No âmbito do Projecto Regional do Mediterrâneo foi elaborado um novo projecto de escolas primárias, as Escolas Normalizadas P3 ou Escolas de Área Aberta. Este projecto tinha dois objectivos prioritários: harmonizar a concepção das construções escolares com as concepções de escola e as mais recentes orientações no campo da pedagogia, e criação de um mínimo de variáveis a nível de elementos de construção que possibilitasse uma maior variedade de soluções de lotação e de adaptação aos terrenos. Assim, foram estabelecidos os princípios gerais para o novo projecto [22]:
• O edifício da escola primária representa a transição da habitação para a vida pública; • O edifício deve ter em consideração o tamanho da criança;
• A escola não se restringe à sala de aula e deve, por isso, estar aberta ao exterior;
• O ensino não consta só de memorização, mas é também actividade que os espaços (diversificados) devem permitir;
• Deve ser fomentada a manipulação e criação de objectos (pelo que se introduziu uma zona de trabalho, dita “suja”, com pontos de água, ligada às salas de aula, propriamente ditas);
• A organização de situações como a de trabalho em grupo, prevendo-se a mobilidade do equipamento;
• Nem todas as actividades podem ser realizadas no mesmo espaço (e dai a instalação dos chamados “polivalentes”);
• As refeições são actividades educativas (e, por isso, foi suprimida a separação entre edifício- cantina e edifício-escola);
• As instalações sanitárias seguem a mesma lógica, como apoio e momento de Educação; • A escola è um edifício aberto, um equipamento social de e para toda a comunidade.
O modelo escolhido para o projecto das Escolas Normalizadas P3 foi uma adaptação dos modelos existentes nos países nórdicos durante as décadas de 60 e 70. As novas escolas para o ensino primário foram construídas após o 25 de Abril de 1974, à excepção da Escola Piloto de Mem Martins
O projecto consistia na abertura dos espaços lectivos tornando-os mais flexíveis e polivalentes para promover o desenvolvimento da espontaneidade e criatividade da criança, e também para a sua socialização. Caracterizava-se pela inexistência de paredes ou outros obstáculos à comunicação entre núcleos de 2 a 3 salas, e pela existência de um grande espaço polivalente [23].
Figura 2.18 – Interior da Escola Piloto de Mem-Martins [50]
A escola foi dimensionada para uma lotação entre 120 e 480 alunos, tendo por base, 25-30 alunos por sala de aula. De modo a permitir que o projecto fosse repetitivo e flexível procurou-se que a partir de diferentes blocos se pudessem obter associações variadas tendo em conta o número de salas, as características do terreno e a orientação dos edifícios para além disso procurou-se uma solução construtiva modulada, que tivesse em vista a racionalização da construção, a possibilidade de utilização da pré-fabricação e a possibilidade de ampliações futuras, sem alteração da estrutura existente [23].
Os edifícios escolares estavam organizados por blocos de dois tipos, um bloco de aulas e outro bloco central (polivalente).
Os blocos de aulas eram essencialmente constituídos por salas de aula (que incluem zonas de aula e zonas de trabalho) e serviços de apoio directo (átrio, arrecadações e instalações sanitárias que se localizam numa zona que faz a ligação aos blocos centrais). Existiam quatro tipos de blocos de aulas consoante o número de alunos: 2 tipos de um piso para 60 e 80 alunos respectivamente (2 e 4 salas) e 2 tipos com dois pisos para 120 e 180 alunos, respectivamente (4 e 6 salas) [23].
Os blocos centrais também de ensino com características de espaços maiores e utilizáveis por assembleias mais numerosas. Este espaço, zona polivalente, servia para actividades de ginástica,
refeitório, recreio, festas, podendo também ser utilizado pela comunidade local. O projecto previa 3 tipos de blocos centrais, consoante a lotação da escola [23]:
• Bloco central (120/180 alunos): bloco constituído por um espaço quadrado (zona polivalente) com vão livre de cerca de 10,80 m e um pé direito de 4,80 m e uma zona de serviços (gabinete para professores, instalações sanitárias e zona de cozinha ligada à zona polivalente) com um pé direito de 2,60 m.
• Bloco central (240/300 alunos): bloco constituído por um espaço quadrado com um vão livre de cerca de 10,80 m e por outro espaço rectangular de cerca de 7,20x10,80 m ambos com um pé direito de 4,80 m. A zona de serviços é anexa à zona polivalente, com pé direito de 2,60 m. • Bloco central (360/480 alunos): bloco constituído por dois espaços quadrados com um vão
livre de cerca de 10,80 m e com um pé direito de 2,6 m. Anexa a esta zona polivalente existia uma zona de serviços.
Os edifícios são constituídos por uma estrutura de betão armado (pilares e vigas que servem de apoio a lajes aligeiradas ou maciças. As paredes exteriores são constituídas por dois paramentos de tijolo furado com caixa-de-ar de modo a garantir um melhor isolamento térmico e higrométrico e as paredes interiores, que têm exclusivamente a função de divisórias, são constituídas por um único pano de tijolo furado [23].
A quase totalidade dos espaços principais de ensino tem como fonte principal de iluminação natural, aberturas voltadas para um quadrante entre nascente e sudoeste e aberturas complementares em paredes opostas ou em ângulo, que suavizem os contrastes devidos à iluminação natural.
A vantagem adicional destas aberturas é a de permitir uma ventilação cruzada que é bastante mais eficaz que a ventilação unilateral.
Em 1987, o projecto foi descontinuado devido ao descontentamento dos professores relativamente às condições de ensino. As restantes escolas de área aberta começaram a isolar as salas que antes comunicavam entre si, com o levantamento barreiras arquitectónicas.