DEL IV: EMPIRISK ANALYSE – BEYOND BUDGETING I VIRKELIGHETEN
4. EMPIRISK ANALYSE
4.3 D E KONSERVATIVE
Para proceder à análise dos dados foi necessário, primeiramente, tabular os dados dos 65 questionários em uma planilha do Microsoft Excel. Para tanto, os 21 enunciados foram dispostos na “coluna B” da planilha, divididos entre os seis Domínios, sendo que cada
enunciado ocupou uma linha, e as alternativas de respostas na “coluna C” da planilha. As colunas da planilha foram numeradas de um a 65, representando cada um dos questionários, que também foram numerados, a mão, de um a 65.
A transposição dos dados do questionário para a planilha é uma etapa em que, a alternativa que o professor preencheu no questionário é preenchida, respectivamente, na planilha Excel, com o número “1”, fez-se isso para todos os enunciados e todos os questionários. Ao final do preenchimento aplicou-se a fórmula da Soma (Σ), para chegar ao número total de pessoas que optaram pela mesma alternativa.
A figura a seguir representa um print screen da planilha Excel em que os dados foram tabulados:
Figura 5 – Print screen da planilha Excel em que os dados dos questionários foram tabulados. Após a tabulação dos dados e aplicação da fórmula da Soma (Σ), os valores brutos foram organizados em tabelas para, assim, proceder à análise estatística descritiva.
Os dados foram analisados e discutidos de acordo com cada um dos seis Domínios os quais os enunciados foram distribuídos, sendo eles: 1) Inclusão; 2) Formação; 3) Aulas
Práticas; 4) Aulas Teóricas; 5) Estratégias de ensino e Recursos Pedagógicos, e 6) Proposta Curricular do Estado de São Paulo.
5.4 RESULTADOS
Os resultados são apresentados a partir dos seis Domínios abordados pelos 21 enunciados do questionário. São eles: 1) Inclusão; 2) Formação; 3) Aulas Práticas; 4) Aulas Teóricas; 5) Estratégias de Ensino e Recursos Pedagógicos, e 6) Proposta Curricular do Estado de São Paulo.
5.4.1 Inclusão
O Domínio Inclusão, representado por quatro enunciados, é discutido a partir dos dados presentes nas Tabelas 8 e 9.
Na Tabela 8, estão expostos os enunciados que se referem à concepção de uma aula de Educação Física inclusiva, e a concepção sobre a disciplina Educação Física diante da inclusão do aluno com deficiência.
Tabela 8 – Concepção sobre uma aula de Educação Física inclusiva e a concepção sobre a Educação Física diante da inclusão do aluno com deficiência.
Enunciados/concordância Concordo Discordo Em
branco
A aula de Educação Física é inclusiva quando o aluno com deficiência é tratado como igual aos demais alunos.
50 15 0
A aula de Educação Física é inclusiva quando o aluno com deficiência participa das mesmas atividades que os alunos sem deficiência.
47 18 0
Dentre todas as disciplinas do currículo escolar, a Educação Física é a que têm mais facilidade em trabalhar com alunos com deficiência.
23 41 1
No primeiro enunciado da Tabela 8, tem-se a concepção de que, a aula de Educação Física é inclusiva, quando o aluno com deficiência é tratado como igual aos demais alunos. A maioria expressiva dos professores participantes concebeu que, a partir do momento em que aluno com e sem deficiência são igualados, tem-se uma aula de Educação Física Inclusiva. Mesmo assim, é importante destacar, que 15 professores não concordaram com a concepção, sendo que para estes professores há outras condições para que a aula de Educação Física seja inclusiva, que se diferem do fato de tratar o aluno com deficiência como igual aos demais.
Com relação ao segundo enunciado, que reflete a concepção de que, a aula de Educação Física é inclusiva quando o aluno com deficiência participa das mesmas atividades que os alunos sem deficiência, os resultados revelam que a maioria dos professores concordou que ter alunos com e sem deficiência participando da mesma atividade é o que caracteriza uma aula de Educação Física como inclusiva. Porém, para 18 professores, a participação do aluno com deficiência nas mesmas atividades que o aluno sem deficiência, não parece ser o que caracteriza a aula como inclusiva.
Há um vínculo estreito entre as duas concepções anteriormente apresentadas e discutidas, isto porque ambas as concepções abordam a questão do que caracteriza a aula de Educação Física como inclusiva: tratar o aluno com deficiência como igual aos demais (primeira concepção), ou alunos com e sem deficiência participando das mesmas atividades (segunda concepção). A partir dos dados da Tabela 8, a maioria dos professores participantes concordou com as duas concepções, o que ocasionou no surgimento de uma nova concepção: a aula de Educação Física é inclusiva quando o aluno com deficiência é tratado como igual aos demais, e também participa das mesmas atividades que os alunos sem deficiência.
Surge assim, a seguinte indagação: é possível considerar o aluno com deficiência como igual ao aluno sem deficiência, ou seja, desconsiderar a deficiência e minimizar as características individuais desse aluno, e mesmo assim ter condições suficientes para que o aluno com deficiência participe das mesmas atividades que os alunos sem deficiência? Para a maioria dos professores participantes, sim.
Com relação a esse assunto, Vargas (2010) destaca que as pessoas são, pensam, agem e sentem de modo diferente, deste modo, não há como igualar as pessoas, suas características, necessidades e potencialidades, pois, o que “serve” para alguns, pode não ser útil para todos.
Ao igualar alunos com e sem deficiência estimula-se a crença de que todos os alunos se desenvolvem cognitiva, afetiva, física e socialmente do mesmo modo, ao mesmo tempo e ritmo. Com isso, alguns alunos podem ser subestimados, enquanto outros podem ser supervalorizados. Quando todos os alunos são tratados como iguais, cria-se uma situação ilusória e deficitária, pois o planejamento de aula tende a ser feito para o aluno que realiza todas as atividades de modo exemplar, não sendo específico e direcionado aos reais alunos da classe.
Para Nóvoa (2004) a escola não pode ser igual para todas as crianças. O autor destaca que é preciso construir percursos escolares diferenciados, no quadro de uma “escola comum”, ou seja, respeitar os estilos de aprendizagem, as limitações e promover as
potencialidades de cada aluno.
Há também, na Tabela 8, o terceiro enunciado que reflete a concepção de que dentre todas as disciplinas do currículo escolar, a Educação Física é a que tem mais facilidade em trabalhar com o aluno com deficiência. Os resultados indicam que, para a maioria dos professores, a Educação Física não é a disciplina que trabalha com mais facilidade diante da inclusão do aluno com deficiência.
Sobre essa questão, os autores Cidade e Freitas (2002) e Rodrigues (2006) apresentam algumas características da disciplina Educação Física Escolar que a aproximam do conceito de inclusão, justamente por ser uma área importante de adaptação, por permitir uma ampla participação de crianças em atividades físicas, mesmo as que evidenciem dificuldades, adequando as tarefas às possibilidades de cada aluno, sendo um campo privilegiado de experimentação, inovação e melhoria da qualidade pedagógica da escola.
Na Tabela 9, está exposto o enunciado que reflete a concepção do aluno com deficiência mais difícil de incluir nas aulas de Educação Física.
Tabela 9 – Concepção sobre o aluno com deficiência mais difícil de incluir nas aulas de Educação Física. Dentre os alunos com deficiência, o aluno mais difícil de incluir nas
aulas de Educação Física é
DA 0 DF 10 DI 14 DV 24 DS (indisciplina) 12 Em branco 5
De acordo com os dados, para a maioria dos professores, o aluno com deficiência visual é o mais difícil de incluir nas aulas de Educação Física. Em segundo lugar, o aluno com deficiência intelectual; em terceiro lugar, o aluno com deficiência social (indisciplina); em quarto lugar, o aluno com deficiência física, e por último o aluno com deficiência auditiva.
Tais dados chamam a atenção por dois motivos. Primeiramente, pelo fato de a maioria dos professores ter concebido o aluno com deficiência visual como o mais difícil de incluir nas aulas de Educação Física, uma vez que a literatura tem uma leve tendência a apresentar os alunos com deficiência física como os mais difíceis de incluir, como é o caso do estudo realizado por Florence (2002), em que os resultados indicaram a deficiência física como a mais citada pelos professores como a mais difícil de trabalhar, e de Neves (2006), em que não houve um consenso, entre os participantes, sobre qual deficiência era mais fácil ou mais difícil de trabalhar, porém, houve mais dificuldade em descrever e tipificar a deficiência física.
Em segundo lugar, pelo fato de 12 professores terem concebido o aluno com deficiência social (indisciplina) como o mais difícil de incluir. Cabe aqui a explicação de que, a indisciplina não é caracterizada como uma deficiência, mas está relacionada ao comportamento inadequado, de um ou mais alunos, perante as regras estabelecidas, ou pela ausência de esclarecimento e acordos, entre pares, sobre tais regras. A indisciplina pode ser ainda uma questão de visão tradicional por parte dos professores, ou seja, a falta de compreensão e entendimento da cultura, vivências, hábitos e condições sociais de cada aluno, sendo que qualquer comportamento que infrinja aquilo que este professor acredita ser correto, ou que seja contrário ao que ele próprio vivencia e idealiza a respeito de seus alunos é caracterizado como indisciplina.
A nomenclatura aluno com deficiência social foi utilizada por um professor de Educação Física entrevistado no Estudo 1, e julgou-se pertinente utilizá-la na questão número sete do questionário, justamente para verificar se mais professores concebem a indisciplina como uma deficiência. Os resultados apresentados na Tabela 9 mostram que, para 12 professores, a indisciplina não somente é uma deficiência, mas, é a mais difícil de trabalhar. É importante ressaltar que, para estes professores, nenhum aluno com deficiência é tão difícil de incluir quanto um aluno indisciplinado.
Especificamente em relação ao Domínio Inclusão, prevaleceram as concepções de que: 1) a aula de Educação Física é inclusiva quando o aluno com deficiência é tratado como igual aos demais, e também, participa das mesmas atividades que os alunos sem deficiência; 2) a Educação Física não é a disciplina que trabalha com mais facilidade diante da inclusão do aluno com deficiência, e 3) o aluno com deficiência visual é o mais difícil de incluir nas aulas de Educação Física.