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4.1 Konsentrasjon og konkurransesituasjon i den skandinaviske matindustrien

4.1.1 Konsentrasjon og konkurransesituasjon i den norske matindustrien

A ideia de implantar um viveiro educador na FEENA se sustenta em função da potencialidade que o espaço tem, além de não haver na cidade e entorno nenhum registro de uma atividade desta natureza. Como vimos, há na área uma estrutura que outrora funcionava como o viveiro de mudas da FEPASA e, embora muito deteriorada em função do tempo e do abandono por parte da gestão da Secretaria do Meio Ambiente, algumas reformas, em alguns prédios e canteiros, permitirão que algum trabalho seja desenvolvido nesta importante área. Por viveiros florestais, adotaremos a definição de Paiva e Gomes apud Lemos e Maranhão (2008, p. 12):

Podemos caracterizar um viveiro florestal como um espaço estruturado, com características próprias, destinado à produção, proteção e manejo de mudas até que tenham idade e tamanho suficientes para resistirem às condições adversas do meio e terem um crescimento satisfatório quando plantadas em definitivo.

Ao visarmos à sensibilização, motivação e conscientização da população sobre a importância do ato de plantar e proteger as áreas florestais, para a qualidade ambiental e de vida das comunidades, em concordância com as diretrizes do Plano de Manejo da FEENA, deveremos desenvolver um projeto de educação e alfabetização ecológica que vise:

Proporcionar aos visitantes e a comunidade conhecimento, valores, habilidades, experiências que provoquem mudanças atitudinais e comportamentais no sentido pro ambiental; tornando- os aptos a agir individual e coletivamente na solução de problemas ambientais locais, regionais e globais (SÃO PAULO, 2005).

Neste sentido, o objetivo é desenvolver algumas ideias que poderão ser utilizadas como subsídios, quando da implantação de uma atividade deste tipo na unidade. Para fundamentação deste trabalho, utilizamos a obra ―Viveiros Educadores: plantando a vida‖, de Lemos e Maranhão (2008), tomando a seguinte conceituação de viveiros educadores:

Espaços de produção de mudas de espécies vegetais onde, além de produzi-las, desenvolve- se de forma intencional, processos que buscam ampliar as possibilidades de construção de conhecimento, exercitando em seus procedimentos e práticas, reflexões que tragam em seu bojo, o olhar crítico sobre questões relevantes para a Educação Ambiental como: ética, solidariedade, responsabilidade socioambiental, segurança alimentar, inclusão social,

segurança alimentar, inclusão social, recuperação de áreas degradadas entre outras possibilidades. (LEMOS; MARANHÃO, 2008, p. 10)

Considerada esta definição, é preciso esclarecer a visão geral que permeia este trabalho, pois a atividade de produção de mudas traz, por si só, uma carga de elementos cognitivos, afetivos e valorativos relacionados à experiência ambiental que não podem ser deixados para trás. Compreender os problemas atuais da sociedade e desenvolver trabalhos que visem uma mudança de concepção de mundo é um dos objetivos do viveiro educador. Entender que a conservação do meio ambiente não é uma opção, mas o único caminho possível para que se obtenha de fato uma qualidade ambiental e de vida adequada, na busca pelo equilíbrio entre produção e consumo. O fato de alguém que teve pouco ou nunca teve contato direto com a Natureza, coletar a semente, coloca-la na terra para a germinação, irriga-la e vê-la crescer podem ser os primeiros passos para que haja sensibilização, mediante um processo de ensino-aprendizagem crítico, emancipador e produtor de uma consciência ambiental, tornando o ser humano mais próximo do que é a origem de toda a vida: a Natureza.

A partir desta visão, o viveiro educador buscará o ―alcance da compreensão sistêmica que a questão ambiental exige‖ (LEMOS; MARANHÃO, 2008, p. 10), tanto para entendermos a crise ambiental global, como para entendermos os problemas regionais/locais, como os incêndios e o descarte de resíduos na própria unidade e a relação homem-desmatamento presente no Brasil há 500 anos e principalmente no estado de São Paulo que, com a explosão da urbanização e industrialização ocorrida no século XX, além dos séculos de exploração de minérios, madeira e agricultura, destruiu praticamente todas as suas florestas (ver figura 3).

Na região de Rio Claro, interior do estado de São Paulo, Cerrado e Mata Atlântica se mesclam, compondo faixas de transição entre estes dois importantes biomas brasileiros. No entanto, o grau de conservação desses ecossistemas é crítico. Basta ver a história da devastação florestal da área, começando com a cana-de-açúcar, o café e, posteriormente, o eucalipto, ciclos econômicos trágicos que a cada nova investida empresarial destruíam o que havia restado da floresta que, no caso de Rio Claro, não há qualquer registro do que havia na área antes da agricultura extensiva a partir do século XIX.

Figura 3 – Reconstituição da Cobertura Florestal do Estado de São Paulo.

Fonte: CAVALLI; GUILLAUMON; SERRA FILHO; VICTOR, 1975, p. 15, 21, 26 e 37.

A proposta de um programa de alfabetização ecológica por meio de um viveiro de mudas educador, buscando a formação de um pensamento crítico sobre a questão dos recursos florestais e hídricos no Brasil e no mundo, e entendendo a complexidade sistêmica da Natureza, torna-se capaz de difundir nas pessoas participantes um senso de respeito à Natureza e a compreensão das relações de interdependência e interação dos sistemas ambientais complexos, ficando muito latente quando observamos as afirmações de Fritjof Capra e David W. Orr:

Ser ecologicamente alfabetizado requer uma nova forma de ver o mundo e uma nova forma de pensar, conhecida como concepção de sistemas ou conceitos sistêmicos. Significa pensar em termos de relacionamentos, encadeamento lógico e contexto. De acordo com esta visão, as propriedades essenciais, ou ―sistêmicas‖, de um organismo ou sistema vivo, são propriedades do sistema inteiro que só existem no todo. (CAPRA, 2000, p. 28)

Uma vez que a característica mais proeminente da biosfera é a sua capacidade inerente de sustentar a vida, uma comunidade humana sustentável terá que ser planejada de maneira tal que os seus estilos de vida, tecnologia e instituições sociais respeitem, apoiem e cooperem com a capacidade inerente da natureza de manter a vida. (CAPRA, 2005, p. 13)

Para ser ecologicamente alfabetizada, uma pessoa precisa ter no mínimo conhecimentos básicos de ecologia, de ecologia humana e dos conceitos de sustentabilidade, bem como dos meios necessários para a solução dos problemas. Levada à sua conclusão lógica, a meta de alfabetizar ecologicamente todos os nossos estudantes resgataria a idéia de que a educação é antes e acima de tudo uma ampla troca envolvendo aspectos técnicos, não apenas um conhecimento técnico. Qualquer que seja a situação da nossa pesquisa pedagógica, a vida da mente é e continuará sendo um processo misterioso e fortuito, só um pouco influenciado pela educação

formal (às vezes sem nenhum efeito positivo). Nesse amplo diálogo, nós resgataríamos para a disciplina da educação a importância que deram a ela todos os grandes filósofos, desde Platão, passando por Rousseau, até John Dewey e Alfred North Whitehead. A educação, como eles a viram, estava relacionada com a questão humana atemporal que trata de como viver. E, no nosso tempo, a grande questão é como viver à luz da verdade ecológica de que somos uma parte inextricável da comunidade da vida, una e indivisível. (ORR apud CAPRA, 2005, Prólogo, p. 11)

Dessa forma, quando Capra (2000) diz que ―ser ecologicamente alfabetizado, ou ecoalfabetizado, significa compreender os princípios básicos de organização das comunidades ecológicas (isto é, ecossistemas) e ser capaz de incluí-los na vida diária das comunidades humanas‖, entendemos que esse é o ponto para conseguirmos uma compreensão sistêmica da Natureza e dos processos socioecológicos, através de processos de ensino-aprendizagem em espaços não formais.

O que diferencia o viveiro florestal convencional do viveiro educador é a intenção de utiliza- lo como espaço de aprendizagem, orientado por elementos e procedimentos pedagógicos destinados à formação das pessoas que com ele interagem. (LEMOS; MARANHÃO, 2008, p. 10)

Na estruturação, implementação e organização dos viveiros educadores, alguns aspectos são essenciais para assegurar o alcance dos objetivos esperados. Nessa perspectiva, podemos destacar três pilares básicos: 1) Equipe pedagógica; 2) Projeto político pedagógico; 3) Procedimentos técnicos. (LEMOS; MARANHÃO, 2008, p. 18)

Para tanto, é necessário que a equipe tenha um caráter multidisciplinar possibilitando a abordagem de diversos conteúdos, de forma a compreender os ―conhecimentos básicos de ecologia,

ecologia humana e os conceitos de sustentabilidade‖, bem como dominar os procedimentos técnicos necessários à operacionalização de um viveiro de mudas.

O processo de formação da equipe deve estar previsto e especificado no projeto político- pedagógico do viveiro, que por sua vez, deve ser elaborado de forma participativa, com a colaboração de todos os envolvidos e interessados. Ao longo do processo, é desejável que as pessoas envolvidas com o viveiro se apropriem dos conhecimentos e habilidades necessários à execução de outras funções, além das que já desenvolvem, o que proporciona o aprendizado e a qualificação nas diferentes áreas de atuação (LEMOS; MARANHÃO, 2008, p. 20).

Portanto, devemos incorporar a dimensão educadora à produção de mudas, tornando esta atividade capaz de trazer um entendimento integrado da Natureza presente no mundo, desde um ponto de vista local até o geral, compreendendo as relações ecossistêmicas até os biomas que compõem a região de Rio Claro. De acordo com Lemos e Maranhão (2008, p. 12): ―É nesse movimento de construção coletiva, em que as diversas possibilidades de abordagem e aprendizagem são exploradas e organizadas com o intuito de despertar o espírito crítico, que o viveiro passa a ter sua dimensão educadora exercitada‖.

Foi a partir desta ideia que foram pensados os critérios para a seleção das espécies que o viveiro poderá utilizar. É preciso inicialmente entender a divisão de biomas adotada pela Resolução SMA nº 21, de 21 de novembro de 2001, que ―Fixa orientação para o reflorestamento heterogêneo de áreas degradadas e dá providências correlatas‖ (SÃO PAULO, 2001), e a divisão de biomas do Brasil do Professor Aziz Ab’Saber (ano), na qual o município de Rio Claro está situado em uma faixa de transição entre o Domínio dos Mares de Morros Florestados e o Domínio dos Chapadões Recobertos por Cerrados e Penetrados por Floresta-Galeria (AB’SABER, 2003). (figura 4). Valendo-se destes dados, foi constatado predominância de Floresta Estacional Semidecidual, com manchas de cerrado que acompanham a pobreza do solo, como indicado no Inventário Florestal do Estado de São Paulo, publicado pelo Instituto Florestal, em 2005 (ANEXO A).

Esta Resolução SMA 21/01, quando publicada, disponibilizou uma listagem com 247 espécies arbóreas indicadas para o plantio no estado de São Paulo, conforme sua região ecológica. (SÃO PAULO, 2001). Em 2003, o Instituto de Botânica atualizou esta lista, que resultou na obra ―Diversificando o reflorestamento no Estado de São Paulo: espécies disponíveis por região e

ecossistema‖ (BARBOSA; MARTINS, 2003), do Instituto de Botânica do estado de São Paulo, contando com 589 espécies arbóreas, classificados de acordo com a região e bioma/ecossistema de ocorrência natural.

Figura 4: Domínios morfoclimáticos brasileiros (Áreas Nucleares) – 1965

Fonte: AB’SABER (2003).

O estudo do Instituto de Botânica, segundo Barbosa e Martins (2003), dividiu o estado em seis regiões ecológicas: Noroeste (norte do Arenito Bauru), Sudoeste (sul do Arenito Bauru), Centro (Serra Geral e Depressão Periférica), Sudeste (Complexo Cristalino e Vale do Paraíba), Litoral Sul (sul da Baixada Litorânea) e Litoral Norte (norte da Baixada Litorânea), ―cuja base foi a divisão

geomorfológica e dos grandes domínios climáticos do Estado de São Paulo, adaptado de Setzer (1966)‖. (BARBOSA; MARTINS, 2003, p. 11).

Quanto aos biomas ou ecossistemas de ocorrência natural das espécies, estes foram classificados, com base nas delimitações estabelecidas por Veloso et al. (1991), em: Floresta Ombrófila Densa; Vegetação de Restinga; Manguezal; Floresta Ombrófila Mista; Floresta Estacional Semidecidual, com duas sub-classes: ―de Cuesta‖, quando localizada sobre as cuestas basálticas, e ―Mata Ciliar‖, quando localizada às margens de corpo d’água; Mata de Brejo – localizadas sobre solos permanentemente inundados; Floresta Estacional Decidual e Cerrado. (BARBOSA; MARTINS, 2003, p. 11).

Figura 5: Delimitação das Regiões Ecológicas no Estado de São Paulo.

Fonte: BARBOSA; MARTINS (2003, p. 14).

Nota-se que o município de Rio Claro está na região Centro. Dessa forma, as espécies escolhidas para compor o projeto do viveiro são as de Floresta Estacional Semidecidual-Centro, Cerrado-Centro e de Mata Ciliar-Centro, associando cada região do estado aos biomas. A lista das

espécies selecionadas que poderão compor o projeto está no Apêndice A.

A escolha das espécies que, futuramente, um projeto de Viveiro Educador na FEENA poderá utilizar para as suas atividades, foi realizada dessa maneira por considerar os diversos cenários de vegetação que, infeliz e provavelmente, existiam na área. Através destes estudos – que podem apresentar equívocos e necessitam revisão por um especialista em Botânica – entendemos que são essas árvores que podem contar a história da devastação que ocorreu na região. Por meio delas podemos entender conceitos como bioma, ecossistema, equilíbrio ecológico, sustentabilidade, entre tantos outros, por serem as responsáveis pela geração de um ambiente equilibrado, capaz de abrigar uma grande variedade de fauna. E por estar situado emblematicamente dentro de uma Floresta de Eucalyptus, considerando toda a problemática discutida no primeiro capítulo.