7. Há quantos anos exerce a sua actividade profissional?
Desde Janeiro de 2009 (data da abertura do Centro Novas Oportunidades).
8. Qual o seu percurso profissional?
De Julho de 1999 a Dezembro de 2008
Técnica de Formação, durante sensivelmente período de 1 ano estive responsável pelo Marketing de Maio de 1997 a Junho de 1999.Contratada em regime de prestação de serviços como formadora (exercendo a função de formadora e de coordenadora da formação) pela FDTI (Fundação para a Divulgação das Tecnologias de Informação)
9.Como foi o Processo de colocação do Cargo de Coordenadora?
Pertencia aos quadros da entidade promotora do Centro e com o surgimento deste projecto, foi-me proposto a Coordenação do mesmo.
II – Percurso de vida Pessoal e Profissional Funções de Coordenação no CNO
1.As suas decisões da actividade profissional foram influenciadas pelos processos de Formação Inicial ou desenvolveram-se no interior profissional. Como?
A Licenciatura base é Gestão, mas sempre exerci a actividade de formadora de formação profissional, desta forma estive sempre ligada aos adultos.
2.De que modo a sua vida familiar e social contribui para a sua formação profissional?
Desde que recebi o convite para Coordenadora tive sempre o apoio da família, desde o momento que assumi esta função, a disponibilidade tem de ser diferente, porque antes entrava às 9h e saía às 17h30, agora tenho que estar mais disponível, porque às vezes as reuniões, sessões de júri e sessões são em horário pós-laboral.
3.Em relação ao seu exercício das suas funções enquanto Coordenadora há quanto tempo exerce estas funções? Sempre neste mesmo Centro?
Desde a abertura do Centro, Janeiro de 2009.
4.Porque fez a opção pelo exercício das suas funções profissionais na área do Programa Novas Oportunidades?
Foi uma nova oportunidade profissional (sorrisos) e um desafio profissional…
III – Formação e Desenvolvimento Profissional
1.Como se actualiza e enriquece a sua actividade profissional no desempenho de funções ao nível das Novas Oportunidades?
Temos alguma dificuldade, em estar presente em todos os acontecimentos promovidos pela ANQ, para nós há sempre a dificuldade como ilhéus. Muita da ajuda é dada, através da Net, da ligação telefónica à ANQ, e recorremos muito à ajuda dos colegas dos outros centros. Recordo que quando iniciamos, sentimos algumas dificuldades porque não tivemos uma formação específica, uma formação de início para a abertura do Centro. A ajuda que tivemos dos outros centros foi fundamental, para podermos ver como funcionavam, ver como eram todos os processos e como desempenhavam toda a actividade.
IV- Posicionamento da Coordenadora sobre o Processo de Reconhecimento Validação Certificação de Competências (RVCC) e o funcionamento dos Centros.
1.Como define o processo de RVCC e o funcionamento do Centro?
O processo de RVCC permite aumentar o nível de qualificação escolar, da população adulta, através do reconhecimento de competências adquiridas ao longo da vida. É um processo com alguma complexidade. Muitas vezes, as pessoas não fazem ideia dos conhecimentos e competência que vão adquirindo ao longo da vida e não as valorizaram. Este processo vai permitir que os adultos reflictam sobre essas as aprendizagens que fizeram ao longo do seu percurso pessoal, social, profissional e formativo e que não foi certificado. No Ensino Regular a formação faz-se a partir dos conteúdos programáticos propostos pelo Sistema Educativo. O horário de funcionamento abrange o período laboral e pós-laboral de modo a permitir que os adultos empregados possam frequentar. A equipa do Centro é constituída por um director, um coordenador, técnico de diagnóstico e encaminhamento, profissionais de RVC, formadores e técnico administrativo. Após os adultos realizarem a sua inscrição no centro, são posteriormente contactados para iniciarem a fase de diagnóstico e encaminhamento, com a ajuda do técnico de diagnóstico, esta etapa permite desenvolver e aprofundar a análise do perfil do adulto. O Encaminhamento é feito mediante a definição do plano de encaminhamento. O adulto é direccionado para a resposta formativa ou educativa mais adequada ao seu perfil e, tendo em conta, as ofertas de qualificação disponíveis a nível regional (RVCC, Cursos de Educação e Formação de Adultos, Cursos Profissionais. Os adultos encaminhados para outras ofertas formativas saem do centro e os que são encaminhados para processo de RVCC continuam connosco. O RVCC desenvolve-se num sistema de sessões colectivas e individuais. A validação das competências é feita a partir do Portefólio Reflexivo de Aprendizagens (PRA) com interacção permanente entre o adulto, o/a técnico/a e os formadores envolvidos, tendo por base o referencial de Competências-Chave. A certificação de competências realiza-se perante um Júri de Certificação constituído pelo Profissional de RVC, pelos Formadores de cada adulto e por um Avaliador Externo. Após este
Processo, elabora-se um Plano de Desenvolvimento Pessoal, tendo em vista a continuação do percurso de qualificação/aprendizagem de cada adulto.
2.Que meses são mais significativas profissionalmente e são determinantes na sua actividade de Coordenadora?
Não lhe posso dizer os meses em concreto, existem fases mais trabalhosas do que outras, lhe posso adiantar que existem picos do Processo, um deles é quando estamos a preparar os adultos para estarem presentes numa sessão de júri.
3.O Plano Estratégico de Intervenção (PEI) está integrado no quadro das várias Actividades da Instituição? (Projecto Educativo da Escola?)
O PEI está integrado na instituição, mas claro que as actividades são diferentes. Os profissionais são contratos pela entidade e não pelo Centro. Os recursos humanos são financiados, nós fazemos através do ajuste directo, nós fazemos o convite a algumas pessoas, e depois é feita uma análise das propostas e a partir daí é feita a colocação. Nós é que fazemos o recrutamento para a nossa equipa do CNO.
4.Fazem dupla Certificação no vosso Centro? (Profissional e Escolar)
Neste momento só temos a Certificação Escolar.
5.Como se faz o Processo por Ciclos, isto é por fases nos vários Ciclos ou linear ao 3º Ciclo? (1º Ciclo, 2º Ciclo e 3º Ciclo?)
Após análise do perfil dos adultos e respectivo encaminhamento são criados grupos de acordo com o nível: nível B2, nível B3 ou secundário. Ao obterem o nível para o qual se inscreveram são aconselhados a continuarem o seu percurso formativo através de processo de RVCC ou outra oferta formativa extra centro, varia consoante o perfil do adulto. No Ensino Regular o programa é aplicado independentemente do perfil humano.
6.Qual é a ligação entre a Teoria (Legislação) e a Prática de Certificação?
Sempre uma ligada à outra. O Centro para poder funcionar tem como base toda a legislação inerente desde a constituição da equipa a todo o processo de certificação. Todo o processo de RVCC é feito com base das metodologias propostas pela ANQ.
7.Qual é a relação entre a sua Equipa de Parceria Interna do Centro e a conjugação com a ANQ, a Secretaria Regional de Educação? E com a Equipa Externa de Avaliação?
Sempre que necessário reunimos com os coordenadores dos outros centros da região e com Coordenadora Regional, que é um pessoa da Secretaria Regional de Educação. Sempre que existe algum evento a ANQ convida todos os centros, mas torna- se muito dispendioso ir daqui a Lisboa para estarmos presentes num evento com a duração de 2horas. Mas sempre que se justifique, nós estamos presentes.
8.Quais são as Empresas ou outras Instituições que estabelecem Protocolos relativamente ao processo de RVCC?
Actualmente temos protocolos celebrados com a SODIPRAVE, McDonald, APRAM, com Associação Desportiva e Recreativa da Água de Pena e Junta de Freguesia de Machico.O protocolo com a Junta de Freguesia de Machico, que serve de Pólo, todo o processo desenvolve-se lá, desde as inscrições até á entrega dos Diplomas.
V- Visão do Coordenador(a) sobre os Adultos em geral
1.Como define as maiores dificuldades sentidas pelos grupos que procuram o Programa Novas Oportunidades, Referencial de Competências? (quer ao nível etário, número de utentes, média de idades, percursos escolares, assiduidade nas Sessões programadas, dificuldades referenciadas no trajecto de passagem pelos diversos módulos e etapas do processo de RVCC, atitudes, comportamentos como se evidenciam, participação dos familiares no processo de RVCC, outras situações relevantes…?) o seu ponto de vista relativamente ao Portefólio Reflexivo de aprendizagens (prescritos na respectiva Legislação) como instrumento de avaliação? (Há dominantes nas Histórias de Vida dos Adultos que são decisivas para o processo de RVCC?
Os Adultos em termos conceptuais apresentam dificuldades em integrar as suas actividades do seu dia-a-dia, da sua experiência de vida, nos seus Portefólios, têm muitas dificuldades de abstracção, e depois depende da área em que apresentam mais lacunas de dificuldades. É sempre a partir dos Referenciais, damos sempre umas
orientações de quais são as fases mais importantes da vida que os Adultos devem colar nas Histórias de Vida. É curioso o que por vezes certos os Adultos pensam que são critérios de evidência para eles, normalmente não são, eles precisam de fazer e reflectir e integrar respectivamente nas Histórias de Vida, mas com rigor científico.
2.Normalmente qual é a origem social dos Adultos? (Classe social predominante?)
É difícil de classificar, temos Adultos que relatam que deixaram de estudar para ir trabalhar em casa, cuidar dos irmãos… outras situações em que referem que repetiram muitas vezes na escola e foram trabalhar e depois eram para voltar estudar mas já não voltaram. Começam a ganhar autonomia financeira e depois desistem do investimento académico.
3.Quais são as motivações, expectativas, dos Adultos quando procuram os Centros das Novas Oportunidades?
Alguns Adultos estão motivados por motivos profissionais, outros por motivos escolares… Outros por voltarem ao Centro, por exemplo porque na altura já deixaram de estudar, e não tinham meios disponíveis, por exemplo por causa dos filhos, e agora que já estão licenciados pensam no regresso e querem aumentar as suas qualificações académicas, aumentar o seu nível de escolaridade. É assim, as motivações podem ser diferentes, mas o motivo ou é profissional ou pessoal (é uma fase de vida em que querem agora pensar em si e investirem).
VI- Condições de sucesso e insucesso em geral
1.O que costumam indicar para o acompanhamento dos Adultos que apresentam maiores dificuldades, quer de aprendizagem, quer económicas?
Os Adultos pagam de 5 euros por estarem a assinar o contrato e 20 euros que é uma taxa de início do processo. Há situações que acontecem, quando as pessoas são de Machico nós optámos para fazer lá, exactamente com esta preocupação de económica para os Adultos. Por exemplo, para os Adultos de Santa Cruz informamos que temos um Polo em Machico e normalmente, preferem ir para Machico. Sempre que as pessoas vêm cá ao Centro ao Funchal, nós questionamos
2.Os dados Estatísticos referentes à população que frequentou e está em frequência no seu Centro das Novas Oportunidades correspondem às suas expectativas?
Em relação ao número de inscritos nós ultrapassamos o número que estava nas nossas expectativas, mas relativamente ao número de certificados será mais difícil atingir. É assim, nós temos metas para atingir, mas nós olhamos também para a qualidade do processo de RVCC. Não podemos ultrapassar a qualidade do Processo e trabalhar para a quantidade.
VI- Estratégias e posicionamento face ao Sistema Educativo Actual
1.Qual é a sua opinião entre um Diploma obtido através do processo de RVCC e o obtido através do percurso normal académico?
Acho que deve ser valorizados de forma igual.
2.Como se processa a constituição do Júri de Avaliação Final?
O Júri é composto por toda a Equipa de esteve ao longo do tempo do Processo de cada grupo, (o Formador de cada Área, o Profissional de RVCC) o Avaliador Externo. Terminado o Processo, validado pela Equipa, fica no Portefólio a opinião da Equipa, com o Relatório de Equipa, que depois é entregue ao Avaliador Externo que lê e acompanha o Portefólio. É desta forma que se organiza a constituição de um Júri do processo de RVCC.
VII- Transição dos Adultos Qualificados para o Mercado de Trabalho
3. Quais são as dificuldades que os Adultos são confrontados após a Certificação e integração no Mercado de Trabalho?
Ainda é muito cedo para fazermos essa avaliação, os primeiros Adultos foram certificados em Dezembro, e ainda não entregámos os Diplomas porque nós temos a entidade certificadora e ainda não está disponível nos diplomas, mas agora já tenho a parceria, tudo está formalizado, já enviei os nomes para Lisboa, e já integrei na base de dados e agora estamos a aguardar. No entanto recordo que tínhamos algumas pessoas deste grupo que estavam à espera do Certificado porque estavam a fazer um curso de Auxiliares de Educadores de Infância e só lhe passavam o Diploma, que estava
condicionado com a escolaridade. Tínhamos também 2 desempregadas, mas continuam desempregadas, o outro grupo já estava a trabalhar, mas era só mesmo para valorização pessoal e profissional.
VIII- Satisfação/Insatisfação da Coordenadora
1.Qual é o balanço que faz ao funcionamento do seu Centro Novas Oportunidades enquanto Coordenadora do processo de RVCC?
Acho que é positivo, dadas as dificuldades que as pessoas colocam, não temos ainda assim uma taxa muito elevada de desistências. Há pessoas que tentam desistir, mas tentamos motivá-las e vamos assim formando mais alguns grupos.
2.Gostaríamos para terminar, de agradecer a sua preciosa colaboração e disponibilidade. Será que quer referir qualquer situação ou pormenor sobre o qual não tivéssemos perguntado e que considere importante?
Penso que falamos de tudo no geral e estou disponível para qualquer esclarecimento sobre o processo de RVCC.
Muito obrigada por ter participado neste Processo de Investigação. Manuela Pereira
APENDICE J:
Codificação das disjunções e associações na análise do corpus – Análise estrutural