• No results found

Konseptanalyse - oppsummering

In document KS1 Arna · Bergen (sider 43-48)

A ‘bela morte’, no contexto latino, configura-se do mesmo modo que no grego. O jovem guerreiro morre no campo de batalha, pelas mãos de um adversário tão ou mais valoroso do que ele próprio, e recebe, após a morte, os ritos fúnebres, o que lhe garantirá a sua consagração e a glória perene.

Analisemos o trecho abaixo:

'stat sua cuique dies, breue et inreparabile tempus omnibus est uitae; sed famam extendere factis, hoc uirtutis opus. Troiae sub moenibus altis tot gnati cecidere deum, quin occidit una Sarpedon, mea progenies; etiam sua Turnum fata uocant metasque dati peruenit ad aeui.' (Eneida, X, 467-472)

‘a cada um está estabelecido o seu dia, o tempo de vida é para todos breve e irreparável; mas estender a fama pelos feitos, esta é obra da virtude. Tantos filhos dos deuses pereceram sob as altas muralhas de Troia, porque não pereceu unicamente Sarpedão, minha progênie; também seus destinos chamam Turno, e (ele) alcançou as metas em relação ao tempo dado.’

Os versos fazem parte do episódio da morte de Palas, árcade, filho do rei Evandro, aliado de Eneias na luta contra os latinos. Diz respeito à fala de Júpiter em resposta ao lamento de Hércules32 por não poder atender ao pedido de Palas, que lhe favorecesse no ataque contra Turno. O Satúrnio remete ao fato de que todos têm o dia do seu termo estabelecido, não sendo diferente para os grandes heróis, como Sarpedão, que apesar de ser seu filho, não pôde escapar à morte nos campos de Troia. No entanto, engrandecer a fama dos feitos é obra da

virtus de cada um – sed famam extendere factis hoc uirtutis opus. A excelência do homem consiste em agir. Nesse sentido, o filho de Evandro, para quem a morte é inexorável, enaltecer-se-á, antes de perecer, mediante a realização de grandes feitos. Incitado pela força (vis) que o impulsiona a combater com as hostes inimigas, inflama a coragem dos combatentes árcades que estão sob a sua liderança. Palas contempla a virtus dos seus guerreiros, a voracidade com que lutam, e regozija por vê-la convergir a um único ponto qual fogo devastador – "non aliter socium uirtus coit omnis in unum teque iuuat" (Eneida, X, 410) – como o pastor que, tendo ateado fogo à floresta em diversos pontos subitamente ganha grande proporção e estende grande destruição sobre a planície, admira, de uma eminência, vencedor, as chamas triunfantes (flammas ouantis). Ocorre o embate entre Turno e Palas. Eles se enfrentam em combate singular. Após uma luta acirrada, Palas é mortalmente ferido por Turno, que espolia suas armas, mas lhe concede receber as honras fúnebres, haja vista representar exaltação para a sua própria glória, como já foi explicado anteriormente. Os

32

Conforme relato da Eneida, Livro VII, o culto ao deus Hércules foi instituído no Lácio por uma antiga família, a Pinária, e Potício, que presidia o corpo de sacerdotes na cerimônia ao deus. O herói passava pela região após realizar o décimo trabalho dos doze a ele imputados pela deusa Juno, levando consigo uma belíssima manada de bois, os quais deixou pastando no sítio do futuro Forum Boarum, entretanto, quando já estava de partida e fez a contagem dos animais, percebeu que alguns haviam desaparecidos. Foram roubados por Caco, figura não- humana, filho de Vulcano, que exalava fogo pela boca. Ele habitava uma gruta, no monte Aventino, trazendo terror aos habitantes da região, pois atacava homens e animais, deixando o solo sempre umedecido de sangue. Hércules saiu a procura dos animais, mas não conseguiu encontrá-los, graças a um estratagema do monstro. Decidiu deixar o lugar mesmo assim, mas quando estava partindo com o restante da manada, os animais mugiram com a retirada, e todo o bosque retumbou. Uma das novilhas capturadas soltou um mugido, que foi ouvido pelo herói. Ele, então, vai ao encalço de Caco. Encontrando-o, mata-o e livra a região de um monstro tão horrendo. Desde esse acontecimento, todos os anos era oferecido um banquete em honra ao herói.

companheiros conduzem o corpo do guerreiro sobre o seu escudo, e a notícia da sua morte chega a Eneias, que juntamente com seus aliados, pranteiam-no. O Anquisíada prepara-lhe o funeral e dá o último adeus ao herói.

Remetamos ao episódio da Ilíada, em que ocorre a morte de Sarpedão. Nele, Zeus, vendo chegar o momento de Sarpedão cumprir a sua moira, cogita a possibilidade de salvá-lo, levando-o de volta para a Lícia. Hera interfere, fazendo o esposo ver a inconseqüência dessa atitude, pois assim como ele, os outros deuses também teriam filhos na guerra, e vendo-o salvar o seu, quereriam fazer o mesmo, o que provocaria a discórdia. Além disso, Sarpedão já

se encontrava fadado a morrer – " ὸ ἐό ά έ ἂ

ἐ έ ά έ ἐ ῦ " (Ilíada, XVI, 441-442): "desejas livrar novamente da morte horríssona um homem que é mortal, há tempo entregue ao destino?". A deusa aconselha Zeus a permitir que Sarpedão perecesse pelas mãos de Pátrocles, e que logo depois, ele fosse conduzido para a Lícia, onde receberia as exéquias, honra devida aos mortais – 'tÕ g¦r gšraj ™stˆ qanÒntwn'.

Os dois momentos referidos acima tratam da ‘bela morte’. Há diferença, no entanto, em relação ao foco que é dado a cada uma das circunstâncias. No primeiro, a ênfase repousa no valor do exemplo, famam, fruto das ações provenientes da virtus. A morte, certa para todos, não representa necessariamente o fim, mas apenas uma determinação do destino. No entanto, cabe a cada homem sobrepor-se a ela, realizando grandes feitos, que lhe garantirá a fama. Os versos abaixo reiteram essa ideia:

Usque adeone mori miserum est? Vos o mihi, manes, Este boni, quoniam superis auersa uoluntas.

Sancta ad uos anima atque istius inscia culpae

descendam, magnorum haud umquam indignus auorum. (Eneida, XII, 646-649)

Até onde morrer é lamentável? Vós, ó manes, para mim sede bons, pois dos deuses a vontade é adversa. A vós descerei, com alma augusta e ignorante desta culpa, nunca indigno dos meus grandes antepassados.

Trata-se do episódio em que Juturna, uma ninfa, irmã de Turno, conduz o irmão em meio à guerra e lhe informa acerca da situação dos latinos, Eneias ataca os ítalos e multiplica os combates. Turno reconhece a irmã, que estava disfarçada de Metisco, seu auriga. Ela ainda tenta instigá-lo para o combate, mas ele se diz ciente da situação, que se encontra

completamente desfavorável. É nesse instante que profere as palavras acima. A culpa a qual Turno se refere, diz respeito à fuga do embate, haja vista os troianos estarem devastando os latinos. Essa vergonha ele não carregaria e continuaria honrando a linhagem dos seus ancestrais, logo, a morte para ele não é lastimável, pois não representa o fim.

Visão diferente percebemos no episódio citado anteriormente, sobre a morte de Sarpedão. A morte é apontada como sendo terrível, algo desagradável - ' ά έ '-,33 mesmo tendo o herói realizado grandes feitos a fim de garantir uma ‘bela morte’, como é o caso do filho de Zeus. Isso se explica pela visão que o grego tinha da morte. Para ele, ela era o aniquilamento total. É o quadro que Homero apresenta no Canto XI, da Odisseia. Odisseu desce até a entrada do Hades a fim de consultar o adivinho tebano Tirésias, pois precisa saber qual caminho deve tomar para conseguir voltar para casa, em Ítaca. Lá, ele se depara com as almas daqueles que viveram, sombras indistintas, sem vida e sem consciência. Outro é o cenário apresentado na Eneida, no Livro VI, quando Eneias faz a sua katábasis. Ele vai ao encontro da alma do seu pai, Anquises, a fim de praticar e conhecer o porvir dos seus futuros descendentes. Lá, ele vê uma multidão de heróis que irão beber da água do rio Letes, a fim de esquecer a vida pregressa e retornar à vida no corpo. Sob a perspectiva latina, há uma vida após a morte do corpo, a qual será o reflexo das ações realizadas durante a existência.

In document KS1 Arna · Bergen (sider 43-48)