A região de Itapema apresenta clima subtropical úmido, com duas estações climáticas bem definidas: inverno e verão. A temperatura média anual é de 20ºC, com oscilações térmicas entre 17ºC e 35ºC. O inverno é frio, com oscilações que variam de 8ºC a 20ºC. A umidade média do ar fica em torno de 85%, favorecidas pelas correntes marinhas, impedindo formação de massas de ar seco por muito tempo na região. O nível de precipitação anual varia em torno de 1.700 mm, distribuídos ao longo de todo o ano, com maior predominância no verão.
O relevo do litoral catarinense é caracterizado por uma planície costeira, que se estende entre o Oceano Atlântico e os contrafortes da Serra do Mar. A faixa litorânea cobre uma extensão de 500 km junto ao mar no sentido norte-sul desde Itapoá, ao norte, na divisa com o estado do Paraná até Passo de Torres, fronteira com o estado do Rio Grande do Sul (FARIAS, 1999).
A cobertura vegetal é constituída por diferentes tipos de formações vegetais que variam de acordo com o solo e o relevo. Nas encostas dos morros se desenvolve a vegetação de Floresta Ombrófila Densa Submontana, a qual está em diferentes estágios de regeneração. Na planície litorânea, localizada na porção leste, ocorre a Floresta Ombrófila Densa de Terras Baixas (Florestas de planície Quaternária - vegetação de transição – Mata Atlântica), vegetação de restinga junto à orla, vegetação de costões rochosos e, na desembocadura do rio Perequê, desenvolve-se mata ciliar com espécies de manguezal, devido à influência fluvial e marinha nos solos lodosos, vegetações estas que já foram praticamente devastadas por causa da crescente urbanização do município (ANJOS, 2004; IBGE, 1991). Na região de planície, marcada por coberturas vegetais secundárias, encontram-se variedades de árvores frutíferas plantadas pelo homem, como também Capões do Mato, Cambuí e outras árvores de pequeno porte (FARIAS, 1999). O solo predominante no município é argilo-arenoso.
A fauna terrestre presente na região é variada, porém, muitas das espécies foram extintas, como a onça, o veado, a capivara, a jaguatirica, o tamanduá. Outras podem ser vistas, em maior ou menor quantidade, como macacos, quati, tatu, graxaim, gambá e lebre. Além dos animais quadrúpedes, as aves encontradas são: gaviões (símbolo do município), aracuã, inhambu, macuco, jacu, jacupema, garças, tesouras, urubus, canários, papagaios, sabiás, saíras, etc. (FARIAS, 1999). Itapema é uma das cidades do Estado com a maior diversidade de anfíbios (CUNHA, 2010). Das 140 espécies listadas para Santa Catarina encontraram-se 63 para a região. Tratando-se de répteis, Cunha (2010) explica que, em levantamento realizado, foram registradas apenas 16 espécies, apesar disso foi possível levantar espécies de quase todos os grupos de répteis. Quanto à ictiologia foram encontradas espécies indicadoras de locais bem preservados. Foram listadas 23 espécies de mamíferos, destas 8 são consideradas ameaçadas em âmbito nacional ou regional (CUNHA, 2010).
O município de Itapema faz parte do conjunto geomorfológico denominado regionalmente de Serra do Tabuleiro/Itajaí e Planície Costeira. Em nível microrregional a serra é chamada de Tijucas e recebe as denominações de Areal ou Macacos, do Cantagalo, e do Encano. O ponto mais elevado do relevo de Itapema chega a 660 metros e fica na Serra do Cantagalo. As terras mais baixas são integrantes das microbacias dos rios Tijucas, Perequê, São Paulino e Fabrício, que, com exceção da do rio Tijucas, são de pequenas dimensões.
A hidrografia de Itapema se compõe de três microbacias principais que possuem suas nascentes nos morros do município; na direção norte-sul, tem-se a do rio da Mata de Camboriú, do rio Areal e parte da bacia do rio Perequê (divisa com o município de Porto Belo) (GAPLAN, 1986). O rio Perequê tem aproximadamente 12 km de extensão ao atingir a planície até a sua foz. De acordo com o diagnóstico socioambiental para a criação de Unidade de Conservação em Itapema/SC, os rios de Itapema têm boa qualidade da água em suas nascentes, contudo, esta qualidade é comprometida quando o curso d’água adentra na área urbana do município, passando a conter altos níveis de coliformes fecais e fósforo, devido a despejos de esgoto doméstico nesses locais (CUNHA, 2010). Ademais, todos os rios de Itapema sofreram o processo de desmatamento e aterro de suas margens, o que reduziu o seu volume d`água (FARIAS, 1999).
Itapema apresenta aproximadamente 14 km de orla, composta por quatro praias: a praia da Mata de Camboriú, a praia da Ilhota, a praia do Cabeço ou Grossa e a praia de Itapema, a qual é dividida em Canto da Praia, praia central de Itapema e Meia Praia (IBGE, 1983). O bairro Meia Praia se tornou o ponto de maior interesse dos veranistas e também para
o comércio, apresentando um alto grau de ocupação territorial nas últimas décadas. A Figura 16 ilustra as praias de Itapema, a partir de um mapa turístico:
Figura 16 – Mapa turístico das praias de Itapema/SC.
Fonte: MAPA turístico de Itapema, [2012?].
A fauna marinha é representada por espécies variadas de peixes teleósteos (possuem escamas e espinhas) e elasmobrânquios (cartilaginosos) tradicionalmente capturados e consumidos pela população local: aves (fragatas, albatrozes, gaivotas) e mamíferos marinhos. O mar de Itapema é tradicionalmente um recurso de grande valor econômico, cultural e de lazer, garantindo ao longo dos anos o sustento de parte da população do município, como a atividade turística e a construção civil que adentra na economia do município (BRASIL, MINISTÉRIO DO PLANEJAMENTO, ORÇAMENTO E GESTÃO, 2007). Contudo, devido
aos múltiplos impactos associados à urbanização típica de balneários, alguns ecossistemas foram gradativamente descaracterizados perdendo suas funções e características naturais. Em Itapema, tais ecossistemas incluem as dunas costeiras e vegetação de restingas já comprometidas e atualmente bastante reduzidas no município. Os manguezais, antigamente abundantes nas margens dos rios, como o Perequê, hoje se encontram bastante reduzidos (BRASIL, MINISTÉRIO DO PLANEJAMENTO, ORÇAMENTO E GESTÃO, 2007).
Pereira, Oliveira e Westerlon (2002) complementam que, ao analisar a faixa de areia de Itapema, percebe-se um acelerado processo de crescimento urbano nos bairros, com vastas extensões de expressiva densidade populacional e ocupação desordenada da área. Essa urbanização desenfreada provocou profundas alterações locais, em decorrência das novas estruturas e equipamentos urbanos implantados em áreas de antigos mangues, o que causou uma descaracterização da natureza local, inclusive em relação à economia de subsistência que era a pesca artesanal. O núcleo pesqueiro de Itapema situa-se no centro norte da praia, denominado Canto da Praia. Este local ainda resiste à expansão urbana de Itapema, marcada pela implantação de edifícios ao longo de toda a sua orla. Contudo, o espaço junto à praia está ocupado por casas de veraneio, restando poucas residências de pescadores à beira mar. Um promontório situado junto ao Canto da Praia garante proteção ao fundeadouro local (WAHLRICH, 1999).
Itapema comporta uma Unidade de Conservação Municipal, instituída pelo Decreto Municipal n0 47/2007, denominada de Parque Ambiental Municipal Padre Raulino Reitz, cuja vegetação característica é de Mata Atlântica e restingas.
Com relação às formas de uso do solo no município, os estudos para implementação do Projeto Orla mostraram que ele divide-se em:
a) 3,38% de área de agricultura, que apresenta os ecossistemas primitivos parcialmente modificados, com dificuldades de regeneração natural pela exploração, supressão ou substituição de alguns dos seus componentes pela ocorrência de culturas com fins produtivos;
b) 0,14% de cursos da água; c) 5,69% campos e pastos;
d) 31,40% de floresta que apresenta alterações na organização funcional dos ecossistemas primitivos, estando capacitada para manter em equilíbrio uma comunidade de organismos em graus variados de diversidade;
e) 41,17% de mata, também apresentando alterações na organização funcional dos ecossistemas primitivos, mas capacitada para manter em equilíbrio uma comunidade
de organismos em graus variados de diversidade, mesmo com a ocorrência de ocupação humana de baixo impacto, permitindo a manutenção funcional dos ecossistemas e proteção aos recursos hídricos;
f) 0,52% de reflorestamento; g) 0,36% de solo exposto;
h) 17,34% de urbanização, apresentando a maior parte dos componentes dos ecossistemas primitivos degradados ou suprimidos devido ao desenvolvimento de áreas urbanas e de expansão urbana contínua, bem como atividades industriais, de pequeno a grande porte (PGI, 2007, p.19).