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KONKLUSJONER

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Apesar do grande avanço na investigação empírica acerca do perdão e da sua abordagem do ponto de vista desenvolvimental, com diversos estudos a compararem a disposição para perdoar entre diferentes grupos etários, poucos estudos se focalizam apenas nos mais velhos e na identificação dos factores que instigam as pessoas idosas a perdoar, o que é dificultado pela subjectividade desta variável. Alguns pesquisadores apontaram razões para este aumento da disponibilidade para perdoar nos mais velhos, sendo exemplo, Butler e Lewis (1982 in Krause e Ingersoll-Dayton, 2001) que associam este facto à tendência para o aumento da religiosidade à medida que se envelhece e, por ser o envelhecimento, a fase da vida, em que as pessoas investem intensamente na revisão das experiências de vida. Baltes e Smith (1990 in Barros, 2004) justificam este aumento da disposição para perdoar nos mais velhos, com o aumento da sabedoria verificado com a idade. Mullet et al. (2003) indicam que as pessoas idosas praticantes da religião encontram na fé, fortes incentivos para o perdão.

Atendendo ao reduzido número de pesquisas apenas com população idosa e à importância do perdão do ponto de vista teológico, humano e social, pretendeu-se com este estudo, em termos gerais, analisar a propensão para perdoar nas pessoas idosas. Dado o relacionamento do perdão com constructos associados a comportamento pró- social, procurou-se, simultaneamente, examinar a possibilidade de relação entre a propensão para perdoar, a religião, a gratidão e o amor compassivo, nas pessoas idosas. Todavia, todos eles são fenómenos muito complexos, multidimensionais, tendo-se encontrado a existência de diversos instrumentos para a sua avaliação. Fez-se uso de quatro deles, cada um para a avaliação de um constructo diferente, encontrando-se três, previamente adaptados para a população portuguesa. Pelo facto de a população ser maioritariamente cristã, decidiu-se utilizar a escala de Francis e Stubbs (1987), a qual constitui uma medida genérica sobre o interesse pela religião. Esta medida apresenta altos valores na relação com a orientação intrínseca (Maltby, 1999 in Neto, Ferreira e Pinto, 2006). Mullet et al (1998b) elaboraram um questionário com o intuito de avaliar a disposição para perdoar. Através de uma análise factorial, estes autores concluíram que o perdão possuía quatro factores: vingança vs perdão, sensibilidade às circunstâncias, bloqueios ao perdão e obstáculo ao perdão. Este modelo foi orientador do nosso estudo.

A gratidão foi medida através de um curto questionário (Gratitude Questionnaire-6 (GQ-6) de McCullough et al., 2002) pela sua brevidade e bom comportamento psicométrico. Para medir o amor compassivo fez-se uso de duas escalas, em relação aos que nos são próximos e em relação à humanidade em geral (The close others version of the Compassionate Love scale e the stranger-humanity version of the Compassionate Love scale de Sprecher, e Fehr, 2005), não tendo sido encontrado qualquer estudo que utilizasse estas escalas na população portuguesa e, para o estudo da ligação do amor compassivo com a propensão para perdoar.

Assim, o objectivo de este estudo será analisar a propensão para perdoar nas pessoas idosas, mais especificamente, avaliar a influência das variáveis sócio- demográficas (idade, sexo, estado civil, habilitações literárias, religião e prática da religião) na propensão para perdoar, verificar a existência de relações entre a propensão para perdoar e outras dimensões, nomeadamente, a religiosidade, a gratidão, o amor compassivo pelos que nos são próximos e pela humanidade em geral e examinar os efeitos da manutenção do ressentimento, da disposição para a vingança e da sensibilidade às circunstâncias relacionadas com a ofensa na propensão para perdoar.

Mais especificamente, este estudo terá também como objectivo responder às seguintes questões, as quais deram origem à elaboração de hipóteses baseadas em estudos empíricos revistos:

1) Será que as variáveis sócio-demográficas (idade, sexo, estado civil, habilitações literárias, religião e prática da religião) influenciam a propensão para perdoar na pessoa idosa? Atendendo a resultados de estudos precedentes, as nossas hipóteses foram que, é de prever que: a) as pessoas mais idosas obtenham uma pontuação mais elevada na propensão a perdoar (e.g., Enright et al, 1989; Girard e Mullet, 1997; Mullet et al., 1998; Mullet et al., 2002; Mullet et al., 2003; Neto, 2007); b) que não se verifiquem diferenças significativas por sexo na propensão a perdoar (e.g. Girard e Mullet, 1997; Mullet et al., 1998; McCullough et al, 2000; Mullet et al., 2002; Mullet et al., 2003; McCullough et al., 2000; Barros, 2006; Neto, 2007; Barros-Oliveira e Pinto, 2006); c) que a as pessoas com maior nível de escolaridade obtenham uma pontuação mais elevada na propensão para

perdoar (e.g., Mullet et al., 1998); d) que os crentes praticantes obtenham uma pontuação mais elevada na propensão a perdoar que os crentes não praticantes (e.g., Gorsuch e Hao, 1993; Mullet et al., 2002; Mullet et al., 2003; Neto, Ferreira e Pinto, 2006). Em relação à influência do estado civil na propensão para perdoar, não se formulou nenhuma hipótese, na medida em que não se encontraram estudos indicativos de uma tendência.

2) Será que existe relação entre a religiosidade, a gratidão e o amor compassivo e a propensão para perdoar na pessoa idosa? A nossa hipótese, como mostrou o estudo de Mullet et al. (2002), e Mullet et al. (2003) é que a propensão para perdoar, na pessoa idosa, está positivamente associada à religiosidade. Seguidamente, e de acordo com McCullough, Kilpatrick, Emmons, e Larson (2001), McCullough, Emmons e Tsang (2002) e Neto (2007), os quais encontraram que valores elevados de medidas de gratidão estão correlacionados a altas medidas de comportamento pró-social, empatia, perdão, religiosidade e espiritualidade, elevado grau de satisfação com a vida, sentimentos positivos, motivação a um comportamento pró-social, moral e inibição de comportamentos interpessoais destrutivos, supõe-se que, à medida que aumenta o sentimento de gratidão, aumenta a propensão para perdoar na pessoa idosa. Atendendo a resultados de Sprecher, e Fehr (2005), os quais encontraram uma associação positiva entre o amor compassivo e o comportamento pró-social, quer direccionado para com os outros próximos, quer para toda a humanidade em geral, prevê-se que, à medida que aumenta o sentimento de amor compassivo aumenta a propensão para perdoar na pessoa idosa.

3) Quais serão os efeitos dos factores de perdão na propensão para perdoar? Com a utilização do questionário de perdoabilidade de Mullet et al. (1998b) e Mullet et al. (2003), prevê-se que os factores estruturais de perdão identificados nesses estudos serão replicados. Atendendo a resultados de estudos precedentes, as nossas hipóteses foram que, a duração do ressentimento e a disposição para a vingança estejam correlacionados negativamente com a decisão para perdoar na pessoa idosa e que se verifique uma associação positiva entre a sensibilidade às

circunstâncias e a propensão para perdoar (e.g., Girard e Mullet, 1997; Mullet, Azar e Girard, 1998).

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