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Criada em maio de 1993, através de convênio entre a FUNCART e a Prefeitura do Município/Secretaria da Cultura de Londrina, a EMDL é o núcleo de formação mais antigo em funcionamento na FUNCART.

Oferece curso regular de ballet clássico com duração de oito anos e aulas diárias para crianças a partir dos 7 anos de idade, selecionadas por teste de aptidão física. O curso regular é composto de atividades práticas como o ensino de ballet clássico, atividades coreográficas, e teóricas, como a história da dança, anatomia, fisiologia e cinesiologia aplicadas à dança e aspectos da música a partir do ritmo.

As aulas têm carga horária específica, ampliando-se (atividades e tempo de dedicação) de acordo com o nível técnico exigido em cada série.

No primeiro ano, aulas com duração de uma hora, são ministradas três vezes por semana. A partir do segundo ano, as aulas passam a ser diárias. A carga horária é elevada para 1h e 15 min a partir do terceiro ano, 1h e 30 min no quarto e no quinto ano e para duas horas nos dois últimos anos (7º e 8º).

Além disso, essa carga amplia-se proporcionalmente à quantidade de atividades extras, proporcionadas pelas atividades coreográficas e aulas teóricas. Atualmente, as atividades práticas estão divididas entre o trabalho coreográfico de pesquisa com encenações e concepção coreográfica desenvolvidos pelo Ballezinho e pelo Grupo Teia.

As acomodações onde as atividades são exercidas são apropriadas para o ensino da dança: salas amplas, com piso elevado, boa iluminação e ventilação, possuindo sonorização adequada e sistemas de DVD player para consulta de material videográfico.

Com objetivo de formar bailarinos profissionais, formar público e facilitar o acesso à arte e cultura, a EMDL proporciona bolsas de estudo integrais à maioria de seus estudantes, uma parcela menor paga uma mensalidade equivalente a 10% do salário mínimo. Embora não se faça do perfil sócio-econômico um critério básico para a seleção dos estudantes, a própria perspectiva de possibilitar o acesso à cultura - daí o baixo custo das mensalidades e a existência de muitas bolsas integrais - acaba fazendo com que a maioria dos estudantes seja de classe média- baixa. Atualmente a Escola abriga 250 crianças, a maioria delas das regiões periféricas da cidade, e funciona no Centro Cultural Igapó, uma antiga fábrica de farinha de ossos reformada e adequada para tal fim. Depois de cinco anos, os estudantes que iniciaram com o projeto já são jovens bailarinos, tendo nível para compor o elenco do Ballezinho, que deverá encaminhar muitos deles à profissionalização.

2.3.1 O ensino do ballet clássico

Existem no mundo diversas formas de se ensinar o ballet clássico28. A técnica do ballet clássico exige, pela sua complexidade e abrangência, dedicação e muito estudo para adquirir os conhecimentos pertinentes, tanto de quem pretende praticá-la, enquanto bailarino, quanto de quem propõe-se a ensiná-la. A abordagem de seus elementos requer sensibilidade de sua relevância para a sistematização da linguagem proposta.

Em relação aos conteúdos, compete ao professor de dança conhecer e compreender o funcionamento básico da estrutura óssea, articular e muscular humanos, aplicados para organização postural global e fortalecimento da musculatura como fundamentais para uma tomada de consciência corporal.

A busca por auto-consciência exige o trabalho dos membros superiores e inferiores, destacando-se a ênfase inicial no trabalho com os pés e articulações, além do trabalho postural, envolvendo a musculatura antrigravitacional, com ênfase na coluna vertebral, além do trabalho com o pescoço e a cabeça.

Estas noções permitem ao estudante um trabalho consciente do movimento, imergindo na técnica do ballet clássico em toda a sua complexidade.

28 Nota do autor: Existem vários programas de treinamento que os bailarinos podem seguir para

tornarem-se bailarinos profissionais. Três dos maiores programas são o Cecchetti, o Russo Vaganova, e o da Royal Academy of Dance (RAD). Todos eles possuem diferentes níveis, do iniciante ao avançado, e todos possuem vantagens e desvantagens. A técnica Cecchetti foi desenvolvida a partir das aulas do grande mestre de ballet Enrico Cecchetti, através da Sociedade Cecchetti. É um plano de aula completo, elaborado para treinar bailarinos para o trabalho profissional. Uma ênfase notável, no método Cecchetti, é dada à fluência dos braços, na passagem de uma posição para outra, muito mais do que em qualquer outro método. A técnica Russa Vaganova é derivada dos ensinamentos de Agripina Vaganova, a qual foi diretora artística do Ballet Kirov por muitos anos. No método Vaganova, os bailarinos dão maior atenção para as mãos, as quais, diferentemente do método Cecchetti, não fluem invisivelmente de uma posição para outra, é dado à ela uma maior energia e imponência, deixando-a para trás e trazendo-a de volta no último momento. No método Vaganova os exercícios de cada nível não são estabelecidos como no RAD. Cada professor coreografa sua própria aula, de acordo com as diretrizes dadas à eles, os estudantes dançam essa aula em seus exames. O método RAD é muito comum. Ajusta-se muito bem às escolas de dança em que os estudantes têm, em média, não mais que uma aula por dia. A Escola do

American Ballet ensina o método Balanchine. Criado por George Balanchine, este método permite

aos bailarinos dançarem as suas coreografias de maneira muito mais fácil do que os outros bailarinos. Nesse método as mãos são diferentemente trabalhadas de todos os outros métodos. Cada técnica também dá diferente nomenclatura para as direções do corpo, posições dos braços,

arabeques e alguns dos passos. Por exemplo, a posição dos braços conhecida como “bras-bras” no

método RAD é conhecida como “fifith em bas” no método Cecchetti e como “preparatória” no Vaganova. Contudo, as cinco posições básicas dos pés são as mesmas.

O ballet clássico exige ainda uma tomada de consciência acerca do espaço e do tempo. O conhecimento das direções espaciais e as noções de interno e externo, centro e periferia, contração e expansão. Noções de alto e baixo, direita e esquerda, frente e atrás, diagonais originadas a partir das relações destas direções, além das dimentões vertical, horizontal e sagital proporcionam ao estudante a apropriação de dinâmicas de movimento, capacitando-se para o exercício da função de bailarino. Para o exercício eficaz desta função, necessita-se ainda da tomada de consciência acerca da presença e postura cênica, o trato da expressividade do movimento.

Essas questões, associadas ao desenvolvimento da própria técnica, completarão o conjunto de ensinamentos indispensáveis aos que desejam exercer a profissão, seja atuando, seja lecionando.

As aulas práticas obedecem a um programa distribuído ao longo de oito anos para a formação completa de um bailarino. Concomitantemente ao aprendizado prático, o estudante deverá participar de montagens coreográficas e/ou encenações realizadas sazonalmente visando a aplicabilidade dos conhecimentos apreendidos. Após concluído o aperfeiçoamento, o estudante deverá se submeter a exame final, isto é, aula prática e de palco perante banca examinadora. No exame de palco deverá constar um estudo de confronto e mais uma variação de livre escolha.

O ensino de ballet clássico obedece a um rigoroso método pelo qual o educando vai sendo apresentado, gradativamente, aos códigos dessa linguagem, suas nuances e variações.

Por mais que o professor trabalhe a codificação com ampliação de variações e sistematizações para enriquecer o vocabulário dos estudantes, obedecerá, em última instância, ao método adotado pela instituição em que leciona e respeitará o grau de dificuldade exigido correspondente ao nível de aprendizado dos estudantes em questão. Desta forma, mantém-se um desenvolvimento progressivo do estudante e previne-se a ocorrência de lesões por sobrecarga em músculos, ossos e articulações.

Normalmente, o conhecimento aprendido/apreendido durante o ano letivo culmina na apresentação de uma coreografia, contextualizada ou não a um projeto mais abrangente, como a encenação de um ballet clássico de repertório ou a montagem de espetáculo cênico original.

2.4 O trabalho de formação contínua: