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Del IV: Analyse

Kapittel 7: Konklusjon og betraktninger omkring studien

7.3. Konklusjon

i. Entre os primeiros meses de 1972 e os finais de 1975 os Capitães do Fim

comandaram cerca de 114.000 militares de diversas patentes: Alferes, 1os Sargentos, Furriéis, Cabos e Soldados, nos três territórios operacionais de Angola, Guiné e Moçambique. Era importante ouvir estes efectivos para reforçar, ou contraditar, o que foi expresso pelos Capitães do Fim no QC e restantes instrumentos utilizados.

Esta numerosa população seria intratável para o investigador, pelo seu tamanho, pela impossibilidade financeira para a sua realização, e por não caber no âmbito de um doutoramento. Por outro lado, haveria uma dificuldade imensa, diremos mesmo impossibilidade, em encontrar todos os seus constituintes. Enfim, uma missão irrealizável para quem investiga de forma solitária, e sem quaisquer outros apoios que não sejam os da sua proveniência. Era pois imprescindível achar uma amostra probabilística, estatisticamente fiável, para realizar o trabalho.

78 Veja-se Apêndice (Ap I. 6). 79

A população previsivel de subordinados atingiu o valor de N=114.000 e considerou-se uma estimativa de erro até 5%, como convém em Ciências Sociais. Efectuados os cálculos adequados, através da expressão matemática explicitada em roda-pé80, obteve-se o seguinte valor: n=383, com significância e representatividade

ii. Utilizando só a Internet, o primeiro passo consistiu em pesquisar, em todos os

blogs de Companhias comandadas pelos Capitães do Fim, correios electrónicos lá existentes dos seus subordinados.

Depois foi, utilizando o mesmo processo, percorrer as associações de antigos combatentes.

A terceira estratégia foi pesquisar, aturadamente, nos dois blog’s mais completos e vistos da Guerra do Ultramar: Ultramar.Terraweb e Luís Graça & Camaradas da Guiné, tendo, neste último, analisado a Tertúlia do Blog e a Lista de Camaradas Tertulianos ex-Combatentes da Guiné81.

Ainda, por fim, os endereços dos representantes das Companhias (procura de ex- combatentes/listagem) que combateram em Angola, Guiné e Moçambique82.

O inquérito por questionário enviado83 combina perguntas abertas e fechadas, dando ao informante, que o desejar, a possibilidade de discorrer sobre o tema em questão84. É anónimo e está elaborado de forma a obter muitas respostas rápidas e precisas. Percepcionou-se algumas desvantagens na sua utilização: a percentagem de retorno poderia ser pequena; a devolução tardia o que prejudicaria o andamento da pesquisa; um número significativo de perguntas sem respostas; dificuldade de compreensão das perguntas por parte do respondente e a dificuldade de

80

Sendo a dimensão da população estimada finita, a definição da amostra fez-se pelo seguinte procedimento estatístico: 2 Z pq N 2 2 e (N – 1) + Z pq n =

Onde: n = Tamanho da amostra; Z = Nível de confiânça escolhido, expresso em número de desvio padrão; p = Percentagem com a qual o fenómeno se verifica; q = Percentagem complementar; N = tamanho da população; e = Erro estimado. Desta forma obteve-se o tamanho da amostra correspondente a 383 indivíduos (Cf. Pocinho 2009: 18).

81http://ultramar.terraweb.biz/ e http://blogueforanada.blogspot.pt. (vistos em 05.07.2010 e dias ss.). 82

http://guerracolonial.home.sapo.pt/encontroangola.htm, (visto em 05.07.2010 e dias ss.).

http://guerracolonial.home.sapo.pt/encontromocambique.htm, (visto em 05.07.2010 e dias ss.).

http://guerracolonial.home.sapo.pt/encontroguine.htm, (visto em 05.07.2010 e dias ss.).

83 Veja-se Apêndice (Ap I. 2). 84

algumas pessoas responderem por escrito. Quanto à formulação das questões, teve-se cuidado na sua elaboração, para não resultarem perguntas ambíguas ou tendenciosas. As perguntas foram construídas tendo em consideração a provável sequência do pensamento do pesquisado.

Apesar destes inconvenientes, não se poderia utilizar outro instrumento de indagação se se quisesse obter a opinião do maior número possível de comandados, como era ambicionado.

iii. Todos estes questionamentos já haviam sido formulados aos Capitães do Fim

no QC. Estava agora em jogo o cruzamento de dados. Para a elaboração do presente instrumento teve-se, por esse facto, o cuidado de utilizar a técnica do estreitamento conceptual a qual implica “iniciar o questionário com perguntas gerais, chegando pouco a pouco às específicas” (Lakatos e Marconi 1985: 186). Assim, o inquérito apresenta sete questões, havendo em quatro a possibilidade de responder discursivamente. A questão número cinco reveste-se de importância capital, pois tenta comparar os Capitães do Quadro Permanente, em termos de desempenho, com os

Capitães do Fim.

O inquérito foi estruturado utilizando uma das virtualidades dos programas de texto que possibilitam a criação de áreas exclusivas de preenchimento, facilitadoras do seu completamento pelo respondente, como também a remessa e recepção por correio electrónico.

O inquérito foi distribuído, via correio electrónico,a 383 comandados, em 28 de Novembro de 2010.

Um processo de investigação, que usa a técnica do inquérito, apresenta como desvantagem “a pequena percentagem dos questionários que voltam […] e o grande número de perguntas sem respostas” (Lakatos e Marconi 1985: 179). Para minorar esse problema, utilizaram-se as orientações de Sierra Bravo (2001: 319) e Bruce Tuckman (2000: 87) para o envio por via tradicional, ou seja, repetir o envio. Assim, enviou-se o inquérito por duas vezes, em dois períodos diferentes, com um intervalo espacial de dois meses.

O primeiro envio, como já referido, foi feito a 28 de Novembro de 2010 e o segundo a 28 de Janeiro de 2012. No primeiro foram recebidos 101 inquéritos e

devolvidos 89 pelo sistema (na maioria das vezes pelo facto d a s caixas do correio de destino estarem cheias). No segundo foram recebidos 34.

Ao longo dos dois períodos de envio, notou-se que os pedidos de preenchimento subsequentes tiveram menos efeito no inquirido, no sentido de o motivar para o seu preenchimento.

iv. Em termos de percentagens de taxas de retorno de inquéritos S i e r r a Bravo (2001: 320) e Pamela Alreck (1995: 35) referem taxas entre 30% e 40% como sendo boas taxas de retorno. Opinião semelhante tem David Fox quando em 1987 menciona que poucas vezes o número de inquéritos recolhidos ultrapassa os 50 % e, em particular, na investigação social não é maior do que 30%. Neste estudo obteve-se uma taxa de retorno de 37% , o q u e c o r r e s p o n d e a 1 3 5 r e s p o n d e n t e s (36 Guiné, 40 Moçambique, 59 Angola), a qual, de acordo com as opiniões expressas, se pode considerar dentro das boas expectativas(cf. Pinheiro e Silva 2004: 522-529).

Embora antevendo a existência de uma grande quantidade de “não respostas” nos inquéritos, largamente citadas pelos autores anteriores como previsíveis, aconteceu serem as questões de resposta concisa e fechada todas respondidas, o mesmo não se verificando com as respostas abertas. Na questão dois houve 28,04% de não respostas; na questão cinco 25,25%; na questão seis 14,32%; na questão sete 52,2%.

Constata-se a incidência de “não respostas” nas questões abertas e uma maior percentagem nas questões finais, em particular na questão sete.

Foram calculadas as percentagens obtidas nas questões fechadas, e para as questões abertas foi efectuada uma análise de conteúdo, predominantemente baseada no contributo de Berelson (1952), considerada como uma “técnica de investigação que procura uma descrição objectiva, sistemática e quantitativa do conteúdo manifesto da comunicação” (in Santo: 2010: 67).

7.4. Construção da amostra e do QC