Acreditamos que mais de 50 anos após a conquista das independências, em finais dos anos de 1950, as três décadas subsequentes de afirmação dos Estados, fecharam um ciclo, e uma nova era foi aberta para África rumo a conquista do seu desenvolvimento económico e social. É a era da libertação económica, se assim podemos chamar, depois da colonização. Aos africanos cabe neste início do século XXI, pôr em marcha o seu futuro, dando continuidade as ideias dos intelectuais Pan- africanistas do Pós-Guerra, como Senghor, Jomo Kenyatta e N´Krumah, os criadores da OUA, uma tarefa que os jovens devem abraçar para que o continente não corra o risco de se marginalizar para sempre, numa época de verdadeira concorrência e de globalização. Das questões analisadas no nosso trabalho, permitiu-nos concluir que o continente Africano é o menos desenvolvido no mundo aliás, o percurso histórico dos últimos 55 anos mostra, claramente, que a herança colonial global tem pesado e continua a pesar, constituindo, deste modo, os novos desafios para um desenvolvimento idealizado por todos.
A África do Sul, é a potência económica a nível do continente, seguindo-se o Marrocos, a Nigéria, o Egipto, e a Argélia. Apesar dos problemas enfrentados o continente conheceu um desenvolvimento económico significativo alinhados a estabilidade política, económica e social, especialmente depois dos anos 90. As aspirações dos africanos, devem voltar-se para o respeito dos direitos humanos e pela capacidade de influenciar e criar fortes parcerias, bem como a promoção de qualidade na saúde e na educação, a criação de infraestruturas, transportes, e o desenvolvimento das tecnologias de informação. O continente africano está a dar alguns sinais, apesar de tímidos, e a prova está no facto de, em termos de esperança de vida, por exemplo, ter conhecido alguma evolução. Se em 1963 a expetativa de vida era de 45 anos, em 2016 foi de 59 anos para homens e 63 para mulheres.
Consideramos que, um dos problemas candentes que África enfrenta prende- se com a questão dos conflitos étnicos, a priori a partida para um verdadeiro desenvolvimento devem ser impreterivelmente ultrapassados esses problemas, primando sempre pelo diálogo. Os erros cometidos na conferência de Berlim e o período doloroso da colonização de África devem ser esquecidos, pois como se
198 sabe África não foi o único continente que conheceu a invasão Europeia, temos a Ásia e a América que passaram pelo mesmo processo, e hoje, superaram os seus constrangimentos. O espírito dos africanos deve unicamente ter como horizonte a união a indivisibilidade e a integração. Não apostar no desenvolvimento económico seria um autêntico retrocesso. Não haverá realizações económicas se o continente continuar mergulhado em conflitos étnicos e religiosos, como se sabe, a verdadeira riqueza de um país são os recursos humanos, os líderes africanos devem apostar nos quadros africanos para se evitar a fuga de cérebros. isto implica obviamente a erradicação da pobreza.
A prossecução do desenvolvimento em África precisa de paz, justiça e democracia. O africano não pode ser caracterizado como, preguiçoso, excessivamente consumidor, e sem ideias estratégicas do seu futuro, pois muitos líderes africanos já provaram ao mundo que também são tolerantes, sabem governar e acima de tudo são democráticos a exemplo de Nelson Mandela e do antigo Secretário geral das NU, Kofi Annan. A emigração é outro problema em África, muitos africanos sobretudo da região ocidental procuram novos espaços na Europa em busca de melhores condições de vida. Os recursos naturais como os diamantes ouro e petróleo devem ajudar África a libertar-se da extrema pobreza a que os seus filhos estão mergulhados, seguindo os bons exemplos do continente asiático que outrora vivia as mesmas dificuldades e que hoje, a realidade é diferente. África, possui recursos naturais suficientes, por esta razão, não deve contar com os recursos financeiros alheios para retomar a marcha do desenvolvimento económico, quebrada durante vários séculos de ocupação colonial e de várias décadas de práticas de má governação, corrupção, autoritarismo e pela ausência de respeito aos diretos e liberdades fundamentais. O ritmo de crescimento económico, articulado com os grandes projetos como a NEPAD, devem constituir o ponto de partida aceite pelos líderes africanos e parceiros internacionais, por serem os pilares do desenvolvimento em África junto as reformas políticas. Entre as aspirações dos africanos, contam a integração política e económica do continente, baseada nos ideais do pan-africanismo e na visão de renascença africana e pela boa governação e respeito pelo Estado de Direito e Democrático, justiça e legalidade.
199 O fundamental para África, é o engajamento e a parceria reforçada de todos os atores, governos, sociedade civil, setor privada, com vista a se alcançar uma melhor integração de todos os povos africanos na economia e na vida política internacional. Estamos convictos que a comunidade internacional tem a capacidade de criar condições equilibradas para que a África possa dar o seu contributo na arquitetura económica global.
O desenvolvimento económico, segundo a história surgiu com a revolução industrial, durante quase trinta anos ininterruptos os países ocidentais testemunharam um crescimento de acumulação da riqueza já mais visto. Este é o caminho que a África deve trilhar para atingir tal desiderato e sair desta fraqueza em que se encontra. A UA deverá ser o laboratório para coordenação de todos os programas continentais, implementando todos os mecanismos e projetos como o NEPAD, já referido, o AGOA e os Acordos de Yaoundé, Lomé e Cotonou, sendo uma fonte de oportunidades, suscetíveis de resolver os problemas dos africanos.
Os países, regiões e os cidadãos do continente africano devem mostrar ao mundo que a pobreza e a estagnação podem ser superados pelos próprios africanos reagindo unidos e com todas as energias. O crescimento económico nas últimas décadas registou muitos progressos, a boa governança melhorou significativamente, contudo é preciso ir mais longe para deixar atrás a espiral da pobreza que conduz a uma desigualdade abismal no seio dos povos. Isto só se consegue se África e as potências económicas mais desenvolvidas estabelecerem parcerias vantajosas e não oportunistas tudo delineado de acordo com a diversidade e as particularidades do continente. A prática dos princípios de boa governança resulta em uma sociedade livre e aberta na qual, as pessoas podem perseguir seus sonhos e esperanças.
Para a redução da pobreza, o crescimento por si só, não é uma condição suficiente. No caso de África, as altas taxas de crescimento económico verificadas foram favoráveis as camadas mais pobres e terá sido influenciado também por uma melhoria na orientação das políticas socias. Embora o progresso na redução das taxas de pobreza possa ser considerado impressionante, os níveis continuam altos. Mas da metade da população não chega a alcançar os padrões de vida básicos
200 empregues para projetar as linhas de pobreza. Deste modo ainda continuam pela frente grandes desafios.
Exemplos desse esforço de transformações estruturais económicas no continente africano são a busca constante de inovação das técnicas industriais e agrícolas; a abertura ao investimento direto estrangeiro; as reformas económicas e jurídicas em curso; as melhorias nas vias de comunicação rodoviárias, ferroviárias e aeroportuárias (infraestruturas); melhorias de acesso a água potável e o saneamento básico; a redução da taxa de mortalidade infantil; a quebra na taxa de analfabetismo; a redução da taxa de inflação; e a estabilidade geral do nível de preços. É fundamental, nesta fase, que os dirigentes africanos comessem a focar- se, cada vez mais, naquilo que é a boa gestão dos recursos naturais e a que a sua negociação beneficie sempre o povo. Os líderes devem verter as atenções para a necessidade de um renascimento africano e da transformação da mentalidade para que até 2063, África resolva parte considerável dos problemas que enfrenta há largos anos.
Todavia, África tem muitos desafios a enfrentar. A diversificação das exportações pode ser um caminho para garantir a sustentabilidade do desenvolvimento económico verificado nas últimas décadas. O continente Africano não deve satisfazer-se apenas pelo fato de ter atingido as melhores taxas de crescimento no mundo nos últimos anos, mais deve, sim, prosseguir na melhoria da qualidade de vida das suas populações igualando mesmo o sucesso dos “tigres asiáticos” ou no mínimo alcançar os estádios de desenvolvimento das potências africanas como a África do Sul o Marrocos o Egito e a Argélia.
A estabilidade interna é um fator crucial para o desenvolvimento dos Estados africanos. Não há, no mundo progresso nenhum em regiões sob conflitos sangrentos. No continente os conflitos são latentes na RDC, na RCA, Nigéria, Somália, Guiné-Bissau, Burkina Faso e em Moçambique originados por falta de diálogo e concertação interna. Os desafios internos são enormes. As sociedades africanas têm de gerir a duplicação da sua população e uma triplicação da sua população urbana até 2030. África deve reconstruir e realizar investimentos coletivos e produtivos necessários ao crescimento. É preciso responder ao desafio da pressão