O projeto IntegraHans Norte/Nordeste teve início em dezembro de 2013, no estado de Rondônia, nas cidades de Cacoal e Rolim de Moura. Em março de 2014, foi realizado o piloto para pré-teste dos instrumentos, momento em que foi possível atuar nesse campo, junto com os demais pesquisadores locais, e participar do planejamento das atividades como preparação para o desenvolvimento da pesquisa no campo do Estado da Bahia, onde as atividades tiveram início em outubro de 2014, com formação de grupo de estudo em hanseníase composto por profissionais e acadêmicos que compuseram a equipe local.
Além da atividade de iniciação científica com os alunos bolsistas do projeto, foi dado início a estruturação do banco de dados, a partir de busca no SINAN, mediante autorização de utilização da base de dados junto à Secretaria do Estado da Bahia. Foram excluídos do banco
os registros duplicados, os casos de recidiva e os casos de residentes em outros municípios. Foi realizado processo de cruzamento de endereços atualizados via cadastro no Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (DATASUS), banco de dados de registro do cartão SUS, para qualificação da busca de cada pessoa em seu endereço atualizado.
A base populacional do estudo forma-se então a partir da base de dados do SINAN, com 643 pessoas acometidas pela hanseníase, residentes no Município de Vitória da Conquista e com 44 pessoas no Município de Tremedal, no período de 2001 a 2014.
A programação da busca para abordagem dessas pessoas foi realizada a partir do agrupamento de cada caso por unidade de saúde de referência, de acordo com o território de residência. Assim, foi possível identificar o número de casos distribuídos nos territórios com e sem cobertura do Programa de Saúde da Família. Estimou-se localizar cerca de 40 a 50% dessa base de dados.
Para o desenvolvimento da pesquisa, em ambos os municípios foram envolvidas como parceiras diretas as Secretarias Municipais de Saúde de Vitória da Conquista e Tremedal, o que possibilitou a participação de profissionais da rede em todas as etapas, a utilização dos espaços dos serviços de saúde e o envolvimento do Agentes Comunitários de Saúde (ACS) na abordagem dos casos distribuídos nos territórios.
Para o desenvolvimento da pesquisa em campo, houve envolvimento de instituições de ensino superior, com alunos de graduação dos cursos de fisioterapia, medicina, enfermagem, psicologia, nutrição e odontologia.
O campo foi explorado em todas as suas potencialidades e para garantir o acesso da população de estudo da pesquisa e seu desenvolvimento foram incluídos equipamentos sociais do território, como a utilização dos espaços de instituições não governamentais, creches, igrejas e escolas.
Todo esse processo foi permeado por momentos de formação com os envolvidos, fossem profissionais ou estudantes. A educação permanente fez-se presente em grupos de estudo com revisão de literatura e apresentação de artigos científicos vinculados aos subestudos do projeto. Utilizou-se, ainda, de formato de capacitação teórica e prática, instrumentalizando os participantes com conteúdos específicos de conceituação da hanseníase, abordagem clínica, abordagem social com os elementos psicossociais presentes no contexto do processo de adoecimento, bem como a aplicação dos instrumentos utilizados na coleta de dados.
A abordagem para o convite à participação na pesquisa, de todas as pessoas identificadas no SINAN, foi planejada em parceria com os ACS. O projeto utilizou como metodologia a proposta do Guia de Ações de Controle da Hanseníase para Agentes Comunitários de Saúde. Nesse guia, Alencar e Pereira (2013) destacam que dentre as atribuições do ACS no cuidado da pessoa com hanseníase e seus familiares estão ações que visam diagnóstico precoce, o tratamento oportuno e adequado, a vigilância dos casos diagnosticados e seus familiares, vigilância dos episódios reacionais, a prevenção de incapacidades, a reabilitação e práticas comunicativas com vistas a minimizar o estigma que permeia a hanseníase.
A partir dessa referência, um grupo de facilitadores foi preparado e instrumentalizado para a aplicação dessa proposta, durante 40h de formação e preparação, com a finalidade de replicar a técnica às demais turmas de ACS. Foram capacitados 517 ACS de Vitória da Conquista e 40 de Tremedal, ao longo do período do projeto, considerando-se os territórios de atuação e de número de casos por Unidade de Saúde. Assim, à medida que os ACS eram instrumentalizados, a equipe do projeto iniciava a preparação para disparar a coleta de dados. Desde os primeiros contato com os ACS, foi identificado que havia desconhecimento parcial ou total desses profissionais sobre os casos de hanseníase em sua área de atuação, os casos referência (CR). Essa situação suscitou, imediatamente, um novo planejamento de abordagem a ser utilizada pela equipe de pesquisadores, quando das visitas domiciliares para convite à pesquisa, evitando que algum conflito ético de quebra de sigilo fosse suscitado. Dessa forma, em cada unidade de saúde foi realizada uma reunião de informação e preparação para as atividades do projeto durante o período previsto naquele território. Toda a equipe era comunicada das ações planejadas. A mobilização dos casos referência, uma vez já cadastrados na unidade, foi realizada pelo ACS ou Enfermeiro. Utilizou-se referências éticas de abordagem de casos de hanseníase, considerando o sigilo e confidencialidade de cada pessoa notificada no SINAN e a sua relação com a equipe de saúde do território.
Para os CR desconhecidos pela equipe, foi elaborado, pelos pesquisadores e colaboradores vinculados diretamente ao projeto, um protocolo de abordagem no domicílio com todos os critérios necessários e peculiares de uma abordagem domiciliar: o uso de identificação individual (crachá), agendamento prévio de horários mais oportunos, respeito à privacidade da pessoa e, ainda, às condições de sigilo durante os informes da pesquisa. Assim procedeu-se a abordagem do CR. Após todas as orientações fornecidas e o aceite em participar, foram realizados os agendamentos para o dia de coleta de dados, prioritariamente nas unidades de saúde ou espaços de equipamentos sociais disponibilizados no mesmo território de
residência. Para garantir a confirmação do agendamento, foi deixado um convite impresso, com data, horário, local e contato da equipe do projeto. Nessa oportunidade, foi preenchido um instrumento controle de abordagem de cada pessoa e endereço, no sentido de compor a base de dados final para a coleta de dados. (APÊNDICE A)
Para os CR de hanseníase que tiveram seu endereço localizado, mas não se encontravam presentes no momento da primeira abordagem, foram realizadas outras 3 visitas, em horários e dias diferentes, além de contato telefônico. Esses procedimentos foram utilizados apenas para os motivos relacionados a ausência devido ao horário de trabalho, viagem ou internado por motivo de saúde, entre outros. Nos casos de recusa em participar, a equipe não retornou para nova abordagem, entretanto orientou sobre o dia de coleta de dados, para o caso da pessoa, por motivação espontânea, decidir comparecer.