Figura 1 – Evolução da Web (fonte: Santos, 2010, p. 16)
Vivem-se tempos onde a concepção bancária de educação já não se adequa. A era da informação/conhecimento em que vivemos, não permite alunos onde se deposita informação estática e sem interligação. São tempos de alta definição e de altas velocidades. Se por um lado alguns autores como Pierre Lévy, são mais positivos em relação a essa realidade, Paul Virilio (1995, p. 35), alerta para a inexistência actual do “aqui e ali” e da perda de noção do “presente e do futuro” e de uma “utopia de tecnologias de comunicação”. Perante estas visões da actualidade, devemo-nos questionar acerca de como preparar um cidadão para uma sociedade dinâmica e em constante mutação?
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“promove a melhoria dos processos de input, elaboração e output que caracterizam o acto mental da aprendizagem. Através do treino sistemático de funções cognitivas, melhora-se a qualidade e a quantidade de captação de dados, melhora-se a utilização dos dados disponíveis e melhora-se a comunicação das soluções dos problemas que o individuo enfrenta na sua vida quotidiana”.
A geração nascida após 1980 apelidada de “geração 2.0” construiu-se na era da informação. Mesmo nos dias que correm ainda se ouve muitas vezes a frase - “O meu filho/a é que
percebe dessas coisas da informática”. Este é um erro gravíssimo. Grande maioria dos adultos
pensa que as crianças já vêm com programas base de “fabrico”. Pois bem, não vêm. A necessidade de uma aprendizagem estruturada é igual, agora, como era antes da década de 80. O mundo de facto mudou e como tal as exigências aos actuais recursos humanos são diferentes.
Quando Henry Ford inundou o mundo de carros, não foram as crianças que percebiam mais de carros do que os adultos, quando surgiu a World Wide Web, não foram as crianças a ensinar aos adultos. Houve certamente um momento em que os adultos decidiram que quem entende e melhor usa a tecnologia são os nativos digitais. Estas afirmações parecem exageros, mas se pensarmos bem...
Existem claramente duas eras identificadas, Industrial (geração 1.0) e da Informação (geração 2.0), respectivamente. As características estão há muito identificadas.
Geração 1.0 Geração 2.0
Relacionamento com a informação Passivo (consumo) Activo (construção) Gestão de tarefas monocrónica Policrónica Literacia Escrita e aritmética Multimédia Tempo de aprendizagem Just-in-case Just-in-time
Relacionamento com tecnologias Uso Habitação
Percepção do virtual É outro mundo É uma parte do mundo real Tabela 2 – Geração 1.0 vs Geração 2.0 (fonte: Figueiredo, 2009, p. 2)
O conceito de aprendizagem contínua é a realidade com que a sociedade (nativos e não nativos digitais) tem de encarar o futuro. Por essa razão as estratégias de aprendizagem têm de ser repensadas e será fundamental que todos os actores sociais participem e se identifiquem com esta mudança. Neste momento a aprendizagem está cada vez mais do lado do aluno. O professor é um mediador (posição já há muito defendida por Vygotsky).
O aluno actual vive num mundo de novas possibilidades de aprendizagem que o constituirão como um cidadão adaptado ao mercado de trabalho e aos consequentes desafios. O conceito
de “just-in-time” representa bem as expectativas do mercado de trabalho em relação ao aluno (futuro profissional). Se na era industrial era necessário acumular grande quantidade de informação, porque nunca se sabia quando seria necessário (“just-in-case”), actualmente pretende-se “aprender o que for necessário quando, e só quando, for necessário” (Figueiredo, 2009, p. 3). Esta estratégia não é sinónimo de laxismo, mas sim de um indivíduo, que independentemente da quantidade de informação ou perante qualquer problema em qualquer ambiente, tem uma estrutura mental que lhe permite encontrar e transmitir soluções. O recurso à tecnologia será sempre um recurso importante neste processo. Sublinhe-se importante, não imprescindível. Isto não quer dizer que se deixe de reter informação e que os conhecimentos aumentem ao longo do desenvolvimento do indivíduo, quer sim dizer, que se passa a ter uma estrutura cognitiva dinâmica em constante aprendizagem e actualização. Na linha desta ideia estão Lewis et al (1998) que afirmam que “os estudantes que saem hoje do sistema escolar terão necessidade de ser “reciclados” pelo
menos cinco vezes no decorrer da sua vida profissional e metade dos novos empregos exigirão o equivalente a 17 anos de formação a tempo inteiro” (como citado por Cabugueira, 2001, p.
317).
Outra característica do aluno actual (2.0) está relacionada com a capacidade de realizar várias tarefas ao mesmo tempo (“policrónica”). Este facto está directamente relacionado com a capacidade de usar múltiplos canais de comunicação com pares e professores, alterando por completo o conceito de espaço de aprendizagem (colaborativa/social) como se verá mais à frente. Estes múltiplos canais envolvem em grande parte a Web (2.0) que segundo Santos (2010, p. 31) é já uma read/write Web que tem claramente a capacidade de contribuir para a construção do conhecimento no futuro.
Brown e Adler (1996) afirmam que, “na aprendizagem social, os estudantes podem colocar
questões para clarificar áreas dúbias ou confusas, podem aprender através das questões colocadas pelos colegas sobre aspectos não entendidos e ouvindo as respostas fornecidas aos outros alunos” (como citado por Santos, 2010, p. 32). Desta forma é criada uma forma de
autonomia e empowerment. Ao ser criada uma discussão, cria-se uma aprendizagem onde se esclarecem questões comuns. Surge assim a oportunidade do professor intervir, fundamentar e mediar uma temática em solo dos nativos digitais.
Independentemente da disciplina ou do ano de ensino, tem de se repensar conceitos e ferramentas, como fóruns, aulas-pesquisa, construção colaborativa, educação presencial com tecnologia e muito importante também, reflectir sobre um possível equilíbrio entre aulas presenciais e virtuais. Nas artes em particular, as novas formas de representação da realidade em diferentes suportes e plataformas, são no âmbito desta vertente, uma clara preocupação. Ao longo dos tempos existiram várias tentativas, com sucesso, de aproximar as artes da sociedade em geral e quebrar a monotonia dos suportes artísticos canónicos.
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“A arte Dada deu corpo à ideia de deslocamento do eixo estrutural, em torno do qual a arte orbitava, abrindo espaço para a obsolescência do pedestal, da moldura, dos suportes tradicionais, para finalmente propor a integração entre arte e vida, autor e espectador, obra e objecto, indivíduo e sujeito” (Marco, citado por Sangoi,2006, p. 59).
O ensino não se pode alhear desta realidade. A quantidade de informação que nos rodeia, eleva a responsabilidade dos professores em interpretar e conviver com esse facto. É no ensino das artes, que “vive” uma das formas de elevar o patamar do conhecimento, onde a interpretação da realidade e consequentemente da imagem são uma das estruturas base.