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Konklusjon - min tolkning av resultatene

In document Design med og for eldre (sider 71-83)

7. Analyse og diskusjoner

7.8 Konklusjon - min tolkning av resultatene

O presente estudo buscou, a partir da ótica dos agentes comunitários de saúde, identificar processos no âmbito do trabalho e da vida que se constituíam como cargas de trabalho, além de identificar potenciais de fortalecimento e desgaste. Visava-se verificar se tais sujeitos estabeleciam nexos entre esses processos e o processo saúde-doença.

As cargas de trabalho são inerentes ao processo de trabalho, de tal maneira, que é impossível eliminá-las. Dessa forma, são necessárias ações para apoiar a diminuição do desgaste dos trabalhadores e fortalecê-los para o enfrentamento de situações. Tem-se como horizonte maior que os agentes comunitários de saúde compreendam a forma como se produzem os processos de desgaste e que possam fortalecer-se para desenvolver o trabalho minimizando, tanto quanto possível, danos a seu corpo biopsíquico.

Geralmente, os trabalhadores da saúde estão expostos a variados tipos de cargas de trabalho, mostrando-se predominantes as de ordem biológica e psíquica, dada a natureza do trabalho desenvolvido. Mesmo assim, no presente estudo, as primeiras cargas mencionadas foram menos prevalentes que as psíquicas. Estas se evidenciaram, sobretudo, nas interações entre os agentes comunitários e a equipe de saúde, assim como devido em decorrência de pressões de várias ordens, advindas do cotidiano de trabalho, em relação às quais os ACS mostraram-se impotentes para o enfrentamento da grande maioria desse tipo de situações. Isto porque, conforme se verificou na apresentação dos achados do estudo, mesmo que em algumas Unidades de Saúde valorize-se a atuação dos ACS, seu espaço para vocalização e viabilização de propostas é aparentemente restrito.

Os agentes comunitários demonstraram crer na relação entre o adoecimento e o desgaste conseqüentes à forma de viver e à forma como transcorria seu trabalho. Na singularidade da vida de cada um dos sujeitos tais processos mostram-se particulares, entretanto, quando se considera a categoria dos agentes comunitários, verifica-se um determinado perfil de adoecimento e desgaste. É necessário destacar que o presente estudo

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trabalhou com um grupo de agentes comunitários de saúde, sendo assim, seus resultados não devem ser generalizados, sem apropriar-se de modos específicos de vida e de trabalho que se relacionam ao território estudado, assim como à instância institucional que se refere à Unidade de Saúde cenário de estudo.

De modo geral, a indefinição quanto às atribuições dos agentes comunitários e o fato de suas ações muitas vezes encontrarem-se na fronteira da divisão do trabalho com outros profissionais que compõem a equipe de saúde, faz com que se sintam desvalorizados e com a auto-estima diminuída em relação ao seu trabalho, o que dá origem a sentimentos negativos, que se somam ao desgaste decorrente da vivência de outras situações devidas tanto ao trabalho, como à vida.

Assim, mostrou-se patente a necessidade de intervir nesse processo de trabalho, buscando apoiar esses trabalhadores que tem se mostrado importantes no desenvolvimento da estratégia Saúde da Família e na consolidação do Sistema Único de Saúde.

Tais intervenções devem necessariamente incluir a participação dos agentes comunitários, pois, caso isso não seja levado em consideração, corre- se o risco destes não as reconhecerem como alternativas para melhora de seu trabalho, ou implementar intervenções alheias a suas necessidades. Essa ponderação não se restringe aos agentes comunitários de saúde, mas a qualquer trabalhador, que, ao não se sentir ouvido, pode vir a não acatar propostas, admitindo-as como impositivas e verticalizadas.

Observou-se que os agentes comunitários apresentaram-se bastante interessados em dar visibilidade ao seu trabalho, assim como em divulgar sua importância, junto à comunidade e aos demais trabalhadores da saúde, bem como mostraram-se dispostos e muito estimulados em participar de espaços que possibilitem tematizar sobre tal profissão.

No sentido de contribuir para a modificação dos processos de desgaste aos quais estão expostos os ACS, mostra-se necessário, como bem foi explicitado nas propostas aventadas pelos trabalhadores, que a seleção, a

capacitação e o salário-base sejam eqüitativos, pois isso possibilitaria seu fortalecimento como categoria profissional.

Além disso, considerando-se a implementação do PSF, que se coloca como estratégia de reorientação do modelo assistencial defendido pelo SUS, mostrou-se evidente a necessidade de intervenções junto a outros trabalhadores de saúde, com o intuito que percebam o agente comunitário como profissional dotado de saber específico, cuja profissão, embora recente, é de suma importância, mesmo considerando-se o Município de São Paulo. Isto porque a cidade de São Paulo integra um mosaico heterogêneo de situações de ocupação territorial, assim como de relações técnicas e sociais que acabam por comportar esse profissional em espaços cujas famílias dependem de ações específicas de saúde para as quais os agentes comunitários têm contribuído.

Os achados do presente estudo revelaram que os ACS merecem respeito e reconhecimento por seu trabalho, na medida em que apresentaram particularidades de compreensão a respeito das necessidades de saúde das famílias, assim como de formas para lidar com as mesmas que, muito provavelmente os demais profissionais da saúde não teriam meios e instrumentos suficientes e apropriados, e tampouco, lógica de pensar as necessidades, pois não convivem intimamente com a realidade onde estão radicadas as determinações da saúde-doença.

Outro fato que cabe ser apontado é a necessidade, sempre presente, de que os gestores defendam e concretizem os princípios que regem o Sistema Único de Saúde. Isto significa ampliar a cobertura de assistência, mas ao mesmo tempo, dotar as ações de saúde da qualidade necessária para que as intervenções não se reduzam a estatísticas que pouco contribuem para modificar os perfis epidemiológicos.

Nesse sentido, cabe aos gestores, também, zelar para que os processos de trabalho se concretizem da forma mais saudável possível, pois é no processo de produção da saúde, que se define a arquitetura dos projetos de intervenção em saúde. E, não se pode esquecer, que tal processo integra o

ambiente físico, assim como processos interativos que envolvem sujeitos dotados de desejos, de afetos, de potencialidades, de projetos, assim como de dificuldades no exercício da vida.

Advoga-se, portanto, que a atuação do agente comunitário não se limite ao quantitativo de visitas domiciliárias que devem ser cumpridas em função de metas estabelecidas sem sua participação, posto que esta se colocou como uma das mais presentes questões no desenvolvimento da investigação. Os achados do estudo mostram que a produtividade que se restringe à lógica anteriormente mencionada não contribui para modificar as desigualdades e as necessidades apresentadas pela maior parcela da população.

Há que se valer do potencial dos agentes comunitários na construção de um projeto para a transformação das necessidades de saúde da coletividade. A contribuição de tais sujeitos, que operam como mediadores entre a população e a Unidade Básica de Saúde, é fundamental, desde que os processos de trabalho sejam compartilhados e horizontalizados.

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