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Kraftprisen i Oslo sammenlignet med de andre områdeprisene

5.1 Resultatet av Newey West regresjonen, CO 2 overføringskoeffisienter

5.1.2 Kraftprisen i Oslo sammenlignet med de andre områdeprisene

Este procedimento visa desenvolver, no aprendiz, um olhar mais aguçado para a cena, começando pela observação dos colegas e passando pela autoanálise das próprias atividades. Devem ser formados grupos de seis alunos atores. Na primeira parte, a proposta consiste em trabalhar estabelecendo uma ação/relação com uma cadeira, em dois momentos distintos. No primeiro momento, o primeiro integrante do grupo entra no espaço cênico, que só possui uma cadeira no centro, realiza uma ação e depois se levanta. Em seguida, o segundo integrante realiza a mesma ação, depois, acrescenta outra e também sai. O terceiro faz o mesmo e assim por diante, até que o sexto integrante tenha realizado a sua ação. Ao final, teremos uma partitura de seis ações interligadas.

Nessa parte do procedimento, trabalha-se a observação do outro, precisão na construção do gesto e a fé cênica44.

Ao final dessa etapa, fiz algumas observações aos alunos, que se seguem: Em primeiro lugar, destaquei a dificuldade de alguns aprendizes em realmente “ver” o movimento do outro e reproduzir o gesto, ou seja, faltava fé cênica; em segundo, chamei a atenção para o fato de que, na maioria das vezes, o integrante que entrava em cena não aproveitava a proposta feita pelo anterior, e, finalmente, em terceiro, depois de assistir aos dois primeiros grupos, sugeri que, no terceiro grupo, a partir do segundo integrante, os demais aproveitassem as propostas anteriores, dando sentido à ação. Entenda-se aqui por sentido não necessariamente a criação de uma narrativa, mas sim encontrar um sentido na execução do movimento que não fosse puramente físico, ou seja, envolver-se com que está sendo proposto e executado.

No segundo momento, foi mantida a cadeira no centro do palco e também foram preservados os grupos de seis integrantes. A proposta consistia em que cada um que entrasse no espaço cênico, deveria se relaciona com a cadeira, ressignificando-a, ou seja, dando a ela um uso diferente do esperado e usual. Depois de realizar tal ação, o aprendiz deixava o espaço cênico. O segundo integrante realizava a ação proposta por seu antecessor e acrescentava a sua própria, ampliando a situação iniciada anteriormente. Esse processo se repetia até a entrada do sexto integrante. Ao final dessa parte, pedi que os alunos atores avaliassem o quanto realmente observaram e aceitaram a proposta de seu antecessor e o quanto se estimularam com aquilo que o outro realizava e propunha. Algumas questões levantadas, a partir desta reflexão, foram: o quanto

44 Segundo Constantin Stanislávski, ”todos devem ter fé na possibilidade de que existam na vida real sentimentos análogos aos que vive em cena o artista criador.” (STANISLÁVKI, 2003, p. 171)

eu acredito na proposta do meu colega? O quanto a minha proposta modifica a do meu antecessor? E, por fim, indagou-se sobre o quanto a qualidade do movimento foi aumentando à medida que o envolvimento com a ação também aumentava. Concluiu-se que o prazer do aluno ator em fazer o procedimento originava-se no “acreditar” na proposta anterior e também na ação que realizava.

Na terceira parte, sentamos em roda e lemos, em conjunto, o texto A complicada arte de ver45, de Rubem FONSECA (2014). Após a leitura, foi realizada uma discussão a respeito dos conteúdos do texto e as possíveis associações com os procedimentos realizados anteriormente. Alguns pontos destacados pelos aprendizes, depois da leitura, foram: a importância do olhar para o ator; que tipo de olhar deve ter o artista de teatro; como tornar meu olhar poético e não estéril; comparou-se o olhar poético da criança com o olhar duro do adulto e concluiu-se que a reflexão proposta pelo autor do texto estava em consonância com a necessidade do ator de reeducar seu olhar para o mundo, tornando-o mais calmo, mais elaborado e mais sensível.

As principais opiniões sobre o procedimento, contidas no Livro do Ator, estão expressas abaixo. Alguns depoimentos destacaram a importância do procedimento para o processo de formação do ator: Muito bom trabalhar com olhar e compreensão. É essencial na vida do ator. (V. T.)

A atenção é uma das coisas mais importantes que o ator tem que trabalhar. Se entregar de corpo e alma para assim acreditar naquilo que faz. A arte só nos envolve se nos deixarmos ser envolvidos. (K. R.)

O exercício de hoje me fez relembrar a importância que tem, para o ator, acreditar na ação solicitada pela cena. Entender a importância das sequências e a exatidão de cada movimento foi bom para meu amadurecimento. (S. N.)

Hoje o “acreditar” fez-se presente... Um grande empurrão para acordarmos e voltarmos a perceber como olhar o mundo com olhos de criança. Algo que perdemos com o tempo. TO PLAY, estar pronto para o jogo, estar pronto para a vida. Teatro é suor, é trabalho, é vida. Bem vindo ao jogo. (A. M.)

Outros depoimentos, relacionaram a experiência ao autoconhecimento e visita á infância:

A importância do olhar, para a formação do ator, é a desautomatização do ver. A dificuldade que tive no processo de criação, em cima do trabalho dos outros, é a minha própria dificuldade de enxergar diferente, após anos exercendo a mesma função. (S. K.)

Hoje eu vi o quanto sou desatenta a alguns detalhes que são extremamente importantes em cena. É uma questão psicológica, pois eu presto atenção em tudo nas cenas alheias, porém na minha eu me desespero. (E. M.)

Hoje pude reviver minha infância quando minha imaginação não tinha limites. Eu acreditava no que via e agora devo acreditar no que vejo para que outra pessoa possa acreditar também. (M. S.) Acreditar, como as crianças, naquilo que temos nas mãos. Usar o imaginário para que o outro também acredite. (A. F.)

Porém, a grande maioria dos depoimentos ressaltou a importância da observação e da crença naquilo que se cena faz, em:

Não é preciso ver para crer, é preciso crer para ver. (J. V.)

O olhar transformador, disponível, educador, provocador. O olhar é base imagética e criativa. A celebração no olhar: o outro, o eu, o nós. (G. P.)

SER OU NÃO SER, EIS É A CADEIRA. Inspiração, concentração, continuidade. (C R.)

Aprender a ver. Aprender a observar. Aprender a acreditar! (P. E.) Foi linda a aula de acreditar no objetos imaginários e vê-los como reais. (M. A.)

A importância de ver mesmo sem ter. Imaginar, ter fé, não desistir e principalmente acreditar. (B. C.)

Em alguns depoimentos, desenhos foram incorporados para ilustrar as opiniões:

Figura 20 - Livro do ator

Fonte: Acervo pessoal de Marcelo Braga.

Eu pude perceber o quanto o olhar, a imaginação e a observação são importantes. É só colocar em prática. (T. T.)