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4 Oppsummering og konklusjon

4.3 Konklusjoner

As relações entre língua, sociedade e cultura têm sido vistas e analisadas a partir de diferentes enfoques por estudiosos de diversas áreas. Tais enfoques, inclusive os linguísticos, ou sustentam a defesa da existência de enlaces intrínsecos entre língua, sociedade e cultura, ou sustentam a defesa da demarcação de suas fronteiras.

Nesta pesquisa, partimos do pressuposto de que as relações existentes entre língua, sociedade e cultura são indissociáveis, profícuas e múltiplas. Nesse sentido, é pertinente destacarmos que essas intrínsecas relações são singularmente explicitadas por Diki- kidiri (2002, p. 06) ao afirmar que cultura é “o conjunto das experiências vividas, produções realizadas, e conhecimentos gerados por uma comunidade humana que vive num mesmo espaço, ao mesmo tempo.”14

Assim sendo, acreditamos, como também o faz essa autora, que aquilo que é fruto das percepções particulares de cada cultura — mais especificamente, no caso deste trabalho, as unidades terminológicas e seus respectivos significados e variantes, suscetíveis de serem eleitos ou rechaçados de acordo com o contexto, com o momento, com o espaço — pode mudar no tempo e no espaço:

O homem é essencialmente um ser cultural, tanto individual como coletivamente. Por isso, segue o mesmo processo de apropriação do conhecimento tanto no âmbito individual como no comunitário. Este processo que vai da apreensão do novo até sua denominação é a base do crescimento do homem no conhecimento e a construção de seu universo. A análise deste processo revela a importância da percepção cultural na reconceitualização da nova realidade, desde sua integração em um ambiente cultural, diferente de sua origem. (DIKI-KIDIRI, 2002, p. 1). 15

14

El conjunto de las experiencias vividas, producciones realizadas, y conocimientos generados por una comunidad humana que vive en un mismo espaço, a un mismo tiempo.

15

El hombre es esencialmente un ser cultural, tanto individual como colectivamente. Por eso, sigue el mismo proceso de apropriación del conocimiento tanto en el ámbito individual como en el comunitario. Este proceso que va de la aprehensión de lo nuevo hasta su denominación es la base del crecimiento del hombre en el conocimiento y la construcción de su universo. El análisis de este proceso revela la importancia de la percepción cultural en la reconceptualización de la nueva realidad, desde su integración en un ambiente cultural, diferente de su origen.

Notamos assim, que Diki-kidiri (2002, p. 15) reforça a relação entre língua, sociedade e cultura, ressaltando as implicações que o social e o cultural têm na constituição do léxico de uma língua:

O conceito permite ao homem elaborar seu conhecimento. Mas o conjunto das características pertinentes a um conceito não se encontram inevitavelmente na palavra ou expressão verbal que serve para designá-lo. A denominação mais adequada, melhor aceita, é freqüentemente a que se integra melhor à língua e à cultura da comunidade dos falantes. A denominação aparece assim estreitamente vinculada a uma percepção cultural inscrita essencialmente na relação significante/ significado e mais concretamente na relação significante/ percepto16 quando se trata de

terminologia.17

Dessa forma, entendemos que os recortes culturais feitos por um grupo social, manifestados quando do uso de uma língua, são referentes para esse grupo, revelam sua visão de mundo e seus sistemas de valores.

Tal posicionamento pressupõe concebermos a língua como atividade de interação social, como parte do processo, produto e, ao mesmo tempo, como veículo de expressão da cultura de uma sociedade — ou seja, pressupõe compreendermos que “Língua, sociedade e cultura são indissociáveis, interagem continuamente, [e] constituem, na verdade, um único processo complexo.” (BARBOSA, 1996, p. 158).

Defender a existência de uma estreita relação entre língua, sociedade e cultura possibilita-nos investigar o papel crucial desempenhado pelo léxico de uma língua no estabelecimento dessa relação. Nesse sentido, entre outros tantos estudiosos, Isquerdo (2001, p. 91) afirma que:

Partindo-se do princípio de que investigar uma língua é investigar também a cultura, considerando-se que o sistema lingüístico, nomeadamente o nível lexical, armazena e acumula as aquisições culturais representativas de uma sociedade, o estudo de um léxico (...) pode fornecer, ao estudioso, dados que deixam transparecer elementos significativos relacionados à história, ao sistema de vida, à visão de mundo de um determinado grupo. Deste modo,

16

Conceito é compreendido, por Diki-kidiri (2002), como estrutura de classificação e percepto como o lugar das percepções culturais ou como pontos de vista que condicionam a conceituação e a denominação das coisas, do mundo.

17

El concepto permite al hombre elaborar su conocimiento. Pero el conjunto de las características pertinentes de un concepto no se encuentra inevitablemente en la palabra o expresión verbal que le sirve para designarlo. La denominación más adecuada, mejor aceptada, es a menudo la que se integra mejor a la lengua y a la cultura de la comunidade de los oradores. La denominación aparece así estrechamente vinculada a una percepción cultural inscrita esencialmente en la relación significante/ significado y más concretamente en la relación significante/ percepto cuando se trata de terminología.

no exame de um léxico, (...) analisa-se e caracteriza-se não apenas a língua, mas também o fato cultural que nela se deixa transparecer. Essa perspectiva de análise favorece uma melhor compreensão do próprio homem e da sua maneira de ver e de representar o mundo.

Assim, essa defesa pressupõe conceber o léxico como o principal articulador dessa relação, o que decorre da feição multifacetada que as unidades lexicais — entidades linguísticas, pragmáticas e ideológicas — adquirem nos processos de interação e, consequentemente, nas interligações que estabelecem com outros universos além do linguístico, por exemplo, com o discursivo, afinal, o léxico “constitui um vasto universo de limites imprecisos e indefinidos.” (BIDERMAN, 1978, p. 139).

Ao longo do tempo, em razão da heterogeneidade constitutiva do léxico, muitas tentativas de compreensão e de delimitação de seu conceito foram feitas. Assim, conceituações tradicionais e contemporâneas de léxico variam em razão do viés dado ao estudo — teórico ou aplicado — ou em razão do privilégio atribuído a alguma das faces e/ou modos de realização das unidades lexicais de uma língua. Frente a essa realidade, Rey- Debove (1984, p. 49) afirma, “Diversas definições de léxico são válidas, todas diversamente insuficientes.”

Contudo, também segundo essa autora, todo e qualquer estudo lexical prescinde da escolha de uma conceituação de léxico “que pareça mais bem adaptada ao trabalho a efetuar, guardando presentes no espírito as insuficiências de cada solução.” (REY-DEBOVE, 1984, p. 49):

Os conceitos, ou significados, são modos de ordenar os dados sensoriais da experiência. Através de um processo criativo de organização cognoscitiva desses dados surgem as categorizações lingüísticas expressas em sistemas classificatórios: os léxicos das línguas naturais. Assim, podemos afirmar que o homem desenvolveu uma estratégia engenhosa ao associar palavras a conceitos, que simbolizam os referentes. Portanto, os símbolos, ou signos lingüísticos se reportam ao universo referencial. (BIDERMAN, 2001b, p. 13-14).

Assim, nesta pesquisa, entendemos que o léxico de uma língua “constitui uma forma de registrar o conhecimento do universo. Ao dar nomes aos seres e objetos, o homem os classifica simultaneamente. (...) A geração do léxico se processou e se processa através de atos sucessivos de cognição da realidade e de categorização da experiência, cristalizadas em signos lingüísticos: as palavras.” (BIDERMAN, 1998, p. 11).

Complementando o que diz a autora, defendemos, como também o faz Pais (1995, p. 1325), que existe “um processo de alimentação e realimentação que são sustentados entre o léxico e os sistemas e práticas sociais e culturais.”

Compreendemos léxico, portanto, como um sistema em permanente expansão, uma espécie de “pulmão das línguas”, que se caracteriza por um fluxo constantede formação e de renovação de suas partes constitutivas, consequência das diversificadas experiências científicas, técnicas, culturais que vamos construindo no mundo.

Sempre se redefinindo de acordo com essas experiências, o léxico tem importância relevante na identificação dos/entre falantes, podendo ter um uso comum, geral, ou adquirir usos muito específicos, particulares, uma vez que os usuários buscam, na língua, recursos para atender às suas mais variadas formas e contextos de interação.

Assim sendo, os sistemas de valores, as ideologias, as práticas sociais e culturais de uma sociedade encontram no léxico o espaço privilegiado para os seus processos de produção, acumulação, transformação e difusão. (Cf. BARBOSA, 1993). Como declara Biderman (1978, p. 139), “O universo semântico se estrutura em dois planos: o indivíduo e a sociedade, e da tensão entre ambos se origina o léxico”.