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De acordo com Pere Soler Masó (2008), a animação sociocultural teve um percurso muito importante em muitos países mas foi implementada e evoluiu de forma desigual. De acordo com o autor, em função dos diferentes países e suas culturas, existe uma quantidade e diversidade de histórias, tradições e interpretações sobre a animação sociocultural. O autor refere ainda que o país que talvez mais se identificou com o termo e o conceito implícito na animação sociocultural foi França (2008, in Pereira, Vieites e Lopes).

Lopes (2006), no seu livro intitulado Animação Sociocultural em Portugal, refere que o desenvolvimento da animação infantil corresponde a uma necessidade básica sentida com o estabelecimento do regime democrático em Portugal. De acordo com o autor, a Animação infantil teve como objectivo central “complementar as funções cometidas, tradicionalmente, à escola, pela via da educação não formal” (p. 315). Neste contexto, a acção deste âmbito de Animação Sociocultural foi traduzida na realização de programas lúdicos e formativos e que tiveram lugar em contextos como as colónias de férias, passeios e visitas.

O autor define como programa de Animação Sociocultural na infância, um conjunto de actividades de carácter lúdico (Lopes, 2006).

Masó faz uma análise da animação sociocultural no sector da infância e argumenta que este termo se relaciona mais com programas, projectos e serviços dirigidos à população adulta

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ou idosa. Segundo o autor, quando os projectos são dirigidos ao sector infantil são utilizados outros termos como “Animação infantil”, ou “educação no tempo livre” quando se trata de programas cuja finalidade é mais educativa e não mera diversão (2008, in Pereira, Vieites e Lopes).

Calvo (1997), citado por Lopes, refere que “a animação sociocultural na infância mantém na sua forma de fazer os princípios próprios que a animação sociocultural defende, e somente nos seus programas de intervenção, nas suas actividades e metodologias, encontraremos processos específicos e diferenciais, fruto, por um lado, do ajuste às características e necessidades dos grupos destinatários da sua acção, e por outro, da sua estreita relação com a pedagogia do ócio.” (Lopes. 2006, p. 316).

Segundo Lopes (2006), qualquer acção a levar a cabo no domínio da Animação infantil deve obedecer a alguns princípios que contemplem a criatividade, a componente lúdica, a actividade, a socialização, a liberdade e a participação.

Um outro aspecto que o autor considera relevante no que respeita à população infantil, é que por vezes o adjectivo “sociocultural” é substituído por “socioeducativo”. Esta substituição, segundo o autor, deve-se ao facto de no sector infantil ser valorizada a vertente educativa. No entanto, o autor refere não ter motivo para tratar estes dois termos, animação sociocultural e animação socioeducativa, de forma separada e considera que toda a animação sociocultural também é educativa, embora nem toda a intervenção socioeducativa seja considerada animação sociocultural “estamos convencidos que em qualquer programa de ASC está implícito um trabalho educativo e de alteração” (Masó, 2008, in Pereira, Vieites e Lopes, p. 172).

Xavier Úcar, citado por Ander-Egg, refere que a animação designa ao mesmo tempo o objectivo e a vontade, ou seja, por um lado dinamizar e mover, e por outro lado alentar e animar (2008, in Pereira, Vieites e Lopes).

Ander-Egg, relativamente às características da animação, considera que “promover a participação das pessoas” é talvez a característica mais importante da animação ligada à “dinamização do meio social, de infundir vida nos grupos que promove”. De acordo com o autor, a importância da animação sociocultural no século XXI obteve outro significado e mais protagonismo na medida em que as associações e organizações que executam tarefas de animação têm-se multiplicado, bem como o número de animadores, cursos, seminários e jornadas. O autor considera que “tanto no trabalho social como na prática educativa, tem-se

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recorrido à animação como forma de estímulo e motivação nestes campos de acção sócio- educativa” (2008, in Pereira, Vieites e Lopes, p.20 e 21).

Um outro aspecto que o autor ressalta, é que a animação foi sendo incorporada no trabalho social nomeadamente no desenvolvimento da comunidade e tem estado incluída no campo educativo sendo “quase impossível levar à prática programas e actividades de educação não formal, sem recorrer à animação sociocultural como instrumento, método ou técnica essencial neste tipo de actividades” (2008, in Pereira, Vieites e Lopes, p.22).

Lopes da Silva, para situar a animação sócio-educativa, começa por distinguir duas vertentes: a vertente curricular e a vertente de apoio à família. Os objectivos que cada vertente pretende alcançar não devem ser separados, ou seja, o trabalho planeado deve ser realizado em conjunto e reflectido contribuindo dessa forma para uma qualidade educativa e de atendimento à criança (Lopes da Silva, 2002).

Ao abordar a temática da animação sócio-educativa também podemos fazer referência às actividades de “tempos livres”. No entanto, o termo “tempos livres”, como refere Maria Isabel L. da Silva aponta para “uma predominância da escolha das crianças”, ou seja, deverão ser oferecidas à criança possibilidades de opção, deverá ter liberdade de escolha e esta é uma característica subjacente à animação sócio-educativa (2002, p. 30). Sendo que, como refere a autora, as actividades de tempos livres são “fundamentalmente organizadas como resposta às necessidades das famílias”, são ainda “uma forma social e institucional de apoio às famílias” e não é a criança que decide ou não frequentá-las (Lopes da Silva, 2002, p. 29).

A animação sociocultural deverá estar inserida em todas as práticas educativas, desde o sector infantil até ao juvenil. Por vezes verifica-se que o contexto infantil, e mais concretamente as actividades e projectos desenvolvidos com este público, já estão demasiado formais e educativos e em pouco os aspectos lúdicos da faixa etária em questão são valorizados.

É importante reflectir sobre a forma como o ensino está organizado, sobre as práticas educativas dos professores que podem recorrer à animação para trabalhar diversos conteúdos programáticos, e acima de tudo, lutar para que o Jardim-de-infância não seja outra escola, institucionalizada, cheia de formalidades e obstáculo aos aspectos lúdicos que fazem parte do desenvolvimento da criança.

A brincar e jogar a criança está a aprender, a evoluir, a comunicar, a educar e a ser educada. Assim, a animação sociocultural deve estar inserida quer no contexto infantil quer juvenil e promover a participação dos diversos públicos.

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De acordo com López Valero (1999), as crianças através da participação podem aprender muito. É necessário pensar em estratégias e recursos que promovam a participação (cit. in Pere Soler Masó, 2008).

O desenvolvimento do currículo, de acordo com Lopes da Silva, no Jardim-de-Infância assenta em oportunidades de desenvolvimento e aprendizagem planeadas pelo educador para um determinado grupo de crianças. Este processo pedagógico, dependendo da forma como o educador interage com as crianças e da cooperação que promove entre elas, pode proporcionar que a criança aprenda com sentido e prazer. Assim, pensar a animação sócio-educativa e o que a caracteriza e distingue do tempo curricular “facilita a organização de ambos e permite uma reflexão sobre o trabalho docente do educador, bem como sobre o seu papel no funcionamento institucional” (Lopes da Silva, 2002, p. 26).

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Síntese do Capítulo II

Ao longo do capítulo verificamos que as modificações sociais e mais concretamente a evolução do quadro social influenciaram as diferentes funções atribuídas à educação pré-escolar. Ao longo dos últimos anos podemos constatar que o pai e a mãe trabalham fora de casa, o número de elementos que constituem as famílias tende a diminuir e os avós ou vivem demasiado longe ou então ainda se encontram empregados. Neste contexto, o atendimento à criança teve também de acompanhar toda esta evolução, a criança passou a ser vista como um ser importante e a Educação de infância passou a respeitar ao máximo o desenvolvimento da criança, desde o desenvolvimento psicológico, cognitivo, emocional, físico, entre outros.

Às instituições educativas cabe o dever de encontrar respostas para as necessidades sociais e ao mesmo tempo garantir que o tempo de atendimento às crianças seja de qualidade e que respondam ao máximo às necessidades das mesmas. É neste contexto que surgem os prolongamentos de horário como componente de apoio à família e que integram todos os períodos que estejam para além de 25 horas lectivas desde que estejam de acordo com a lei e sejam definidas com os pais no início do ano lectivo. Assim, para além dos períodos específicos para o desenvolvimento das actividades pedagógicas ou lectivas, começaram a existir períodos destinados a actividades de animação e apoio às famílias que privilegiam a livre escolha e a brincadeira espontânea.

A actividade lúdica é o meio mais natural para a aprendizagem, ela influencia o desenvolvimento da criança. Mas para que seja lúdica é fundamental que a criança sinta prazer e interesse em praticá-la. Actualmente, com a forte institucionalização infantil, é importante privilegiar a actividade lúdica, os espaços lúdicos e os planeamentos amplos para que a liberdade da criança não fique condicionada e para que as crianças manifestem prazer nas actividades que realizam. Daí que seja importante reflectir sobre os contextos de vida das crianças e mais concretamente sobre a forma como o tempo da criança está organizado.

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Capítulo III - Contextos de vida das