6 Netto driftsresultat
6.5 Korrigert netto driftsresultat
A qualidade de vida avaliada pela escala global OHIP-14-MID-PT é percecionada como superior pelos indivíduos institucionalizados e por aqueles que apresentam vínculos mais duradouros à instituição. Os resultados obtidos também demonstraram que a prevalência de doenças orais e a necessidade de tratamentos médico-dentários e de medidas de atuação preventiva observadas, ainda que não estatisticamente significativas, são menores nos indivíduos portadores de deficiência intelectual leve institucionalizados, do que nos indivíduos que vivem sozinhos ou acompanhados e integrados na sociedade.
Alguns estudos mostram que a desinstitucionalização propicia a falta de assistência e acesso aos serviços de atendimento médico-dentário (69,71). Embora o objetivo de mudar as pessoas para fora das instituições e colocá-las em ambientes residenciais menores seja procurar normalizar as suas vidas, tal atitude tem-se demonstrado desvantajosa no que se refere a cuidados de saúde oral. Além disso, há evidência de que este processo de "normalização" e de maior independência pode levar a um aumento das doenças orais, devido a cuidados diários menos rigorosos e a uma menor supervisão da dieta (71). De facto, Stanfield et al. (342) revelaram inúmeros problemas associados aos cuidados de saúde oral, em pessoas portadoras de deficiência de aprendizagem leve, após a sua reintrodução na comunidade, e verificaram que estes eram menos propensos a fazer exames e receber tratamentos médico-dentários regulares (69). De igual forma, Tiller et al. (91), no seu estudo referente ao estado de saúde oral e utilização de serviços médico-dentários em adultos portadores de deficiências de aprendizagem, constataram que, embora os indivíduos que viviam em diferentes contextos residenciais (comunidade ou instituições residenciais) apresentassem semelhantes valores de CPO, aqueles que viviam integrados na comunidade apresentavam valores significativamente mais elevados de cáries não tratadas e pior higiene oral. Estes autores (91) verificaram ainda que aqueles que viviam na comunidade eram significativamente menos propensos a ir a uma consulta do médico dentista e a fazer uso dos serviços médico-dentários comunitários, do que
Saúde oral e qualidade de vida da pessoa portadora de deficiência intelectual leve
125
os seus equivalentes residenciais. Também o nosso estudo demonstrou que a percentagem de indivíduos que foram a uma consulta médico-dentária há menos de 12 meses é superior nos indivíduos institucionalizados, enquanto que a percentagem daqueles que foram há mais de 5 anos e entre 1 e 5 anos é superior nos não institucionalizados. Pradhan et al. (27,69), no seu estudo comparativo de acesso aos cuidados médico-dentários em adultos portadores de deficiências físicas e intelectuais e com diferentes tipologias de residência, afirmam, também, que o facto de o atendimento médico-dentário ser superior em pessoas que vivem em instituições pode ser atribuído aos acordos formais existentes entre estas e os serviços públicos de saúde, na população em estudo. Também Phadraig et al. (321) verificam que os serviços médico-dentários com financiamento público são habituais em instituições de apoio na Irlanda, não sendo tão facilmente abrangidas por esse sistema pessoas fora dos serviços residenciais.No nosso estudo, tendo em conta a inexistência deste apoio direto, por parte do setor público, aos indivíduos institucionalizados, podemos considerar que os melhores resultados associados às pessoas institucionalizadas se possa dever, em parte, à presença de cuidadores bem preparados e à maior orientação e controlo na realização da higiene oral diária (71). Aliás, Pan et al. (320) indicam, como possíveis causas para os indivíduos que vivem em ambientes familiares apresentarem piores condições orais do que indivíduos institucionalizados, o facto de as famílias estarem frequentemente mais preocupadas com doenças sistémicas do que propriamente com a condição oral, a falta de consciência acerca da importância da higiene oral, e o facto de esta ser frequentemente entendida como sendo da responsabilidade do próprio indivíduo. Contudo, os resultados obtidos por estes autores (320) demonstram que mesmo que os participantes tenham habilidades básicas de auto cuidado, tal não significa que sejam capazes de realizar uma higiene oral de forma eficaz. Para além disso, as suas famílias, por já estarem exaustas pelo ónus do cuidado, optam, por vezes, por ignorar as questões relacionadas com a saúde oral, considerando-as, erroneamente, como secundárias. Também Binkley et al. (38) referem que o acesso a cuidadores treinados torna-se limitado com a desinstitucionalização, e que tal pode condicionar o estado de saúde oral. Acerca das boas práticas a adotar pelos cuidadores no auxílio à saúde oral das pessoas portadoras de deficiência, e de como lidar com os desafios que esta atividade impõe a todos aqueles que, de uma ou de outra forma, se encontram envolvidos neste processo, veja-se (331,343).
Prova de que a saúde oral e, consequentemente, a qualidade de vida de muitas pessoas portadoras de deficiência intelectual depende largamente dos conhecimentos, atitudes e práticas dos seus cuidadores (90), é que, ainda que nem sempre a formação e os conhecimentos dos cuidadores sejam os mais adequados, a qualidade de vida relacionada com a saúde oral foi, no presente estudo, percecionada como superior por quem vive com outros familiares ou com os pais, em comparação aos que vivem sozinhos.
Vários outros estudos também fazem referência a uma ida mais regular ao médico dentista por parte das pessoas portadoras de deficiência intelectual quando estas residem em
Saúde oral e qualidade de vida da pessoa portadora de deficiência intelectual leve
126
configurações residenciais mais controladas (69,91,321,342), embora o estudo de Kancherla et
al. (344) não tenha encontrado associações entre as visitas ao médico dentista e o contexto de
habitação.
Saliente-se, porém, que, apesar das diferenças encontradas entre indivíduos institucionalizados e não institucionalizados no presente estudo, com vantagem para os primeiros, ambos os grupos apresentam elevados problemas de saúde oral com impacto importante a severo na saúde, bem como um fraco estado de higiene oral e uma elevada necessidade de tratamentos médico-dentários, quando comparados com a população em geral.