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Konklusjon

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Observa-se que os estudos acima conferem um quadro sobre as diversas atuações dos profissionais de saúde com a criança hospitalizada. Todos valorizam a importância do oferecimento de um ambiente onde o conforto e os cuidados possam minimizar o sofrimento da criança. Os cuidados descritos muitas vezes se assemelham, naquilo em que podem desencadear, no caso, em formas de propiciar meios para que ocorra o processo de brincar. Alguns autores inserem em seus estudos a observação da família, levando em conta, especialmente, a existência comum de internação conjunta mãe-filho, ou de outros responsáveis. Percebe-se o destaque dado ao fortalecimento do vínculo de confiança, seja da criança com os familiares, seja da criança com os profissionais mais diretamente envolvidos nos procedimentos de rotina. Esse destaque ao vínculo tende a ser entendido como muito importante para ampliar o sentimento de segurança da criança hospitalizada. Nessas pesquisas envolvendo o trabalho com vínculos observa-se a importância de uma abordagem que respeite a

criança quanto à abertura para o contato, e o tempo de adaptação às novas situações vividas, muitas vezes geradoras de ansiedade.

De forma geral, os artigos valorizam a compreensão dos aspectos emocionais da criança, além da importância da interação e a sensibilidade do profissional. Compreende-se, aqui, sensibilidade como a capacidade de observação relativa à criança em suas nuances, possibilidades e limitações. Tais estudos mostram que cada profissional envolvido com a criança hospitalizada pode contribuir nesse processo de oferecimento de um ambiente favorável à expressão saudável da criança, com espaço para as diferentes formas do brincar.

No entanto, os estudos acima não são muito claros quanto ao como propiciar o brincar no período de hospitalização, de forma a não resultar em uma técnica padronizada, desvinculada da sensibilidade, ou seja, do discernimento e da reflexão sobre qual momento a criança se encontra em seu amadurecimento e quais seus desejos e necessidades. Como se trata de uma abordagem contextualizada, a criança não teria de se comunicar, ou de brincar, necessariamente. Mas pode ser auxiliada para tanto, sendo este o sentido da sensibilidade e da capacidade de observação do profissional para a avaliação do "quando" e "como" oferecer esse espaço para brincar.

Com base nessa lacuna de informações, tentou-se, através da presente pesquisa, realizar um roteiro para uma descrição passo-a-passo do processo de aproximação com a criança, de forma a estudar os aspectos psicológicos aí incluídos, compreender e sistematizar essas informações e permitir a reaplicação do procedimento, também e eventualmente por outros pesquisadores e profissionais. A proposta de se abordar o início da internação também adveio de uma lacuna encontrada nestas pesquisas, pois também não foi encontrado um trabalho que focasse

esse período crítico e que pesquisasse como a criança pode e consegue se comunicar em seus primeiros dias de internação.

Esta proposta de sistematização das observações da criança e de seu processo de brincar poderá ser útil ao entendimento do processo de brincar e das limitações, facilidades e dificuldades da criança recém hospitalizada em brincar.

Antes de concluir, parece importante analisar mais um ponto: a ação do psicólogo. Soares e Zamberlan (2001) questionaram o papel do psicólogo em hospital, e concluíram que cabe a este auxiliar no trabalho da equipe hospitalar investindo na recuperação física e emocional da criança. Com fundamento na abordagem comportamental, os autores enfatizaram que a intervenção da psicologia deve ir além da facilitação à adaptação da criança neste ambiente. Propuseram a participação da família nos cuidados à criança de forma a tornar o ambiente terapêutico também para os familiares. Enfatizaram o papel da preparação psicológica da criança no rol de procedimentos adotados junto com a proposta de inserção do brinquedo no ambiente do hospital.

Muito tem sido falado sobre humanização do ambiente hospitalar, o que parece ter um sentido muito objetivo: só pode acontecer quando houver clareza quanto aos diferentes papéis de cada profissional da equipe, para que cada um possa atuar de forma mais apropriada e objetiva. Em princípio, todo profissional pode brincar com a criança, seja de forma espontânea ou mediada por determinadas técnicas ou conhecimentos. Mas nem todo profissional tem de fazê-lo de forma sistemática. Sem dúvida, todo profissional deve respeitar o ritmo da criança, e ter sensibilidade sobre o momento do desenvolvimento em que ela se encontra. Mas essa não é uma tarefa fácil, uma vez que exige um certo distanciamento do profissional para com toda a rotina e

exigências as quais está inserido. Enfermeiros e médicos vivenciam cobranças constantes, e estão submetidos claramente a pressões diárias, acerca da vida e da morte do paciente e do estabelecimento de tratamentos, o que muitas vezes exige uma agilidade e agressividade constantes. Parece que neste momento entra a ação do psicólogo, que não estando submetido diretamente a tais pressões, e tendo em mãos o conhecimento acerca do desenvolvimento humano e das relações humanas, pode exercer uma ação pontual sobre as necessidades emocionais da criança. Isto não desvalorizaria de forma alguma a ação sensível de todos os outros profissionais na busca pela relação com a criança, mas poderia acrescentar novas nuances a seu trabalho.

Foi pensando em como aprofundar e enriquecer este tema que surgiu a presente pesquisa, e neste continuum, o próximo capítulo teórico tratará o tema do processo do brincar com base na teoria psicanalítica winnicottiana de forma a fundamentar a proposta de intervenção terapêutica e sua análise.

Capítulo 2: A FUNÇÃO DO BRINCAR E O ESPAÇO POTENCIAL: UM ESTUDO À

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