6. OPPSUMMERING OG KONKLUSJON
6.2 Konklusjon
Em relação às características dos alunos, estas variaram bastante, tanto no tempo, quanto entre as escolas selecionadas.
Há escolas que assumem claramente que formam “líderes”, porém, apresentam uma preocupação com aspectos sociais, como no exemplo a seguir.
A gente procura atender a uma população de renda [...], uma população que tenha [...] que vão ser os líderes, mas a gente também tem um enfoque muito grande na população carente. (Diretor da escola A)
Há outras que “vivem” certa contradição ante a esse perfil e aquilo que se coloca como sua “missão”, assentada em valores cristãos.
O pessoal pensa que aqui só tem... é um colégio de ricos, aluno rico. Não. Está cheio de bolsistas. E também temos hoje, pela filantropia, nós temos também... bolsistas... bolsas para carentes. Tem gente aqui que a renda familiar é de um salário mínimo por pessoa. É gente... tem gente da favela e assim por diante.(Diretor da escola B)
Há até escolas com realidade muito diferente, pois a problemática marcante em relação ao corpo discente relaciona-se a certa desesperança, a certo descrédito quanto ao papel e relevância da escolarização para uma futura inserção econômica (mercado de trabalho) e social dos estudantes.
Hoje, os meninos, eles não tem eh, mais aquele [...] ele não tem muita perspectiva, então, ele não vê muita perspectiva na educação, ele não vê
perspectiva fora da esc [...] da [...], do mercado. Ele não vê, ele não vê nenhuma perspectiva pra ele. E a escola não está oferecendo nenhuma esperança, sabe. Não sei se a escola que não está oferecendo ou se nós não estamos conseguindo fazer isso, porque a realidade está aí fora e eles tão vendo isso toda hora. (Diretor
da escola D)
Outro aspecto muito destacado em relação a esta escola relaciona-se, especificamente, ao empobrecimento da população e a assunção, pela escola, das “funções familiares”.
Eu acho que mudou muito. A escola passou a ser a família. Eh, ela tem que lidar com a questão, a questão social em alguns momentos, [...] a questão familiar, a questão do desemprego. Então isso é constante dentro da escola. Então, você fica o tempo inteiro, o tempo inteiro recebendo pais que não dá conta do filho, eh [...] que, que também não tem perspectiva, sabe. E não é só classe [...] classe empobrecida não, a classe média também. Eu vejo isso, assim, crescendo a cada dia. (Diretor da escola D).
Em contrapartida, na outra escola municipal, a despeito de todos os problemas, muitas conquistas foram apontadas como oriundas da participação estudantil (via grêmio) e da articulação entre pais e mestres.
Esse colégio foi fundado, em 1992, lá na Avenida do Contorno 1313, com necessidade da comunidade que [...] vindo, oriundos de escolas particulares e que a classe média já não estava dando conta financeiramente de pagar. Então, a prefeitura abre uma escola no antigo Humberto Rosa, em 1992, para atender aquela comunidade mesmo de classe média que já não estava dando conta de sustentar financeiramente a escola particular. [...] Depois, eh..., se não me engano em 97, após uma imensa luta da comunidade, com a participação de pais, dos alunos do grêmio, entrando no orçamento participativo, nós conseguimos a compra desse prédio... (Diretor da escola C)
Ao mesmo tempo, esta escola caracteriza-se por grande pluralidade do corpo discente, atendendo não apenas a alunos oriundos da “classe média empobrecida”, como a alunos carentes financeiramente, oriundos e residentes na Grande BH, não apenas nas imediações da escola, como também a portadores de necessidades educativas especiais:
Nós temos gente de toda a BH. Inclusive, da grande BH. Nós temos alunos de Sabará, Ribeiro de Abreu, [...] de [...], à noite, nós fizemos uma pesquisa, deu mais de 95 bairros diferentes. Nós não temos uma comunidade homogênea e nem do local. Ela é de toda a grande BH. Ela é extremamente heterogênea. [...]
Por exemplo, nós temos de manhã uma paralisia cerebral, à tarde nós temos uma série de outras questões e à noite nós temos além dos hiper-ativos, nós temos 36 alunos surdos, onde há um projeto específico pra eles. Nós levamos agora pro fórum mundial de educação em Porto Alegre. Foi considerado o melhor do Brasil. (Diretor da escola C)
Em relação ao corpo discente das duas escolas estaduais, encontramos mais proximidades que distanciamentos, até por vivenciarem problemas semelhantes, relacionados ao financiamento do ensino médio, à “erosão” da autoridade do professor, ao relativo distanciamento entre escola e comunidade, entre outros. No caso específico das escolas estaduais, encontramos ainda menor dispersão espacial do corpo discente, oriundo das proximidades das escolas
Então a comunidade não participa muito não. Os alunos ajudam bastante também. Eles participam, tem o colegiado que tem os alunos... Os meninos [...] de muito longe não vem não, justamente por isso: porque quando eles são encaminhados pra escola, é de acordo de onde eles moram. (Diretor da escola E)
E, por fim, aparece também, a questão do aumento da violência nas escolas ou em seu entorno:
P) Aqui é um bairro de classe média?
(R): É uma coisa que nós até estamos estranhando. O entorno aqui, agora, está
ficando violento.
P): Pelo que eu pude observar pelos prédios, pelas casas, parece um bairro de classe média.
(R): Um bairro de classe média. P): E os alunos são daqui do bairro?
(R): A maioria. A maioria é daqui do bairro. (Diretor da escola F))
Porém, e apesar disso, há também a crença e a esperança no potencial criativo e renovador dos alunos, ao mesmo tempo em que reaparece a assunção, pela escola, de “funções familiares”, o problema do consumo de drogas, a desesperança na capacidade da escola de atender às demandas postasatualmente pela sociedade:
Ah, eu acho que o que nós temos de melhor e mais importante, não porque é o aluno, mas é a cabecinha deles. Eles são muito inteligentes, são muito atuantes, avaliam mesmo. [...] Eu acho que escola boa é aquela que atende realmente os alunos que necessitam de aprender. Porque a família não é aquela família tradicional que dava aquela educação de peso. Ela dá o que ela pode. Como que
ela pode dar uma educação, postura pro aluno, até ensiná-lo a conviver se o pai e a mãe saem cedo pro trabalho? Outros estão cheios de vício. Então, a escola tem que mudar esse [...] esse perfil, mas de incluir verdadeiramente. (Pessoa que
melhor conhece a escola F)
Com base em uma seleção que considerou essencialmente os critérios associados aos impactos que a freqüência a uma escola ou outra tem para que os estudantes obtenham uma vaga no vestibular da UFMG, pudemos constatar também as discrepâncias diante da composição do corpo discente de cada escola componente da nossa amostra. Selecionar escolas cujos discentes têm perfis socioeconômicos distintos não foi critério por nós utilizado. No entanto, esse dado transpareceu na pesquisa empírica, na medida em que, como pôde ser observado pelos excetos das entrevistas com diretores, supervisores, coordenadores de área, as questões próprias a cada grupo discente variaram de acordo com o tipo de escola selecionada (se pública ou privada, essencialmente).
Assim, embora tenhamos encontrado na pesquisa empírica desde escolas cujos discentes são considerados como os “futuros líderes”, até escolas cujos discentes estão “desestimulados”, ou “têm poucas possibilidades de se inserirem no mercado de trabalho”, este não foi um critério utilizado para a seleção final da amostra, mas certo “retrato” da desigualdade social presente na sociedade brasileira.
Todos os entrevistados apontaram também para as variações sofridas pelo corpo discente ao longo do tempo. E eles explicaram tais variações com base nos seguintes aspectos: deslocamento do campo de interesse dos estudantes (da área de exatas para a área biomédica, e desta, para a área humana); mudanças geracionais (os interesses e mesmo a participação política e social dos estudantes têm variado muito de uma geração para outra). Outro aspecto que eles destacaram quanto às mudanças no corpo discente diz respeito à maior ou menor participação política no próprio âmbito estudantil (participação no grêmio escolar, na União dos Estudantes Secundaristas, entre outras).