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2.2.7.4.1 Comparação de duas variâncias

O teste de hipótese é um método de inferência estatística que permite verificar a partir dos resultados obtidos através de uma, ou mais amostras, se uma determinada hipótese sobre uma ou várias populações deve, ou não, ser rejeitada.

A hipótese que se pretende testar é a Hipótese Nula (H0) a qual se refere sempre a uma igualdade. Por outro lado, a Hipótese Alternativa (H1) contém sempre uma desi- gualdade na sua formulação e constitui, como o nome indica, uma alternativa à Hipótese Nula(Pereira & Requeijo,2012).

Assim, caso se queira aferir sobre as variâncias de duas populações formula-se o seguinte teste,

H0 : σ12=σ22 (2.11a)

H1 : σ126=σ22 (2.11b)

Definida a hipótese a estudar a estatística de teste é dada por

F0 = S12 S22

(2.12)

em que S12e S22são as variâncias amostrais calculadas a partir dos dados recolhidos de ambas as populações (n1e n2).

Por fim, a Hipótese Nula é rejeitada se F0 >F(1−α/2);(n1−1)(n2−1)ou se F0 <Fα/2;(n1−1)(n2−1).

Note-se que, este teste pressupõe que as duas populações são Normais, pelo que se deve verificar primeiro a Normalidade dos dados antes da formulação do teste de hipótese.

2.2.7.4.2 Diferença de duas médias

Caso se queira aferir sobre a diferença de duas médias deve-se formular o seguinte teste de hipóteses:

H0 : µ1−µ2 =∆0 (2.13a)

H1 : µ1−µ2 6=∆0 (2.13b) ∆0 =0 quando se se quiser estudar a "igualdade"das duas médias. Após definido o teste em estudo é necessário escolher a estatística teste adequada ao estudo que depende essencialmente de três premissas: Normalidade dos dados, conhecimento das variâncias das populações (σ1222) e se as variâncias das duas populações são significativamente diferentes ou não. Deste modo, é de todo aconselhável estudar primeiro as variâncias das populações como apresentado em2.2.7.4.1.

Caso as variâncias das populações sejam conhecidas a estatística de teste é dada por

Z0 = (X¯1−X¯2) −∆0 q σ12 n1 + σ22 n2 (2.14)

sendo a Hipótese Nula rejeitada caso|Z0| > Zα/2(teste bilateral).

Se as variâncias das populações forem desconhecidos, mas não sejam estatisticamente diferentes a estatística de teste é dada por,

t0 = (X¯1−X¯2) −∆0 Sp q 1 n1 + 1 n2 (2.15)

sendo Sp2a variância combinada das duas populações dada por,

Sp2=

(n1−1)S12+ (n2−1)S22 n1+n2−2

A Hipótese Nula é rejeitada se|t0| >tα/2;(n1+n2−2).

Por fim, se as variâncias das populações forem desconhecidas, mas forem significativa- mente diferentes a estatística de teste é definida por,

t0= (X¯1−X¯2) −∆0 q S12 n1 + S22 n2 (2.17)

sendo a Hipótese Nula rejeitada se|t0| >tα/2;νcom

ν= (S1 2/n 1+S22/n2)2 (S12/n1)2 n1−1 + (S22/n2)2 n2−1 (2.18)

2.2.7.4.3 Comparação de duas proporções de defeituosos

Em contexto industrial muitas vezes é necessário distinguir o modo de funcionamento entre duas máquinas ou dois processos distintos. Neste sentido, aferir estatisticamente sobre a proporção de defeituosos (p) dos dois equipamentos torna-se um meio expedito no auxilio da tomada de decisão.

Contudo, a proporção de defeituosos é um acontecimento discreto (passa ou não passa), associado a uma distribuição Binomial. Montegomery (2009) apresenta um teste que permite perceber se duas populações produzem a mesma proporção de defeituosos através da aproximação da distribuição Binomial a uma distribuição Normal. Para tal, recolhem-se duas amostras (n) de cada população, tendo em atenção que np > 5 e n(1−p) >5 para que a aproximação à distribuição Normal seja consistente (Pereira & Requeijo,2012).

Assim, define-se as seguintes hipóteses:

H0 : p1 = p2 (2.19a)

H1 : p1 6=p2 (2.19b)

Sendo a estatística de teste dada por,

Z0= ˆp1− ˆp2 q ˆp(1− ˆp)(n1 1 + 1 n2) (2.20)

que se aproxima da distribuição Normal reduzida N(0, 1)e ˆp é uma proporção combi- nada dada por,

ˆp= x1+x2

n1+x2

(2.21)

Assim, se Z0 ∈ [−/ Z−α/2; Zα/2]rejeita-se a hipótese nula, pelo que existem evidências

2.2.7.5 Capacidade de sistemas de medição

Como referido anteriormente um processo é influenciado por fontes de variação externas, sendo uma delas o sistema de medição. Para que o controlo da qualidade seja eficaz o equipamento deve possuir três características chave: exatidão, linearidade e estabilidade. Isto é, um equipamento deve ter a aptidão de ler valores próximos do valor real, e esses valores devem ter uma relação linear com os valores medidos num equipamento padrão. Por fim, um equipamento deve apresentar uma variabilidade reduzida numa leitura feita ao longo do tempo.

Neste sentido, os estudos da repetibilidade têm vindo a auxiliar na aferição da capaci- dade de um determinado sistema de medição. Entende-se por repetibilidade a capacidade do equipamento fornecer, sob as mesmas condições, valores de medição análogos quando uma determinada característica da qualidade é medida repetidamente na mesma unidade de produto. Por outro lado, quando a medição necessita de um operador para a executar, a repetibilidade também permite perceber a capacidade do operador fazer (ou não) a mesma leitura ao longo do tempo (Pereira & Requeijo,2012).

Note-se que, na analise da capacidade de sistemas de medição é comum analisar-se também a reprodutibilidade, que mede a capacidade de um equipamento fazer a mesma medição sendo utilizado por n operadores distintos. Contudo, como se verá adiante, na presente dissertação não foi estudada a reprodutibilidade, pelo que não se abordará a sua componente teórica.

2.2.7.5.1 Estudo da Repetibilidade

Um dos métodos utilizados no estudo da repetibilidade envolve a construção de cartas ¯

X e R. Estas duas cartas permitem controlar tanto a média ( ¯X) como a amplitude (R) de uma determinada característica da qualidade. Para a sua construção deve-se recolher m amostras de dimensão n ao longo do tempo até perfazer 100 observações individuais (N=n×m), sendo que os respetivos limites de controlo se encontram na Tabela2.15.

Tabela 2.15: Limites de controlo das cartas ¯X e R

Carta LIC LC LSC

¯

X X¯¯ −A2R¯ X¯¯ X¯¯+A2R¯

R D3R¯ R¯ D4R¯

Onde, A2, D3, D4são constantes que dependem apenas da dimensão da amostra (n) e podem ser consultadas na TabelaA.3, apresentada no AnexoA, enquanto ¯¯X e ¯R são calculados segundo as Equações2.22e2.23, respetivamente.

¯¯ X= ∑ m i=1X¯i m (2.22) ¯ R= ∑ m i=1Ri m (2.23)

No entanto, ao contrário da carta de controlo ¯X em que se pretende que os valores se encontrem dentro dos limites de controlo, no estudo de repetibilidade o pretendido é o oposto. Isto é, pretende-se detetar o maior número possível de pontos fora dos limites de controlo, pois, tal facto indica que o equipamento de medição tem boa capacidade de distinguir entre as várias unidades do produto. Por outro lado, na carta R pretende-se que todos os valores estejam sob controlo estatístico, o que significa que o equipamento tem capacidade de efetuar a mesma leitura repetidas vezes.

Pereira e Requeijo (2012) sugerem a seguinte metodologia para o estudo da repetibili- dade:

1. Recolha aleatória de m unidades do produto;

2. Numeração das m unidades;

3. Medição da característica em estudo, em cada uma das m unidades;

4. Repetir o passo 3 até perfazer o número de medições desejado para cada unidade (r);

5. Construção das cartas ¯X e R;

6. Estimação do desvio padrão da repetibilidade.

ˆσRepet.= ¯ R d2∗