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Konsekvenser av tiltaket

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Paulo divulgou o evangelho de Cristo para os israelitas vivendo entre não israelitas e dessa forma os colocou em contato com um grande número de gregos (MALINA, 2006, p. 120). Isso possibilitou o encontro com a diversidade cultural que pode ter causado algum estranhamento. As práticas sociais dos israelitas não eram as mesmas dos gregos ou dos celtas de Antioquia. Contudo, após o advento de Cristo em suas vidas se tornaram membros de um mesmo grupo e deveriam conciliar as suas diferenças. E às vezes a identidade social de um povo e seus costumes culturais estão mais arraigados que uma nova identidade social enquanto membro de um grupo recentemente criado. Porém, em Paulo e Cristo, já não há mais judeu ou grego (Gl 3, 28), mas sim Cristo e os irmãos da eklesia. Parece que, segundo Malina (2006, p. 120), a maioria dos israelitas que Paulo recrutou eram os civilizados gregos, mas na Galácia emergiram os judaizantes com a tarefa de tirar desses membros do grupo de Jesus as características específicas de Gregos em favor das características da Judéia.

Como a carta indica a identidade social do grupo de Jesus, conforme estabelecido por Paulo, que vem sob ataque com outra forma do evangelho de Deus, e a agência atacante é um grupo de pessoas chamado judaizantes (MALINA, 2006, p. 120). Paulo, enquanto um sujeito preocupado com a identidade social do grupo de Jesus estava imbuído de autoridade apostólica para fazer prevalecer os ensinamentos do evangelho de Cristo. Paulo trabalhou em prol da construção de comunidades baseadas nos ensinamentos de que a fé em Cristo é suficiente para a salvação, justificação e libertação. E foi a partir da fé no Deus que ressuscitou dos mortos a Cristo Jesus, que Paulo procurou desenvolver a identidade social das comunidades que criou. Para o crescimento e desenvolvimento dos membros do grupo de Jesus o senso de integridade foi a preocupação de Paulo (MALINA, 2006, p. 120). Paulo trabalhou para manter a unidade das comunidades cristãs. Paulo se preocupou com a identidade social dos membros do grupo de Jesus procurando manter as comunidades em comunhão com Cristo para o estabelecimento de valores internos no grupo que preservassem a igualdade e liberdade.

Em Gálatas 5, 1-14 a preocupação de Paulo foi em preservar a identidade social da comunidade da Galácia combatendo os ensinamentos dos judaizantes. Os judaizantes atacaram o apóstolo Paulo e sua autoridade como se pode perceber em Gl 5, 11: “quanto a mim, irmãos, se ainda pregasse a circuncisão, por que, então, estaria sendo perseguido? Nesse caso, o escândalo da cruz ficaria abolido”. Paulo se posiciona contrário à circuncisão e defende a fé em Cristo que ressuscitou dos mortos como o definidor central da comunidade cristã. O objetivo dos cristãos judaizantes era destruir a autoridade apostólica de Paulo para desacreditá-lo. Esta era a estratégia dos judaizantes para persuadir os gálatas a se circuncidar promovendo o retorno à submissão à Lei dada por Deus a Moisés no Sinai.

Os judaizantes pertencentes provavelmente ao um grupo de israelitas que se tornaram cristãos não eram rigorosos na prática da Lei. “Pois aqueles mesmos que se fazem circuncidar não observam a lei; eles querem, entretanto, que sejais circuncidados...” (Gl 6, 13). O termo judaizar descreve alguém com a intenção de transformar as pessoas em judeus insistindo que elas aceitem as observâncias da Judéia, tal como praticada na Judéia (MALINA, 2006, p. 120). E não se pode negar que os costumes judeus eram estranhos aos costumes dos gregos. Inclusive mesmo alguns judeus não praticavam a circuncisão. Paulo chama esses judaizantes de “falsos irmãos” (Gl 2,4). É provável que tenham sido irmãos dos gálatas, contudo Paulo os considerava cristãos só no nome. Para Paulo eles eram enganadores e perturbadores (Gl 5, 10b) porque queriam impor obrigações relativas à Lei judaica que resultariam em um retrocesso em relação à fé em Cristo e à liberdade que procede desta fé. Esses cristãos judaizantes fundamentaram seus ensinamentos no livro de Gênesis com o objetivo de convencer os gálatas a circuncidarem-se como Abraão a fim de se tornarem herdeiros da promessa (FERREIRA, 2005a, p. 22).

Os judaizantes foram chamados por Paulo de pregadores de “um outro evangelho” (Gl 1, 6). Estava claro que Paulo entendeu os ensinamentos dos cristãos judaizantes como contrários ao seu evangelho. Esses pregadores propuseram aos gálatas a adesão à Lei e sua observância que incluía a circuncisão. Esta proposta os impedia de obedecer à verdade (Gl 5, 7). É bem provável que o cristianismo para esses judeu-cristãos representasse alguma forma

de perda de privilégios que estava prejudicando o que já haviam conquistado enquanto judeus praticantes da lei. Talvez por isso os judaizantes tenham insistido na circuncisão dos cristãos não judeus e na submissão à Lei. Mas para Paulo se os gálatas se transformassem em judeus teriam que se submeter aos preceitos da Lei integralmente, inclusive aderindo à antiga aliança, a aliança do Sinai.

Estava em debate então a identidade social do grupo dos gálatas. O modelo de identidade social salienta três dimensões sendo primeira a do conhecimento e consciência do fato de que ‘nós’ formam um grupo contra ‘eles’ incluindo o conhecimento de que as características do nosso grupo são contrárias às deles (MALINA, 2006, p. 120). Uma das características que reforça a coesão do grupo são exatamente o conhecimento e consciência de que quem não é do grupo não faz parte do nós. E quem faz parte do nós está de um lado diferente do lado composto por eles. Esses lados diferentes por vezes se opõem para reforçar a identidade e coesão do grupo. A segunda dimensão do modelo de identidade social é avaliativa que considera que a nossa maneira de fazer as coisas é boa e os nossos valores são bons e certamente melhores do que os deles (MALINA, 2006, p. 120). Dessa forma o grupo se avalia enquanto uma opção melhor do que a de outro grupo qualquer. Uma terceira dimensão para Malina (2006, p. 120) é a de que amamos um ao outro, nos relacionamos uns com os outros, apoiamos um ao outro e estamos ligados ao Senhor Jesus e um ao outro; vínculo, pertença e afeição para colegas membros de um grupo são típicos desta dimensão. Essas três dimensões estão presentes no grupo formado pelos colegas de Paulo pertencentes ao grupo de Jesus e caracterizam a sua identidade social. Para Paulo os judeu-cristãos não faziam parte do nós. Mas eles se apresentaram como irmãos em Cristo confundindo os gálatas. Eles estavam ameaçando a identidade social do grupo da Galácia com suas práticas contrárias ao evangelho de Cristo. Paulo achou necessário demonstrar aos gálatas que os judeu-cristãos não pertenciam ao grupo, eles não faziam parte do nós e deveriam ser desmascarados. Essa perturbação, segundo Paulo poderia colocar em risco a coesão do grupo confundindo-os.

Segundo Paulo, a respeito dos judaizantes de gálatas, “o seu único objetivo é não ser perseguido por causa da cruz do Cristo" (Gl 6, 12). A proposta de uma adesão às práticas da lei, principalmente referente às refeições e à circuncisão na verdade não amenizam as perseguições e as perdas decorrentes da adesão plena

a Cristo. É um grande engano que Paulo já havia percebido. Para Paulo os cristãos judaizantes eram perturbadores que representavam mais seus interesses particulares e os de Roma, mais que propriamente os interesses de Cristo ou dos gálatas (ASSIS, 2009, p. 21); pois, “eles só vos querem desligar de mim para se tornarem eles mesmos objetos da vossa solicitude” (Gl 4, 17).

A carta de Paulo aos Gálatas esclarece então a respeito do movimento desses cristãos judaizantes para que os membros do grupo de Jesus se judaizassem. Paulo combate o estilo de vida dos judaizantes para os cristãos gálatas, pois o considerava contrário ao evangelho de Jesus Cristo, uma vez que era motivado por desejos implícitos de retorno à lei judaica. O propósito desse movimento na comunidade para Paulo era na verdade retornar à lei e eliminar Cristo (Gl 5, 4). Dessa forma a justificação através da fé no Cristo ressuscitado estava em questão na determinação da circuncisão por parte dos judaizantes para os cristãos gálatas. Era mister que Paulo defendesse o evangelho de Jesus Cristo para os cristãos gálatas contrariando e combatendo os judaizantes. Era necessário que Paulo se posicionasse e defendesse a justificação pela fé somente em Jesus Cristo.

O evangelho da justificação pela fé estava sendo arruinado pelos judaizantes que se infiltraram na comunidade para persuadirem os gálatas a se circuncidarem e aderirem à lei. O apóstolo Paulo denomina esses judaizantes de perturbadores e deseja para eles o castigo merecido: “porém, aquele que vos perturba, seja quem for, terá o merecido castigo” (Gl 5, 10). O castigo adequado para a ação dos judaizantes de perverter o caminho dos cristãos gálatas era a mutilação. Paulo sugere aos judaizantes que melhor que se mutilassem de vez aqueles que vos inquietam (Gl 5, 12). Metaforicamente Paulo afirma: “um pouco de fermento fermenta a massa toda” (Gl 5, 9). Um aparentemente simples ensinamento em direção à circuncisão e toda a comunidade se corrompe afastando-se completamente de Cristo. Era imprescindível que Paulo convencesse os gálatas a permanecerem em cristo e na liberdade e derrotasse os argumentos dos judaizantes. Paulo defendia a inclusão dos gentios no plano de salvação de Cristo. A carta aos Gálatas é uma defesa da liberdade e igualdade para todos. Gálatas é também a carta da abertura de fronteiras.

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