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2.3 Forvaltning av strålevern

2.3.2 Krav til strålevernkompetanse

A possibilidade de estabelecer um ranking ou uma categorização para o desempenho dos governos municipais no que se refere ao seu pioneirismo na adoção de políticas e demais medidas ambientais inovadoras e propor sua relação com a adoção dos princípios da boa governança resolve o dilema da circularidade nas análises de causalidade entre boa governança e seus princípios, como foi anteriormente proposto.

Esta solução, que possibilita identificar municípios que mais provavelmente estão melhor capacitados para a prática a boa governança quando comparados com seus congêneres não explica, entretanto, as razões de tal diferenciação, tão pouco identifica quais são as capacidades institucionais que esses governos municipais detêm e que os demais não o fazem.

Assim, para avançar na proposição de um modelo de capacitação dos governos municipais para a boa governança do desenvolvimento sustentável, especialmente via uma gestão inovadora das políticas ambientais, seria necessário confirmar esta tese via a comparação com outros estudos sobre a governança municipal

desses mesmos municípios, para então, mapear que capacidades que se relacionam com a boa governança no setor público precisariam estar fortalecidas no âmbito municipal.

Afortunadamente, no ano de 2014 foi apresentado e discutido pelo Tribunal de Contas da União (TCU) um relatório técnico sistematizando os resultados de um extensivo levantamento realizado junto a órgãos da Administração Pública dos três níveis de governo, com o intuito de melhor conhecer a situação da governança no setor público brasileiro e assim estimular as boas práticas de governança em todo o território nacional.

Para produzir o referido relatório, o TCU em conjunto com órgãos de controle externo de estados e municípios, enviou para diversos órgãos um questionário30 sobre governança pública, elaborado com base no Referencial Básico de Governança Aplicável a Órgãos e Entidades da Administração Pública (RBG), de autoria do próprio tribunal, tendo recebido respostas de 7.770 organizações de um universo total de 12.25931, ou seja, cerca de 63% do total.

De acordo com o RBG, o questionário de administração pública foi organizado em torno dos três mecanismos de governança considerados (Liderança, Estratégia e Controle), os quais se subdividem em componentes, “que por sua vez possuem práticas, e as práticas são mensuradas por meio da implementação dos seus itens de controle. Os itens de controle são as assertivas do questionário”. (TCU, 2014, p. 11)

Para definir os conceitos que sustentam a visão de governança buscada nos questionários, o referencial adotado pelo Tribunal conceitua cada um dos mecanismos e qualifica os seus componentes, como uma forma de preâmbulo para as respostas aos itens consignados no questionário. Assim, como esclarece o relatório apresentado em 2014, de acordo com o RBG

30 A metodologia adotada pelo TCU trabalhou com 3 tipos diferentes de questionários, o Questionário Completo de Governança Pública e de Governança e Gestão de Aquisições, composto por 138 itens de controle de governança pública e 95 de controle de governança e gestão de aquisições, aplicado em órgãos estaduais e de municípios com mais de 100 mil habitantes; o Questionário Simplificado de Governança Pública e de Governança e Gestão de Aquisições, composto por 62 dos 138 itens de governança pública e 61 dos 95 itens de gestão das aquisições, destinado a municípios com menos de 100 mil habitantes; e, o Questionário Completo de Governança Pública, composto pelos 138 itens de governança e aplicados nos órgãos da Administração Pública Federal.

31De acordo com o relatório do Tribunal (pag. 6): “Inicialmente foram selecionadas para participar do levantamento 12.319 organizações públicas (...). Contudo, durante a execução 60 organizações foram excluídas da amostra, por motivos de duplicidade, ou ainda a pedido dos tribunais de contas partícipes (...). Assim, a amostra foi composta por 12.259 organizações (394 federais, 1.272 estaduais e 10.593 municipais).

“Liderança refere-se ao conjunto de práticas, de natureza humana ou comportamental, que assegura a existência das condições mínimas para o exercício da boa governança, quais sejam: pessoas íntegras, capacitadas, competentes, responsáveis e motivadas ocupando os principais cargos das organizações e liderando os processos de trabalho.” (TCU, 2014, p.12).

Além da liderança, mecanismo formado por quatro componentes, o referencial básico adotado pelo Tribunal de Contas considera a Estratégia como segundo elemento decisivo para a boa governança no setor público. São os líderes nas organizações que “são os responsáveis por conduzir o processo de estabelecimento da estratégia necessária à boa governança” (TCU, 2014b, p. 37) envolvendo uma série de aspectos gerenciais e relacionais organizados em três componentes (QUADRO VI do Apêndice).

Seguindo esta linha de raciocínio, o Referencial Básico reconhece que no processo de execução das estratégias traçadas “existem riscos, os quais devem ser avaliados e tratados. Para isso, é conveniente o estabelecimento de controles e sua avaliação, transparência e accountability, que envolve, entre outras coisas, a prestação de contas das ações e a responsabilização pelos atos praticados” (TCU, 2014b, p. 37). Este conjunto de elementos forma o terceiro mecanismo considerado, que se relaciona com a gestão de riscos, a auditoria interna e a transparência das ações públicas.

Em conformidade do o relatório apresentado ao TCU, com o objetivo de “apresentar os dados de forma mais clara, optou-se por categorizar as respostas em três níveis, chamados de “estágios de capacidade”, conforme o modelo seguido em levantamentos anteriores realizados pelo TCU” (TCU, 2014a, p. 17). Foram definidos, então, três estágios de capacidade (inicial, intermediária e aprimorada), sendo que o estágio inicial poderia ser subdivido em capacidade inexistente, capacidade insuficiente e capacidade inicial.

A partir dessas definições, a metodologia adotada pelo Tribunal avança no processo de atribuição de valores às respostas adotadas nos questionários, variando de zero (quando a resposta não atende ao quesito e o órgão sequer deliberou a respeito do tema, até um máximo de 1 (um), quando a organização atende totalmente ou em grande parte a questão ou quando não atende ao quesito por impossibilidade legal ou por ter avaliado que o custo-benefício da adoção da medida se mostrou desfavorável.

A partir daí os mecanismos, componentes e suas práticas foram “desdobrados em itens de controle verificáveis e auditáveis” (TCU, 2014a, p. 63) com o objetivo de possibilitar sua mensuração. Entretanto, como este foi o primeiro

levantamento de governança com a participação de governos municipais, “considerou- se prudente avaliar apenas 14 das 32 práticas do modelo preconizado, exigindo-se a avaliação completa apenas das organizações federais ou estaduais e dos grandes municípios” (TCU, 2014a, p. 63), gerando o índice geral de governança simplificado, o iGGs32 (QUADRO VII do Apêndice).

O trabalho do Tribunal alerta que para estudar o grau de importância de uma prática de governança seria necessário “mensurar em conjunto a qualidade da gestão resultante da estrutura de governança (...) e também mensurar em conjunto a qualidade dos resultados entregues ao cidadão que decorrem dos processos de gestão” (TCU, 2014a, p. 65), consequentemente, reconhece-se que

“o iGGs não deve ser percebido como uma medida precisa da governança pública de uma dada organização, devendo ser entendido apenas como uma referência e um instrumento de autoavaliação da sua capacidade nessa área, e também um guia no processo de melhoria” (TCU, 2014a, p. 65).

Em suma, o indicador proposto não avalia a boa governança, stricto sensu, mas permite identificar em que medida os governos municipais têm desenvolvido suas capacidades de liderança, estratégia e controle, consideradas como mecanismos essenciais para alcançar estes objetivos, aspecto que se coaduna perfeitamente com o desafio proposto inicialmente neste trabalho.

Por outro lado, como reconhece o relatório da Corte de Contas, para dar o passo adicional e avançar na avaliação da qualidade da governança seria necessário relacionar esses resultados da gestão resultante da boa governança, resultante esta que, como se defende no presente trabalho, pode ser traduzido no grau de inovação ambiental dos governos municipais ou, ainda mais especificamente, no pioneirismo dos governos municipais para a adoção de medidas ambientais inovadoras.

Considerando que seria possível medir a boa governança (ou o grau de governança) dos governos municipais tendo por referência o seu pioneirismo ambiental calculado com base nos processos de certificação do PSMV, especialmente em função do cálculo do ISA (pioneiros, seguidores, retardatários); e, considerando que o iGGs é uma ferramenta que mede o grau de capacitação dos governos municipais para a boa governança (inicial, intermediária ou avançada), o passo subseqüente deste esforço seria o de buscar, para cada município, as relações entre os mecanismos da boa governança

32 Considerando que a maior parte dos municípios cearenses possui população com menos de 100 mil habitantes, é este o indicador que mais interessa à presente discussão.

estudados pelo TCU e o seu estágio em termos de pioneirismo, em síntese, necessário verificar se:

Figura 10 – Relação entre o Pioneirismo na Inovação e os Mecanismos da Boa Governança Adotados pelo TCU, 2014.

Pioneirismo na Inovação Ambiental ƒ (Liderança * Estratégia * Controle)

Fonte: Elaboração Própria

Assim seria possível estabelecer uma relação entre os resultados observados em termos dos desempenhos da governança municipal pelos dois sistemas de avaliação de sorte que, os municípios melhor estruturados, tendo por referência os critérios do pioneirismo na inovação ambiental deveriam ser aqueles que apresentariam maior nível de capacitação tendo por referência os critérios do TCU, ou seja:

Quadro 15 - Relação Hipotética entre o Grau de Pioneirismos dos Municípios Cearenses, com base no PSMV, e o Grau de Capacitação para a Governança, com base

nos dados do TCU. Pioneirismo na Inovação Ambiental

(ISA/PSMV) Relação Governança Municipal (TCU) Grau de Capacitação para a

Pioneiros ≈ Capacitação Avançada

Seguidores ≈ Capacitação Intermediária

Retardatários ≈ Capacitação Inicial

Fonte: Elaboração Própria, 2017.

De um total de 184 municípios, 73 prefeituras municipais devolveram os questionários respondidos e 82 Câmaras de Vereadores também. Respectivamente, estes números correspondem a 39,7% e 44,6% do universo, o que quando comparado aos 63% de respostas obtidas nacionalmente indica uma adesão não tão elevada ao processo de avaliação por parte dos cearenses.

Em termos dos resultados gerais, quando considerados a média dos índices (iGGs) apurados para o conjunto dos municípios cearenses, alcança-se um índice médio de aproximadamente 36,3%, sendo que as Câmaras de Vereadores apresentaram, separadamente, um desempenho um pouco melhor. Enquanto estas tiveram um índice de 37,7%, as prefeituras municipais alcançaram um valor para o índice de 34,5%. Quando os resultados são tabulados em função da categoria de capacidade para a governança estabelecida nos relatórios do TCU, os resultados ficariam como aponta a Tabela 11.

Tabela 12 – Classificação dos Municípios Cearenses por Categoria de Capacitação para a Governança Pública, de Acordo com Relatório do TCU, 2014

Categoria Prefeituras Câmaras Total

N % N % N %

Inicial (iGGs ≤ 40%) 48 65,8 50 61,0 98 63,2

Intermediária (iGGs ≤ 70%) 22 30,1 28 34,1 50 32,3

Aprimorada (iGGs > 70%) 03 4,1 04 4,9 07 4,5

TOTAL 73 100 82 100 155 100

Fonte: Elaboração Própria, 2017.

Quando se dá início à tentativa de demonstrar a eventual convergência entre os resultados observados na classificação dos municípios cearense em termos do pioneirismo na inovação ambiental e o grau de capacitação das prefeituras em função dos critérios adotados pelo Tribunal de Contas, alguns aspectos preliminares precisam ser destacados:

a. No quesito universo de municípios que participaram do processo de avaliação, o PSMV chegou a alcançar, nas 9 edições analisadas, um total de 144 municípios (78,3% do total), enquanto que a avaliação do TCU atingiu 73 municípios cearenses (39,7%);

b. Entretanto, na definição dos clusters para a classificação dos municípios em função do seu pioneirismo, a opção de trabalhar com apenas os que foram certificados pelo menos uma vez em todo o período de análise fez com que o número de municípios categorizados em função do pioneirismo fosse de 62; e, c. Quando confrontados os resultados, considerando os 73 avaliados pelo TCU e os

62 certificados pelo PSMV, há um total de 30 municípios que participaram dos dois processos de avaliação.

Embora o número de municípios utilizados para identificar o conjunto dos que apresentavam categorizações pelos dois processos avaliativos fosse razoavelmente equilibrado, quando se analisa a distribuição de frequência dos municípios analisados por categoria, já se identificam algumas discrepâncias que merecem ser analisadas sob pena de se refutar a hipótese proposta.

Tabela 13 – Distribuição de Frequência dos Municípios Cearenses por Categoria de Capacitação para a Governança Pública e Pioneirismo na Inovação Ambiental

Capacitação para a

Governança Quantidade Prefeituras % Pioneirismo na Inovação Quantidade Prefeituras %

Inicial (iGGs < 40%) 48 65,8 Retardatário 27 43,5

Intermediária (iGGs < 70%) 22 30,1 Seguidor 20 32,3

Aprimorada (iGGs > 70%) 03 4,1 Pioneiro 15 24,2

TOTAL 73 100 TOTAL 62 100

Fonte: Elaboração Própria, 2017.

Considerando a hipótese de que haveria correspondência entre as categorias adotadas, de início, seria de esperar que houvesse similaridade na distribuição de frequência dos municípios pelas diferentes faixas de classificação adotadas, entretanto, isto não se constata, especialmente, porque há um percentual significativamente maior de municípios “Pioneiros” do que municípios com capacidade “Aprimorada”, enquanto que no extremo oposto da escala a situação se inverte.

Quando se agregam às estatísticas do PSMV os outros 82 municípios que já participaram do programa em alguma de suas edições e não obtiveram a certificação, considerando-os todos na categoria Retardatários, estes representariam 75,7% do total, os Seguidores representariam 13,9% e os Pioneiros seriam 10,4%. O que ainda não seria o suficiente para considerar ou desconsiderar definitivamente a hipótese.

Por outro lado, quando se confrontam os resultados observados para os 30 municípios que foram avaliados pelo Tribunal e certificados pelo Programa Selo Município Verde, o resultado, explicitado nos Quadros VIII do Apêndice, mostra que embora a convergência entre a hipótese inicialmente proposta seja prevalente, há significativas distorções, especialmente quando as relações não se dão entre as pior classificadas.

Dito de outra forma, dos 30 municípios considerados, 15 deles são categorizados como Retardatários, em termos da classificação do PSMV e estão em estágio de capacitação inicial segundo o TCU e um como Seguidor, no estágio intermediário de capacitação, ou seja, 16 dos 30 analisados (53,3%) corroboram com a hipótese levantada. Entretanto, os outros 46,7% não a confirmam e há casos de municípios que se encontram nos polos opostos das classificações.

Estes resultados não são suficientes para convalidar a hipótese inicialmente proposta da possibilidade de se estabelecer uma relação direta entre as duas categorizações, tão pouco seriam suficientes para descartá-la de pronto. Quando se incorporam à base de dados os municípios que jamais foram certificados e que também

participaram da avaliação do TCU, o universo total passa para 54 municípios que foram classificados pelos dois processos avaliativos, QUADRO IX do Apêndice, o percentual de resultados de conformidade melhoram substancialmente, uma vez que dos 54 casos analisados 34 (63%) estariam em acordo com a propositura, permitindo avançar na análise desse desempenho desagregado em função de cada uma das três dimensões da boa governança adotadas no levantamento do Tribunal de Contas.

4.3.2 Capacidades para a Boa Governança e Pioneirismo na Inovação das Políticas