3.2 Analysert materiale
3.2.1 Kontakt (2014)
Quais as representações e os imaginários que o sujeito político lança mão ao narrar sua vida e sua obra? Quais as identidades têm sido construídas no cenário político brasileiro contemporâneo? Eis as duas perguntas que irão nortear nossas análises.
6.1 - Hipóteses
As análises empreendidas nesta pesquisa pretendem confirmar a hipótese principal levantada por nós de que diferentes imaginários sociodiscursivos participam da organização do discurso político. Assim, imaginários de verdade e imaginários de sedução se articulariam com a finalidade de corresponder a uma determinada demanda social, visando projetar a figura ideal de um líder político que se apresenta como capaz de guiar o grupo rumo ao progresso social. No que diz respeito às narrativas de vida lançadas pelos sujeitos políticos, o que podemos observar de antemão é que estas parecem organizar-se com frequência em torno do imaginário do sucesso, pelo menos quando em situação de entrevista televisiva.
6.2 - O objeto da análise
O material que compõe o corpus de análise deste estudo é constituído por entrevistas televisivas com sujeitos políticos realizadas no programa Roda Viva, da TV Cultura, no período entre 1988 e 2006. 115 Foram selecionadas então para as análises algumas entrevistas nas quais os sujeitos políticos recorrem às inserções de relatos biográficos em suas falas, no decorrer das entrevistas. A seguir são apresentados os sujeitos políticos e as datas das respectivas entrevistas escolhidas para as análises:
• Aécio Neves: (26/03/2001) / (27/01/2003) / (18/04/2005)
• Fernando Henrique Cardoso: (04/07/1988) / (11/03/1991) / (12/04/1993) / (21/07/1994) / (14/10/1996) / (30/12/2002)
• Luís Inácio Lula da Silva: (28/11/1988) / (18/03/1991) / (08/02/1993) / (22/07/1994) / (26/08/1995) / (01/10/1999) / (16/10/2006)
115 As entrevistas selecionadas fazem parte do acervo do projeto “Memória Roda Viva”
(http://www.rodaviva.fapesp.br), responsável por realizar as transcrições de entrevistas do programa Roda
• Marina Silva: (19/11/1994) / (13/03/2006)
6.3 - Metodologia e procedimentos de análise
Primeiramente, procuramos analisar cada entrevista de modo específico, observando a organização que os saberes adquirem no discurso, para em seguida detectar e interpretar os possíveis imaginários e as representações que fundamentam os relatos analisados, bem como as imagens de si que são evocadas.
Em seguida, realizamos uma análise geral, considerando o conjunto das entrevistas de cada político. Nesse momento, a análise focou-se nas características dos imaginários e das formas de ethos que foram observadas, procurando perceber as possíveis implicações destes nos discursos analisados. Após essa etapa, efetuamos um balanço de todas as entrevistas buscando estabelecer uma discussão sobre os imaginários e as possíveis identidades que são projetadas.
Após o processo de coleta, seleção e organização das entrevistas foram iniciadas a observação e análise do material, com o intuito de detectar os imaginários recorrentes nos discursos dos políticos observados. Estes imaginários sociodiscursivos foram categorizados, inicialmente, a partir das formulações propostas por Charaudeau (2006) sobre os processos de elaboração do saber e dos sistemas de pensamento. Procuramos perceber e entender a organização que caracteriza tais discursos de liderança, bem como compreender quais imaginários predominam e de que forma participam da constituição de uma determinada identidade política.
Os trechos de fala que fazem referência às passagens da vida do político foram analisados procurando levantar os imaginários e suas representações. Em seguida observamos a recorrência das identidades discursivas utilizadas com a finalidade de consolidar essas representações no imaginário social das comunidades.
Tendo por base a observação preliminar dos saberes e de sua organização discursiva buscamos identificar e interpretar os imaginários sociodiscursivos que fundamentam os projetos de fala dos sujeitos políticos em questão e servem de base para a elaboração de determinada imagem de si (ethos), enfim, de sua identidade política.
Portanto, a metodologia de análise adotada nesta pesquisa foi organizada tendo em vista algumas etapas de trabalho, com seus respectivos procedimentos e instrumental de análise, como apresentamos (de modo esquemático) a seguir:
• Definição dos sujeitos políticos e respectivas entrevistas a serem analisadas.
• Identificação e seleção dos trechos de fala referentes às narrativas de si que são enunciadas nas entrevistas – conteúdo de ordem pessoal (íntima) / conteúdo ordem profissional (pública).
• Categorização dos saberes que são implicados (organização dos saberes).
• Interpretação dos imaginários e valores que fundamentam o discurso:
Imaginários de verdade: tradição (origem / retorno às fontes) / modernidade (economismo / tecnologismo) / soberania popular (identidade / igualitarismo / solidariedade).
Imaginários de sedução: imaginário do sucesso [“progresso” (“avanço”) / “poder” / “superação” / “vitória” / “conquista” / “luta” (“combate”) / “trabalho” (“dedicação”) / “esforço” / “coragem” / “saber” (conhecimento/experiência) / “reconhecimento” (“mérito”) / “êxito” (“eficiência”) / “ascensão social” / “relações sociais” / “sorte” / “fé”].
• Processos de elaboração da identidade (Identidade política: identidade social / identidade discursiva) → Elaboração da imagem de si: Ethos
Ethé de Credibilidade: Sério (voz / gestos / expressões) / Virtude (honestidade / lealdade / sinceridade / fidelidade) / Competência (saber-fazer / habilidade / herança / estudos / funções exercidas / experiência adquirida).
Ethé de Identificação: Potência / Caráter (força tranquila / moderação / coragem / orgulho) / Inteligência (culto / astúcia / malícia) / Humanidade / Chefe / Solidariedade.
Quanto às categorias do saber, propostas por Charaudeau (2007) e discutidas aqui no capítulo dois, serão utilizadas como referência inicial para a realização das análises, tendo como objetivo detectar o tipo de conteúdo, isto é, de saber e a recorrência de alguns deles nas falas dos sujeitos políticos em questão. Isso porque esses saberes e suas representações podem funcionar como elemento indicativo dos imaginários e da formas de ethos que estariam sendo evocados pelos relatos observados. Nossa proposta, enfim, visa analisar o conteúdo de alguns segmentos das entrevistas selecionadas que apresentam referências autobiográficas, buscando interpretar os imaginários (verdade e sedução) que estão associados a estes saberes e aos sistemas de pensamento que eles elaboram. Imaginários estes responsáveis por fundamentar o projeto de fala e que visam à construção, contínua, da identidade política.
6.4 - Análises - alguns recortes que se fizeram necessários
Como foi dito anteriormente, as entrevistas escolhidas para a realização das análises correspondem, portanto, exclusivamente ao programa Roda Viva, da TV Cultura. Em razão do extenso volume de dados gerados pelas análises das entrevistas
116
, optamos por inserir no corpo deste trabalho uma entrevista de cada sujeito político, objeto de nossa pesquisa. As demais entrevistas e seus trechos analisados encontram-se nos Anexos (DVD).
De cada entrevista analisada foram selecionadas e extraídas duas (2) respostas, cujos trechos correspondem a momentos em que o político entrevistado, ao responder, relata acontecimentos ou lembranças de certos períodos de sua história de vida, 117 sejam estes referentes à sua vida pessoal e íntima, ou dizem respeito a sua atuação política. Vamos às análises:
116 Ao todo foram analisadas dezoito entrevistas, com dois trechos narrativos enfocados em cada uma
delas, o que levaria a impressão da tese a ter um número excessivo de páginas. Daí, a necessidade do recorte em considerar no interior da tese apenas uma entrevista analisada de cada sujeito político em questão.
117 No decorrer do processo de observação e interpretação dos dados levantados na análise, foi possível
observar que figuras podem se sobrepor em um mesmo segmento de fala, pois algumas representações acabam por se imiscuir umas nas outras. Nesses casos buscou-se apresentar as figuras que aí se manifestaram e discutir suas características, em outros momentos, se fez necessária a repetição de alguns trechos das falas analisadas para que se pudesse especificar de modo mais claro o tipo de figura que se supõe ali ser evocada pelo discurso.
6.5 - Aécio Neves - Entrevista - 18/04/2005
O então Governador de Minas Gerais, Aécio Neves, concedeu essa entrevista ao programa Roda Viva, em abril de 2005. Na entrevista, o político é abordado sobre os bastidores da doença e morte do avô, Tancredo Neves; também foi colocado a falar sobre temas relacionados à política brasileira, de sua gestão frente ao governo de Minas Gerais e ainda tece críticas ao governo Lula.
Após leitura e análise inicial foram observados catorze (14) trechos nos quais Aécio Neves relata algumas passagens de sua vida, que dizem respeito tanto ao âmbito pessoal quanto a determinados acontecimentos que estão relacionados à sua atuação política. Destes, foram selecionadas duas (2) respostas consideradas relevantes para a realização das análises.
TRECHO: [1]
Paulo Markun: Diante disso, eu faço a pergunta de Eldon Machado, do Rio de Janeiro, jornalista, que diz o seguinte: “Que fator ou componente político poderá fazê-lo antecipar sua candidatura presidencial de 2010 para 2006?”.
Aécio Neves: Primeiro, já está afirmando que haverá uma candidatura em 2010.
Paulo Markun: Talvez seja em 2006, é isso?
Aécio Neves: Deixe-me dizer, Markun, e mais uma vez de forma absolutamente clara. Nós estamos fazendo algo em Minas Gerais hoje - eu fico feliz de nós podermos entrar nessa agenda mais atual, que é a grande contribuição que a nossa geração, a minha geração, pelo menos de mineiros, está dando ao país. Nós estamos construindo em Minas um laboratório de gestão pública. Nós estamos colocando, ou pelo menos tentando colocar na pauta nacional, essa questão que está absolutamente, ao meu ver, na raiz de vários dos problemas que o Brasil vive hoje. Essa é a contribuição deste momento. Nós fizemos em Minas o que nós chamamos de choque de gestão, uma recuperação da capacidade de investimento do estado, num espaço extremamente curto, que tirou Minas da pior situação fiscal do país para ser hoje uma das melhores. Saímos de um déficit de 2,4 bilhões de reais, de dois anos atrás, para um superávit, até o final deste ano, de 1,7 bilhão de reais e quatro bilhões no ano que vem apenas do Tesouro. Eu faço apenas esse relato para dizer que esse é o meu objetivo, eu preciso estar absolutamente dedicado a isso. E vou um pouco mais a Tancredo, já que é o inspirador, talvez, deste nosso programa. Tancredo dizia e eu repito: “Presidência é muito mais destino do que projeto”. Eu tenho uma grande vantagem – aqueles que me conhecem mais de perto, muitos que estão aqui sabem disso –, eu não tenho essa obsessão, não vivo planejando isso. Tristes aqueles que vivem, porque vão sofrer muito. Nós vamos fazer em Minas algo como estamos fazendo já, mas até o final do mandato, absolutamente inovador. O que eu quero é que as pessoas superem aquela máxima – sobretudo as novas gerações –, com a qual muitos de nós aqui fomos criados, de que o setor público é ineficiente por natureza, ele é estruturalmente incapaz de apresentar
resultados, seja pela burocracia que o envolve, pelos impedimentos legais, pelas pressões de segmentos da sociedade. Em Minas nós estamos mostrando que é absolutamente possível, se se tem disposição política, se se colocam nos cargos certos as pessoas certas, e não os amigos, apresentar resultados. Portanto, é essa a contribuição de Minas Gerais para este Brasil que nós queremos construir no futuro.
Análise:
Na resposta acima, Aécio Neves procura organizar sua fala recorrendo a um tipo de saber de conhecimento que visa demonstrar o domínio e a capacidade técnica no que diz respeito à administração pública, ao fazer constantes referências ao modelo que fora então aplicado em Minas Gerais, chamado de “choque de gestão”, e cuja eficiência e resultados são exaltados pelo governador, como é possível perceber nas seguintes falas de Aécio Neves:
“Nós estamos construindo em Minas um laboratório de gestão pública. Nós estamos colocando, ou pelo menos tentando colocar na pauta nacional, essa questão que está absolutamente, ao meu ver, na raiz de vários dos problemas que o Brasil vive hoje. Essa é a contribuição deste momento.”
[...]
“Nós fizemos em Minas o que nós chamamos de choque de gestão, uma recuperação da capacidade de investimento do estado, num espaço extremamente curto, que tirou Minas da pior situação fiscal do país para ser hoje uma das melhores”.
Ao mesmo tempo, o político em questão busca, com essas falas, apresentar-se à instância cidadã como sendo um administrador eficiente, possuidor de competências e com experiências necessárias para conduzir o estado rumo ao progresso que se propõe a alcançar.
Outro aspecto a ser observado na fala de Aécio Neves é a presença de representações referentes ao imaginário da modernidade, uma vez que é possível notar que tal político recorre em determinados momentos à utilização de um discurso organizado em torno de valores correspondentes ao sistema econômico, como pode ser constatado no trecho:
“Saímos de um déficit de 2,4 bilhões de reais, de dois anos atrás, para um superávit, até o final deste ano, de 1,7 bilhão de reais e quatro bilhões no ano que vem apenas do Tesouro”.
O imaginário da modernidade pode ser percebido também por meio da ideia de eficiência do modelo então proposto, em relação ao modelo de gestão pública anterior que vigorava no estado de Minas Gerais, considerado por Aécio Neves ultrapassado, como parece indicar a seguinte fala:
“Nós estamos construindo em Minas um laboratório de gestão pública”.
[...]
“Nós vamos fazer em Minas algo como estamos fazendo já, mas até o final do mandato, absolutamente inovador”.
Ao observar determinados trechos de fala notamos que o discurso de Aécio Neves parece recorrer também a um conjunto diverso de representações referentes a valores que constituem o fundamento do imaginário do sucesso. Assim, algumas figuras mostram-se de modo recorrente nas entrevistas analisadas, sendo possível notar em alguns trechos da fala de Aécio Neves a evocação de valores como o “progresso”: “Portanto, é essa a contribuição de Minas Gerais para este Brasil que nós queremos construir no futuro”. Também se faz presente a figura da “superação”, que pode ser observada nos seguintes trechos:
“Nós fizemos em Minas o que nós chamamos de choque de gestão, uma recuperação da capacidade de investimento do estado, num espaço extremamente curto, que tirou Minas da pior situação fiscal do país para ser hoje uma das melhores.”
[...]
“O que eu quero é que as pessoas superem aquela máxima – sobretudo as novas gerações –, com a qual muitos de nós aqui fomos criados, de que o setor público é ineficiente por natureza, ele é estruturalmente incapaz de apresentar resultados, seja pela burocracia que o envolve, pelos impedimentos legais, pelas pressões de segmentos da sociedade”.
Observamos ainda a figura do “trabalho”, representado neste caso pela ideia de “dedicação”: “Eu faço apenas esse relato para dizer que esse é o meu objetivo, eu preciso estar absolutamente dedicado a isso”.
É possível notar ainda a presença de representações de valores referentes ao “saber”, por meio da demonstração do conhecimento relativo ao exercício da atividade política e do domínio de seus meandros, bem como por apresentar-se enquanto possuidor das habilidades necessárias ao político, para que suas ações tenham eficiência
e êxito, procurando mostrar os resultados positivos alcançados. Essa tentativa de demonstração de conhecimento pode ser detectada nas palavras do então Governador Aécio Neves:
“Em Minas nós estamos mostrando que é absolutamente possível, se se tem disposição política, se se colocam nos cargos certos as pessoas certas, e não os amigos, apresentar resultados”.
[...]
“Nós estamos construindo em Minas um laboratório de gestão pública”.
[...]
“Nós vamos fazer em Minas algo como estamos fazendo já, mas até o final do mandato, absolutamente inovador”.
Quanto aos tipos de ethé que podem ser observados na fala de Aécio Neves, é possível notar a presença de algumas representações evocadas com a finalidade de incorporar determinada identidade política que seja capaz de corresponder a uma expectativa de idealidade social, promovendo credibilidade e identificação junto à instância cidadã.
Para isso, o político em questão irá lançar mão em seu discurso de certas imagens de si, como é o caso do ethos de virtude, que pode ser demonstrado por meio da intenção em transmitir os valores da lealdade e da fidelidade ao trabalho e ao objetivo proposto, vinda do sujeito-falante: a fidelidade está presente na evocação feita por Aécio Neves aos ideais transmitidos por seu avô Tancredo Neves: “E vou um pouco mais a Tancredo, já que é o inspirador, talvez, deste nosso programa. Tancredo dizia e eu repito: “Presidência é muito mais destino do que projeto””.
Essa intenção de virtude se mescla com uma intenção de honestidade e sinceridade sugeridas pelo sujeito-falante no excerto abaixo, onde tal sujeito apela para a comprovação de suas palavras e intenções por parte daqueles que convivem com ele e o conhecem bem: “Eu tenho uma grande vantagem – aqueles que me conhecem mais de perto, muitos que estão aqui sabem disso –, eu não tenho essa obsessão, não vivo planejando isso”.
Pode ser notada também na fala de Aécio Neves a presença do ethos de competência, que é manifestado por meio da demonstração de sua capacidade de saber- fazer e de sua habilidade e domínio das técnicas necessárias para tanto, trunfos da herança política que lhe foi legada por seu conhecido avô, mas também pelas funções públicas que ele, sujeito político Aécio Neves, exerceu e que, supõe-se, lhe forneceram
experiências que foram adquiridas no âmbito de sua atuação política, como procuram mostrar os trechos a seguir:
“Nós estamos construindo em Minas um laboratório de gestão pública. Nós estamos colocando, ou pelo menos tentando colocar na pauta nacional, essa questão que está absolutamente, ao meu ver, na raiz de vários dos problemas que o Brasil vive hoje. Essa é a contribuição deste momento”.
[...]
“Nós fizemos em Minas o que nós chamamos de choque de gestão, uma recuperação da capacidade de investimento do estado, num espaço extremamente curto, que tirou Minas da pior situação fiscal do país para ser hoje uma das melhores. Saímos de um déficit de 2,4 bilhões de reais, de dois anos atrás, para um superávit, até o final deste ano, de 1,7 bilhão de reais e quatro bilhões no ano que vem apenas do Tesouro”.
[...]
“Nós vamos fazer em Minas algo como estamos fazendo já, mas até o final do mandato, absolutamente inovador”.
[...]
“Em Minas nós estamos mostrando que é absolutamente possível, se se tem disposição política, se se colocam nos cargos certos as pessoas certas, e não os amigos, apresentar resultados”.
Há ainda a se ressaltar os efeitos possivelmente gerados por essas palavras, ao evocar um ethos de caráter, que aqui se mostra por meio da figura do “orgulho”: “[...] eu fico feliz de nós podermos entrar nessa agenda mais atual, que é a grande contribuição que a nossa geração, a minha geração, pelo menos de mineiros, está dando ao país”. Orgulho que é revelado pelo contentamento em relação aos objetivos e às conquistas supostamente alcançadas.
TRECHO: [2]
Teresa Cruvinel: Governador, esse seu choque de gestão, em Minas, basicamente é um doloroso ajuste fiscal, que implicou inclusive demissões de funcionários, extinção de órgãos etc. Eu lhe perguntaria: primeiro, como foi possível fazer esse ajuste sem perda de popularidade? Agora, quanto ao seu partido, a sua eventual candidatura em 2010, e remetendo à pergunta do telespectador, o seu partido está enfrentando dificuldades tanto quanto o governo federal, e o candidato mais viável, que foi apontado como o mais natural, está absolutamente imobilizado, e o partido ainda marca só para o fim do ano para discutir a sucessão. O seu partido não está correndo o risco de chegar atrasado à corrida sucessória? [Charge de Caruso: sentado, Aécio pensa na faixa presidencial] Aécio Neves: Vamos lá, Teresa, a primeira etapa: houve, a partir do momento da nossa eleição, um diagnóstico da situação do estado. O estado tinha, repito, a pior equação
fiscal do país: faltavam 200 milhões de reais, todo final do mês, para pagar o pessoal, o serviço da dívida, a União – se nós não pagamos, nós ficamos com os nossos recursos bloqueados – e o custeio da máquina, que é o giz da escola, que é a gasolina do carro da polícia. Faltavam 200 milhões de reais todo mês para pagar essas contas, com zero de investimento. O passivo vencido de cerca de quatro bilhões de reais, com credores de todas as áreas. Nós só tínhamos uma alternativa... talvez tenha sido exatamente isso, a falta de alternativa também, que nos levou a fazer o que era necessário no início do governo. Nos primeiros 30 dias nós fizemos na verdade o inverso do que nós estamos