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4. Analyse

4.3 Konsekvenser

O PCEx aponta que as questões da indisciplina são um dos pontos mais complicados que a escola tem que lidar atualmente e que os professores enfrentam no ambiente de sala de aula. A este respeito, afirma que “os problemas da indisciplina não estão na escola, vêm de fora para dentro, porque, no fundo, são o reflexo daquilo que há em casa, daquilo que há à volta de casa”, ou seja, estes dilemas vão para além dos limites da escola. O representante dos Encarregados de Educação enfatiza este mesmo ponto, afirmando: “acho que certos pais não se importam com a educação de seus filhos, não os acompanham, não os ajudam nos trabalhos de casa”. Claro, a consequência destes atos refletem-se numa criança indisciplinada, abusiva, ou seja, com uma conduta problemática no que concerne à educação. Em conformidade com o RI (2010-2014) da EBSGZ, está implícito o objetivo da prevenção de situações de indisciplina, proporcionando à comunidade escolar conhecimentos suficientes para lidar com estes comportamentos irregulares.

Outra problemática tem a ver com o absentismo escolar. A este título, o PCEx observa que muitos destes alunos gostam de vir para a escola, mas faltam muito às aulas, porque ficam nos pátios com os amigos. O mesmo, curiosamente, evidencia que “esse tipo de alunos, se entram à 13h, às 8h da manhã já estão na escola ou, se saírem às 13h, ficam até às 18h na escola”. Portanto, podemos constatar que estes alunos “não têm nada em casa que os cative”. Por esta razão, têm de vir para a escola porque é onde estão os amigos, sendo esta “a possibilidade que eles têm de se relacionar com outras pessoas”. Também a VPCE destaca esta questão e afirma que “mesmo aqueles com absentismo, a maioria deles vêm à escola”, o que leva a concluir que estes alunos consideram importante o espaço escolar e a socialização com os colegas. Com o intuito de complementar esta realidade, Sousa (2007) descreve este espaço escolar, sobretudo como “um espaço construído socialmente e uma dimensão através da qual e sobre a qual as relações sociais se vão construindo e concretizando” (p. 113). A autora salienta ainda que “os alunos tornam-se alguém nesse espaço” (Ibidem). Entendemos por espaço escolar, toda a estrutura física da escola, como as salas de aula, corredores, átrio, pátios, etc. (Nóvoa, 1995).

Retomando o discurso da VPCE, estes alunos “não se enquadram é no modelo de ensino”. A realidade é que há todo um conjunto de factos/problemas por trás destas atitudes, tais como famílias desestruturadas e desmotivadas, a desvalorização da escola, entre outros.

Outra situação tem a ver com os resultados escolares, razão pela qual o PCEx expõe que “este também é um ponto sobre o qual trabalhamos, grupo a grupo, professor a professor, no sentido de encontrar estratégias para melhorar os resultados”. O mesmo considera

Embora, a nossa política não seja ter uma escola virada para os exames e para os resultados dos exames, porque não apoiamos esse tipo de política, não nos podemos esquecer que os alunos têm de estar preparados para efetuá-los, por isso tentamos trabalhar nesse sentido.

Todavia, a PCP considera que a escola tem uma boa equipa, “temos bons profissionais, a maioria dos nossos colegas, com pouco, conseguem fazer muito”. Quanto aos alunos, estes têm conseguido bons resultados, enfatiza, “não se refletem nos rankings, mas a evolução do aluno ao longo dos anos é muito positiva”. Neste sentido, a presidente defende que “em educação os resultados não aparecem logo. Em educação, os resultados são muito lentos e por isso as lideranças têm a sua responsabilidade”. Bolívar (2012) e Silva (2010) abordam este tema relativo à influência da liderança nos resultados escolares dos alunos, concluindo conjuntamente que existe influência.

Para além destes desafios, juntam-se os graves problemas sociais que algumas famílias e alunos vivenciam. O PCEx menciona, a título de exemplo, o desemprego, a violência, a fome, entre outros. Relativamente a esta questão do desemprego, o PCCE afirma que, através das folhas das cadernetas, nota que muitos alunos têm os pais desempregados, problema que se reflete em muitos aspetos da vida escolar destes alunos, pois, por exemplo, “quase todos os anos havia alguns alunos que adquiriam livros de colegas anteriores e, neste momento, quase todos os alunos optam por utilizar esse método”. Existem igualmente casos de alunos que têm refeições graças à escola. Neste âmbito, o PCCE afirma que “há alguns que nós conseguimos detetar diretamente e a escola tenta colmatar”, mas também “há casos de pobreza envergonhada”, o que torna difícil detetar e ajudar. Nesta situação específica, “as pessoas têm alguma vergonha de mostrar uma pobreza que não tinham anteriormente e tentam ocultá-la”. A PCP corrobora esta realidade e acrescenta “infelizmente, esta crise em que vivemos tem influenciado muito os nossos alunos, cada vez mais chegam à escola alunos com dificuldades a nível económico, vêm sem tomar o pequeno-almoço e, muitas vezes, há alunos que tomam as únicas refeições na escola”. É óbvio que, depois, durante as aulas, “não podemos exigir de um aluno que toma todas as refeições, que tem um acompanhamento necessário em casa, o mesmo, que se exige destes alunos, que lhes falta tudo”. Neste contexto, a representante dos Alunos confirma que “esta crise e as dificuldades dos alunos, claro que afetam a escola”. Também, a VPCE evidencia este aspeto das problemáticas das famílias e dos próprios alunos. O PCEx, juntamente com o PCCE, afirmam que a questão atual da crise e, consequentemente, as questões financeiras afetam significativamente a escola e prejudicam o funcionamento das aulas. O PCEx explica esta opinião, dizendo que a escola não tem projetores suficientes para os professores utilizarem, faltam gravadores para os professores das línguas, tem problemas com computadores obsoletos e precisam de computadores atualizados. A VPCE, de igual modo, salienta que as condicionantes orçamentais prejudicam a ação da escola.

Tanto a VPCE como o PCCE sublinham uma outra problemática que a escola tem que lidar, nomeadamente com os pais, pois muitos não participam e não aparecem quando solicitados. Neste sentido, o PCCE afirma que “temos alguma dificuldade em trazer alguns pais à escola”. Mas existem exceções, admitindo que “os que vêm são quase sempre os mesmos”, normalmente são os mais interessados e, muitas vezes, com os filhos mais participativos. Estes pais “aparecem com alguma frequência e tentam colocar-se a par da realidade e, às vezes, até questionam as decisões tomadas pela escola”.