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5 Selskapets plikt til å bekrefte at stemmen er mottatt og registrert ved elektronisk

8.3.2 Krav til eierskapsstrategi generelt

Dia 31 janeiro de 2014 vai ao ar o happy end de Amor à Vida. O episódio apresenta: a reconciliação de Félix com seu pai, o vilão César (Antonio Fagundes); pedidos e cerimônias de casamento com casais não tradicionais como Eron (Marcello Antony), que é pedido em casamento por André (Eriberto Leão); Rebeca (Paula Braun) e Pérsio (Mohamed Harfouch), que recebem autorização da família para se casarem, mesmo tendo crenças diferentes; e, por fim, Rafael (Rainer Cadete) e Linda (Bruna Linzmeyer), que se casam, mesmo Linda sendo autista. Perséfone (Fabiana Karla), uma personagem com características fora dos padrões de beleza considerados ideais, tem a possibilidade de escolher, dentre alguns pretendentes, com quem ficará. O episódio trouxe como mensagem principal o amor, em seus diversos formatos. Essa mensagem, no entanto, embora seja agregadora em termos valorativos, é, de certa forma, usual em finais desse tipo de narrativa. A grande novidade desse final está na representação da consumação do amor entre os personagens Félix e Niko, representado pelo beijo gay, ou ainda, como definido por muitos: “O dia que o amor venceu!”.83

A cena de uma carícia explícita entre um casal homossexual entrou em várias casas do Brasil ao mesmo tempo, em muitos casos, pela primeira vez. Em diversos locais, a cena foi ovacionada, “em bares de São Paulo, comemoração de beijo gay teve clima de Copa do Mundo”, como estampou a Folha de São Paulo, no dia 01 de

82 Exatamente por esse motivo, optaremos por não alterar a escrita dos comentários. Transcrevermos tal qual ela foi grafada.

83 Disponível em:< http://televisao.uol.com.br/noticias/redacao/2014/01/31/internautas-comemoram- beijo-gay-entre-Félix-e-niko-em-amor-a-vida.htm >. Acesso em: 6 de março de 2016.

Fevereiro de 201484. Essa semelhança com o campeonato esportivo não se finda na comemoração, ela começou com a torcida que se manifestou online, por meio de uma campanha nos sites de redes sociais, iniciada pelo deputado Jean Wyllys, que teve como objetivo incitar a emissora para que a cena fosse exibida durante a narrativa. As principais marcas simbólicas dessa campanha de mobilização online foram as hashtags: #BeijoGay, #FélixeNiko e #BeijaFélixeNiko.

Segundos após a exibição, internautas famosos manifestaram-se:“Chupa reacionários! Félix e Nico se beijaram! Estamos evoluindo!”(Jean Wyllys);

“CARACAAAA E NAO FOI UM BEIJINHO, FOI M

BEIJAOOOOOOOOOOOOOOO VARIOSSSSS”(Hugo Gloss); “Foi lindo!!! Parabéns Mateus e Thiago pela excelente , doce e amorosa cena, o beijo foi tão natural” (Preta Gil); “Gente! To até agora sem ar! Kkkkkk parabéns @WalcyrCarrasco e @MauroMendonca” (Fernanda Souza ); “O beijo do Nico e do Félix foi meio que um marco na tv aberta. Galera que tem mente pequena: CHUPEM ESSA!” (Diane); “Walcyr quebrou tabu na Globo #beijogay #AmoràVida” (João Vítor Zanato); “Amor!Um real outro de novela.Que a vida siga assim cheia de amor e encha nosso coração de esperança” (Daniela Mercury)85. Mas a onda de comemoração não se restringiu ao meio artístico, anônimos se manifestaram em suas contas de redes sociais e trocaram suas fotos de perfis, por fotos do beijo.

Em alguns veículos, a cena chegou a ser nomeada como um ousado passo da “ditadura gay” e ainda “doutrinação gay”86. Independente da nomeação atribuída, a exibição permitiu ainda que, em algumas casas, o beijo entre pessoas do mesmo sexo estivesse presente na sala de estar pela primeira vez, sem comemoração, mas também sem qualquer outro comentário. Um universo simbólico atravessou os sujeitos, convocando-os a instantaneamente se posicionar, a enquadrar o que estava sendo exposto naquele momento, a convocar seu repertório e atribuir um quadro de sentidos (dentre todos disponíveis) à cena.

Um primeiro quadro de sentido, recorrente nos discursos e que nos salta aos olhos ao mapearmos nosso material de análise, diz de uma esfera que chamaremos de

84 Disponível em:< http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2014/02/1406245-em-bares-de-sp- comemoracao-de-beijo-gay-tem-clima-de-copa-do-mundo.shtml >. Acesso em: 6 de março de 2016. 85 Disponível em: < http://televisao.uol.com.br/noticias/redacao/2014/01/31/internautas-comemoram- beijo-gay-entre-Félix-e-niko-em-amor-a-vida.htm > . Acesso em: 28 de Janeiro de 2016.

86 Disponível em: < http://televisao.uol.com.br/noticias/redacao/2014/02/01/walcyr-carrasco-diz-que- beijo-gay-foi-quebra-de-paradigma.htm > . Acesso em: 28 de Janeiro de 2016.

cultural. Nessa esfera, o enquadramento que parece ser convocado pelos sujeitos é a sua importância para o meio dramatúrgico, uma dimensão estética e critica. Nessa dimensão, os sujeitos se vinculam por ser apresentarem frequentemente como especialistas de narrativas ficcionais e convocam a necessidade da existência de uma cena como essa, em comparação a outros países, que já lançaram mão de cenas semelhantes. Os fragmentos discursivos observados evidenciam vínculos firmados a partir do modo como esse público experimenta o mundo sensível, uma experiência estética.

Este mesmo quadro de sentido, no entanto, não se revela homogêneo, mas há tensões e disputas simbólicas em torno do que ele representa para a sociedade e na cultura brasileira. Assim, nesse espaço comum, encontramos tanto aqueles que contestam a relevância da cena, como os que reconhecem o destaque e a importância, por ter sido exibida na Rede Globo. Dissenso que pode ser exemplificado pelos dois comentários a seguir:

Que preguiça... a gente cansou de ver adolescentes gays se beijando na MTV em pleno domingo a tarde. O Sbt já tinha exibido o beijo de duas mulheres. Nos canais por assinatura isso não é mais novidade faz tempo. Por que raios essa expectativa em ver beijo gay na Globo??? (sic)87.

A resposta vem de outro usuário do portal:

Por uma simples razão: se somar a audiência de todos os outros programas que você citou não dá a audiência da novela das nove da Rede Globo. Seja por audiência bruta ou share, a rede globo tem um poder muito maior de ditar tendências, de quebrar preconceitos e de fazer as pessoas pensarem e tudo isso é indiscutível. E justamente por isso a expectativa de isso acontecer na globo é muito maior. Isso significa dizer que o alcance desse momento é muito maior e a repercussão na sociedade é infinitamente mais relevante (sic)88 .

Este discurso aparece diversas vezes e enfoca a qualidade e o potencial simbólico da emissora. Corroboramos com esses argumentos, pois como tratamos ao longo dos capítulos, o potencial simbólico da emissora se traduz em seu poder de abrangência como agente interlocutor. Isto é, os discursos veiculados pela Rede Globo possuem probabilidade de alcance muito maior que a do cidadão ordinário.

Nesse enquadramento, os sujeitos assumem o papel de espectador e as referências utilizadas são os outros produtos televisivos, como: “o Brasil anda muito

87 Disponível em: < http://televisao.uol.com.br/noticias/redacao/2014/02/01/feliz-de-fazer-parte-desse- momento-diz-jean-wyllys-sobre-beijo-gay.htm>. Acesso em: 15 de novembro de 2015.

atrasado com isso. Vejo tanto beijo gay nas séries americanas. Por lá, isso é tratado com naturalidade, em todos os capítulos, não o usam como um evento de capítulo final. Outro beijo gay agora, só no final de qualquer outra novela”89. Há sim uma manifestação de discordância ou concordância e alguns argumentos que sinalizam um discurso que tangencia algo ativista ou político, mas o foco de interesse, que constitui um espaço comum de debate desse público, aparece voltado para a exibição de cenas semelhantes em outros produtos em comparação com a telenovela da Rede Globo de Televisão. Trata-se de uma comparação muito mais qualitativa do que um questionamento político. Esse público entende e reconhece a abrangência e poder nas dinâmicas de interlocução, inclusive, que dentre as emissoras de TV aberta, a Rede Globo é líder de audiência (detém 42% de participação em relação às suas concorrentes)90.

A base de referência desse público está em elementos da esfera cultural, mais especificamente na dramatúrgica, a tal ponto que em alguns momentos se apresentam como especialistas e acionam referências estéticas, como: “uma obra de arte”, “uma cena perfeita”, “cena delicada e impecável”, “que sensibilidade que o Walcyr Carrasco demonstrou ao compor uma cena na medida certa, suave”, “como sempre a globo nos surpreendendo, foi um final perfeito, não só por causa do beijo, mas por todo o elenco, toda a história, o autor e todos os envolvidos estão de parabéns”,91 “FOI ÉPICO! Um grande passo para a sociedade!”. 92 Nessa mesma camada, também surgem avaliações negativas:

Não vai aqui nenhuma crítica ou censura ao tal ‘beijo-gay’. Nota-se no

desenvolvimento da trama que os dois personagens gays, têm características femininas, e é publico e notório que os homossexuais desse tipo, procuram se unir a homens (machos), e não a outros

afeminados. Eles podem até serem grandes ‘amiguinhas’, mas NUNCA, iriam se relacionar como ‘um casal’. Creio que o bom

Walcyr Carrasco não atentou para esse importante detalhe (sic)93.

89 Disponível em: < http://noticiasdatv.uol.com.br/noticia/novelas/beijo-de-Félix-e-niko-reflete- momento-da-sociedade-diz-globo-2113>. Acesso em: 15 de novembro de 2015.

90 LOPES, Maria Immacolata. Vassallo de et al. Observatório Ibero Americano da Ficção Televisiva – OBITEL 2014: estratégias de produção transmídia na ficção televisiva. Porto Alegre: Editora Sulina, 2014.

91 Disponível em: < http://televisao.uol.com.br/noticias/redacao/2014/01/31/com-beijo-gay-amor-a-vida- registra-44-pontos-de-audiencia.htm> . Acesso em: 13 de novembro de 2015.

92 Disponível em: < http://televisao.uol.com.br/enquetes/2014/01/31/o-que-voce-achou-do-beijo-entre- Félix-e-niko.htm#comentarios> . Acesso em: 13 de novembro de 2015.

93 Disponível em: < http://televisao.uol.com.br/noticias/redacao/2014/01/31/com-beijo-gay-amor-a-vida- registra-44-pontos-de-audiencia.htm> . Acesso em: 13 de novembro de 2015.

Há, ainda, o apontamento desse acontecimento como inaugural de um campo de

possíveis no próprio espaço teledramatúrgico: “Creio que agora o bjo gay seja algo

gradativo nas novelas da Globo. Talvez tenhamos mto selinhos, mas já será um avanço” (sic).94 “ainda não foi aquele beijo molhado! Mas, foi sim, o beijo do casal gay protagonista! Estamos evoluindo!”95. Destacamos também a fala da atriz Paula Braum, esposa de um dos protagonistas da cena, Mateus Solano: “Que venham muitos beijos de amor! E na vida! E na rua!”.96 O que se concretiza, uma vez que o beijo entre pessoas do mesmo sexo, a partir de então, passa a integrar as tramas da Rede Globo de Televisão.

A própria emissora, em sua nota, reconhece a existência desse público

espectador-especialista e conversa diretamente com eles ao afirmar que “a pertinência

desse desfecho foi construída com muita sensibilidade pelo autor, diretor e atores e, assim, foi percebida pelo público”,97 justificando a sequência como "uma necessidade dramatúrgica".

Outra camada desse mesmo quadro de sentidos que emerge nos fragmentos discursivos é o que atribui certo grau de poder e controle social atribuídos à Rede Globo, remontando às crenças de uma sociedade massificada e manipulável pelos meios: “eles querem manipular a sociedade, a política, e agora até o pensamento das pessoas”.98 E ainda,

Que direito a REDE GLOBO tem de invadir a minha Casa pra colocar dois Homens se beijando, assim pros meus filhos verem essa pouca vergonha, ainda bem que estava com o controle na mão e troquei o canal...” (sic)99.

Esse público possui uma visão, de certa forma, paradoxal, pois atribuem à Rede Globo poder de manipulação social, ao mesmo tempo em que atribuem a si certo grau de heroísmo, por sua autonomia em não se submeter a tal poder da emissora. Os sujeitos desse enquadramento, que se vinculam pela crença de um poder e um controle por parte

94 Idem

95Disponível em: < http://f5.folha.uol.com.br/televisao/2014/01/1406106-estou-em-prantos-diz-jean- wyllys-sobre-beijo-gay-em-amor-a-vida.shtml>. Acesso em: 22 de Janeiro de 2015.

96 Disponível em: < http://diversao.terra.com.br/tv/novelas/amor-a-vida/mulher-de-mateus-solano-posta- foto-com-marido-e-fragoso-beijaFélixeniko,0f31be0c4fce3410VgnVCM4000009bcceb0aRCRD.html> . Acesso em: 30 de maio de 2015.

97 Disponível em: < http://f5.folha.uol.com.br/televisao/2014/01/1405920-atendendo-ao-apelo-de- publico-globo-encerra-amor-a-vida-com-beijo-gay-entre-Félix-e-niko.shtml> . Acesso em: 16 de novembro de 2015,

98 Disponível em: < http://noticiasdatv.uol.com.br/noticia/novelas/beijo-de-Félix-e-niko-reflete- momento-da-sociedade-diz-globo-2113>. Acesso em: 15 de novembro de 2015.

99 Disponível em: < http://noticiasdatv.uol.com.br/noticia/novelas/beijo-de-Félix-e-niko-reflete- momento-da-sociedade-diz-globo-2113>. Acesso em: 15 de novembro de 2015.

dos meios, conduzem nosso olhar a outra subcamada que emerge dessa: os vínculos criados na crença de que o controle social é tão real e profundo que a emissora também pode influenciar na orientação sexual dos indivíduos:

Libertinagem na TV, me polpe. Não quero que meu filho veja isso, pois ele ainda é criança e jamais irei querer que ele seja gay, se ele quiser, eu aceito, mas deixa-lo influenciar pela Tv Globo, ou qualquer

outro meio de comunicação, jamais” (sic) 100.

Interessante notar que toda camada e/ou subcamada de cada quadro de sentidos é marcada por vínculos que se firmam também pelo dissenso. Nesse caso, por exemplo, nessa mesma subcamada, o argumento de influência é contestado:

ninguém vira gay, as pessoas apenas um dia param de fingir que não eram e assumem pra um grupo ou para todas as pessoas. Além disso a novela é classificada para mais de 12 anos no mínimo, ou seja, as crianças não deviam nem estar assistindo. Se vocês pais não sabem ensinar seus filhos a ler bons livros e deixarem a TV desligada um

pouco nem deviam ter sido pais” (sic).101

Assim, identificamos que nesse enquadramento, no qual a importância da cena para o meio dramatúrgico se destaca, diferentes sentidos foram manifestos pelos públicos: de concordância, de discordância e em relação ao papel e influência da Rede Globo, bem como o de autonomia e resistência dos sujeitos. Assim: “A Globo, principal emissora de TV do país, vive um momento histórico, um exemplo a exibição do primeiro beijo entre dois homens em seu principal produto, a novela das 9” (sic)102, “Amor à Vida já entrou para a história ao discutir aberta e livremente as relações homossexuais. O beijo, para mim, seria apenas um detalhe. Um grande e histórico detalhe”.103 E, de forma contrária: “Na minha casa, eu assisto o que é melhor... esse bj, NÃO ERA A MELHOR COISA À ASSISTIR..., é agora que a coisa vai virar CASA DA MÃE JOANA, agora vai ser um deus nus acuda”(sic).104.

Embora não corroboremos com essa visada de uma dominação e uma força total da mídia, entendemos que este é sim um espaço onde se “travam batalhas pelo controle”

100 Disponível em: < http://noticiasdatv.uol.com.br/noticia/novelas/amor-a-vida-globo-regrava-cena-de- beijo-entre-Félix-e-niko-2100 > . Acesso em: 13 de novembro de 2015.

101 Disponível em: < http://noticiasdatv.uol.com.br/noticia/novelas/amor-a-vida-globo-regrava-cena-de- beijo-entre-Félix-e-niko-2100> . Acesso em: 13 de novembro de 2015.

102 Disponível em: < http://diversao.terra.com.br/tv/bbb/espiao-bbb14/blog/2014/02/01/alheio-ao-beijo- de-Félix-e-niko-cassio-ganha-fama-de-homofobico/> Acesso em: 30 de maio de 15.

103 Disponível em: < http://noticiasdatv.uol.com.br/noticia/novelas/amor-a-vida-globo-regrava-cena-de- beijo-entre-Félix-e-niko-2100> . Acesso em: 13 de novembro de 2015.

104 Disponível em: < http://noticiasdatv.uol.com.br/noticia/novelas/beijo-de-Félix-e-niko-reflete- momento-da-sociedade-diz-globo-2113 >. Acesso em: 15 de novembro de 2015.

(KELLNER, 2001, p. 54). Esse controle, no entanto, relaciona-se a disputas associadas ao poder histórico exercido por grupos dominantes e resultam em um tensionamento por parte dos grupos marginalizados por maior visibilidade dentro deste espaço de poder. Nesta arena de disputa, a mídia passa a ter um papel paradoxal, serve tanto para reproduzir interesses e promover a dominação, quanto para dar aos indivíduos força para a resistência (KELLNER, 2001, p. 64), como mostraremos de forma mais clara em nosso segundo eixo de análise.

O segundo quadro de sentidos que identificamos nesses fragmentos é o que nomearemos de político social. Nesse enquadramento, o sujeito possui um discurso com argumentos políticos institucionais, que englobam também as práticas de sociabilidade cotidianas. Cabe, aqui, ressalva: entendemos que todo o público que se dispôs a participar da esfera pública de discussão sobre o tema, isto é, que se dispôs em um vínculo e em um engajamento cujo uso racional da linguagem é feito para definir, individualizar e associar um acontecimento em um campo problemático, é um público político (MARQUES, 2012, p.144). No entanto, nesse quadro, tratamos do sujeito que, em seu discurso, convoca elementos diretos ou indiretos do sistema político institucional. Nesses casos, foram recorrentes, por exemplo, os seguintes comentários: “Enquanto isto em Brasília...”105, “O PETE DEVE ESTAR POR TRAZ DESSE BEIJO GAY!!” (sic)106. Esses indicam, ainda, sua insatisfação com tamanha repercussão, enquanto há problemas e decisões políticas mais importantes para se preocupar.

Vejo nos telejornais todos dias cenas de mortes, assaltos, atropelamento, o pt reciclando dinheiro sujo para pagar as contas dos mensaleiros e todos acham isso normal. Uma cena apenas uma cena e nada mais deixemos de hipocrisia. Há coisas mais importantes para se preocupar (sic)107

Já o termo social que adicionamos a esse quadro diz respeito ao momento atual dessa discussão generalizada e efervescente sobre o tema. Isto é, o termo se refere ao processo de sociabilidade específico do momento atual que aparecem nesses discursos. E, inclusive, em um dos comentários, até mesmo esse momento de discussão é questionado: “Momento da sociedade? Qual sociedade? A que não nos sentimos

105Disponível em: < http://noticiasdatv.uol.com.br/noticia/novelas/globo-adota-marketing-do-beijo-gay- e-grava-cena-secreta-hoje-2085 > .Acesso em: 13 de novembro de 2015.

106Disponível em: < http://noticiasdatv.uol.com.br/noticia/novelas/amor-a-vida-termina-com-beijo-gay- mas-sem-recorde-de-audiencia-2113 > .Acesso em: 13 de novembro de 2015.

107Disponível em: < http://televisao.uol.com.br/noticias/redacao/2014/01/31/com-beijo-gay-amor-a- vida-registra-44-pontos-de-audiencia.htm > . Acesso em: 13 de novembro de 2015.

seguros para criar nossos filhos em ambientes seguros e com princípios éticos, morais e cristãos?”(sic)108.

Acreditamos que o inquestionável sobre a atualidade, é que a sociedade está podendo falar sobre a homossexualidade e, sendo a comunicação parte do processo de constituição de sentidos sobre qualquer tema e, portanto, sobre a constituição do self dos próprios sujeitos, essa ruptura é imensamente importante e agregadora à vida social. Isso porque, retomando nosso primeiro capítulo, é nesse processo que a single story deixa de ser uma realidade. Quando se fala em qualquer processo comunicacional, fala- se, nos sujeitos envolvidos nesse processo: os sujeitos da comunicação ou sujeitos em

comunicação. Para França (2006),

O sujeito da comunicação é um sujeito social; ele é também, indubitavelmente, um enunciador de discursos ou um leitor de textos. Mas ser sujeito da comunicação ou em comunicação significa algo mais específico, e nomeia um sujeito enredado numa teia de relações. São as relações que constituem esse sujeito - a relação com o outro, a relação com a linguagem e o simbólico. (FRANÇA, 2006, p.77)

Ou seja, o que constitui os sujeitos da comunicação é a ação de afetar e ser afetado pelo outro através de materiais significantes; de produzir e consumir discursos, representações, sentidos para e em decorrência do outro (FRANÇA, 2006, p.86). A relação é, portanto, aquilo que funda a comunicação e os seus sujeitos. O sujeito em ou

da comunicação, carrega em si algo extremamente importante, que também foi exposto

por Adichie em sua palestra (abordada no primeiro capítulo dessa pesquisa): o verdadeiro poder, “que se traduz na habilidade de conceber não apenas a própria história, mas a do outro e de fazer dessa história a definitiva” (ADICHIE, 2009, 10m11s, tradução nossa)109.

A cena é, portanto, uma importante expressão dessa abertura, do poder falar. E assim, representa uma “quebra de tabu” no “amor, um real e outro na novela”.110

Tornando-se uma “expressão da realidade”111, uma vez que a novela apenas reproduziu

108 Disponível em: < http://noticiasdatv.uol.com.br/noticia/novelas/beijo-de-Félix-e-niko-reflete-