4. TEKNOLOGIUTREDNING
4.2 Teknologistatus
4.2.1 Konkurrerende løsninger
“[...] se o olhar transporta para a imagem daquilo que é
olhado um pouco da pessoa que olha, se o olhar transporta para a imagem a relação entre o que vê e o que é visto, deduz que ver é relacionar-se”.
Luiz E. Soares, Bill M.V., Celso Athayde (2005, p. 56).
Apresentarei aqui os procedimentos da observação e da entrevista em fases distintas. Essa foi uma forma didática que encontrei, para relatar o que aconteceu com certa simultaneidade. No processo de observação, ocorreram momentos que encaminharam para a entrevista, assim como as entrevistas demandavam novos olhares. O que relatarei aqui se configura em um recorte descritivo do processo de coleta de dados.
O processo de observação, na perspectiva de construir o campo empírico da pesquisa, iniciou de formas mais sistemáticas, no ano de 2011. Procurei, nesse período, conectar o vivencial ao processo de pesquisa, buscando encontrar, em
diferentes momentos interativos5, elementos significativos no processo de constituição da docência. Compreendendo, como Gadamer (2002, p. 106), que “algo se transforma em vivência, na medida em que não somente foi vivenciado, mas também que o seu ser vivenciado teve como efeito especial, que lhe empresta um significado permanente”. Os registros desse processo serviram de suporte para a construção do Projeto de Tese.
Após a definição das pessoas da pesquisa, por meio da analise documental, retomei o processo de observação que, conforme Lüdke e André (1986),
[...] permite que o observador chegue mais perto da “perspectiva dos sujeitos”, um importante alvo nas abordagens qualitativas. Na medida em que o observador acompanha in loco as experiências diárias dos sujeitos, pode tentar apreender a sua visão de mundo, Isto é, o significado que eles atribuem à realidade que os cerca e às suas próprias ações (LÜDKE; ANDRÉ, 1986, p. 26).
Nesse sentido, busquei trilhar o caminho do diálogo, permeado pela escuta e pelo olhar, compreendendo que
escutar é mais que ouvir, é tentar pela fala do outro, entendê-lo na sua inteireza, é prestar atenção nos seus gestos, nos momentos que sorri ao lembrar ou de tristeza pela dor que aquelas palavras causam. É prestar atenção as emoções que as palavras suscitam, como alterações de vozes, sensação de conforto ao dizê-las. Escutar é construir juntos um diálogo prazeroso, é sem dúvida um ato de amor (NASCIMENTO, 2004, p. 24).
Também penso que uma escuta sensível permite ouvir o sentido da palavra silenciada, que expressa as suas múltiplas significações:
O silêncio é o fundador da significação. [...] um lugar de recuo necessário para que se possa significar, para que o sentido faça sentido. Reduto do possível, do múltiplo, o silêncio abre espaço que permite o movimento do sujeito (ORLANDI, 1995, p. 13-14).
E, ainda, ao focar o olhar nas pessoas da pesquisa, tive a perspectiva de apreender os sentidos que atribuem ao seu processo de constituição da docência, a partir das diferentes relações que se estabelecem no contexto pesquisado,
abarcando as várias interações estabelecidas, os contextos em que ocorrem e os papéis atribuídos e assumidos. Entendo que o olhar não é neutro, como afirma Soares (2005), mas guiado por concepções, portanto o “olhar” não serve de metáfora para designar a suposta objetividade do vínculo entre o sujeito da ciência e o seu objeto. Pelo contrário, não há pureza nem objetividade no olhar, visto que implica transportar para a imagem daquilo que é olhado um pouco da pessoa que olha. Nossa visão das coisas e das pessoas é carregada de expectativas e sentimentos, valores e crenças, compromissos e culpas, desejos e frustrações. Por isso, olhar implica estabelecer vínculos, que se criam, quando existe cumplicidade e não se dão em apenas um encontro e, sim, em um conjunto de relações – “ver é relacionar-se” (SOARES, 2005, p. 173).
Dessa forma, estive atenta ao que recomendam Bogdan e Biklen (1986), em relação ao conteúdo da observação, que deve envolver uma parte descritiva e outra, reflexiva.
A parte descritiva envolve: descrição dos sujeitos, reconstrução de diálogos, descrição de locais, descrição de eventos especiais, descrição das atividades e os comportamentos do observador. E a parte reflexiva inclui as observações pessoais do pesquisador, feitas durante a fase de coleta: suas especulações, sentimentos, problemas, ideias, impressões, pré-concepções, dúvidas, incertezas, surpresas e decepções (BOGDAN; BIKLEN, 1986, p. 30-31).
Seguindo essa compreensão, passei a realizar um período de observação sistemática, a partir das indicações referidas nas observações anteriores, mas nesse momento focando os processos interativos das pessoas da pesquisa, nos diferentes espaços constitutivos da docência do IFSul – Campus Passo Fundo. Nesse sentido, foi possível elencar alguns elementos de grande significado, que serão retomados e analisados com profundidade no entrelaçamento com as narrativas dos professores envolvidos na pesquisa. Esses elementos podem ser assim categorizados:
1. Momentos iniciais da docência na instituição e suas transformações; 2. Relacionamento com os demais colegas e os alunos;
3. Processo de mediação pedagógica, trabalho realizado pela assessoria pedagógica6;
4. Relação com o processo de planejamento e construção curricular do curso;
5. As interações em reuniões pedagógicas; 6. A sala de aula e a docência;
7. Os conselhos de classe participativos que possibilitam a avaliação e a autoavaliação dos processos de ensino e aprendizagem.
Nessa fase, segui as orientações de Rossetti-Ferreira, Amorim e Silva (2004), de que o pesquisador deve atuar como um etnógrafo, buscando descrever, em um “diário de campo”, o que está acontecendo à sua volta, especificando, em cada episódio registrado, quem dele participou, o quê, onde, como e quando ocorreu, tendo sempre em vista o objeto de estudo e as questões da pesquisa.
O diário de campo, como instrumento de registro de dados, segundo Lüdke e André (1986),
[...] é essencialmente prático, é interessante que, ao iniciar cada registro, o observador indique o dia, a hora, o local da observação e o seu período de duração. Ao fazer as anotações, é igualmente útil deixar uma margem para a codificação do material ou para observações gerais. Sempre que possível, é interessante deixar bem distinto, em termos visuais, as informações essencialmente descritivas, as falas, as citações e as observações pessoais do pesquisador (LÜDKE; ANDRÉ, 1986, p. 32-33).
As observações se colocam nesse contexto como complementares ao processo de entrevistas que, segundo Lüdke e André (1986), ao lado da entrevista, representa uma das principais técnicas de trabalho em quase todos os tipos de pesquisa nas ciências sociais.
Portanto, a principal fonte da pesquisa foram as entrevistas narrativas de vida dos docentes, gravadas, transcritas e repassadas eles para correção, exclusão e acréscimo, bem como as reflexões propiciadas por meio dos registros em diários de campo.
Entendo que essa configuração que será tecida junto, em sua integralidade, considerando questões empíricas, teóricas e metodológicas, possibilitará, enquanto prática de pesquisa, um novo jeito de tecer o trabalho analítico, tornando mais explicita as trilhas e os caminhos da pesquisa. É, de fato, um movimento complexo, pois é tecido junto: o empírico, o percurso metodológico com o trabalho analítico (Diário de Campo: anotação de 21/03/2012).
Situamos essa abordagem na perspectiva de um olhar que procura ver a complexidade dos fios que tecem as redes de significações constituintes de vida e nelas os “nós” de seus ciclos e movimentos. Essa perspectiva se coloca como um grande desafio para o pesquisador, pois mergulha na multiplicidade de fios em movimento.
Dessa forma, cabe salientar que o estudo procurou levar em conta não só o corpus produzido por apenas um evento da pesquisa, ou seja, só pela entrevista ou só pela observação, mas também, nas diferentes sensibilidades e caminhos reflexivos que fui evidenciando e registrando no diário de campo. Nesse sentido, busquei captar o dito, o anunciado e o não dito e o não anunciado, isto é, não apenas o relatado em si, com ainda o que ia para além dele mesmo, procurando perceber inclusive os silenciamentos e as reticências. Tentei potencializar um olhar investigativo das ações, das posturas, das concepções, dos processos e das lógicas que fundamentam as práticas e as trajetórias docentes.