Segundo Quirino (2002), para elaborar a estruturação do problema é indicado um conjunto de reuniões com os envolvidos (decisores), quando se explica a metodologia e estabelece um contrato para utilização do modelo, com as seguintes etapas:
6.5.1. Orientações e Conceitos para Equalizar os Participantes
As decisões partem de um indivíduo ou de grupo de indivíduos (atores) quando se quer elaborar uma ação, desde uma situação mais simples, como um conjunto de ações mais complexas. De acordo com Ensslin et al. (2001) e Roy e Vanderpooten (1996), esses atores possuem seus sistemas de valores, interesses relevantes e visões diversas, para formatar uma decisão, que irão intervir ao longo do processo e tempo, com confrontações e interações das múltiplas preferências.
Ao iniciar o trabalho o pesquisador apresenta um conjunto teórico (usabilidade, inovação e antropotecnologia) que irá nivelar em termos de conhecimento os decisores e nortear o rótulo do modelo (percepção das inovações na usabilidade do metrô), para tratar de um problema real para o sistema metroviário, conforme os itens abaixo:
- Histórico do sistema metroviário lócus da pesquisa;
- Estrutura do sistema metroviário e diagnóstico da usabilidade; - Diagnóstico da infraestrutura tecnológica;
- Arcabouço Teórico - Levantamento do estado da arte sobre as temáticas: usabilidade, inovação e antropotecnologia.
- Introdução ao modelo MCDA-C – Compreende uma explanação sobre a relevância da metodologia e uma apresentação das partes ou etapas que envolventes para geração do resultado.
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6.5.2. Rótulo e Atores para o Modelo
Nesta etapa foi apresentado o rótulo (percepção das inovações na usabilidade do metrô) ou maior item norteador do modelo, para tratar de um problema real para o sistema metroviário, a saber:
- Apresentação do rótulo orientou a criação de todas as ações avaliativas no modelo (critérios);
- Envolvimento da empresa através de seus representantes; - Definição dos atores e suas atribuições
- Decisores - A alta diretoria do sistema metroviário;
- Representantes – Os funcionários que representaram os diretores;
- Moderador ou facilitador – O pesquisador condutor da pesquisa científica; - Agidos – Os usuários do sistema metroviário;
- Especialistas – profissionais de notório saber representantes empregados do METRÔ-DF.
Além da identificação e definição de todos os atores envolvidos no processo decisório. Foram também ratificados os representantes da organização que fizeram parte do grupo que contribuiu para a construção do modelo.
6.5.3. Seleção das Inovações para Avaliação
Foram identificadas as principais inovações do metrô após iniciar a operação comercial, para que o usuário tenha tido contato com o metrô antes e após a inclusão da inovação. Nesse sentido foram seguidas as seguintes etapas:
- Elenco de todas as inovações ocorridas após a operação comercial; - Seleção das inovações mais relevantes para a análise;
- Identificação das características das inovações selecionadas pelos decisores, tais como: título da inovação, Base tecnológica, solicitação do mercado ou do metrô, materiais utilizados, serviços oferecidos, benefícios, ano de implantação, país de origem e tipo de inovação.
6.5.4. Brainstorming e Pontos de Vista Fundamentais
Para identificação dos elementos de avaliação (critérios), utilizou-se uma ferramenta para geração de ideias (brainstorming ou tempestade de ideias). As identificações dos elementos levaram em conta alguns aspectos relevantes que foram estruturados com base no juízo de
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valor dos decisores, tais como: ações potenciais, objetivos estratégicos, perspectiva e consequências para atingir os objetivos.
Os elementos gerados, em princípio, recebem a denominação de Elementos Primários de Avaliação (EPA), pois são os elementos básicos de ligação com as inovações. Ao confrontar o EPA com os conceitos de cada inovação, ratificou-se ou descartou-se o mesmo. O EPA ratificado passou a assumir a classificação de PVF e suas ramificações confirmadas são chamadas de Pontos de Vista Elementares (PVE).
Resumo das etapas para definição dos PVEs: - Brainstorming para gerar EPAs;
- Mapas conceituais ou cognitivos para ramificar cada EPA;
- Filtragem das ideias ao confrontá-las com as principais inovações; - A partir da seleção têm-se os PVFs e PVEs.
6.5.5. Árvore de Valor e Taxas de Compensação
Com os pontos de vistas fundamentais e elementares, a próxima etapa foi a construção ou montagem da árvore de valor e identificação dos pesos ou taxa de transferência.
Detalhamento:
- Montagem da árvore de valor em que o PVF fica localizado a esquerda ou acima e o PVE mais a direita ou abaixo, como uma ramificação;
- À medida que a estrutura de árvore de valor já havia sido definida, logo, tornou-se necessário atribuir peso para cada elemento de seu conjunto e que cada conjunto tivesse valor de 100%.
6.5.6. Construção dos Descritores
Para cada PVF que estivesse posicionado mais na ponta da árvore (folha) foi construído um descritor. Tratou-se de definir um conjunto de níveis de impacto de cada questionamento ao usuário, para descrição dos desempenhos. Neste momento foram definidas também as localizações dos níveis “bom” (corresponde ao nível de impacto esperado satisfatório) e “neutro” (menor nível de impacto) para cada descritor.
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- Transformação do ponto de vista elementar da ponta da árvore de valor num questionamento;
- Indicação dos vários níveis de impacto que compõem as opções dos respondentes na coleta de dados;
- Marcação dos posicionamentos dos dois pontos básicos de respostas: “bom” e “neutro”; - Descrição das opções de orientação para o respondente.
6.5.7. Tabulação e Identificação do Nível de Impacto
Após a aplicação do roteiro de entrevista, a tabulação se tornou fundamental para a definição da pontuação de referência para cada critério. No modelo MCDA-C a pontuação que indica o nível de impacto dos respondentes é dada pelo cálculo da mediana.
Etapas para a pontuação dos descritores:
- Tabulação dos resultados e identificação da mediana;
- Definição das pontuações de referência com base na mediana.
6.5.8. Aplicação do Modelo no Sistema M-MACBETH
Na sequência estes dados foram introduzidos no sistema M-MACBETH, num procedimento de cadastramento de dados no aplicativo, para as seguintes tarefas:
- Cadastramento das referências de sistemas metroviários que a serem comparados: Metrô Máximo – O máximo de pontos possível; Metrô Real (o que for avaliado: DF, RJ, SP, PA, BH, NY, BA, etc.; e Metrô Mínimo – O mínimo de pontos possível).
- Inclusão da tabela de referência com base nos níveis “bom” e “neutro”.
- Cadastramento de cada ponto de vista elementar e fundamental como critério no sistema.
Figura 6.2 - Árvore de Valor de 4 critérios (cinza) com soma dos pesos deles de 100% Fonte: Quirino (2002)
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- Cadastramento da matriz de julgamento semântico para cada critério e identificação da escala de julgamento que foi criada.
- Introdução dos pesos para cada critério a partir da taxa de transferência, conforme figura 5.4.
6.5.9. Extração de Resultados no Sistema M-MACBETH
Finalmente, com os resultados foi possível avaliar a percepção de cada inovação, critério e a avaliação global, com geração de resultado com gráficos e tabelas para análise. Além de avaliar a sensibilidade do sistema, ao simular uma variação nas taxas de transferências de 10% para mais e para menos se pôde verificar se ocorreram grandes variações nos resultados. Para tal extração de resultados fez-se o seguinte:
- Atualização do sistema para gerar resultados nos formatos de tabelas e gráficos; - Comparação dos resultados dos critérios;
- Análise de cada inovação; - Avaliação global;
- Análise de sensibilidade ou de robustez.