9. HVA VAR SAMFUNNSØKONOMISK KOSTNAD?
9.1 P ER STREKNING
9.1.1 Kostnad per passasjer
A economia do município de Baía Formosa compreende a monocultura da cana de açúcar, que gera emprego e subemprego na área da coleta e beneficiamento da cana de açúcar. De acordo com o IDEMA (1999), o município abriga uma população de 7.336 habitantes15, sendo que 6.010 residem na área urbana e apenas 1.326 vivem na área rural. Dentro desse contexto, percebe-se uma clara concentração da população no entorno da cidade, pois compreende o espaço social propício à geração de renda, seja vinculado-se à pesca, ao turismo e a serviços. Com relação à questão do turismo enquanto fenômeno social, aprofundarei em seguida. Segundo o IDEMA (1999) as atividades do setor primário são as mais importantes para a economia de Baía Formosa, a agricultura e a pesca. No setor de beneficiamento da cana de açúcar, pode-se citar a Destilaria Baía Formosa, produtora de álcool anidro e hidratado. O cultivo da cana de açúcar desenvolveu-se ainda no século XVIII na região onde hoje se localiza Baía
15 Dados que diferem significativamente do que anteriormente citado no texto. No entanto, como compreende em dados levantados por diferentes fontes, não há razão para não cita-los, muito menos refuta-los, uma vez que correspondem a períodos distintos de pesquisa e levantamento dos referentes dados.
Formosa. Com a desvalorização da extração do pau brasil, a produção da cana de açúcar foi a primeira monocultura desenvolvida pela colônia.
A pesca artesanal destaca-se como fundamental espaço de produção econômica para a população de Baía Formosa. Cerca de 1 / 8 da população tem ligação direta com o trabalho da pesca artesanal, levando em consideração apenas às pessoas cadastradas na Colônia de Pescadores Z-11. Dentro do universo amostral de cerca de mil cadastrados na colônia, maioria absoluta é composta por homens pescadores. O percentual de mulheres cadastradas é ínfimo. Pode-se explicar esse fenômeno a partir da taxa exigida para efetivar o cadastro, o que oneraria o orçamento doméstico; pode-se também supor que pelo fato de a pesca local ser majoritariamente realizada em “mar alto”, “mar de fora”, impossibilitaria a inserção da mulher nas modalidades de pesca existentes em Baía Formosa. Ou como disse um pescador artesanal local: “Pesca em mar de fora é coisa de homem, mulher aqui não entra”. Sem dúvida, essa divisão sexual do trabalho externa as relações de gênero via relações de trabalho, sob a justificativa de que trabalho pesqueiro é pesado, portanto mulher tem que ficar “de fora”.
Existem determinadas modalidades de pesca realizadas em Baía Formosa. A pesca de linha, por exemplo, é bastante utilizada na captura do pescado, seja no “mar de dentro” ou no “mar de fora”. O peixe mais capturado é o bagre, conforme informou um mestre local. É uma modalidade que exige divisão do trabalho, pois geralmente é realizada por um único pescador, embora muitas vezes esteja embarcado com outros camaradas. A cioba, o baicora, a cavala, o sirigado, o atum, o agulhão de vela, a caranha, o xaréu, o pirambu, o sanhauá e a pescada são alguns tipos de peixe que são capturados a partir da técnica de linha.
O uso da tarrafa é freqüente em todo o litoral nordestino. Em Baía Formosa é um método de captura bastante utilizado na pesca de tainha, sauna e cacetão, espécies de baixo valor comercial. Na pesquisa de campo efetuada em meados de outubro de 2009 a janeiro 2010, pude conversar com dezenas de pescadores e comerciantes de Baía Formosa sobre o período de captura da albacora. A chegada das embarcações dá-se no porto de Baía Formosa, onde o pescado é “beneficiado”: estoca- se, congela-se, “trata-se o pescado” e, sem dúvida, vende-se aos clientes o pescado capturado do dia. O período de captura da albacora coincide com um grande fluxo de pessoas vindas de outras cidades por conta da chegada do verão. Sendo assim, a oportunidade de vender o pescado aumenta e a possibilidade de lucro é maior. O porto
transforma-se numa feira: pessoas saindo com sacolas com postas de peixe, prontas para serem consumidas sejam em forma de caldo ou no coco, sejam fritas ao óleo. Pessoas chegando, muitas vezes encantadas com a quantidade de peixes à mostra, lustrosos, de várias espécies, de cores que vão do tom de azul ciano a vermelho arroseado. É um espetáculo para os olhos e paladares.
A safra da albacora em 2008 não foi das melhores, me falou mestre Chico. O preço médio do quilo da albacora foi baixo, oscilando entre 3 a 5 reais, o que desestimulou os pescadores locais em relação à expectativa de fazer alguma economia ao longo do ano. A safra da cioba foi mais rentável, perfazendo um valor de troca que variou de 8 a 10 reais. No entanto, a maior disponibilidade ecológica local é da espécie albacora, o que objetiva no seguinte desenlace: aumenta a demanda do pescado, o preço forçadamente diminui, para o desalento de todos os envolvidos no trabalho da captura.
A safra da albacora em 2009 foi mais animadora para os pescadores artesanais de Baía Formosa. O quilo do pescado oscilou entre 5 e 7 reais, o que representou um aumento de 71,4% em relação ao ano anterior. Este percentual se refere ao pescado de qualidade comercial “superior”. Tomando como referência o pescado de qualidade menor, houve uma valorização de 60% com relação ao ano anterior (3 a 5 reais, respectivamente).
As safras de pescado correspondem a uma temporalidade do trabalho da pesca artesanal. Não se pesca indiscriminadamente uma determinada espécie; ela encontra-se disponível numa determinada do ano. Sendo assim, a safra da albacora vai de setembro a janeiro, época das águas quentes. De fevereiro a abril começa a safra da cioba, que em 2009 teve o valor de troca orçado em 8 reais o quilo (conseguiu mais valor de troca que a safra da albacora), do dentão, que também alcançou 8 reais o quilo, a safra do pargo (5 reais o quilo) e da guaiuba (também 5 reais o quilo). De maio a junho é a vez do avoador e do dourado. No período de transição, que compreende o mês de agosto, há a captura do cangulo, pira, piraúna e biquara, espécies de baixo valor de troca. É o período de muita dificuldade para as famílias dos pescadores, pois é o momento em que o que se pesca é para se comer. Pouco dá para juntar. Em setembro começa-se novamente a safra da albacora.