2 Beskrivelse og vurdering av innretningen og gjennomføringen av NUFUs
2.2 Utenriksdepartementets, Forskningsrådets og NUFUs rolle
2.2.3 En kort redegjørelse for NUFUs rolle med hensyn til stipendprogrammet 15
Uma grave crise de abastecimento de água na Região Metropolitana de Fortaleza – RMF, em 1994, promoveu a ligação dos reservatórios do Vale do Jaguaribe às Bacias Metropolitanas, por meio do Canal do Trabalhador. Tais transferências foram foco de conflitos, devido às suspensões de abastecimento, não previstas, nos sistemas de irrigação ao longo do Rio Jaguaribe.
O sistema de abastecimento da RMF apresenta um elevado grau de complexidade, pois é composto por seis reservatórios - Acarape do Meio, Aracoiaba, Pacajus, Pacoti-Riachão e Gavião – integrados por um sistema adutor, composto de canais, túneis e estações de bombeamento. Esse sistema interliga-se à bacia do Rio Jaguaribe, por meio do Eixão das Águas e do Canal do Trabalhador. Atualmente, o Canal do Trabalhador atende apenas a demanda local de algumas comunidades e pequenas irrigações ao longo do seu curso. Em contrapartida, o Eixão, que receberá as águas da Transposição do São Francisco - TSF, está previsto para abastecer, além da RMF, o Complexo Industrial e Portuário do Pecém (CIPP).
Essa interligação do Sistema Jaguaribe-Metropolitanas proporciona uma alta conectividade (rigidez), e um baixo potencial de mudanças, o que o torna vulnerável e exposto a qualquer falha no sistema. A vantagem é que, ao longo tempo, os atores adquiriram a capacidade de gerenciar sua resiliência por meio dos instrumentos de gestão – cobrança, outorga, planos, comitês, etc. – da gestão da oferta e da demanda, da geração de informações
sobre os recursos hídricos, dos processos de alocação negociada de água, que levam em consideração a particularidade de cada local, dentre outros, e tem conseguido manter uma certa estabilidade do sistema.
Em termos de panarquia, deve-se atentar para fato de que o sistema pode estar próximo de uma súbita ruptura na dinâmica expansiva e início de uma dinâmica recessiva, ou seja, pode estar saindo da fase de conservação (K) e caminhando em direção a fase ômega (Ω), caracterizada pela imprevisibilidade e elevado grau incerteza. A partir desta fase, são
7 CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES
O principal objetivo deste trabalho foi descrever o gerenciamento dos recursos hídricos no Ceará, com ênfase no Sistema Jaguaribe-Metropolitanas, a partir dos conceitos de governança adaptativa. Para isso, adaptaram-se os aspectos da resiliência proposto por Walker et al. (2004) à governança adaptativa dos recursos hídricos, considerando novos conceitos: disponibilidade hídrica (latitude), sistema institucional (resistência), precariedade (balanço hídrico), demanda e panarquia.
A disponibilidade hídrica indica a variação da quantidade de água do sistema antes de perder sua capacidade de recuperação. Quanto maior a bacia de atração (disponibilidade hídrica), maior o número de estados de estabilidade que um sistema pode experimentar sem transpor os limites. O sistema institucional dos recursos hídricos implantado indica a resiliência institucional, isto é, a capacidade das instituições se adequarem às mudanças a partir de uma perturbação. A precariedade indica a proximidade que o sistema se encontra de um limiar, podendo ser interpretada como o balanço entre disponibilidade e demandas hídricas. Considerou-se a alteração na demanda como sendo a motivadora de possíveis perturbações no sistema, e a panarquia, a interação entre os estados e as dinâmicas entre os níveis do sistema.
A partir do modelo proposto, analisaram-se as três fases do gerenciamento dos recursos hídricos no Semiárido Brasileiro sob a perspectiva da governança adaptativa, concluindo-se que:
Na primeira fase, conhecida como Fase Voluntarista (1836-1909), o Estado apresentava- se bastante vulnerável e a Sociedade muito exposta à variabilidade e incerteza do clima. No entanto, a partir da construção do açude Cedro, em 1906, o Ceará iniciou, com o aumento da disponibilidade, um processo em busca da adaptação à adversidade para aumentar sua resiliência às variabilidades impostas pela natureza. Em termos de ciclo adaptativo (panarquia), considera-se que o sistema encontra-se no início da fase r em direção a fase K.
A segunda fase, conhecida como Fase Hidráulica (1909-1980), foi marcada pela intensificação da política de construção de reservatórios, pelo surgimento de uma atuação institucional em termos regionais, com a criação do DNOCS e pela construção de um
conhecimento regional sobre a Região e seus recursos naturais. De modo geral, com o aumento da disponibilidade hídrica, a implantação dos perímetros (gerando benefícios sociais) e a geração de conhecimento e informação sobre o Semiárido, o Ceará reduziu sua vulnerabilidade e a exposição da população à seca e às incertezas à ela relacionadas, aumentando, dessa forma, a resiliência do sistema. Em termos de ciclo adaptativo (panarquia), considera-se que o sistema encontra-se ainda na fase r em direção a fase K. Há um aumento do potencial e da conectividade, devido ao aumento da disponibilidade hídrica e da implantação dos mecanismos institucionais.
A terceira fase, conhecida como Fase Estado (a partir de 1980), é marcada por um novo modelo no gerenciamento dos recursos hídricos, onde o maior desafio não é a construção de novas infraestruturas, mas o gerenciamento dos estoques existentes. Além disso, esta fase também caracteriza-se pela evolução da gestão participativa. Percebeu-se que o aumento da disponibilidade hídrica (latitude) e dos mecanismos institucionais (resistência) tornaram o Estado mais resiliente - o que permite experimentar diversos níveis de estabilidade antes de atingir um limiar crítico - e menos vulnerável às secas e à variabilidade intrínseca do Semiárido. Em termos de ciclo adaptativo, observa-se que, nesta fase, houve o aumento do potencial, devido ao aumento do capital socioeconômico, assim como o aumento da eficiência do sistema, retratado pela conectividade entre os reservatórios, por meio dos canais de transposição, além de um significativo fortalecimento do arcabouço institucional.
A problematização do Sistema Jaguaribe-Metropolitanas também foi avaliado sob os novos aspectos propostos para a resiliência, onde pôde-se concluir que a interligação do Sistema Jaguaribe-Metropolitanas, por meio do Eixão das Águas e do Canal do Trabalhador, proporciona uma alta conectividade (rigidez), e um baixo potencial de mudanças. O sistema passa a ser muito dependente de uma única fonte hídrica – o Castanhão - o que o torna vulnerável a qualquer falha que nele ocorra. Apesar desta grande dependência, o sistema tem a seu favor a capacidade, adquirida ao longo do tempo, de gerenciar sua resiliência por meio dos instrumentos de gestão da demanda – cobrança, outorga, planos, comitês, etc. – e dos processos de alocação negociada de água. Em termos de panarquia, deve-se atentar para fato de que o sistema pode estar próximo de uma súbita ruptura na dinâmica expansiva e início de
uma dinâmica recessiva, ou seja, pode estar saindo da fase de conservação (K) e caminhando em direção a fase ômega (Ω), caracterizada pela imprevisibilidade e elevado grau incerteza.
A vulnerabilidade do sistema frente aos cenários de mudança climática foi também analisada sob ótica de governança adaptativa. O sistema foi simulado para dois cenários: um atual, e outro, prospectivo. No cenário prospectivo,utilizaram-se dois cenários de emissões e dois modelos de circulação global. Para avaliação das vulnerabilidades do sistema no século XXI, considerou-se o cenário de emissão A1B. No entanto, para comparar a representação dos modelos para o século XXI com o século XX, foi necessário simular o sistema para o cenário 20C3M, que indica como os modelos do IPCC representam os padrões de variação do século atual. A escolha dos dois modelos se deu em função da disponibilidade de dados para calcular a evapotranspiração.
Verificou-se que, de uma maneira geral, as possíveis mudanças climáticas trarão uma diminuição da resiliência do sistema, uma vez que se detectou maior necessidade de importação de água da Bacia do Rio Jaguaribe para a RMF. Pela ótica da engenharia, a resiliência do Sistema Jaguaribe-Metropolitanas aumentou. No entanto, a sua resiliência ecológica é reduzida, tornando o sistema mais frágil e exposto à variações. Observou-se ainda que os reservatórios do sistema apresentaram maior vulnerabilidade para o século XXI, ou seja, para o cenário A1B.
Apesar de os cenários e modelos de mudança climáticas ainda apresentarem muitas incertezas, a incorporação dessas informações na gestão de recursos hídricos surge como uma nova ferramenta, pois conhecendo-se melhor a natureza, prepara-se melhor para as mudanças.
Um dos grandes desafios dos tomadores de decisão na governança adaptativa é gerenciar em condições de incerteza. Desse modo, para aumentar a resiliência dos sistemas sugere-se: aumentar a integração entre os sistemas sociais, hidrológicos e ecológicos, promover a flexibilidade por meio da aprendizagem do gerenciamento dos recursos hídricos, incorporar previsão climática e proporcionar a gestão dos riscos e da demanda, dentre outras ações.
O contexto do gerenciamento dos recursos hídricos, sob a ótica dos cinco aspectos de resiliência propostos - disponibilidade hídrica (latitude), sistema institucional (resistência), precariedade (balanço hídrico), demanda e panarquia - apresenta uma abordagem diferente para a governança desses recursos. Ela muda o foco para o papel construtivo da instabilidade na manutenção da diversidade e persistência, e para a construção de uma estrutura de gestão
que mantenha a função do sistema diante das perturbações inesperadas. Dessa maneira, enfatiza-se a importância da governança adaptativa, que envolve múltiplos atores em diversos níveis.
Por fim, recomenda-se que pesquisas complementares ao tema tratado sejam realizadas, a fim de informar aos tomadores de decisão essa nova concepção de governança, e promover a construção de um mecanismo de convivência com as incertezas necessária em ambiente de variabilidade e mudança climática. Recomenda-se, ainda, a incorporação do aumento da disponibilidade hídrica da Transferência do São Francisco nas simulações dos cenários climáticos, a variação dos volumes meta na simulação do sistema e a simulação do sistema a partir das projeções das demandas.
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