• No results found

6. Empirisk analyse og funn

6.3 Diskusjon og implikasjoner

6.3.2 Kostnad ved å rapportere

Não passamos diretamente da experiência infantil, nova e imediata, para uma consciência mais organizada, a do homem. Precisamos passar pela prova de uma transição que para muitos não é uma transição, mas um bloqueio: a prova da adolescência. A adolescência não prolonga as experiências da infância; ela as suspende e muitas vezes as destrói. Superam a adolescência os que conseguem encontrar na maturidade os antigos itinerários, contanto que seus rastros, recobertos por um momento, não estejam inteiramente apagados.

(Philippe Ariès, 1981)

A palavra “adolescência” vem do latim adolescere, que quer dizer crescer.

Para Nérici (1969, p. 25), quem primeiro chamou a atenção para a importância da adolescência na vida do homem foi Rousseau, quando disse que é na adolescência que “o homem nasce verdadeiramente para a vida”. Para Rousseau a adolescência é, efetivamente, “uma espécie de nova formação do indivíduo, uma verdadeira recriação.”

Platão caracterizou a adolescência como “uma embriaguez espiritual”, já Aristóteles batizou-a como “a idade cheia de desejos”.

Através de Spranger17, Nérici encontra o seguinte conceito (SPRANGER apud:

NÉRICI, 1969, p. 26):

A adolescência não é somente a fase de desenvolvimento da vida do homem, situada entre a meninice e a maturidade, ambas no sentido fisiológico, mas é aquela idade que se encontra entre a típica estrutura psíquica da criança, ainda não diferenciada, e a estrutura psíquica já bem diferenciada do homem e da mulher.

Na adolescência há um desenvolvimento da criança que chama a atenção, devido à intensidade com que se processa. É a fase de vida que apresenta crescimento acelerado, intenso. Só que a adolescência não é só uma fase apenas de crescimento físico, também é uma fase de crescimento funcional, biológico, psicológico e social. O indivíduo cresce em todas as direções. Na verdade, a adolescência é uma fase evolutiva do homem. Ela sucede a infância e antecede o estado adulto. Nessa fase o ser humano tem fortes compromissos com a infância, mas aspira a ser adulto.

O indivíduo, ao crescer em todas as direções cria desajustamentos em todas elas. E os desajustamentos são de origem biológica, psicológica e social. Podemos afirmar, então, que a adolescência é uma fase de desequilíbrio.

A fase evolutiva da adolescência se estende aproximadamente entre os onze e vinte anos.

O adolescente pode ser um poço de contradições: em um minuto está acusando e, no seguinte, pedindo ajuda. Enquanto luta com as exigências externas, emocionalmente tenta vencer a indecisão e a confusão. Quando o adolescente está com problemas, ele pode parecer agitado, irritado, distante ou zangado. Instintivamente ele sabe que não pode resolver os problemas externos se não resolver os internos e, por isso, volta-se para dentro de si mesmo. Absorto em seus pensamentos e sentimentos, ele se esforça para chegar a alguma conclusão.

Observamos que o aspecto psicológico da adolescência é representado pelo desenvolvimento do espírito crítico, pelo aumento da sensibilidade, pela tomada de consciência de si mesmo, dos estímulos internos e externos, e dos mistérios que envolvem os

homens e as coisas. No entanto, a maior fonte destas estimulações é a sociedade, com suas exigências de vida e de comportamento sociais.

Para Nérici (1969, p.173), “a crise da adolescência é representada pela modificação nas possibilidades de percepção e julgamento dos estímulos de natureza biológica e dos estímulos de natureza sócio-cultural, que vão incidir sobre a consciência.”

Muito do que se passa na adolescência é de origem social. Se as condições sociais forem outras, as reações ou conflitos da adolescência serão outros. Nérici (1969, p. 173), afirma que “quanto mais primitiva a sociedade, menos profunda a crise da adolescência. Muitos problemas da adolescência são decorrentes da própria organização social.”

Os jovens não são educados nem orientados no sentido de encontrar o seu lugar. Eles estão procurando um lugar legítimo, procuram o sentido de pertencer.

Para Bruno Bettelheim (1989, p. 271),

o sentido de pertencer desenvolve-se primeiro e principalmente dentro da família e do lar, e apenas com base nessa primeira experiência estende-se mais tarde à vizinhança, à pátria, ao grupo étnico e à religião aos quais nossos pais pertencem. Desenvolvemos nossas primeiras e mais profundas raízes dentro da família e do lar; sentimentos positivos fortes dentro de nós mesmos e laços emocionais firmes com outros nos fixarão na vida, alimentarão nossa segurança e nos permitirão superar com êxito as adversidades da existência.

As sementes de uma árvore podem ser levadas para bem longe do lugar onde ela nasceu, mas as árvores que brotarem dessas sementes só plantarão suas raízes onde crescerem; o mesmo se aplica ao homem. Nossas raízes estão primeiro e principalmente em nossa família; este é o lugar a que pertencemos no sentido mais profundo – [...]

[...]

Um lugar legítimo não significa algo proporcionado pelos poderes existentes, nem mesmo pelos pais, essa é uma fonte precária demais para um verdadeiro sentimento de pertencer18 . Um lugar legítimo é o lugar que

conquistamos para nós mesmos, primeiro amando e sendo amados da maneira certa, mais tarde através de nossos próprios esforços. Só isso torna o lugar seguro, nosso próprio lugar.

A adolescência é a fase na qual os personagens Sérgio e Törless vivem. É nessa fase que eles experimentam diversas “sensações”, típicas desse estágio de vida.

Da leitura dos dois romances e da interpretação da representação da adolescência neles pudemos observar alguns aspectos muito presentes. A partir da observação de tais aspectos elaboramos as seguintes categorias de análise:

 sentimentos de ruptura com a vida passada;

 transição entre pensamento mágico e pensamento lógico;

 sentimento de insegurança;

 a construção da identidade.