• No results found

A abordagem dos contos de Perrault, em quaisquer que sejam as realidades, francesa ou brasileira, prescinde de várias referencialidades temáticas, por sua vez, sustentadas pelas referencialidades teóricas. No Brasil são poucos os estudos exclusivamente dedicados à obra de Charles Perrault, destacando-se o estudo de Mariza Mendes o qual resultou na obra Em busca dos contos perdidos, oportunidade em que a autora aborda o significado das funções

femininas entre os personagens do escritor francês. Afora isso, a obra de Perrault é utilizada em conjunto com a obra de outros autores nos estudos relativos aos contos de fadas.

De início, os contos de Perrault remetem num primeiro plano aos ambientes da literatura infantil. Para tratar especificamente acerca da obra e do autor Charles Perrault, são imprescindíveis os trabalhos de Marc Soriano e Paul Delarue, Michele Simonsen. Do primeiro destes destacam-se Les contes de Perrault – culture savante et traditions populaires, Le dossier Charles Perrault e Guide de littérature pour la jeunesse. As duas primeiras referências desse autor são consideradas talvez a mais completa abordagem das questões que envolvem Charles Perrault e seus célebres contos dentro do contexto francês e mundial da literatura. Mas não somente isto, pois metade de Le dossier Charles Perrault, trata especificamente dos embates entre um acadêmico afeiçoado, mesmo indiretamente, ao Absolutismo francês e os escritores Boileau e Racine, estes, segundo Soriano (1972), considerados inimigos mortais de Perrault e os responsáveis, de certa forma, pela não inclusão do pai da literatura infantil nos manuais da história da literatura francesa. Isso refletia na rejeição das obras escritas por esse autor e nas quais ele se identificava, já que sua verdadeira obra de destaque paira sobre a ilegitimidade autoral e a possível atribuição da autoria ao filho, embora Soriano (1977) assegure a paternidade dos contos da “Mamãe Gansa” ao pai Perrault e não ao filho Pierre.

A percepção que se tem nos estudos de Marc Soriano é que parece impossível a ele examinar os contos de Perrault dentro do contexto francês sem enveredar também pelos vários aspectos da vida do escritor: não só a vida pessoal e familiar como a sua relação com o poder. Esta relação se expressa, sobretudo, pela relação de Perrault com o ministério de Colbert durante o reinado de Luís XIV, e por suas querelas com alguns intelectuais da academia. Em parte, esses embates se justificam também pelo considerável sucesso alcançado por seus contos maravilhosos, oriundos de um trabalho de coleta e de transposição para a escrita daquilo que ele próprio, despretensiosamente ou já temendo críticas, chamou de “bagatelas”. Foram elas as responsáveis por torná-lo, posteriormente, conhecido como o pai da literatura infantil. A literatura infantil é, aliás, o foco do último dos três estudos de Soriano, conforme mencionado anteriormente. O guia elaborado por este autor, com características de dicionário crítico, pretende responder aos pais e aos educadores sobre várias questões de ordem prática e teórica acerca do tema, dentre elas o problema da leitura.

No catálogo sobre o conto popular, elaborado em três tomos por Paul Delarue e Marie- Louise Tenèze, é possível encontrar os resultados de um trabalho de garimpagem e de

comparação entre versões dos contos populares da França, dentre os quais os de Perrault. Acompanhando esse estudo verifica-se a mobilidade das narrativas por entre a escrita e a oralidade, recebendo e fornecendo elementos que compõem novas versões. Estas são alimentadas pelo estilo do escritor a partir da apropriação resultante, provavelmente, de sua anterior condição de espectador da matriz desse conto, como fez Perrault. Ele demonstrou a propagação desses contos pelas vias da oralidade auxiliada pela memória e, com o aprimoramento dos tipos móveis, também pelas vias da escrita e do livro.

Uma das poucas referências brasileiras ao estudo dos contos de Perrault fica por conta de Mariza Mendes. Em Em busca dos contos perdidos a autora justifica o seu estudo lembrando o poder das mulheres, sacerdotisas ou deusas, no seio das comunidades primitivas de cujos ritos se originaram os mitos e, destes, os contos de fada. A partir da divulgação deste gênero, a autora destaca também os primeiros espaços de divulgação desses contos transportados para a escrita por Charles Perrault: os salões denominados de “As preciosas”. Para Mendes (2001) pode-se conjeturar sobre uma possível profecia contida nos contos de fada que anteciparia o advento do feminismo. Esse aspecto remete diretamente, neste estudo, ao artigo Perrault féministe? Escrito por Béatrice Didier na Revista Europe (1990), uma publicação que dedica vários artigos a Charles Perrault. Béatrice Didier, entretanto, não acredita na defesa feminista de Perrault senão com o intuito principal de atacar Boileau que na sua Satire X, de 1694, ataca as mulheres em contrapartida ao l’Apologie des femmes, escrito por Perrault. Apesar de inúmeros os personagens femininos nos contos de Perrault eles são, às vezes, escarnecidos. Em Desejos Ridículos, por exemplo, o marido enfurecido com as queixas de sua esposa deseja que uma morcela vá plantar-se em seu nariz. Em outras ocasiões, o modo de criticar a mulher se apresenta para o leitor por meio do próprio narrador dirigindo- se àquele durante a narração.

Na França, a obra de Perrault foi bastante estudada por Marc Soriano. Este dedicou boa parte de suas atividades de pesquisa a estudar esse escritor e sua obra. Jean Perrot é outro pesquisador francês que possui trabalhos sobre Perrault, porém aqui não se teve acesso senão a trabalhos desse autor relacionados à literatura e aos livros para crianças nos quais Perrault não é o centro das discussões. Entretanto, em Art Barroque, Art d’enfance, Jean Perrot destaca o caráter barroco de passagens da obra de Perrault, um registro que estimula o estabelecimento de novas relações na análise da obra desse autor em momentos futuros.

Contudo, a maior parte da obra de Perrault não encontra uma ressonância investigativa compatível com a sua importância para a literatura francesa, especialmente a infantojuvenil,

assegura Soriano (1977), apesar de seus contos o tornarem conhecido como fundador da literatura destinada às crianças. Por esse motivo, esse elo indissociável para o presente estudo retoma o cenário da literatura infantil e juvenil brasileira a partir de sua formação, da relação com suas raízes e de sua evolução da qual fazem parte os textos de Perrault. Para tratar desses aspectos os estudos de Nelly Novaes, Regina Zilberman e Marisa Lajolo se destacam na apreensão da realidade cultural brasileira. As autoras colocam lado a lado a relação da Literatura Infantil e Juvenil com os aspectos culturais, políticos e sociais da sociedade brasileira, resgatam autores e textos, comentam os principais problemas dessa literatura os quais são sempre evidenciados e ainda difíceis de serem solucionados. Assim, o acesso ao livro e à leitura, a formação do leitor e a sua emancipação cidadã continuam a perturbar esses e outros teóricos brasileiros que vêem nisso o caminho para a real independência do nosso país. Mas se isso parece óbvio para muita gente, não parece prioridade para outros tantos responsáveis pelas decisões que efetivarão as mudanças.

Em seu Dicionário crítico da Literatura Infantil e Juvenil Brasileira, Nelly Novaes realiza um minucioso trabalho de catalogação de autores e títulos constituindo um valioso trabalho para a história dessa manifestação literária responsável, entre outras coisas, por alimentar o imaginário infantil e juvenil com histórias, enredos, personagens e ilustrações que enriquecem a bagagem cultural do leitor em formação, não necessariamente aquele designado como criança ou jovem. Dentre os autores e textos mencionados nesse dicionário encontram- se aqueles textos adaptados dos de Perrault, um exercício que embora pareça não tornar menos fácil a difícil arte de escrever para criança, como afirma Sosa (1993). Em A Literatura Infantil este autor destaca o conceito, as características e as generalidades nas formas desse modelo literário, como o conto de fadas, expressão que intitula e caracteriza duas das obras de Nelly Novaes Coelho. Já as questões relativas à leitura no Brasil são abordadas por Marisa Lajolo e Regina Zilberman, que também discutem detidamente muitos aspectos da história da Literatura Infantil Brasileira.

O cenário da literatura para crianças e jovens no Brasil e a presença dos contos de Perrault dentro do repertório dessa literatura possuem antecedentes no contexto da literatura dita popular, pois é preciso considerar a arte de contar histórias não somente entre os adultos, mas também para crianças, uma prática de resgate dos contos populares e daqueles divulgados oralmente nas camadas ditas iletradas da população. Desse modo, faz-se necessário associar o conto oral e o conto na sua forma oral às questões relativas ao conceito de tradição e de cultura. Para entender o conceito de conto oral a leitura de Poétique du conte é essencial, pois

nela Nicole Belmont discute dois pontos importantes nos seus ensaios. O primeiro deles diz respeito à beleza e a riqueza dos contos de tradição oral, de acordo com ela, mal conhecidos ou provavelmente desconhecidos na França. O segundo ponto objetiva compreender a natureza desse gênero elaborado durante o processo de transmissão, uma situação incomparável à literatura escrita.

Questões relativas à tradição também estão presentes nas obras de Michele Simonsen, quando esta aborda o assunto em O conto popular e em Le conte populaire français. Essas duas obras se assemelham; poucos capítulos num e noutro se diferenciam e, de forma objetiva, tratam das características que circundam o conto popular, dentre as quais, a origem e a definição, a prática de contar, a difusão e os estudos morfológicos e semânticos dos contos populares. Na obra traduzida para o português, a segunda parte contém uma pequena antologia composta por narrativas recolhidas em regiões diferentes do território francês. Dentre as versões de textos de Perrault aparecem: Barba Azul; O Conto do Diabo, paralelo literário de O Pequeno Polegar; O Lobo e a Criança, paralelo literário de Chapeuzinho

Vermelho; As Fadas; Cinderela ou Borralheira e Pele de Asno.

Por sua vez, Cascudo (2006) aborda em Literatura oral no Brasil a temática da tradição oral em suas várias manifestações, dentre elas as do conto transmitido oralmente. Nesta obra o autor fornece importantes contribuições para fortalecer o entendimento desses aspectos no cenário brasileiro. Já no primeiro capítulo, o folclorista distingue o folclórico do popular. Todavia, diferentemente de Belmont, que focaliza o conto de tradição oral; de Simonsen, que enfatiza o conto popular; Cascudo destaca a literatura oral. Para ele, a literatura oral é a pura expressão da mentalidade popular diferenciando-se do folclore que se dedica a estudar essa característica imanente do povo. Reforçando aqui o entendimento de Cascudo acerca da expressão “literatura popular”, é possível traçar um paralelo com o discurso de Zumthor (1993, p. 48). Este, ao retomar as palavras de Paul Sébillot, o criador desta expressão em 1881, explica que tal expressão

designa, alternadamente e num sentido estrito, entre os etnólogos, um tipo de discurso com finalidade sapiencial ou ética; e, num sentido amplo, entre os raros historiadores da literatura interessados por estes problemas, todos os tipos de enunciados metafóricos ou ficcionais que ultrapassam o valor de um diálogo entre indivíduos: contos, jogos verbais infantis, facécias e outros discursos tradicionais, bem como as narrativas de antigos combatentes, as fanfarronices eróticas e tantas outras fortemente marcadas, urdidas em nossa fala cotidiana.

Cascudo também tira as suas conclusões a partir do estudo de Sébillot comentando que este teórico iniciou a denominação em 1881, porém a definiu aos poucos, conforme analisava as várias formas de manifestação populares possíveis de alcance pela expressão. Contudo, a característica principal, assegura Cascudo (2006, p, 21), “é a persistência pela oralidade”, pois a literatura oral compreenderia tudo aquilo que, para o povo desconhecedor da leitura sobre o escrito, reenvia a produções literárias. Para o folclorista os textos das fontes componentes do repertório da literatura oral, mesmo tendo sido mantidos e fixados pela tradição, surgem e são divulgados por meio da escrita. Se a escrita como a oralidade almejam a perpetuidade de suas produções por meio de um termo (tradição) que presume, inicialmente, a continuidade, o entendimento dessa palavra deve presumir também o seu contraponto, a contradição. Nesse aspecto, as considerações de Alfredo Bosi, de Gerd Bornheim e de outros autores de Cultura Brasileira - Tradição/contradição estarão presentes nas reflexões envolvendo a permanência e a ruptura no âmbito da conceituação dos termos cultura e tradição, destacados na terceira parte deste estudo.

Sendo, por um lado, a tradição terreno de cultivo e de perpetuação do conto popular, por outro lado, a relação da forma oral do conto suscita a necessidade de compreender como se comporta e como se relacionou a oralidade no meio das culturas e das sociedades que a utilizavam como instrumento fundamental de comunicação e de organização social, política, econômica e religiosa. Um dos estudiosos que exploram essa situação é Jack Goody, em A lógica da escritura e a organização da sociedade contemplando a organização social de sociedades com e sem escrita, respectivamente o Próximo Oriente da Antiguidade e a África Ocidental contemporânea. Esse contraste entre culturas orais e culturas escritas também é abordado por Goody (1994) em alguns capítulos de Entre l’oralité et l’écriture. Contudo, parece impossível discutir as questões da oralidade sem resvalar propositadamente no campo da escrita, pois de fato as fronteiras entre ambas são obscurecidas pela interpenetração de uma sobre a outra.

Ainda tratando da oralidade, Ong (1998), em Oralidade e cultura escrita, e Olson e Torrance (1995), em Cultura escrita e oralidade, representam bem a proximidade entre esses dois modelos de comunicação e de expressão da Humanidade, como se percebe pela inversão das palavras entre os títulos das duas obras. Ong (1998) destaca, porém, a invenção da escrita e a sua importância na transformação da mentalidade das estruturas sociais anteriormente acostumadas a pensar e agir por meio da oralidade. Ele destaca as culturas orais primárias ou culturas orais demonstrando aspectos do pensamento e da expressão dessas culturas cujos

resíduos ainda podem ser identificados na cultura escrita. Na obra organizada por Olson e Torrance vários autores discutem os aspectos orais e escritos da cognição, do discurso, da cultura e do conhecimento.

Por seu lado, Havelock (1996c) destaca, em Prefácio a Platão, dentre outras especificidades a respeito da poesia épica grega, aquelas relacionadas aos problemas da comunicação. Ele ainda enfatiza os elementos que ratificam a tese de Milman Parry a respeito dos epítetos tradicionais em Homero. A investigação desse autor foi utilizada como base para reflexões acerca da relação cultura escrita versus oralidade tanto por Havelock quanto por Walter Ong. Eles entendem que a obra de Homero (e citam a Ilíada como exemplo) conserva estruturas comuns às criações das culturas orais utilizadas, sobretudo, com vistas à conservação da matéria poética produzida. A obra de Walter Ong adotada neste trabalho constitui um imprescindível aliado metodológico para a justificação dos elementos sinalizadores de uma performance no interior da escrita da obra Contos de Perrault em suas várias versões brasileiras analisadas neste trabalho.

Havelock (1996a) estende suas discussões sobre o problema instaurado entre oralidade e cultura escrita constatando em A musa aprende a escrever que esse dilema não está restrito apenas ao contexto da Grécia antiga, mas persiste ainda no mundo moderno. Devido ao processo de transposição dos textos orais para o escrito tem-se diminuído o trabalho da memória na conservação e na reiteração dos conhecimentos cultivados. No caso dos contos de Perrault pode-se constatar a ocorrência de idas e vindas da matéria desses contos num movimento representado pela inserção do conteúdo narrativo nos contextos da oralidade e da escrita. Zumthor entra nesse questionamento para defender a oralidade como uma característica básica da manifestação da performance, mesmo que esta esteja diluída e pouco percebida na escrita. A referência mais específica acerca da performance e de toda a sua proposta, conforme as teorizações de Paul Zumthor, em vários de seus trabalhos, encontra espaço mais adequado no item 2.2 – REFERENCIAIS METODOLOGICOS. Por isso, a menção ao autor e sua discussão principal, neste momento, é tão-somente circunstancial.

Da mesma forma, os textos de Contos de Perrault são colocados no esteio da escrita com as mesmas possibilidades de transmissão e de recepção do espaço da oralidade, entretanto, mudam os procedimentos. No espaço da escrita, com a presença do livro e não mais de uma voz suprema, o coletivo tende a ser substituído pelo individual, o compartilhar na audição de uma história tende a ser substituído pela solidão da leitura solitária e silenciosa, e a transmissão antes construída pela presença de pelo menos dois participantes, o enunciador

e o receptor, tende a ser concentrada num único indivíduo que processa a leitura e a recebe conferindo-lhe sentido.

No encalce do sujeito leitor, dos contextos da leitura e do comportamento da escrita, Roger Chartier discute, em várias obras teóricas, essa problemática e abarca desde o período helenístico, época em que segundo Havelock (1996a), a musa aprende a escrever, até os dias atuais. No seu percurso direcionado ao mundo ocidental, Chartier dedica especial atenção à Europa e à França do Antigo Regime, dentre permissões e proibições, e ao mesmo tempo experimentando a passagem do manuscrito ao impresso. Em decorrência disso ele aborda ainda a propagação de textos e de bibliotecas particulares, a construção da figura do autor e a relação entre erudito e popular quando uma camada do povo passa a apropriar-se da escrita e da leitura propagada pelos colporteurs, livreiros, impressores ou ambulantes em meio ao desenvolvimento da tipografia.

Em Práticas da leitura, Chartier (1996) reúne textos de vários especialistas, como Pierre Bourdieu, Robert Darnton, Daniel Fabre e Jean Hébrard. De outro modo, sendo um especialista em história do livro e da leitura Chartier revela a sua preocupação com as novas técnicas e os novos mecanismos pelos quais se processa a comunicação, pois os considera aspectos que parecem ameaçar a escrita. Se a escrita foi vista um dia como uma ameaça à oralidade primordial, atualmente é sobre ela, sobre a ameaça de sua extinção, que já recai o olhar do teórico. Este refuta tal ameaça bem como a já propalada ameaça de desaparecimento do livro. Será a imaterialidade do texto eletrônico o real (apesar de virtual) substituto do texto escrito? A preocupação de Chartier serve mais para dirimir o medo e as dúvidas sobre essa nova revolução. Por outro lado, como será o processo de formação de leitores, a aquisição do gosto pela leitura e pela literatura num cenário ocupado cada vez mais pelo virtual? Será que os novos leitores desejam seguir o texto digital em detrimento da apropriação palpável e emotiva do livro. Novas possibilidades surgem e, como o livro, são novas ferramentas e espaços nos quais a literatura e os contos maravilhosos almejam também uma inserção.

Os debates envolvendo a oralidade e a escrita permearão todo o texto, embora a análise dos contos de Perrault seja feita a partir da forma escrita. Todas as discussões referentes aos ambientes desses dois modelos de comunicação e de expressão de culturas convergem para o interior da própria interpretação das narrativas. Assim, entender as “bagatelas” de Perrault suscita a compreensão de vários contextos (literatura infantil e juvenil, oralidade, tradição oral do conto, a escrita e sua influência sobre os contos de fadas) que circundam o tratamento, a manipulação e o processamento dos textos colhidos para estudo.

Por isso, os textos teóricos que remetem a tudos isso são referidos com maior frequência nas discussões e nas análises enquanto outros, não menos importantes, complementam esse processo formando o encadeamento lógico dos discursos.

RELATERTE DOKUMENTER