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Andre konsekvenser

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5 KONSEKVENSER FOR NATO OG NORGE

5.2 Andre konsekvenser

Em meio aos diversos impasses e turbulências presentes na escola e apesar da predominância de práticas escolares pouco afeitas à experimentação, invenção e participação coletiva, algumas resistências aos dispositivos de assujeitamento e cristalização de subjetividade foram localizadas no cotidiano escolar.

Acompanhamos situações de rupturas frente ao modelo instituído do “fazer escolar”. Em alguns casos, professores desfizeram a idéia de determinação, impotência e irreversibilidade e buscaram estratégias inovadoras para o trabalho em sala de aula. Denominamos o trabalho dos referidos professores de práticas

alterativas. Nestas aulas, alunos foram retirados de uma posição de dependência e

submissão, professores experimentaram novos modos de ensinar e de se constituir como professores.

Outra forma de abertura aos processos de criação e invenção na escola se deu com a realização de uma experiência com um grupo de jovens alunos, por meio do projeto Além da Imagem. Apresentaremos uma exposição detalhada acerca dessa experiência e, logo em seguida, discorreremos sobre as práticas alterativas.

Do dispositivo “Além da Imagem” como tática de resistência37 na escola

Os seis encontros do projeto Além da Imagem, realizados pelo pesquisador com um grupo jovens alunos, demonstraram a possibilidade de experimentar novos modos de pensar e agir por meio de práticas escolares menos verticalizadas38. Houve participação ativa de todos os envolvidos na realização das atividades.

A partir de registros fotográficos feitos por alunos dentro e fora da escola, houve troca de experiências e discussões sobre a escola e a vida na comunidade. As discussões não ficaram limitadas aos problemas pertinentes à escola, assuntos relacionados ao projeto de futuro dos alunos também motivaram algumas discussões.

Os participantes expuseram alguns objetivos relacionados ao futuro. Alguns pretendem ingressar em cursos de nível superior, enquanto outros pensam em abrir um negócio próprio. Apesar das projeções citadas, de modo geral os jovens demonstram dificuldades ao falar sobre o futuro e incertezas quanto ao projeto de vida são muito comuns. Os principais impedimentos giram em torno das dificuldades impostas principalmente pela falta de recursos financeiros. Muitos jovens encontram saídas para pensar e se preparar para o futuro nos projetos sociais viabilizados pelas organizações não governamentais (ONGs), as quais estão presentes em grande quantidade na comunidade Paraisópolis39.

Um aluno contou sobre uma experiência possibilitada por sua participação em

37 Referimo-nos aqui aos encontros para a realização da oficina denominada Além da Imagem. Esse procedimento está detalhado no capítulo sobre as estratégias metodológicas.

38 O quadro com a descrição das atividades do projeto Além da Imagem está no anexo 3.

um projeto promovido por uma ONG. Na ocasião, ele se apresentou em uma ONG com o grupo de dança do qual é um dos integrantes. O evento marcou a visita de Ja

Rule, rapper norte-americano, que veio ao Brasil e passou pela comunidade

Paraisópolis40. Isto corrobora a informação apresentada por Costa (2007), que versa sobre o importante papel de outros estabelecimentos educativos para alunos. Por conta da lacuna deixada pela baixa incidência de dispositivos que viabilizem a experimentação e movimentos instituintes aos alunos, muitos encontram maior acolhida nas turmas, festas, movimentos sociais, ONGs e centros culturais.

Inicialmente, mostraremos uma fotografia que foi publicada no blog do projeto e discutida em grupo. Em seguida, exporemos duas fotografias que, apesar de não publicadas, também serviram para as discussões no grupo:

figura 6; título: O corredor!

Legenda: Um corredor vazio, sem esperança... Um dia cheio, pra quem convive com o cansaço, desânimo, violência... (Aluna do Ensino Médio)

A foto exposta traz um registro do interior da escola, mas a legenda que a acompanha vem carregada de informações sobre a vida dos alunos. Essa aluna testemunha a condição em que se encontra a maioria dos usuários da escola. Testemunhar é insinuar vozes omitidas na trama das experiências cotidianas, é

murmurar algo que escapa de modo imprevisto. Muitas coisas não podem ser percebidas. O testemunho viabiliza a transformação do “imperceptível” em um problema. Sem testemunhos, zonas do acontecimento ficam escondidas nas mais variadas práticas e discursos (Percia, 2002).

Em outro encontro com o grupo de jovens alunos, a partir das fotografias a seguir continuamos com uma discussão em torno das dificuldades enfrentadas pelos moradores da comunidade:

figura 7: vista para o bairro vizinho da

comunidade Paraisópolis figura 8: vista para algumas casas da comunidade Paraisópolis

Essas duas fotografias apresentadas foram registradas a partir de um mesmo ponto (o quintal da casa de uma aluna integrante do grupo). O contraste entre o bairro vizinho (à esquerda) e a comunidade Paraisópolis (à direita) é evidente. A partir desses registros, discutimos temas como: desigualdade social, violência, desemprego, alcoolismo e preconceito.

Pudemos interrogar o sentido da escola, suas condições de funcionamento, suas problemáticas, enfim. Esse processo indica o que chamamos aqui de

enfrentamento dos dispositivos de assujeitamento de subjetividade.

Essa experiência possibilitou ao grupo (pesquisador e alunos) a ocupação de um lugar diferente na escola, pois as discussões viabilizaram questionamentos e problematizações. Alunos encontraram possibilidades de pensar sobre o cotidiano escolar e “o pensamento é liberdade em relação àquilo que se faz, o movimento pelo qual dele nos separamos, constituímo-lo como objeto e pensamo-lo como problema” (FOUCAULT, 1984, p. 232). Essa experiência nos mostra a possibilidade de constituir dispositivos de resistência ao modelo predominante de escola, viabilizando outros vetores de produção de subjetividade na escola. Além dessa experiência, outras situações e relatos indicaram a possibilidade de viabilizar processos criativos, de produção de subjetividade, de resistência às práticas que tendem ao assujeitamento, conforme veremos a seguir.

Das práticas alterativas

Citaremos dois relatos de uma professora acerca de suas práticas escolares, consideradas alterativas, de transformação e criação. Em seguida, discorreremos sobre duas aulas, também inovadoras, acompanhadas pelo pesquisador durante a realização da pesquisa.

Prática 1

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