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A família Gurgel não foi o único contexto em que a criança Zilma teve oportunidade de experienciar e ampliar seu repertório como sujeito de aprendizagem e desenvolvimento. As duas escolas confessionais fortalezenses - uma de origem francesa e a outra alemã - direcionadas à educação feminina em que ela circulou durante sua infância, adolescência e juventude também tiveram sua parcela de contribuição no crescimento dela enquanto indivíduo, mais especificamente na aquisição do saber culturalmente organizado em suas distintas áreas de conhecimento.

A ação educativa complementar dessas três instituições educativas - Família, Escola e Igreja Católica - apresentaram nuances distintas quanto aos conteúdos e métodos interligados ao projeto pedagógico ao mesmo tempo em que asseguraram uma continuidade em torno do objetivo da formação de Zilma Barbosa Gurgel em busca de sua profissionalização.

Sendo assim, João e Isabel Gurgel, influenciados por uma orientação liberal e conservadora que buscava, por meio da escolarização de suas filhas em espaços escolares confessionais femininos que reconhecessem e mantivessem os valores e práticas afetivas, religiosas e educativas que eram adotados em seu lar, mudar o status social delas para um estrato superior aos deles mesmos, como comerciantes.

E, nesse caso, o projeto de educação feminina empregado pelas congregações católicas instaladas em solo fortalezense, especificamente pelas Irmãs Vicentinas do Patronato Nossa Senhora das Graças e pelas Irmãs Clarissas do Colégio Santa Isabel, a primeira sob forte influência da cultura escolar confessional francesa e a segunda pela germânica, coadunava com o tipo de educação cristã que o referido casal queria estender às suas filhas em busca de mobilidade social.

O primeiro espaço escolar freqüentado por Zilma Barbosa Gurgel foi o Patronato Nossa Senhora das Graças, sociedade civil de utilidade pública voltado para a formação integral da infância e juventude feminina fortalezense fundado nos anos 1930 pela Congregação das Filhas da Caridade de São Vicente de Paulo5, e situado na Avenida Imperador, nº. 1490, esquina com a Rua Antonio Pompeu, no Centro, mais especificamente onde ficava a primeira sede do Colégio 7 de Setembro. Na época Zilma, contando com 03 anos de idade, foi matriculada por seus pais para ingressar como aluna externa da turma do jardim da infância6, sob a direção da Irmã Catarina.

No contexto histórico educacional brasileiro, a denominação Patronato7 foi usual no início da República objetivando receber alunos oriundos da zona rural e da zona urbana num período em que o universo do ensino e o mundo da preparação para o trabalho ligavam-se à moralização da sociedade e sua adequação às necessidades liberais pregadas pelos ideais republicanos. Sua finalidade como espaço educacional era uniformizar a compreensão de infância pobre, por motivo de abandono (crianças desvalidas) ou de criminalidade (menores infratores), e curá-la, corrigi-la ou regenerá-la por meio de uma educação pelo e para o trabalho. Ou seja, aos patronatos, tanto os de aspecto público (federal) quanto particular (confessional), cabia instituir a regeneração moral e física das crianças e jovens através de práticas educativas, higiênicas, moralizantes e disciplinares, direcionando-os ao trabalho. (VICENTE, 2010)

Todavia, para o autor supracitado, o estabelecimento dos projetos educacionais dos patronatos confessionais era realizar, para além da preocupação com a inserção da infância pobre no mercado de trabalho, uma educação religiosa, moral e física junto a uma instrução primária que constituía a base de um curso de humanidades para seus alunos através do ensino da leitura, escrita, matemática e também com a formação física, moral e higiênica. E a singularidade dessespatronatos confessionais também guardava outra diferença se comparada aos de cunho

5Filhas da Caridade de São Vicente de Paulo, Companhia das Filhas da Caridade de São Vicente de Paulo, Servas dos Pobres ou ainda Filhas da Caridade, Irmãs de São Vicente de Paulo, Irmãs de Caridade ou simplesmente Vicentinas, é uma congregação religiosa católica de vida apostólica e comunitária, fundada no século XVII por São Vicente de Paulo (1581-1660) e Santa Luísa de Marillac (1591-1660), em solo francês. (FILHAS DA CARIDADE DE SÃO VICENTE DE PAULO, 2013)

6A instalação da primeira unidade escolar de jardim de infância no Brasil ocorreu no ano de 1875, na cidade do Rio de Janeiro, pela iniciativa de Menezes Vieira, para atender a elite carioca. (KISHIMOTO, 1988)

7 A palavra Patronato, etimologicamente, significa “autoridade de patrão, proteção concedida por pessoa poderosa a um inferior, sociedade oficial ou privada que tem por fim readaptar a vida social os ex-condenados ou libertos condicionais, organização destinada a zelar pela infância abandonada, local onde essas sociedades têm

público, visto que essa fórmula também esteve presente e alicerçada nos âmbitos da alfabetização e introdução de saberes na infância da pequena burguesia citadina, sem necessariamente estar voltada para a formação para o trabalho.

E foi nesse cenário que se consolidou os princípios da ação educativa das Irmãs Vicentinas do Patronato Nossa Senhora das Graças nos anos 1940, em acordo com o carisma fundamental das Filhas da Caridade de servir corporal e espiritualmente aos pobres, vendo neles a pessoa de Jesus Cristo Crucificado, ao proporcionar as suas alunas fortalezenses uma formação cristã baseada na proposta de Vicente de Paulo e Luísa de Marillac:

1. Promover uma educação de qualidade, formativa e informativa, contextualizada, que garanta os aspectos intelectual, científico, físico, espiritual, social, popular e afetivo. 2. Desenvolver uma educação evangélico-libertadora norteada por uma pedagogia dialógica tendo em vista a formação de um cidadão efetivo. 3. Atender aos desafios do mundo técnico e cósmico em mutação, resgatando a dignidade humana com sensibilidade e fraternidade. 4. Promover a formação permanente da Comunidade Educativa Vicentina visando seu engajamento e participação com vistas à transformação da sociedade. 5. Comprometer a Comunidade Educativa em ações que concretizem o carisma vicentino tendo em vista a dignidade humana. 6. Desenvolver a Pastoral da Educação Vicentina integrando fé, ciência e cultura a serviço da vida e da esperança. (FILHAS DA CARIDADE DE SÃO VICENTE DE PAULO, 2013, p.1)

Vale salientar que os patronatos no Brasil, segundo Nascimento (2004, p. 81),“tinham o caráter de instituições de assistência social destinadas a abrigar e educar menores, preocupadas em readaptá-los à vida social”. E esses mesmos espaços escolares, cuja missão educativa era compatível com a missão formativa e evangelizadora de várias congregações religiosas católicas destinadas a servir aos mais necessitados, como no caso dasFilhas da Caridade de São Vicente de Paulo da Província de Fortaleza8, estavam inseridos nos principais centros urbanos brasileiros e devido ao seuacentuado processo de industrialização e urbanização, precisavam atender, também, as crianças de uma nova classe social, que eram originárias do proletariado urbano e do alargamento da classe média, que demandavam mais espaços para a oferta de escolarização de seus filhos como meio de ascensão em sua atividade profissional.

E, nesse caso, se inseria o projeto educacional vicentino do Patronato Nossa Senhora das Graças, cujo externato acolheu a aluna Zilma Barbosa Gurgel, membro de uma família

8As Filhas da Caridade de São Vicente de Paulo da Província de Fortaleza fundaram escolas e patronatos em vários municípios do Ceará como em Aracati, Bela Cruz, Cascavel, Viçosa do Ceará, Pacoti, Ubajara, Ipu, São Benedito e Sobral além de Fortaleza. (FILHAS DA CARIDADE DE SÃO VICENTE DE PAULO, 2013)

católica de classe média cuja tradição se assentava em práticas comerciais e agrárias, para iniciar seu processo de escolarização em uma de suas turmas de jardim da infância. A escolha desse lugar se deu por dois motivos: por ser uma escola católica voltada à formação da infância feminina e porque sua sede ficava próxima à casa e à padaria dos Gurgel, visto que Isabel, mãe de Zilma, tinha a tarefa de deixá-la e buscá-la no referido patronato todos os dias, conciliando essa ação materna com suas tarefas como dona de casa e como comerciante, como ela mesma comentou na citação abaixo:

Primeiro eu vou entrar no jardim da infância - aos três anos de idade - em uma escola perto da minha casa para facilitar a ida e a vinda da minha mãe para ir me deixar e buscar. O nome da escola era Patronato Nossa Senhora das Graças e ele ficava na primeira sede do Colégio 7 de Setembro [no Centro de Fortaleza/CE]. No 2º ano primário é que eu entrei no Colégio Santa Isabel. (CAVALCANTE, 18/08/2011)

Meus pais escolheram o Patronato Nossa Senhora das Graças porque era um colégio de freiras e era muito perto de nossa casa. Lembro-me que íamos a pé para o Patronato. E lã fui uma aluna externa, nunca estudei como interna. (CAVALCANTE, 28/02/2013)

Ao relatar suas memórias acerca da arquitetura do Patronato Nossa Senhora das Graças e sobre sua extinção enquanto espaço escolar destinado à educação feminina de Fortaleza, assim se expressou por escrito sua ex-aluna Zilma Barbosa Gurgel:

A identidade cultural e educacional do patronato era de origem francesa, por isso a estrutura do colégio era dentro da arquitetura francesa. Ele tinha

o formato de um “U” com um grande jardim de flores perfumadas no

meio da construção. Na curva do U ficava a Recepção, o Parlatório e a Diretoria. Na lateral esquerda todo o curso primário. E na lateral direita o curso ginasial. Alguns anos mais tarde o Patronato se transformou no Colégio Santa Maria Goretti. (CAVALCANTE, 28/02/2013)

Logo, na arquitetura escolar do aludido patronato encontravam-se inscritas, portanto, dimensões simbólicas e pedagógicas. O seu espaço escolar como território passava a exercer uma função educativa dentro de seus contornos visto que havia espaços destinados a gestão escolar das Irmãs Vicentinas como o parlatório e a diretoria e espaços específicos para a educação católica da infância feminina de Fortaleza através de salas de aula distribuídas em sua ala esquerda e, em outra ala, à direita, estavam outras salas de aulas destinadas a formação da juventude feminina cristã que adentrava no ensino secundário. Logo, um dos elementos primordiais na configuração da cultura escolar das instituições escolares confessionais católicas juntamente com a disposição e os usos do tempo, a distribuição e o uso dos espaços,

os discursos e as tecnologias de comunicação nela utilizados, era demarcar sua identidade de escola católica por meio de sua retórica arquitetônica como nos afirmouChornobai (2005):

No caso da escola católica, a arquitetura escolar acabava por exercer uma ação educativa para além dos muros escolares: os símbolos religiosos, a monumentalidade, eram parte de uma retórica arquitetônica que deveria contribuir para a construção da identidade da escola católica. Para as congregações religiosas, a educação cristã era a única forma de educação válida; apenas através dos valores cristãos a juventude encontraria o verdadeiro conhecimento. Como sem o clero não há salvação, o trabalho educativo deveria acontecer em um local que demonstrasse toda a grandiosidade da fé católica; além de ser visto como local destinado à aquisição do conhecimento, o edifício da escola católica deveria evidenciar a religiosidade da mesma. (CHORNOBAI, 2005, p.211)

Além de evidenciar o valor da educação católica feminina através da arquitetura escolar, as Irmãs Vicentinas também manifestavam sua missão educativa e evangelizadora através de atividades culturais como a encenação de peças teatrais impregnadas pelos valores do ensinamento de Cristo, como àquelas em que a menina Zilma Barbosa participou, segundo o relato transcrito abaixo:

Lembro-me que todos os anos no Patronato Nossa Senhora das Graças havia a coroação de Nossa Senhora das Graças, e eu era sempre escolhida para atuar como anjo. Havia também o famoso Pastoril, um drama que contava a anunciação até o nascimento de Jesus. Era muito famoso em Fortaleza, um evento muito rico e cheio de simbolismo. (CAVALCANTE, 28/02/2013)

Assim, o prédio do Patronato Nossa Senhora das Graças e as manifestações culturais encetadas em seus muros escolares se constituiu como um espaço-território não apenas de instrução feminina, mas, sobretudo, em “lugares de memória” para os sujeitos escolares que nele desfilaram sua história de vida escolar. E como esses sujeitos eram constituídos não só pelas alunas e pelas Irmãs Vicentinas que ensinavam o catecismo a menina Zilma Barbosa Gurgel como Irmã Catarina e Irmã Martha, também professoras leigas fizeram parte da curta história escolar dela no aludido patronato, professoras essas que marcaram sua visão sobre a profissão docente como ela mesma nos narrou:

Não me lembro de todas as professoras do patronato, me lembro de Irmã Catarina e de Irmã Martha, que nos ensinava o catecismo. E me lembro das minhas professoras do jardim da infância: Dona Terezinha, Dona Ieda e Dona Vilma. Não chamávamos a professora de Tia, mas, de Dona, naquela época. [...] Lembro-me muito bem de Dona Terezinha: muito

doce e meiga. Aprendi várias histórias e canções infantis com ela. Ela se tornaria o meu modelo de professora. Já Dona Ieda era muito enérgica e adorava ensinar matemática. (CAVALCANTE, 28/02/2013)

Ou seja, a entrada de Zilma Barbosa Gurgel no jardim da infância e depois no 1º ano primário do Patronato Nossa Senhora das Graças a partir dos 03 anos de idade propiciou a ela uma educação pré-escolar por meio de atividades que envolviam sua formação religiosa nos moldes da Igreja Católica pelo ensino do catecismo, por exemplo, além de atividades educativas não formais tais como o aprendizado de histórias e cantos infantis, segundo o modelo de Kindergarten frobeliano9.

Depois de cursar o jardim da infância e o 1º ano do curso primário no Patronato Nossa Senhora das Graças, Zilma seguia os passos das mulheres da família Barbosa que, por tradição, estudavam em espaços confessionais dirigidos pela mesma fraternidade religiosa franciscana, qual seja, pelas Irmãs Clarissas. Essa mudança de instituição escolar foi assim explicada pela própria Zilma Gurgel Cavalcante:

Era desejo de mamãe que suas filhas tivessem a mesma formação que ela tivera com as irmãs Clarissas. Por outro lado, o Colégio ia até o Normal. Todas as irmãs eram alemãs. Naquela época a Alemanha tinha grandes vocações. Elas são franciscanas, da ordem de Santa Clara. Disciplina, organização, valores mais fortes e rígidos eram ensinados no Colégio Santa Isabel pelas irmãs (CAVALCANTE, 28/02/2013).

No caso de sua mãe Isabel e suas tias maternas mais velhas - tias Vilane, Judite, Higina e Filomena - todas foram alunas do internato do Educandário Santa Clara situado na cidade de Canindé/CE enquanto suas tias maternas mais novas - Efigênia e Leonor - estudaram como alunas externas do Colégio Santa Isabel em Fortaleza/CE, assim como a própria Zilma e sua irmã Neide, uma vez que seus avós maternos migraram do Aracati/CE para Fortaleza no ano de 1938. (CAVALCANTE, 15/01/2013)

Vale frisar que as Irmãs Clarissas podem advir de três ramos femininos da Ordem de São Francisco (também conhecida como Ordem dos Frades Menores, Ordem dos Franciscanos ou Ordem Franciscana) sendo eles: 1) Ordem de Santa Clara (Clarissas), O.S.C.; 2) Ordem das Irmãs Clarissas Capuchinhas (Clarissas Capuchinhas), O.S.C.Cap.; e 3) Ordem

9“A modalidade instituição infantil designada como jardim de infância ou Kindergarten foi criada por Frederico Guilherme Froebel, em 28 de julho de 1840, em Bad Blankenburg, na Alemanha, como estabelecimento tipicamente educativo para crianças entre 3 e 7 anos de idade. Ao escolher esse nome para sua escola, Froebel serviu-se de uma metáfora do crescimento da planta. Assim, atribui-se à jardineira, a professora de Educação Infantil, e aos esforços conjuntos da escola e família, a tarefa de propiciar o desenvolvimento intelectual, emocional, físico, social e moral da criança, principalmente pelo uso de jogos, à semelhança de um jardineiro que cuida carinhosamente desuas plantas”. (KISHIMOTO, 1988, p.58)

da Imaculada Conceição (Concepcionistas Franciscanas), O.I.C. Essa informação é importante visto que o Educandário Santa Clara de Canindé/CE foi gestado tanto pelas Irmãs Clarissas Capuchinhas quanto pelas Irmãs Concepcionistas Franciscanas sendo que estas últimas foram também as gestoras de outra instituição escolar confessional dirigida à educação feminina cearense, no caso, o Colégio Santa Isabel de Fortaleza/CE.

E em ambos os espaços as Irmãs Concepcionistas Franciscanas forneceram a escolarização das mulheres da família Barbosa, do curso primário ao curso normal. A história dessa família junto ao projeto educacional das Irmãs Clarissas começou quando o avô materno de Zilma, o senhor Joaquim Barbosa Viana, decidiu enviar suas cinco filhas mais velhas do Aracati/CE para o regime de internato do Educandário Santa Clara em Canindé/CE como atestou as palavras de sua neta Zilma: “Vovô Quincas deu educação aos onze filhos sobreviventes de seu casamento com Vó Filó. Minha mãe como suas quatro irmãs mais velhas estudaram internas no Colégio das Clarissas em Canindé. Fizeram todo o curso primário [...]” (CAVALCANTE, 15/01/2013)

Sobre a história do Educandário Santa Clara de Canindé/CE existe uma publicação do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, de autoria do frade Venâncio Willeke, da Ordem dos Frades Menores (OFM), que resume a origem, as transformações e o ocaso do mencionado espaço confessional dirigido à escolarização da infância feminina canindense. Segundo seus registros, antes de ser um educandário, esse espaço escolar foi fundado em 1908 como um orfanato para meninas pobres e desvalidas pelo Frei Matias de Ponteranica - que dirigia o Colégio Santo Antonio10, na mesma cidade, desde 1903 - e cujo regulamento estabelecia, em primeiro lugar, a instrução religiosa das órfãs, que tinham como primeira diretora Dona Raimunda, que não descuidava das matérias comuns ao ensino primário. (WILLEKE, 1973)

Em 1912, o lugar contava com doze órfãs e a direção de Dona Joaquina Pimenta, mas Dom Manuel da Silva Gomes, arcebispo de Fortaleza, visitando a pastoral de Canindé/CE e vendo o afrouxamento das normas e condutas na instrução cristã dessas órfãs no governo laico da citada instituição, decidiu indicar as Irmãs Terceiras Capuchinhos de São Francisco de Assis na figura da Irmã Inês de Santa Quitéria, Irmã Clara de Canindé, Irmã Isabel de Canindé, Irmã Madalena de Canindé e Irmã Verônica de Canindé - como educadoras próprias

10 “Oficialmente fundado por Dom Joaquim José Vieira aos 4 de outubro de 1898, o Colégio Sto. Antonio começou a funcionar em princípios de 1899. Segundo os estatutos publicados em 1900, o fim do estabelecimento visava à educação de meninos pobres e ao cultivo de vocações para a vida eclesiástica ou religiosa, dividindo-se

o ensino em dois cursos denominados “Colégio Apostólico” - o primário, e “Seminário Menor” - o secundário”.

para a direção da casa entre os anos de 1913 a 1924. Mas as Irmãs Terceiras Capuchinhos de São Francisco de Assis - congregação fundada em Belém/PA no dia 18 de dezembro de 1904 - também deixaram a direção do orfanato e o motivo da saída delas foi devido a retirada dos padres capuchinhos de Canindé/CE para a Prelazia de Grajaú em São Luís/MA. (WILLEKE, 1973)

Nesse período de vacância na direção do Orfanato Santa Clara chegaram à cidade de Canindé/CE as Irmãs Clarissas de outra congregação franciscana brasileira - vindas de Santarém/PA e cuja fraternidade foi fundada em 05 de dezembro de 1910 - mais especificamente chegaram a Madre Clara Eller e as Irmãs Paula, Agostinha e Gabriela, da Congregação das Missionárias da Imaculada Conceição para assumir o orfanato.

A missão outorgada pelo Arcebispo de Fortaleza a essas educadoras era que até o dia 19 de janeiro de 1924 elas deveriam ambientar-se, sob a orientação das Irmãs Capuchinhas Isabel de Canindé, Madalena de Canindé e Verônica de Canindé, a gestão do orfanato sobre o seguinte contrato, que perdurou até o ano de 1959:

O contrato celebrado entre Dom Manuel da Silva Gomes, Arcebispo de Fortaleza e a Superiora Geral Madre Maria Imaculada de Jesus Tombrock, e datado de 8-2-1926, ficou em vigor durante 33 anos, garantindo às IrmãsConcepcionistas Franciscanas o necessário para a sua manutenção material e espiritual e ainda uma gratificação pecuniária conforme o número de religiosas ocupadas no Santa Clara, enquanto a Congregação se obrigava 1º a ministrar às órfãs o ensino e a educação, seguindo o programa de ensino do Estado, inclusive as matérias da escola doméstica; 2º a confeccionar, lavar e consertar o vestuário do colégio S. Antonio e a roupa do Santuário; 3º a conservar em Canindé dez Irmãs, enquanto o número das órfãs não passasse de 60, cabendo à Superiora a admissão destas. (WILLEKE, 1973, p.74)

No decorrer dos anos, o Orfanato Santa Clara transformou-se em Educandário Santa Clara11, aceitando alunas internas e externas, embora continuasse a aceitar uma ou outra órfã. E foi nesse panorama que as irmãs Barbosa, saídas do Aracati/CE, iniciaram sua vida escolar como internas neste educandário entre as décadas de 1920 e 1930 para deixá-lo após a conclusão do curso primário, que incluía disciplinas como as de leitura e escrita, ensino de