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4.4 Konklusjon

E O ADVENTO DA REFORMA RELIGIOSA DO SÉCULO XVI.

O aperfeiçoamento das técnicas na fabricação do papel, o refinamento da produção de tintas e a implementação do processo tipográfico com o surgimento da impressão xilográfica (introduzidos na Europa a partir do século XII)74, forneceram o aparato técnico, o qual associado ao gênio inventivo de Gutenberg, e a crescente demanda por material escrito no continente europeu, favoreceram a criação de um invento revolucionário: a imprensa. A descoberta de um novo método de impressão que inaugurava o uso de caracteres móveis, no ano de 1450, é creditada a Johannes Gutenberg e reputada como gênese do “movimento de comunicação de massas”, por tratar-se da invenção do prelo: primeira máquina tipográfica capaz de realizar a rápida difusão da informação, a partir de

74 A literatura acerca dos primórdios da imprensa reconhece a primazia dos chineses no desenvolvimento das

técnicas rudimentares de impressão que antecederam e lançaram as bases para a invenção, na Europa, da prensa tipográfica de caracteres móveis cunhados em chumbo fundido. O primeiro livro impresso de que se tem conhecimento é um texto búdico produzido xilograficamente na China, em 868 d.C. Os primeiros xilógrafos encontrados na Europa remontam o último quartel do século XIV e são produtos de “indústrias” operantes na região renana e nos estados franco-flamegos. A técnica gráfica utilizada era muito elementar, compreendendo apenas o uso de pedaços de madeira e de facas para se reproduzir, em papel ou pergaminho, imagens religiosas (eram simples estampas que logo foram sucedidas por libretos xilográficos, onde textos religiosos apareciam ao lado da ilustração). As evidências indicam que os primeiros impressos não saíram das oficinas xilográficas porque foram uma inovação realizada por profissionais da metalografia. Mas a importância dos trabalhos realizados por xilógrafos no processo de aperfeiçoamento das técnicas gráficas, os quais levaram à modernização dos procedimentos de impressão, é reconhecida por diversos pesquisadores. Febvre argumenta: “Não que o livro impresso nada deva ao xilógrafo. A vista das gravuras e dos textos

gravados em madeira pôde tornar mais tangíveis as possibilidades que oferecia o papel para a reprodução industrial dos textos. Sem dúvida, também o sucesso dos xilógrafos permitiu antever o sucesso que obteria um procedimento mais aperfeiçoado” . FEBVRE, Lucien; MARTIN, Henri-Jean. O aparecimento do livro. São Paulo: Unesp e Hucitec, 1992. p.75.

uma única matriz, para uma ampla rede de receptores. Como um desdobramento desta inovação tecnológica, teve início uma nova etapa na história da cultura na qual se tornou possível a disseminação, em larga escala, do saber institucionalizado através do livro impresso – implemento que tornou exeqüível a divulgação da informação a um maior contingente populacional, efetuada em proporções e velocidade inauditas75 .

Não obstante a controversa discussão historiográfica acerca da precisão da periodização tradicionalmente reconhecida como a data em que a imprensa teria sido criada (o ano de 1450), e a própria atribuição a Gutenberg do mérito de sua invenção, pode-se dizer que existe um certo consenso em torno da idéia de que, antes do ano de 1440, Johannes Gutenberg tenha passado a empreender a fabricação de um equipamento, cujas peças teriam sido criteriosamente dispostas de modo a tornar o processo de impressão tipográfica mecânico; agregando, de forma inédita, técnicas desenvolvidas com base em um conhecimento acumulado ao longo de vários séculos. De acordo com o historiador britânico SH. Steinberg, Gutenberg não foi "o primeiro" a perceber as potencialidades da indústria da produção literária em grande escala e o autor sugere que o desenvolvimento de seu método de impressão teria sido impulsionado pelo fato de o comércio da multiplicação de textos ter se tornado um negócio vantajoso, desde a primeira metade do século XV. Steinberg acrescenta que não foi nem mesmo o caráter inovador da técnica de reprodução mecânica de textos que fez de sua descoberta um acontecimento decisivo na história da civilização: o aspecto mais original deste novo procedimento teria sido a sua capacidade de possibilitar, com enorme rapidez, “a edição, reedição e correção de um texto” - ao menos

75 Em artigo intitulado “Problemas causados por Gutenberg: a explosão da informação nos primórdios da Era

Moderna”, Peter Burke apresenta alguns dados estatísticos para quantificar esta escala, referindo-se às mudanças ocorridas no início da “Era da Comunicação na Modernidade”. No ano de 1500, havia impressoras em mais de 250 centros europeus e elas já haviam produzido cerca de 27mil edições. Ao fazer a estimativa aproximada de 500 exemplares por edição, conclui que deveria haver algo em torno de 13 milhões de livros em circulação no ano de 1500, quando a Europa contava com uma população de 100 milhões de habitantes. BURKE, Peter. Problemas causados por Gutenberg: a explosão da informação nos primórdios da Era Moderna. Estudos Avançados, São Paulo, v. 16, n 44, Jan-Abril 2002.

em tese, de modo idêntico em cada cópia. Todavia, não teria sido somente as técnicas de produção e o mercado livreiro que haviam sido revolucionados pelo uso de tipos móveis; para Steinberg, a grande proeza de Gutenberg reside no fato de seu invento ter deixado marcas indeléveis no mundo da cultura, instituindo novos paradigmas no campo das comunicações76.

Nos discursos de variados pesquisadores da história da comunicação prevalece a máxima de que a imprensa teria atuado como um agente catalisador das mudanças em curso em diferentes setores das sociedades européias que se encontravam, naquele momento histórico, em um período de grande efervescência cultural, caracterizado pela revivência dos modelos clássicos nas artes e nas letras. A despeito do fato de a Renascença ter se iniciado na Itália, antes mesmo que a imprensa tivesse sido inventada em Mainz77, a tipografia desempenhou papel crucial nas transformações que se sucederam no domínio da cultura ao longo do Renascimento e durante todo o movimento de renovação social, que em toda a sua pluralidade, marcou este período de transição entre o fim da Idade Média e o advento da Era Moderna78. Sobre a abrangência da metamorfose interior do homem da Renascença, Erwin Panowsky a dimensiona como uma experiência intelectual e emocional pelo conteúdo, mas quase religiosa pelo seu caráter e significação:

76 STEINBERG, S. H. Five Hundred Years of Printing. Nova Iorque: Penguin Books, 1979, p.22.

77 EISENSTEIN, Elizabeth L. A Revolução da Cultura Impressa. Os Primórdios da Europa Moderna.

Editora da Universidade de Cambridge, 1983, p.130.

78Segundo Erwin Panowsky, em Renascimento e Renascimentos na Arte Ocidental, a ciência moderna tem se

tornado cada vez mais reticente com relação à periodização da história. Durante os últimos cinqüenta anos, a problemática da periodização do Renascimento tornou-se uma das questões mais debatidas da historiografia e a própria palavra Renascimento, derivada do francês Renaissence - “revivência de alguma coisa em um dado tempo” – ganhou um sentido mais específico, passando a significar "a revivência de todas as coisas num período determinado, que supostamente antecedeu e anunciou a Idade Moderna". No texto acima, o autor conceitualiza a palavra Renascimento como um movimento nas artes visuais que teria se iniciado na Itália, na primeira metade do século XIV, e que teria alargado as suas "tendências claissicizantes", em todas as atividades culturais, propagando-se para o resto da Europa, no século XV. PANOWSKY, Erwin. Renascimento e Renascimentos na Arte Ocidental. São Paulo: Presença, 1987, p.17-69.

[...] as antíteses entre a escuridão e a luz, o torpor e o despertar, a cegueira e a vista, que serviam para distinguir a nova era do passado medieval, eram tiradas da Bíblia e dos Santos Padres; e não menos óbvias são as origens e conotações religiosas de palavras como revivere, revivescere e, sobretudo, renasci79.

A nova técnica de impressão revelou o seu potencial transformador de modo suis generis na vida intelectual européia, ao dinamizar o ritmo do processo de cristalização de uma “nova mentalidade”, sintetizada a partir da ocorrência do fenômeno de “revivescência” dos padrões estéticos e dos valores da cultura clássica, o qual havia determinado a tomada de uma visão antropocêntrica do mundo, manifesta no imaginário por meio da exaltação da faculdade criadora do homem e de suas potencialidades físicas, intelectuais e espirituais - a nova significante do humanismo que orientou a cultura renascentista. Os humanistas, conquanto fossem em sua maioria pensadores que professavam a fé cristã, nutriam grande admiração pela cultura que havia se processado na Antiguidade, em meio às sociedades adeptas do paganismo, adotando uma nova postura ideológica marcada pelo reposicionamento do lugar ocupado pelo homem dentro da cosmogonia medieval. Nicolau Sevcenko comenta:

Os humanistas, num gesto ousado, tendiam a considerar como mais perfeita e mais expressiva a cultura que havia surgido e se desenvolvido no seio do paganismo, antes do advento de Cristo [...] Não quer isso dizer que os humanistas fossem ateus, ou que desejassem retornar ao paganismo. Eram todos cristãos e apenas desejavam reinterpretar a mensagem do Evangelho a luz da experiência e dos valores da Antiguidade. [...] Por isso, a especulação em torno do homem e de sua capacidades físicas e espirituais se tornou a preocupação fundamental desses pensadores, definindo uma atitude que ficou conhecida como Antropocentrismo80.

79 Erwin Panowsky, op. cit, pp. 63-64. Já na definição de Burckhardt, o Renascimento representa uma época

em que foram priorizados “os grandes propósitos da cultura”. No derradeiro segmento temático de seu livro, o autor discorre sobre os efeitos da cultura sobre a religião, retratando as atitudes religiosas dos italianos renascentistas como “subjetivas e mundanas”. BURCKHARDT, Jacob. A Cultura do Renascimento na Itália. São Paulo: Companhia das Letras, 1991, p. 5-9.

Difundido no século XV, o termo humanistas era empregado para designar o grupo de pensadores que, desde o século anterior, havia instaurado um movimento reformador das práticas de ensino perpetuados pela Escolástica nas universidades européias, ensejando a adoção de novo métodos na construção do saber acadêmico81. Os parâmetros da educação na Idade Média fundamentavam-se na concepção teocêntrica do conhecimento e na hierarquização da ação pedagógica, através dos quais, delegava-se aos doutores da Igreja máxima autoridade e preponderância na interpretação dos clássicos e dos textos sagrados. Sob a alegação de que tal medida era imprescindível à preservação da coesão doutrinária, nas formulações teológicas e filosóficas resultantes do exame de tais documentos, a Igreja Católica prevenia-se contra os perigos da heterodoxia. Em “os humanistas: uma visão de mundo”, Nicolau Sevcenko define esses centros de formação intelectual e profissional como um ambiente entremeado pela preeminente cultura da Igreja, estando, em principio, comprometidos com a manutenção da ordem feudal e com a propagação de “uma

concepção estática, hierárquica e dogmática da sociedade, da natureza e das coisas sagrada”82.

O teólogo mais ilustre do período da Grande Escolástica é São Tomás de Aquino (1225- 1274), autor da mais sistemática síntese entre o pensamento cristão e o aristotelismo (integrando também, ao mesmo, aspectos do platonismo). A demarcação das áreas de atuação da filosofia e da religião estipulada por Tomás de Aquino deu início a um movimento de emancipação que culminou, no século seguinte, no fim da Filosofia Medieval e no nascimento da Filosofia Moderna. No “período da decadência”, consolida-

81 O conceito de Escolástica encerra o conjunto de elaborações filosóficas dos doutores da Igreja, ao longo da

história, notadamente na Idade Média (entre os séculos IX e XVII), período em que se levou a cabo a tentativa de conciliar as verdades reveladas com o conhecimento adquirido por meio do intelecto. O termo Escolástica tem origem na palavra latina Scholasticus, e aplicava-se ao ensino ministrado pelos scholars, doutores que lecionavam nas escolas monascais.

se a tendência de tratar a Filosofia em separado da fé e sobrelevam-se dois outros pensadores: John Duns Scoto (1266-1308), que na transição entre os dois períodos, inova devido a uma nova dimensão dada à Filosofia; e o escolástico inglês Guilherme de Ockham (11290-1349), mentor do nomilamismo, consignado precursor do empirismo moderno e do racionalismo Kantiano. Foi Ockham o teólogo escolástico quem emitiu a maior crítica ao escolasticismo e a seus conceitos metafísicos fundamentais, postulando que era necessário eliminar do campo de investigações do conhecimento científico tudo o que não fosse evidente, perceptível e facultado pela intuição sensível; a única forma de conhecimento aceitável deveria se basear na experiência material. A teologia não era reconhecida pelo autor como uma ciência, posto que sobrepujava os limites da razão e da experiência intelectual; a partir da aceitação de tais pressupostos, a Filosofia tornou-se independente da Teologia e a ciência iniciou a sua longa trajetória rumo a sua completa emancipação.

No final da Idade Média, desmantelou-se parte do rigoroso controle da Escolástica sobre o pensamento e o próprio fenômeno da multiplicação das universidades diminui a sua eficácia, ainda que os seus valores absolutos permanecessem incólumes. Em decorrência do crescimento do número de estabelecimentos de ensino universitário, aumentaram as oportunidades e as expectativas para a elevação do nível de preparo das elites e para a inclusão da camada burguesa. Novas áreas geográficas eram conquistadas para a cultura em um mundo cada vez menos feudal, de modo que em alguns núcleos acadêmicos, os scholars puderam evadir-se mais facilmente ao rígido controle ideológico eclesiástico. Em Religião e Ciência no Renascimento, Klaas Woortmann conta como a renovação propelida pelo humanismo impeliu a transformação cultural/cosmológica do mundo medieval, abarcando o alto clero e até mesmo os papas, chegando a influenciar algumas correntes da

Escolástica em suas disposições intelectuais; cingindo, em boa medida, o espaço do espiritualismo e do dogma nas ciências:

Os espíritos abrem-se ao conhecimento humano... Na passagem do século XV para o XVI, porém, já se colocava a contradição entre uma ciência subordinada ou englobada em um discurso teológico, e a necessidade da crítica como condição do avanço do conhecimento83.

Os humanistas questionavam a autoridade dogmática da cultura acadêmica e eclesiástica e, conscientes da necessidade de implementação do curriculum tradicional, passaram a empreender o estudo das disciplinas do studia humanistatis, através de uma releitura acurada de obras literárias, filosóficas, científicas e históricas da Antigüidade; obras cujo rigor lingüístico excluía a intermediação dos manuais de textos medievais autorizados pela Igreja, ao mesmo tempo em que requeria o domínio das línguas clássicas e o aprofundamento do conhecimento acerca das civilizações antigas84. Na concepção de Pierre Chaunu, o humanismo foi, sobretudo, um poderoso instrumento lingüístico, através do qual foi possível a mais elevada expressão da intelectualidade da época, penetrar o círculo seleto dos detentores do saber teológico, introduzindo a aplicação do método crítico nas “ciências religiosas”:

[...] O comentário patrístico da Sagrada Escritura - serão necessários três quartos de século para ousar atingir a própria Sagrada Escritura, direta e corretamente [...] Entre a patrística antiga, sempre mais próxima do sentido literal que o comentário escolástico, e a teologia positiva, falta apenas um passo que será dado no século XV”85.

83 WOORTMANN, Klaas. Religião e Ciência no Renascimento. Brasília: UNB, 1997, p. 8-16.

84 Os estudos humanísticos eram um novo programa educacional que encetava a aprendizagem das letras

clássicas (a princípio, o grego e o latim e, em um segundo momento, o hebraico, aramaico e mesmo o árabe); e compreendia a ministração das disciplinas: poesia, filosofia, história, matemática e eloqüência (originada da fusão entre a retórica e a filosofia).

85 Sobre as origens do movimento, Chaunu indica que foi gestado no processo de desenvolvimento da escola,

na ascensão de uma middle class da cultura escrita, entre os segmentos formados pelos novos contingentes de leitores e escritores que pertenciam à administração do Estado, à burocracia pontifícia e ao capitalismo comercial. CHAUNU, Pierre. O tempo das Reformas (1250-1550):. História Religiosa e sistema de

O humanismo crítico do século XV é o momento em que se estabeleceu uma importante inovação metodológica nos estudos acadêmicos sobre a Antiguidade: o latim vulgar (antecessor do latim medieval) e o seu aprendizado aleatório e não sistemático, foi substituído pelo estudo racionalizado do latim clássico. Lorenzo Valla, ao elaborar uma diferenciação ordenada da língua latina através dos tempos – a evolução do latim no processo histórico – enunciou os pressupostos básicos deste novo método, aplicando à tradução latina de São Jerônimo da Bíblia (a Vulgata) a crítica histórica e filológica que os humanistas vinham empregando em textos não religiosos86. Em 1448, Valla publicou as

Annotationes in Novum Testamentum; considerada a mais célebre obra do século XV, é uma tradução do Novo Testamento redigida a partir da análise comparativa entre a Vulgata e o texto grego87. Délio Cantimori descreve como, mesmo após a sua entrada na Cúria Romana, Valla não retrocedeu em seu posicionamento crítico referente aos métodos escolásticos, reafirmando a sua opinião favorável a uma maior participação da intelectualidade laica em estudos de natureza religiosa e dando continuidade ao estudo minucioso de textos de autores da Antiguidade Clássica, nos idiomas em que foram originalmente escritos:

Cuando Valla entró en polémica con algunos predicadores napolitanos, fue porque había leído a los padres de la Iglesia en los textos originales y porque quería entender mejor las verdades de la religión, y comprender clara y criticamente el lenguaje de los que las habián elaborado y determinado por vez primera. La herramienta para entender la verdad es el conocimiento del idioma e que se expresan oradores, filósofos y

86 A tradução latina dos textos bíblicos originais (a versio vulgata ou tradução comum), executada

principalmente por São Jerônimo, entre o final do século III e o início do século IV, manteve-se como a único a versão oficial da Bíblia adotada pela Igreja Católica por mais de um milênio e meio. Ao utilizar o método de apreciação crítica na tradução das Escrituras efetuada por São Jerônimo, Valla apontou a existência de imprecisões; e, embasado no rigor do mesmo método, não se furtou à censura de teólogos escolásticos de enorme prestígio, como o próprio São Tomás de Aquino, a quem criticou pela “sua ignorância da língua grega”. Ibidem, p. 23.

87 Erasmo de Roterdam, um grande admirador de Valla e um dos maiores expoentes do humanismo cristão,

foi quem editou em Paris, pela primeira vez, no ano de 1505, a versão impressa das Annotationes in Novum

Testamentum. CHAUNU, Pierre. O tempo das Reformas (1250-1550): História Religiosa e sistema de

también los padres de la Iglesa. Las doctrinas de la religión y la teología se covertían en problemas de la vida cultural…88.

O humanismo foi um movimento cultural eclético na sua propensão de incorporar diversas correntes do pensamento, cada qual disposta a interpretar a cultura clássica atribuindo-lhe o sentido apreendido de sua realidade contemporânea, a partir da tomada de um referencial específico. Este “renascimento do espírito humano” 89 se deu em uma ambiência onde as formulações teológicas e, mais especificamente a metodologia escolástica, determinava o modo de processamento de todo o conhecimento produzido no circuito acadêmico, e pode- se asseverar que o Humanismo esteve, desde a sua origem, atrelado às novas idéias e acontecimentos que irromperam no meio religioso.

A existência deste sentimento religioso pode ser identificada na leitura das obras dos pensadores humanistas de diferentes fases e tendências do movimento - tanto na fala de

88 Cantimori cita a obra mais polêmica de Valla, o De professione religiosorum, que abordava os temas que

mais tarde seriam incorporados por Erasmo no seu célebre Monachatus non est pietas. Munido de argumentos filológicos, Valla questionou a primazia das ordens religiosas frente aos demais membros da cristandade, fomentando a reflexão crítica sobre a crença na superioridade da vocação religiosa; tal formulação é considerada como um prenúncio do princípio do sacerdócio universal, futuramente defendido por Lutero. CANTIMORI, Délio. Humanismo y Religiones em el Renascimiento. Barcelona: Nova Gráfik, 1984, p. 156.

89 Termo utilizado por Leslie J.Dunstan em Protestantismo. DUNSTAN, Leslie. J. Protestantismo. Rio de

Petrarca90, representante da corrente literária de sua fase inicial no século XIV, quanto nas propostas de purificação da religião e da linguagem, através da qual as mensagens bíblicas eram transmitidas; o que será, posteriormente, a reivindicação da vertente do movimento que ficou conhecida como Humanismo Cristão, da qual Desidério Erasmo e Lefévre