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Kostnader, gebyrinntekter og selvkostgrad

6. Ressursinnsats – kostnader, gebyrgrunnlag, selvkostgrad og gebyrer

6.3. Kostnader, gebyrinntekter og selvkostgrad

À luz das discussões estabelecidas até o momento, busco esteio em Goffman (1988), especificamente na obra Estigma: notas sobre a manipulação

da identidade deteriorada, para refletir acerca do processo constitutivo da

identidade a partir das considerações apontadas a respeito da manipulação da identidade de indivíduos que se distinguem dos outros em determinado contexto, por uma marca que lhe é peculiar - o estigma.

Nessa obra, o autor introduz o conceito de identidades sociais virtuais e identidades sociais reais. As identidades sociais virtuais são constituídas pelas afirmativas em relação àquilo que o indivíduo outro deveria ser. O conceito de identidades sociais virtuais, apresentado por Goffman (1988), pode

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ser alinhado ao conceito de identidade pressuposta, proposto por Ciampa (1984), uma vez que essas preconcepções são transformadas em expectativas normativas e exigências apresentadas de modo rigoroso pela sociedade. Por sua vez, a categoria e os atributos que o indivíduo, na verdade, prova possuir são chamados de sua identidade social real.

A discrepância entre a identidade social virtual e a identidade social real é responsável pela produção do estigma. Segundo Goffman (1988), em contato com o estranho, o indivíduo tem evidências de que esse estranho tem um atributo que o torna diferente de outros que se encontram numa categoria que pudesse ser incluído. Essas características que o diferenciam são denominadas estigma.

Goffman (1988) distingue três tipos de estigma: 1. As abominações do corpo ou deformidades físicas.

2. As culpas de caráter individual, como, por exemplo, o distúrbio mental, a prisão, o vício, o homossexualismo e tentativas de suicídio, entre outros.

3. Estigmas tribais de raça, nação e religião.

Este trabalho trata do terceiro tipo de estigma proposto pelo autor, uma vez que, ao se compararem com falantes oriundos de países de língua inglesa, falantes bilíngues brasileiros colocam-se em uma posição estigmatizada, seja por sua condição de latino e de ideias preconcebidas acerca de ser brasileiro, ou por um sentimento de inferioridade pela percepção de diferenças no sotaque quando comparado a falantes oriundos de países de língua inglesa.

O termo estigma, ressalta o autor, oculta uma dupla perspectiva: o indivíduo que assume que a sua característica distintiva já é conhecida ou é imediatamente evidente – condição de desacreditado ou, então, que ela não é nem conhecida pelos presentes nem imediatamente perceptível por eles – condição de desacreditável. Goffman (1988) pontua que o sujeito desacreditável manipula a informação sobre sua marca, decidindo exibi-la ou ocultá-la dependendo de como, para quem, quando e onde. Há, dessa forma, uma manipulação da informação oculta que desacredita o eu, ou seja, um

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encobrimento (GOFFMAN, 1988). De acordo com o autor, há na literatura

cinco ciclos naturais nesse processo:

1. Encobrimento inconsciente, que o indivíduo pode nunca perceber. 2. Encobrimento involuntário, que o indivíduo pode perceber com surpresa no meio do processo.

3. Encobrimento “de brincadeira”, que é o encobrimento em momentos não rotineiros da vida social, como férias e viagens.

4. Encobrimento em ocasiões rotineiras da vida diária, como no trabalho e em situações de serviço.

5. Desaparecimento, que é o encobrimento completo em todas as áreas da vida.

Goffman (1988) chama a atenção para o fato de que alguns poucos indivíduos não conseguem viver de acordo com o que é efetivamente exigido e esperado dele, mas que, ainda assim, permanecem alheios à sua inadequação em relação ao que a sociedade espera deles e se protegem por crenças de identidades próprias. No entanto Goffman (1988) ressalta que a grande maioria de indivíduos estigmatizados tende a ter as mesmas crenças sobre identidade que o grupo dominante possui.

O autor pontua ainda que indivíduos estigmatizados tendem a ter experiências semelhantes de aprendizagem relativa à sua condição e a sofrer mudanças semelhantes na concepção do eu, isto é, uma carreira moral semelhante, que é não só causa como efeito do compromisso com uma sequência semelhante de ajustamentos pessoais (GOFFMAN, 1988). Para Goffman (1988), há duas fases nesse aprendizado. Uma das fases é a que a pessoa estigmatizada aprende e incorpora o ponto de vista dos outros indivíduos do grupo dominante, adquirindo, dessa forma, as crenças da sociedade mais ampla em relação à identidade e uma ideia geral do que significa possuir determinado estigma. Em outra fase, o indivíduo aprende que possui um estigma particular e, dessa vez, detalhadamente, as consequências de possuí-lo. Segundo o autor, a sincronização e interação dessas duas fases

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iniciais da carreira moral formam quatro modelos, descritos a seguir, que estabelecem as bases para um desenvolvimento posterior e distinguem entre as carreiras morais disponíveis para os estigmatizados:

1. O primeiro modelo envolve indivíduos que possuem um estigma congênito e que são socializados dentro de sua situação de desvantagem, mesmo aprendendo e incorporando os padrões frente aos quais fracassam.

2. O segundo modelo deriva da capacidade da família ou grupo no qual o indivíduo está inserido de controlar as informações que o diminuiriam, enquanto se dá acesso a outras concepções da sociedade mais ampla. Esse indivíduo encapsulado passa, dessa forma, a considerar-se inteiramente qualificado, o que não impede que, em algum momento de sua vida, ocorra a aprendizagem do estigma.

3. O terceiro modelo engloba indivíduos que se tornaram estigmatizados numa fase avançada da vida ou aprenderam muito tarde que sempre foram desacreditáveis, o que envolve uma reorganização radical de seu passado.

4. O quarto modelo, no qual alguns participantes deste trabalho se inserem, diz respeito a indivíduos que são inicialmente socializados numa comunidade diferente, dentro ou fora das fronteiras geográficas da sociedade, e que devem posteriormente aprender uma segunda maneira de ser validado pelo grupo social à sua volta.

Em contato com o grupo dominante, o que autor define como situações sociais mistas, os indivíduos estigmatizados tentam corrigir diretamente o que consideram a base objetiva de seu defeito, ocorre aqui a vitimização, que é quando a pessoa estigmatizada se rende a servidores que vendem meios para corrigir a fala, para clarear a cor da pele ou para esticar o corpo, por exemplo.

Indo mais além, Goffman (1988) esclarece que, quando o indivíduo adquire tardiamente o ego estigmatizado, como é o caso de muitos dos sujeitos desta pesquisa, as dificuldades para estabelecer novas relações podem se estender também a relações antigas, uma vez que as relações anteriores podem não conseguir tratá-lo “nem com um tato formal nem com uma

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aceitação familiar total” (GOFFMAN, 1988, p. 45). O autor salienta que há também exemplos de indivíduos que se desviam, quer em atos ou em atributos que possuem, do grupo estigmatizado a que pertencem. Esses indivíduos, como explica Goffman (1988), são denominados desafiliados ou desviantes

sociais, e voluntária e abertamente recusam-se a aceitar o lugar social que

lhes é destinado.

Na esfera do discutido por Goffman (1988), há ainda outra situação a ser considerada: o preconceito linguístico. O preconceito linguístico é um conceito marxista, criado pelo sociólogo Nildo Viana, calcado em escritos de Pierre Bordieu, como demonstração de outra forma de opressão e luta de classes.

O principal defensor desse conceito, no Brasil, é o professor Marcos Bagno. Bagno (2002) alerta para a existência do preconceito linguístico como uma forma recorrente e atual de preconceito. Em seu livro, Preconceito

linguístico – o que é, como se faz, o autor atém-se a discutir a questão dos

vários preconceitos, praticados pelos próprios brasileiros, em relação à língua portuguesa falada no Brasil. Segundo o autor, a noção de correto, imposta pelo ensino tradicional, origina um preconceito contra as variedades não padrão de português faladas no Brasil.

O autor ressalta, ao longo de seu livro, uma série de afirmações que já fazem parte da imagem (negativa) que o brasileiro tem de si mesmo e da língua falada por aqui, como a de que o português é uma língua difícil e a de que brasileiros não sabem português. Essas afirmações parecem se estender também no que tange ao sotaque brasileiro ao falar inglês. Possuir sotaque brasileiro parece ser visto como uma desvantagem e, desse modo, existe uma tentativa de encobri-lo, de escondê-lo.

Bagno (2002) salienta que os preconceitos impregnam-se de tal maneira na mentalidade das pessoas que as atitudes preconceituosas se tornam parte integrante do seu próprio modo de ser e de estar no mundo e alerta para o fato de que “o tipo mais trágico de preconceito não é aquele que é exercido por uma pessoa em relação a outra, mas o preconceito que uma pessoa exerce contra si mesma” (BAGNO, 2002, p.75). O autor atribui à união de quatro

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elementos a formação do preconceito linguístico no Brasil: à gramática tradicional, aos métodos tradicionais de ensino, aos livros didáticos e aos comandos paragramaticais, os quais o autor define como sendo “todo esse arsenal de livros, manuais de redação de empresas jornalísticas, programas de rádio e de televisão, colunas de jornal e de revista, CD-ROMS, consultórios gramaticais” (BAGNO, 2002, p.76).

Segundo o autor, tanto os livros didáticos quanto os recursos paragramaticais, que poderiam ter utilidade para quem tem dúvidas na hora de falar ou de escrever, acabam perdendo-se por trás da espessa neblina de

preconceito que envolve essas manifestações da (multi)mídia. Assim,

perpetuam as velhas noções de que brasileiro não sabe português e de que português é muito difícil. Acrescento a isso, a questão do sotaque brasileiro ao falar inglês. Inúmeros são os recursos que, sob a mesma neblina de preconceito, prometem reduzi-lo ou mesmo apagá-lo. Com isso, mais uma forma de preconceito contra o português falado no Brasil é disseminado, o que acarreta em mais uma ideia negativa que o brasileiro tem de si mesmo e da língua que fala. Ideias essas, conscientes ou não, têm implicações direta na construção e na negociação das identidades de sujeitos bilíngues brasileiros.

Nesta seção, abordei os estudos sobre identidade a partir da perspectiva da Pós-Modernidade com base em Hall (2005), Bauman (2005), Norton (1995) e Coracini (2003; 2007). Nessa perspectiva, retomei os estudos de Ianni (1999) para discorrer a respeito das implicações da globalização na conceptualização da identidade e na fragmentação do sujeito na Pós-Modernidade. Recorri também a outras áreas de conhecimento para melhor compreender minhas questões de pesquisa. Busquei esteio no psicólogo social Ciampa (1984; 1990; 2004), que entende a identidade como um construto social e, a partir disso, desenvolveu os conceitos de pressuposição da identidade (CIAMPA, 1990), mesmice (CIAMPA, 1984) e mesmidade (CIAMPA, 1990). Dentro da filosofia, recorri a Habermas (1976) que enfatiza o conceito de individuação relacionado à noção de mesmice desenvolvida por Ciampa (1984). Finalmente, retomei o conceito de estigma do sociólogo Goffman (1988), que reflete acerca do processo constitutivo da identidade de sujeitos que se distinguem dos outros.

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Atrelado a esse conceito, resgatei a noção de preconceito linguístico, difundida no Brasil, por Bagno (2002).

Revisando o percurso traçado até aqui, compreendo o desafio de abordar a identidade não como uma descrição em termos objetivantes, mas, sim, como compreensão do processo constante de formação e transformação do indivíduo.

Na seção seguinte, enfatizo o aporte teórico sobre língua materna, língua estrangeira e bilinguismo, que servirão de base para minhas análises.

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Vida entre línguas

Nós temos sempre necessidade

de pertencer a alguma coisa; e

parece que a liberdade plena

seria a de não pertencer a coisa

nenhuma. Mas, como é que se

pode não pertencer à língua

que se aprendeu, à língua com

que se comunica e com que se

escreve?

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10 LOPES, Victor. Entrevista de José Saramago em Língua – Vidas em Português (documentário). Brasil/Portugal, 2004. Disponível em: < http://www.youtube.com/watch?v=b7cIiiHmFI8 >. Acesso em: dez. 2011.

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SEÇÃO 4

Vida entre línguas

Revuz (1998), a partir dos estudos sobre a enunciação e de contribuições da psicanálise a respeito da incidência da língua na constituição identitária do sujeito falante, afirma que a língua é "o material fundador de nosso psiquismo e de nossa vida relacional" (REVUZ, 1998, p.217). Sendo assim, este trabalho parte do pressuposto de que o sujeito se constitui pela e na linguagem. À luz dos estudos lacanianos, tomo como base que o sujeito não tem uma identidade anterior e fora da língua, uma vez que o mundo humano é o mundo da linguagem e não há nada aquém ou além da linguagem. Levando em consideração tal posicionamento, ao se referir a sujeitos falantes de mais de uma língua, qual é o papel da língua materna e da língua estrangeira em sua constituição identitária? No que se constitui essa língua materna e essa língua estrangeira?

Nas duas partes seguintes, proponho-me a refletir sobre o que é língua materna e língua estrangeira e a imbricação dessas na constituição da identidade de sujeitos fal(t)antes de mais de uma língua. Na última parte, discorro sobre as noções de bilinguismo, sujeito bilíngue e bilingualidade. Noções essas, importantes para a análise das representações que os sujeitos desta pesquisa têm sobre as línguas que os constituem e sobre sua bilingualidade dentro do quadro teórico da AD francesa.