Para definir a população da pesquisa, utilizou-se como referência o banco de dados da Global Reporting Initiative. Assim, a população ficou composta por 198 empresas brasileiras e 158 empresas espanholas, que publicaram relatórios de sustentabilidade no modelo GRI dos exercícios sociais de 2011 a 2016 (Tabela 1).
Tabela 1- Número de empresas da população por país
Países Número de empresas
Brasil 198
Espanha 158
Total 356
Fonte: Elaborado pela autora com base nos dados da pesquisa (2017).
A partir da população, foram selecionadas as firmas de capital aberto que negociam ações em bolsas de valores, no caso, na B3 e na Bolsa de Madri.
Vale destacar que a escolha das empresas de capital aberto se deve ao fato de que essas empresas são constantemente avaliadas pelos investidores e demais stakeholders, e, portanto, existe coação para que as informações econômico-financeiras publicadas sejam mais transparentes.
Como destacado anteriormente, considerou-se como uma das motivações para o estudo das empresas brasileiras e espanholas o fato de que essas firmas elaboram os demonstrativos financeiros tendo como parâmetro as International Financial Reporting
Standards (IFRS). Assim, além do acesso aos dados financeiros, como ativo, EBITDA, entre
outros, essa abordagem permite a análise comparativa das informações econômico-financeiras. De acordo com Barney e Hesterly (2007), o emprego de medidas como as de desempenho e a comparação das mesmas relaciona-se aos padrões e princípios que conduziram a elaboração dos relatórios financeiros.
A Tabela 2 demonstra a composição da amostra da pesquisa, onde da população total (356 empresas), 108 brasileiras e 111 espanholas foram excluídas por serem de capital fechado. Além disso, 49 firmas do Brasil e 13 da Espanha também foram excluídas por não disponibilizarem em seus relatórios as variáveis de investimentos ambientais e de inovação.
Deste modo, a amostra ficou composta por 41 empresas brasileiras e 34 espanholas, totalizando 75 elementos de análise no corte longitudinal no período de 2011 a 2016.
Tabela 2- Número das empresas das amostras brasileiras e espanholas
Cômputo da amostra brasileiras no período Número de empresas espanholas no período Número de empresas
Empresas da população 198 158
(-) Empresas de capital fechado (108) (111)
(-) Empresas que não publicaram o EN31/
EN30 e/ou variáveis de inovação (49) (13)
(=) Amostra final 41 34
Fonte: Elaborado pela autora com base nos dados da pesquisa (2017).
Para composição da Tabela 2, também foi realizada verificação nos websites das empresas, a fim de obter o máximo de informações possíveis, ora nos relatórios de sustentabilidade do GRI, ora nas demonstrações financeiras anuais divulgadas nos sítios das empresas. A Tabela 3 traz a quantidade de observações segregadas por país e ano.
Tabela 3- Número de observações por ano e país
2011 2012 2013 2014 2015 2016 Total
Brasil 41 41 41 41 41 41 246
Espanha 34 34 34 34 34 33 203
Total 75 75 75 75 75 74 449
Fonte: Elaborado pela autora com base nos dados da pesquisa (2017).
Verifica-se equilíbrio ao longo do período de análise, em que o número de observações variou entre 74 e 75 por ano, e por país, sendo praticamente constante.
O Quadro 2 apresenta as empresas da amostra segmentadas por países, considerando a classificação setorial International Standard Industrial Classification of all
Economic Activities (ISIC) Revision 4 da Divisão Estatística das Nações Unidas (UNSD).
Quadro 2- Empresas que compõem a amostra
Empresas (Brasil) ISIC Rev. 4 Empresas (Espanha) ISIC Rev. 4
AES Eletropaulo Eletricidade e gás Abengoa Solar, S.A. Atividades profissionais, científicas e técnicas
AES Tietê Eletricidade e gás Abertis, S.A. Transporte e armazenamento
Ampla Eletricidade e gás Acciona, S.A. Construção
Braskem Indústrias de transformação Acerinox, S.A. Indústrias de transformação
BRF S.A. Indústrias de transformação AENA, S.A. Transporte e armazenamento
CEEE-GT Eletricidade e gás Deoleo, S.A. Indústrias de transformação
Celpe Eletricidade e gás Ebro foods S.A. Indústrias de transformação
Celulose Irani S.A. Indústrias de transformação Elecnor, S.A. Construção
CEMIG Eletricidade e gás Enagas, S.A. Eletricidade e gás
Celesc S.A. Eletricidade e gás ENCE energia y celulosa, S.A. Indústrias de transformação
Celpa S.A. Eletricidade e gás Endesa, S.A. Eletricidade e gás
CESP Eletricidade e gás Ercros, S. A. Indústrias de transformação
Coelba Eletricidade e gás Euskaltel, S.A. Informação e comunicação
Coelce Eletricidade e gás Ferrovial, S.A. Construção
Copasa Água, esgoto, atividades de gestão de resíduos e
descontaminação Fluidra, S.A.
Água, esgoto, atividades de gestão de resíduos e descontaminação COPEL Eletricidade e gás Fomento de Construcciones Y
Contratas (FCC), S.A.
Construção
Cosan S. A Indústrias de transformação Gamesa Indústrias de transformação
COSERN Eletricidade e gás Gás Natural, S.A. Eletricidade e gás
CTEEP Eletricidade e gás Gestamp automocion, S.A. Indústrias de transformação
Duratex S. A Indústrias de transformação Grifols, S.A. Indústrias de transformação
EcoRodovias S. A Transporte e armazenagem Grupo ACS, S.A. Construção
Elekeiroz S. A Indústrias de transformação Grupo Cementos Portland Valderrivas Indústrias de transformação
Elektro S. A Eletricidade e gás Iberdrola, S.A. Eletricidade e gás
EMAE S. A Eletricidade e gás Inditex Comércio no atacado e varejo
Embraer S. A Indústrias de transformação Indra Informação e comunicação
Eternit Indústrias de transformação Logistica de hidrocarburos Transporte e armazenagem Even Construtora e
Incorporadora S.A. Construção OHL Group, S. A Construção
FibriaCelulose S.A. Indústrias de transformação Europac Indústrias de transformação Grupo CPFL Energia Eletricidade e gás Red Electrica De España, S.A. Eletricidade e gás
Grupo Energisa Eletricidade e gás Repsol, S.A. Petróleo e energia/ Petróleo
Klabin S.A. Indústrias de transformação Sacyr Vallehermoso Construção
Light S.A. Eletricidade e gás Técnicas reunidas Atividades profissionais, científicas e técnicas Natura S.A. Indústrias de transformação Telefonica
Tecnologia e telecomunicações/ Telecomunicação
Oi S.A. Informação e comunicação
Petrobras S.A. Indústrias extrativas QGEP S.A. Indústrias extrativas SABESP Água, esgoto, atividades de gestão de resíduos e
descontaminação Suzano Papel e
Celulose S.A. Indústrias de transformação Vale S. A Indústrias extrativas Weg S. A Indústrias de transformação
Fonte: Elaborado pela autora com base nos dados da pesquisa (2017).
Conforme discutido na Introdução, a ideia de se trabalhar com uma nação desenvolvida e outra em desenvolvimento visa enriquecer a pesquisa, no sentido de debater sobre os efeitos do processo de absorção das estratégias de inovação e em meio ambiente,
considerando o nível de comprometimento ecológico e tecnológico, a aquisição de conhecimento e a efetividade dos dispositivos regulatórios.
A definição do período de tempo, 2011 a 2016, ocorreu em função de três aspectos motivadores: (i) segundo os autores Sueyoshi e Goto (2009), Orellano e Quiota (2011), Reis, Moreira e França (2013) e Souza, Brighenti e Hein (2016), os resultados dos investimentos ambientais não são imediatos e devem ser observados ao longo de um período de tempo, (ii) o Manual de Oslo (OECD, 2005) orienta que os possíveis efeitos dos investimentos em pesquisa e desenvolvimento (variável de inovação) também precisam de um certo tempo para serem detectados, e, (iii) a não disponibilidade de relatórios de sustentabilidade na maioria das empresas da amostra nos anos anteriores. A próxima seção apresenta as variáveis utilizadas e os procedimentos desenvolvidos, a fim de obtê-las.