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A participação coletiva é um atributo da pesquisa-ação. O coletivo realiza a obra da mudança e, ao mesmo tempo, é transformado. Cada qual com sua subjetividade, mas que o laço da cooperação conecta o edifício da intersubjetividade e, a partir de empatia, diálogo e negociação emerge o pesquisador coletivo.

Segundo Barbier (2007), o pesquisador coletivo é um grupo-sujeito de pesquisa constituído por pesquisadores e por membros implicados na pesquisa. Este grupo será o arquiteto das mudanças no plano da produção do conhecimento e da emergência de novas práticas da coletividade. O coletivo se organiza em torno de uma estratégia, tem sua história e se manifesta coberto de sensibilidade e afetividade. Na pesquisa-ação, o pesquisador está envolvido coletivamente: segundo o autor, não há pesquisa-ação sem participação coletiva.

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Por participação coletiva, entende que não há como compreender o mundo afetivo sem estar junto, sem fazer parte, sem ser constituinte neste processo de conhecimento, sem ser actante, na expressão do autor.

Quando o pesquisador participou do primeiro encontro com os professores da EC 05 procurou sensibilizar sobre a importância dos diálogos no sentido de fortalecer a construção da cultura da cooperação, tarefa comum a todos os que pretendiam trabalhar no coletivo da escola, no engajamento da pesquisa na perspectiva da metodologia da pesquisa-ação.

Os encontros subsequentes entre o pesquisador e os professores foram marcados por momentos de formação. A escola não previa em seu currículo a perspectiva da sustentabilidade, então, devido a essa lacuna curricular, as primeiras formações se concentraram no eixo da educação ambiental.

Após cada formação as conversas do grupo produziram resultados surpreendentes, pois os professores revelavam aos colegas suas percepções advindas daquele encontro formativo e como o evento teria sido significativo para a construção de outra visão de mundo a respeito das questões socioambientais. Organizados em uma roda, a cada instante um professor falava e os demais ouviam atentamente, de forma que cada qual podia expressar sua percepção, ante a escuta atenta e solidária dos colegas.

Os encontros ocorreram com os professores das quinze turmas de cada turno do 1º a 5º ano, de forma que essa abrangência foi bem construtiva, pois inseriu uma discussão relevante no seio do grupo acerca da educação ambiental, da escuta sensível e a importância do trabalho cooperativo. A construção da dinâmica do coletivo tinha como meta sensibilizar o grupo para a cultura da cooperação.

Então, durante toda a fase preliminar da pesquisa os participantes foram chamados a adotar algumas atitudes que deveriam ser perseguidas no cotidiano tais como hábito de ajuda mútua e de apoio mútuo, bem como confiança uns nos outros e de franqueza mútua. Caso contrário, os professores diziam que “tudo poderia não ocorrer conforme combinado” ou “acontecer de maneira desorganizada, jogando descrédito no processo”. Alguns diziam: “aqui na escola tem gente que assume as coisas no instante da reunião, mas, na hora de executar, demonstra pouco compromisso ou até mesmo deixa de dar o apoio ou ajuda necessária”.

Um dos primeiros gestos do grupo que sinalizou com a emergência do pesquisador coletivo no seio da EC 05 ocorreu quando no encontro de planejamento coletivo, os professores se olharam e assumiram que “pouco adiantariam aqueles encontros formativos que eles participaram, se o grupo não partisse para a prática, para a realização de ações

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concretas, de experiências de campo, partindo para enfrentar os desafios do interior mas também do exterior da escola”(relatos dos próprios professores).

Numa demonstração de confiança e de franqueza mútua constituíram o espaço para a participação de cada um na tomada de decisões coletivas e arquitetaram todo um roteiro de visita ao Ribeirão Sobradinho num clima de muita disposição cooperativa e praticando, incessantemente, o hábito da escuta e, ao mesmo tempo, tendo sua voz observada e considerado pelos demais colegas. Este planejamento foi muito significativo, pois estabeleceu um conjunto expressivo de ações necessárias para a primeira visita dos professores ao Ribeirão Sobradinho, definindo as tarefas do pesquisador e de cada membro do grupo.

O grupo visitou o Ribeirão Sobradinho conforme o planejamento, de forma que os professores faziam questão de externar a alegria pela oportunidade do contato real de observação da sub-bacia, mas, sobretudo, enalteciam o fato de que o plano traçado exaustivamente durante muitas reuniões de coordenação ocorria sem percalços e foi realizado de forma participativa pelo coletivo da pesquisa. Vale destacar que durante a visita, os professores da EC 05deram outra demonstração de compromissos uns com os outros e com a pesquisa, quando naquela margem do Ribeirão deliberaram, ao vento e a céu aberto, de que iriam realizar trabalhos pedagógicos relacionados à recuperação de um trecho da mata ciliar da sub-bacia do Ribeirão.

A partir daquela visita e do peso da deliberação de que iriam realizar ações de reflorestamento da mata ciliar, a pesquisa estava imbricada por um grupo que, na perspectiva da pesquisa-ação é denominado pesquisador coletivo, constituído pelo pesquisador e pelos professores da EC 05. Outra atitude que marcou a constituição do pesquisador coletivo, ainda na primeira visita, se deu quando o grupo assumiu a viabilidade de um trabalho de educação ambiental, para isso foi decidido incluir sustentabilidade no projeto político pedagógico da escola.

O pesquisador coletivo constituiu-se um grupo dinâmico e sua organização, ações e reflexões viviam um movimento em espiral, com princípio recursivo, aberto à escuta e acolhimento do outro. Em determinado momento da pesquisa o pesquisador precisou adotar uma estratégia que vinculasse o tema água ao trabalho pedagógico desenvolvido pela EC 05 e que estivesse relacionado às questões do Centro-Oeste, do Planalto Central, do Bioma Cerrado, do Distrito Federal e de bacia hidrográfica. Essa parte do currículo é trabalhada no 4º ano, então, em razão da temática água e da sub-bacia do Ribeirão Sobradinho, o pesquisador passou a trabalhar a partir do ano de 2017 com os professores e alunos do 4º ano.

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Os alunos do 4º ano estão matriculados em seis turmas, organizadas de forma alfabética do 4º A até o 4º F. A partir de 2017 o pesquisador coletivo foi constituído pelos professores dos quartos anos e que realizaram diversas atividades vivencias de educação ambiental durante todo o ano letivo.