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B. Sectores productivos a los que tienen acceso las mujeres

4. LA FORMACIÓN EDUCATIVA DE LAS MUJERES

4.3 Los krausistas y su influencia en la mejora de la educación de la mujer

Para o saudoso crítico paraense Benedito Nunes, as quarenta estórias de Tutaméia são distribuídas em quatro grupos que foram ordenados poeticamente, antecedidos por prefácios.

São estórias que podem representar grandes fábulas ou mitos. Nessa compreensão, têm-se as fábulas como espécie narrativa em que se objetiva passar um ensinamento por intermédio da ação de personagens ícones (sejam eles animais, pessoas ou coisas). Quanto aos mitos, são compreendidos numa perspectiva aristotélica de uma narrativa que, fruto de esforço cognoscitivo para compreender o incompreensível, individualiza (às vezes, personificando) verdades e princípios, tornando-os dogmaticamente irrefutáveis.

Segundo esse crítico literário, em Guimarães Rosa, o mito e a fábula, são elementos da poiesis, e são criados para ajudar a captar o sentido que mal se consegue vislumbrar em cada vida individual, minúscula e insignificante. E a vida cotidiana, em seus pequenos ―causos‖ aparentemente insignificantes, é o complexo tema deste livro. É essa ―leitura geral da vida que se faz por meio de todos os seus textos reunidos‖34 que

confere a esta obra a tão reclamada unicidade de enredo, oriunda de uma multiplicidade de histórias. Portanto, no que se refere ao conteúdo dos contos, Benedito Nunes afirma:

Vista só no conteúdo esparso e amorfo de seu dia-a-dia, faz-se a vida com a matéria contingente e vária desses casos e aconteceres –

tutaméias, tutmeíces – que são os motivos das Terceiras Estórias de

Guimarães Rosa.35

O clima geral de Tutaméia, para Benedito Nunes, mesmo quando se mata ou morre, é o clima da comédia, excetuando dois contos: Estorinha e Palhaço da boca verde, esse segundo, inclusive, será posteriormente analisado. A comédia, pois, é aqui entendida como gênero narrativo em que a problemática do caso se resolve sem a necessária ação dos personagens, restaurando-se a situação inicial espontaneamente. Ao traçar um paralelo com o ritmo narrativo da Divina Comédia, de Dante, afirma que o gênero cômico leva da ―carência à plenitude‖, num sentido ascendente que igualmente nos remete ao ritmo ascendente platônico do mundo sensível imperfeito ao mundo inteligível perfeito. O crítico paraense também discorre sobre o caráter parabólico dos contos das Terceiras estórias, mostrando o modo figurativo das estórias, nas quais, por

34 NUNES, Benedito. Tutaméia. In: O dorso do tigre. 2. ed. São Paulo: Perspectiva, 1976, p. 203. 35 Idem,ibidem, p. 203.

meio de comparação, o conjunto dos elementos evoca outras realidades, tanto fantásticas, quando reais, além de ilustrar lições de ética por vias simbólicas ou indiretas:

Alguns personagens de Tutaméia acertam quando pensam errar e erram quando pensam acertar. Tudo está certo no fim, já dizia Riobaldo, em Grande Sertão: Veredas. Há quase sempre, no final de cada estória dessas últimas Terceiras, um acerto de Contas que satisfaz, repondo nos eixos a vida desgarrada, um inesperado demão da sorte, do acaso o das circunstâncias, que emenda o fio que antes se rompeu, troca o sim pelo não e o não pelo sim. (...) O apaixonado Terezinho, de ―A vela ao Diabo‖, recupera, na mais funda incerteza, a certeza de que era amado. Mais tais são os casos, as tutaméias, que se multiplicam. Pode-se, no entanto, ver no fundo das estórias o reflexo de uma parábola. Quem perde, ganha; quem se perde acaba por encontrar-se.36

A despeito da recorrente crítica à obra, a qual diz respeito a uma possível falta de unidade que a caracteriza, posto que os contos foram publicados primeiramente separados, para que, depois, fossem reunidos em Tutaméia. O crítico paraense propõe que eles foram ligados por quatro prefácios escritos como meio de elucidar os caminhos porventura tortuosos à decifração dos espaços em branco da obra. Benedito Nunes, ao descrever esse processo de unidade em Tutaméia, afirma que

Prefácios e estórias formam assim um todo poeticamente ordenado. Nas estórias, a linguagem caminha num plano de criação e de recriação; os Prefácios contraponteiam esse plano, como se, à semelhança de metalinguagem, contivessem eles algumas regras do jogo da linguagem que em toda a obra se desencadeia. Mas os dois planos se unem na mesma ironia do pensamento, na mesma sabedoria reflexiva, que um a outro circula, e da qual sai a fábula que se conta, para a maravilha de exemplo, no complexo das estórias: ―Devagar e manso se desata qualquer enliço, esperar vale mais que entender, janeiro afofa o que dezembro endurece, as pessoas se encaixam nos seus veros lugares‖ (―Vida Ensinada‖).37

Em sua derradeira obra, o autor mineiro aperfeiçoa o seu jogo com a linguagem levando-a ao extremo do paradoxo, discorrendo de glosas humorísticas a expressões comuns, construindo nesse cotejo entre mundo e existência a expansão de neologismos. Apreender o jogo da linguagem de Guimarães Rosa em Tutaméia requer uma inclinação para perceber os pequenos episódios da vida. As ―tutameíces‖ são a maneira que o autor encontrou para reafirmar que o sentido das pequenas coisas do cotidiano sempre pode

36 NUNES, Benedito. Tutaméia. In: O dorso do tigre. 2. ed. São Paulo: Perspectiva, 1976, p. 205. 37Idem, ibidem, p. 210.

ser transmitido a partir da criação literária. Assim, a linguagem abre-se para a transmissão de mensagens, antes incomunicáveis:

Foi a dúvida, a tudo problematizando, que impulsionou esse jogo e que o conduziu àqueles últimos limites, onde a linguagem se transforma em meio de revelação, para dizer o que antes não podia ser dito.38

Para Benedito Nunes, a conclusão que se pode inferir de Tutaméia é que os contos são marcados por um ritmo de comédia, além de serem acompanhados de uma intenção parabólica. Contudo, esse ritmo é modificado quando as estórias mudam de um para outro dos quatro grupos em que estão distribuídas. Isso ocorre, devido ao tom das matérias apresentadas nos Prefácios. Assim, de acordo com o exposto em ―Aletria e Hermenêutica‖; ―Hipotrélico‖; ―Nós, os Temulentos‖ e ―Sobre a Escova e a Dúvida‖ o leitor pode ter muitos enganos, espantos e revelações. Os Prefácios serão retomados no item (3.5) do terceiro capítulo, explicitando melhor suas particularidades. Destarte, para Benedito Nunes, o relato rosiano encaixou-se em outro maior texto, o da escrita das coisas. Tudo, desde que à linguagem se subjugue, apresenta sentido, mesmo que seja inexplicável. Pela linguagem podemos nos relacionar e entender o que existe, assim contos e vida estariam entrelaçados, e as ―tutaméias‖ permitir-nos-iam tentar compreender o, às vezes, incompreensível da existência.