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RESUMO – O objetivo do trabalho foi avaliar o efeito da adoção de diferentes níveis de tecnologia no desempenho e na produtividade de sistemas de produção de bovinos de corte nas fases de recria e terminação. Avaliaram-se os dados de 144 bovinos mestiços não castrados, com 8 meses e média de 210,69 kg ao início do experimento, que foram submetidos a planos nutricionais crescente, contínuo e decrescente na recria e terminados no pasto ou confinamento. Na recria comparou o fornecimento de sal mineral com ureia; 0,1% do peso corporal de suplemento proteico e 0,5% do peso corporal de suplemento proteico energético, durante a seca. Nas águas comparou o fornecimento de sal mineral; 0,1% do peso corporal de suplemento proteico e 0,5% do peso corporal de suplemento proteico energético. Posteriormente os animais foram terminados no pasto ou no confinamento. Na transição entre seca e águas, os tratamentos da seca foram divididos sendo 1/3 dos animais distribuído em cada tratamento das águas. Na terminação 50% de cada subgrupo da recria foi avaliado em um dos tratamentos. Tanto na seca quanto nas águas o desempenho se elevou com o aumento no nível da suplementação. Houve efeito (P<0,05) dos tratamentos na idade de abate que reduziu com o aumento da intensificação. O confinamento reduziu em 106 dias a terminação dos animais, além de proporcionar carcaças com melhor acabamento.

INTRODUÇÃO

Na última década o Brasil alcançou a posição de terceiro maior exportador mundial de produtos agrícolas e de maior exportador de carne bovina. Porém, a potencialidade comercial futura torna-se dependente do aperfeiçoamento tanto quantitativo quanto qualitativo do produto ofertado. A abertura de novas áreas para produção reflete negativamente no produto brasileiro, principalmente quando associada ao desmatamento. Sendo assim, a ampliação na capacidade de produção tem que ser focada na exploração mais eficiente das áreas já utilizadas, ou seja, aumento da produtividade através da intensificação dos meios de produção.

A intensificação da produção de gado de corte implica, entre outros fatores, em acelerar o crescimento e a terminação dos bovinos, de modo a promover o abate em idade cada vez mais precoce, permitindo a obtenção de carne de melhor qualidade para comercialização (SANTOS et al., 2004).

Historicamente, em consequência de regime alimentar tradicional, os animais alternam períodos de perda de peso durante a estação seca e período de recuperação de ganho de peso durante a estação chuvosa. Tal realidade gera variações na oferta de bois gordos determinando a ocorrência de safra e entressafra. Os autores ressaltam que o desenvolvimento da tecnologia de confinamento e de suplementação a pasto talvez seja o que apresentou maior incremento nos últimos vinte anos, sendo que a meta de um programa de suplementação para bovinos em pastejo é comumente maximizar o consumo e a utilização da forragem (PAULINO et al., 2008 a).

Como o desempenho animal é obtido pela interação da forragem disponível e das exigências nutricionais, se torna necessário promover a suplementação, já que, quando se pretende maximizar o desempenho, raramente a forragem atende às exigências nutricionais necessárias (REIS et al., 2009). Assim, a suplementação, seja na fase de recria ou de terminação permite reduzir o tempo de abate, aumentar o desfrute e o giro de capital sendo imprescindíveis o conhecimento da estrutura do pasto, composição química e as variações observadas ao longo do ano, para a

formulação dos suplementos que otimizem o consumo, a digestibilidade da forragem, e consequentemente o desempenho animal.

De acordo com PAULINO et al. (2010), o caminho para a sustentabilidade na bovinocultura de corte passa pela redução do tempo de produção, obtendo-se uma unidade de produto de qualidade conhecida e superior, produzida em períodos e custos cada vez menores. Neste estádio de desenvolvimento do sistema, o programa nutricional não deve ser afetado pelos fatores climáticos, garantindo o desenvolvimento animal, independente de limitações ou flutuações climáticas.

O objetivo do trabalho foi avaliar o desempenho de bovinos de corte que foram submetidos a três níveis de suplementação da dieta durante a estação da seca, três níveis durante a estação das águas e posteriormente terminados em pastagem ou confinamento.

Avaliar o efeito de planos nutricionais crescente, contínuo e decrescente em função de diferentes estratégias de suplementação da dieta durante a fase de recria e terminação, no desempenho de bovinos de corte.

Avaliar a produtividade e a viabilidade econômica de sistemas de produção de bovinos de corte com adoção de diferentes níveis de tecnologia nas fases de recria e terminação.

MATERIAL E MÉTODOS Local e clima

O experimento foi realizado, na unidade de pesquisa do Pólo Regional de Desenvolvimento Tecnológico dos Agronegócios da Alta Mogiana (PRDTA – Alta Mogiana), em Colina – SP, órgão da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo.

O PRDTA – Alta Mogiana está localizado no município de Colina, Estado de São Paulo (latitude de 20º 43' 05" S; longitude 48º 32' 38" W), O clima da região é do tipo AW (segundo classificação de Köppen), onde a temperatura média do mês mais quente

superior a 22º C e do mês mais frio superior a 18º C. As precipitações pluviais mensais médias, coletadas na unidade de pesquisa, nos últimos anos mostraram que de outubro a maio ocorreram 1222 mm, correspondendo a 93,7% do total anual; enquanto que de junho a setembro choveu 82 mm, representando 6,3%. O solo do local é classificado como latossolo vermelho-escuro, fase arenosa, com topografia quase plana e de boa drenagem.

Área experimental

Conduziu-se o experimento em uma área de 54,23 hectares da unidade de pesquisa, onde, em outubro de 2003, foi montou-se uma estrutura de pastejo rotacionado. De início foram feitas calagem e fosfatagem sendo posteriormente implantada uma pastagem de Brachiaria brizantha (Hochst. ex. A. Rich.) Stapf. cv Marandu e que foi utilizada em manejo orgânico por um período de 36 meses. Ela é constituída de 3 módulos de pastejo rotacionado com 6 piquetes de áreas iguais cada um. Eles foram identificados como módulo 1, que possui área de 14,46 ha (2,41 ha/piquete), módulo 2 com área total de 21,76 ha (3,44 ha/piquete) e módulo 3 com área total de 13,12 ha (2,16 ha/piquete). Em cada módulo foi construído uma praça central, de formato circular, contendo bebedouro com capacidade de 1500 litros e cochos para fornecimento de suplementos.

Durante a estação das águas todos os piquetes foram adubados com uma dosagem de 200 kg de nitrogênio por hectare, divididos em quatro aplicações. Para a adubação foi usado ureia agrícola aplicada a lanço com adubadeira pendular acoplada ao trator.

Além da área de pastejo, também foi utilizado um confinamento experimental com 60 baias individuais de 10 m2 de área, sendo metade coberta, contendo cocho para fornecimento de ração e bebedouro.

Avaliou-se no experimento um ciclo de produção de bovinos de corte compreendendo as fases de recria e terminação dos animais. A fase de recria foi dividida em duas etapas, sendo que a etapa 1, quando os animais foram avaliados durante a estação da seca, teve início em 06 de junho e sendo encerrada em 10 de outubro de 2008. A segunda etapa (etapa 2) foi subsequente à primeira, se estendendo até 20 de junho de 2009, quando os animais foram avaliados durante a estação das águas. A última fase do experimento (etapa 3) compreendeu a terminação dos animais quando foram avaliados até atingirem o peso corporal de 500 kg, sendo que esse período foi distinto entre os animais em função do desempenho apresentado ao longo do período experimental. O período de avaliação foi encerrado em 07 de fevereiro de 2010 quando o último lote de animais atingiu o peso final de abate.

Previamente à primeira etapa, foi adotado um período de 10 dias para adaptação dos animais às condições do experimento. Os animais, na estação seca, foram avaliados durante 3 ciclos de pastejo (126 dias) sendo esta etapa encerrada com a ocorrência das primeiras chuvas, que no ano em questão ocorreram em outubro. Durante a estação das águas os animais foram avaliados durante 252 dias sendo o período experimental encerrado ao final do 9º ciclo de pastejo, com a redução na freqüência e intensidade das precipitações, tendo início o período de terminação.

Tratamentos experimentais

Os tratamentos foram elaborados para avaliar o desempenho de bovinos de corte em níveis de suplementação baixo, médio e alto durante a fase de recria e dois sistemas de manejo na fase de terminação, com animais terminados no pasto e em confinamento. Na estação da seca (etapa 1) os animais foram submetidos a três níveis de suplementação da dieta de acordo com os tratamentos que foram assim compostos: ▪ TS/SU – tratamento de seca com fornecimento de sal mineral com ureia “ad libitum”; ▪ TS/SP – tratamento de seca com fornecimento de 0,1% do peso corporal de suplemento proteico de seca;

▪ TS/SPE – tratamento de seca com fornecimento de 0,5% do peso corporal de suplemento proteico energético.

Na segunda etapa (estação das águas), da mesma forma que na anterior, foram adotados três tratamentos para avaliar os animais em níveis baixo, médio e alto de suplementação, sendo compostos como se segue:

▪ TA/SM – tratamento de águas com fornecimento de sal mineral “ad libitum”;

▪ TA/SP – tratamento de águas com fornecimento de 0,1% do peso corporal de suplemento proteico de verão;

▪ TA/SPE – tratamento de águas com fornecimento de 0,5% do peso corporal de suplemento proteico energético.

Foram utilizados na suplementação dos animais, em todas as etapas de avaliação, produtos comerciais fornecidos por empresa de nutrição. Os suplementos protéicos, de seca e de verão, e o suplemento protéico energético continham em sua composição básica milho integral moído, farelo de algodão, farelo de polpa cítrica, fosfato bicálcico e uréia pecuária, além do aditivo promotor de crescimento monensina sódica.

Na Tabela 1 são apresentados as concentrações dos nutrientes, com base na matéria seca, disponíveis nos suplementos fornecidos aos animais nos tratamentos das etapas 1 e 2.

Tabela 1- Níveis dos nutrientes nos suplementos fornecidos para os tratamentos da etapa 1 (estação seca) e etapa 2 (estação das águas), com base na matéria seca.

Nutriente

Tratamento

Etapa 1 (seca) Etapa 2 (águas) TS/SU1 TS/SP TS/SPE TA/SM2 TA/SP TA/SPE Proteína bruta (%) 88,82 56,50 27,78 - 33,30 27,78 NDT (%) - - 66,67 - - 66,67 NNP - Equiv. Proteína (%) 88,82 36,10 10,23 - 14,40 10,23 Cálcio (g/kg) 84,21 73,30 25,50 163,16 85,50 25,50 Fósforo (g/kg) 42,10 16,67 6,67 84,21 22,20 6,67 Monensina (mg/kg) - 222,20 88,89 - 222,20 88,89 TS/SU – trat. seca/sal mineral com ureia; TS/SP – trat. seca/0,1% do PC de suplemento proteico de seca; TS/SPE – trat. seca/0,5% do PC de suplemento proteico energético; TA/SM – trat. águas/sal mineral; TA/SP – trat. águas/0,1% do PC de suplemento proteico de verão; TA/SPE – trat. águas/ 0,5% do PC de suplemento proteico energético.

NDT – nutrientes digestíveis totais; NNP – nitrogênio não proteico.

1 - Composição do sal mineral com ureia: Mg 5,0 g/kg; S 40,0 g/kg; Na 100,0 g/kg; Cu 520,0 mg/kg; Mn 400,0 mg/kg; Zn 1925,0 mg/kg; I 38,0 mg/kg; Co 30,0 mg/kg; Se 10,0 mg/kg.

2 - Composição do sal mineral: Mg 10,0 g/kg; S 40,0 g/kg; Na 130,0 g/kg; Cu 1350,0 mg/kg; Mn 1040,0 mg/kg; Zn 5000,0 mg/kg; I 100,0 mg/kg; Co 80,0 mg/kg; Se 26,0 mg/kg.

Na última etapa do experimento, compararam-se dois sistemas de terminação de bovinos de corte, compondo os seguintes tratamentos experimentais:

▪ TP – terminação no pasto;

▪ TC – terminação no confinamento.

Para os animais avaliados no pasto foi fornecido um suplemento proteico energético em uma quantidade de 0,5% do peso corporal médio do lote. Foi utilizado produto comercial, fornecido por empresa de nutrição, que apresentava em sua composição básica milho integral moído, farelo de algodão, farelo de polpa cítrica, fosfato bicálcico e ureia pecuária, além do aditivo promotor de crescimento monensina sódica.

No confinamento os animais receberam uma dieta composta por 50% de silagem de milho e 50% de concentrado. A silagem foi confeccionada na própria unidade de pesquisa e apresentou, em análise realizada no laboratório, 7,65% de PB e 58,91% de FDN. O concentrado apresentava em sua composição básica polpa cítrica (52,65%); casca de soja (25,0%); farelo de soja 46% (3,8%); farelo de algodão 38% (11,49%);

minerais (4,10%) e ureia pecuária (2,95%), sendo esta dieta formulada para proporcionar ganho médio diário de 1,350 kg aos animais do confinamento.

Na Tabela 2 são apresentados os níveis de nutrientes do suplemento fornecido aos animais terminados no pasto (TP) e da dieta fornecida aos animais terminados em confinamento (TC).

Tabela 2 - Níveis dos nutrientes, com base na matéria seca, do suplemento fornecido aos animais do tratamento TP (Terminação no pasto) e do concentrado e da dieta dos animais do tratamento TC (Terminação no confinamento).

Nutriente TP TC

Conc. Dieta total

Proteína bruta (%) 27,78 22,27 14,76 NDT (%) 66,67 65,13 64,70 NNP - Equiv. Proteína (%) 10,23 8,68 4,16 Cálcio (g/kg) 25,50 22,11 12,61 Fósforo (g/kg) 6,67 4,74 3,22 Monensina (mg/kg) 88,89 - -

TP – terminação no pasto; TC – terminação no confinamento. NDT – nutrientes digestíveis totais; NNP – nitrogênio não proteico. Animais experimentais

Foram avaliados durante o experimento 144 bovinos não castrados, com idade média de 8 meses e peso corporal médio de 210,69 kg ao início do experimento. Esses animais experimentais eram provenientes de rebanho comercial, sendo filhos de vacas mestiças de raças de corte (Taurino x Zebuíno) e que foram acasaladas com touros das raças Angus ou Brangus.

Dentro do lote de animais foram selecionados 108 bezerros que tiveram seus dados avaliados durante todo o experimento, sendo considerados como animais “teste”. Os outros 36 animais foram abatidos nas transições das etapas de avaliação tendo seus dados de carcaça utilizados como referência para etapas posteriores.

Ao início da primeira etapa do experimento os animais foram divididos em três grupos de 48 animais formando lotes com peso corporal médio equilibrado. Cada lote foi alojado em um dos módulos de pastejo e foram submetidos aos tratamentos de seca

que foram distribuídos entre os módulos através de sorteio. Animais extras foram utilizados para que os três módulos de pastejo iniciassem o experimento com oferta de forragem inicial equilibrada.

Na transição da estação da seca para a estação das águas foram abatidos três animais de cada lote avaliado durante a etapa 1 para terem seus dados de carcaça utilizados como referência para a etapa posterior, sendo selecionados os animais que apresentaram peso corporal mais próximo do peso corporal médio de seu respectivo lote. Na transição entre as etapas 1 e 2 cada grupo de animal avaliado durante a estação da seca foi divido em 3 subgrupos, formando-se dessa maneira nove subgrupos de peso corporal médio equilibrado. Os subgrupos sorteados para o mesmo tratamento da estação das águas foram agrupados e alojados no mesmo módulo de pastejo, formado assim três novos grupos de animais, sendo cada um composto por 1/3 dos animais de cada grupo da etapa anterior (Figura1).

Figura 1 - Representação esquemática do desenvolvimento do experimento.

RECRIA

TERMINAÇÃO

Estação seca Estação das águas

TS/SU

Sal mineral com ureia 36 animais “teste”

TA/SM – 12 animais “teste” Sal mineral

TP - 6 animais “teste” TC - 6 animais “teste” TA/SP - 12 animais “teste”

Suplemento proteico (0,1% PC)

TP - 6 animais “teste” TC - 6 animais “teste” TA/SPE – 12 animais “teste”

Suplemento proteico energético (0,5% PC) TP - 6 animais “teste” TC - 6 animais “teste”

TS/SP Suplemento proteico

(0,1% PC) 36 animais “teste”

TA/SM – 12 animais “teste”

Sal mineral TP - 6 animais “teste” TC - 6 animais “teste” TA/SP - 12 animais “teste”

Suplemento proteico (0,1% PC)

TP - 6 animais “teste” TC - 6 animais “teste” TA/SPE – 12 animais “teste”

Suplemento proteico energético (0,5% PC)

TP - 6 animais “teste” TC - 6 animais “teste” TS/SPE Suplemento proteico energético (0,5% PC) 36 animais “teste”

TA/SM – 12 animais “teste” Sal mineral

TP - 6 animais “teste” TC - 6 animais “teste” TA/SP - 12 animais “teste”

Suplemento proteico (0,1% PC)

TP - 6 animais “teste” TC - 6 animais “teste” TA/SPE – 12 animais “teste”

Suplemento proteico energético (0,5% PC)

TP - 6 animais “teste” TC - 6 animais “teste”

Durante a fase de recria, os animais foram manejados em sistema de pastejo intermitente, com sete dias de ocupação e 35 dias de descanso em cada piquete, perfazendo ciclos de pastejo de 42 dias.

Os suplementos de médio e alto nível nutricional foram fornecidos diariamente no período da manhã em cochos distribuídos nas praças de alimentação disponibilizando uma área aproximada de 0,4m linear de cocho por animal. A quantidade fornecida foi ajustada após as pesagens realizadas ao final de cada ciclo de pastejo (42 dias) em função do peso corporal médio e número de animais do lote. Nos tratamentos de baixo nível nutricional, em que os animais receberam sal mineral, com ou sem ureia, o suplemento ficou disponível em cochos cobertos, sendo reposto conforme a necessidade de forma a permitir o livre consumo pelos animais. Ao final de cada ciclo as sobras foram retiradas, secas em estufa e pesadas para estimar o consumo médio por animal de suplemento mineral.

Para facilitar no manejo, ao início do experimento, os animais de cada grupo foram identificados com brincos de cores diferentes, e marcados a ferro na perna esquerda com numeração de três dígitos, sendo o primeiro dígito correspondente ao módulo em que o grupo foi alojado e os outros dois de forma sequencial identificando individualmente o animal.

Durante as atividades de pesagem e identificação todos os animais receberam uma dose de ivermectina para controle de endo e ectoparasita. No decorrer do experimento foram realizados outros tratamentos sanitários, de acordo com a necessidade dos animais, além de vacinações contra aftosa e carbúnculo sintomático conforme procedimentos adotados para o rebanho da fazenda experimental.

No decorrer do período experimental os animais foram pesados em intervalos de 42 dias, ao final de cada ciclo de pastejo, sendo as pesagens realizadas sempre no período da manhã sem jejum prévio.

Ao final da estação das águas, na transição da fase de recria para fase de terminação, foram abatidos três animais de cada subgrupo formado na etapa 2 para terem seus dados de carcaça utilizados como referência para a etapa posterior. Foram selecionados 27 animais seguindo o mesmo procedimento adotado ao final da etapa 1.

Durante a terminação os animais foram avaliados em dois sistemas de manejo, onde um grupo foi terminado no pasto e outro em confinamento. Cada lote avaliado nessa etapa foi formado pela divisão dos subgrupos provenientes da recria, sendo composto por 50% dos animais de cada um, conforme mostrado na Figura 1.

Dessa forma, ao final do período experimental obtiveram-se grupos de animais que foram submetidos a nove estratégias de suplementação na fase de recria e 18 estratégias na fase de terminação, passando por planos nutricionais crescente, contínuo e decrescente.

Na etapa 3 (terminação) as pesagens dos animais, tanto do pasto quanto do confinamento foram realizadas em intervalos de 21 dias, sempre pela manhã e sem jejum prévio, sendo o primeiro ciclo utilizado como adaptação para condicionamento dos animais às condições do experimento.

Os animais terminados no pasto foram manejados em sistema de rotação com sete dias de ocupação e 35 dias de descanso em cada piquete, perfazendo ciclos de pastejo de 42 dias. Esse grupo de animais foi dividido em três lotes de peso corporal semelhante, sendo cada um alojado em um dos módulos de pastejo onde foram submetidos ao mesmo manejo. O suplemento foi fornecido diariamente no período da manhã em cochos distribuídos nas praças de alimentação disponibilizando área aproximada de 0,4m linear de cocho por animal, sendo o fornecimento ajustado a cada 21 dias em função do peso corporal médio e número de animais do lote. No decorrer do período experimental, à medida que o número de animais por lote foi diminuindo, com o abate dos animais que alcançaram o peso final, os animais foram sendo reagrupados em um mesmo módulo de pastejo.

No confinamento, os animais receberam uma única refeição, pela manhã, em quantidade que permitia consumo a vontade pelos animais. Previamente ao fornecimento da dieta as sobras dos cochos foram retiradas e pesadas diariamente para controle do consumo individual, sendo ajustadas para permitir sobras entre 5 e 10% do fornecido. Duas vezes por semana, amostras das sobras, do volumoso e do concentrado fornecidos, foram coletadas e congeladas. As amostras de sobras foram processadas a cada 21 dias, sendo descongeladas e homogeneizadas formando uma

amostra composta para cada animal da qual se retirou uma porção que foi pesada e seca em estufa de ventilação forçada a 60º C, por 72 horas para determinação da matéria pré-seca. Essas amostras foram moídas e guardadas para serem analisadas, sendo os dados utilizados para estimar o consumo dos animais.

As avaliações de desempenho foram baseadas no ganho médio diário (GMD) dos animais “teste”, que foi calculado em função do peso corporal inicial (PCI) e final (PCF), sendo os dados de pesagem dos animais referência e de ajuste utilizados para o