gangue67

Nota-se hoje uma melhor aceitação por parte da sociedade com relação às tatuagens. O preconceito diminuiu, porém ainda existe, principalmente em famílias mais religiosas ou pessoas acima dos cinqüenta anos.

Segundo Rodrigues (2006, p. 19), a tatuagem representa “uma forma não-verbal de comunicação, que dá informação rápida e pode suprir o desejo de impor medo aos inimigos, exatamente como faziam os primitivos.”

Para Rodrigues (2006), a arte da tatuagem deixou o underground e atingiu uma elite tatuada, com representantes na área do cinema, teatro, televisão e música, personalidades distintas e respeitadas que tornam a tatuagem mais popular.

2.3.8. Hena

Segundo Rascher e Lossberg (2000), mehndi é o nome do processo de tatuagem não definitiva utilizando-se hena. Esse produto tem sido utilizado há milhares de anos na África, Índia e no Oriente Médio. Os desenhos são feitos na pele e

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Disponível em < http://www.rankmytattoos.com/New_York/Bronx/5574.html>. Acesso em 09/12/2007.

desaparecem após algumas semanas. Esse processo tornou-se tendência nos Estados Unidos e algumas personalidades desfilaram com tatuagens Mehndi, como Demi Moore, Prince e Madonna.

As tatuagens Mehndi não apresentam riscos à saúde e sua aplicação é indolor. O que é utilizado é uma pasta obtida a partir das folhas esmagadas da hena. São utilizadas ainda hoje na Índia em cerimônias de casamento e durante alguns rituais de passagem. Na África, Índia e no Oriente Médio acredita-se que a hena tenha poderes de trazer amor e sorte além de proteger contra maus espíritos.

No passado a hena era utilizada para colorir madeiras, sedas, peles de animais e barbas. Uma vez descoberta sua propriedade em resfriar a temperatura do corpo, habitantes do deserto na Índia começaram a utilizá-la para resfriar seus corpos. Estudos em múmias que datam do ano 1200 AC mostram que a hena estava presente no cabelo e unhas dos faraós.

A arte dos Mehndis tornou-se popular em 1996. Antes disso a hena era utilizada normalmente para colorir cabelos.

No site www.tattoo.br informa-se que a pasta de hena em estado natural tem uma cor marrom ou de ferrugem, e não apresenta nenhum perigo; porém, muitas pessoas não gostam da cor da tatuagem de hena porque ela não é a mesma das tatuagens definitivas. O uso da hena que oferece uma cor negra, mais parecida com a cor da tatuagem definitiva, contém um aditivo que é extremamente perigoso. É chamado de Parafenilenodiamina ou PPD; esse aditivo contém um composto derivado da Fenilenodiamina, que é uma substância tóxica. O PPD não apresenta perigo até que seja exposto ao oxigênio. A oxidação parcial é que parece causar graves reações alérgicas nas pessoas.

A hena negra nunca foi usada para propósitos de tatuagem. Na verdade é um descolorante de cabelo. Não deve ficar em contato com a pele por muito tempo. O maior problema é que a maioria das pessoas só fica sabendo ser alérgica ao PPD depois de já ter estado em contato com essa substância.

Em Janeiro de 2007, duas famílias nos Estados Unidos processaram um distribuidor de hena negra. Seus filhos ficaram com cicatrizes permanentes na pele depois de terem feito tatuagem com essa substância.

O grande perigo está no corante preto que é utilizado para modificar a cor da hena. Ele penetra na pele do usuário e deixa resíduos de chumbo e mercúrio, que são metais pesados e não eliminados pelo organismo. A tatuagem feita com esses corantes é temporária, mas os metais ficam para sempre no corpo do usuário (Ver fig. 28)

Figura 28 - Tatuagens de hena68

2.3.9. New School

Segundo Rio e Bianchini (2004, p. 91), esse estilo de tatuagem, como o nome sugere, representa a nova escola no estilo de tatuar. Foi desenvolvido na Costa Oeste dos Estados Unidos e é resultado de uma combinação do estilo oriental japonês com os desenhos da velha escola, os tradicionais. O que os diferencia é a ampla variedade de cores utilizadas.

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Miller (2004, p. 61) define esse estilo como um caldo de culturas múltiplas. Os tatuadores desse estilo utilizam-se de estilos radicais que passam do kitsch ao cubismo e tornam-se lindos trabalhos de arte. (Ver fig. 29).

Figura 29 - Tatuagem no estilo New School69

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